quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

CAIO BLINDER- Passarinhos & Avestruzes (Venezuela & Ucrânia

A situação na Venezuela está enrolada. Eu não vou quebrar a cabeça. De mão beijada, há um texto do guru Moisés Naím (quase uma semana sem mencioná-lo na coluna) e ainda por cima na edição em português do El País. Existem algumas comparações interessantes com a Ucrânia no artigo publicado antes da fuga de Viktor Yanukovich de sua casa de campo com avestruzes. Não faz o meu gênero meramente transcrever um texto. Aqui está na íntegra para os leitores. Quero destacar alguns pontos, com alguns retoques meus:
1) Existe um estado de rebelião contra o chavismo na Venezuela. Infâmia chavista dizer que é coisa de fascistas e mentira apontar como movimento de classe média. Mesmo com fraude e estado aparelhado, Nicolás Maduro venceu as eleições presidenciais do ano passsado com diferença de 1,5% sobre o oposicionista Henrique Capriles. Metade da Venezuela não é de classe média. O país fica na América do Sul e não na Escandinávia. Milhões de pobres estão protestando, os pobres que o chavismo diz representar.
2) Os protestos estudantis simbolizam a perda da principal mensagem política em que Hugo Chávez baseou sua popularidade: a denúncia do passado e a promessa de um futuro melhor. O chavismo é o passado.
3) Enfrentar Maduro é enfrentar, na expressão de Moisés Naim, a “grotesca” influência de Cuba na Venezuela. Cuba exporta técnicas repressivas e más ideias políticas e econômicas.
4) Se o chavismo acabar, a América Latina estará em dívida com os jovens venezuelanos que não tiveram medo de enfrentar um “governo que faz o impossível para que tenham medo”. Dona Dilma precisará dar explicações, pelo papelão, para o “povão” que foi às ruas protestar nas últimas semanas na Venezuela.
Em um adendo, eu recomendo também a leitura do texto publicado no New York Times por Francisco Toro, o fundador do site Caracas Chronicles, já paparicado pela coluna. Duas rápidas observações:
1A) “Fascistas” é a expressão favorita do regime chavista para rotular dissidentes. A Maduro escapa a ironia (escapa tanta coisa) que uma pedra de toque do fascismo é justamente a recusa para reconhecer a legitimidade da opinião dissidente.
2B) A brutalidade da resposta de Maduro aos protestos é autodestrutiva. Chávez nunca foi tímido para chamar a oposição para a briga, algo crucial para mobilizar a base. No entanto, Chávez por instinto sabia dos limites destas táticas e nunca empreendeu uma repressão na escala do infeliz que ele escolheu para sucedê-lo. A revolução devora seus filhos e em muitos casos é devorada por eles.
No meu arremate, Maduro, ouvinte de passarinhos, é mais da escola de truculência, inépcia e burrice na qual também estudou Viktor Yanukovich, o criador de avestruzes.

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