terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Caio Blinder- A viseira de Maduro

O regime chavista hoje é conduzido de forma cada vez mais desgovernada pelo ex-motorista de ônibus Nicolás Maduro. Ele tapa a boca da imprensa livre (veja coluna de segunda-feira) e tem uma viseira para se proteger da realidade. É um tapado. Este é um regime que se recusa a ver a realidade e sufoca quem está disposto a mostrar as coisas com todas as luzes.
Na Venezuela de hoje, com a ocupação literal do espaço pelas milícias chavistas (os colectivos), está cada vez mais difícil exercer a política livre, fazer uso das liberdades individuais, contar o que está acontecendo ou recomendar o caminho para o país sair do buraco. Neste contexto, a oposição radicaliza na briga para inclusive ocupar espaço físico e as indicações são de enfraquecimento da liderança mais moderada do ex-candidato presidencial Henrique Capriles.
Já os canais de livre comunicação são cada vez mais estreitos. Esta coluna é amiga de um site vital para quem está dentro e para quem está fora da Venezuela. Com sua visão ampla, sem viseiras, do que se passa, o site Caracas Cronicles se pauta por independência, inteligência e incredulidade. Agora em fevereiro, ele perdeu o seu mentor, Francisco Toro, o Quico, (imaginem, ele também é obcecado com a crise no Sudão do Sul). Há uma nova direção e uma remodelação gráfica. O site continua sendo o bom colectivo. Lá estão textos instigantes como os de Juan Cristobal Nagel.
Na segunda-feira, o destaque na “home” do Caracas Cronicles era o texto It’s the Institution, Stupid!  Nagel recorre ao já clássico livro “Por que as Nações Fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robinson, cujo argumento central está na diferenças entre países com instituições inclusivas e extrativistas. Os primeiros permitem que a riqueza seja disseminada pela sociedade, enquanto os extrativistas são aqueles que concentram a renda em uma elite privilegiada. Surtos de crescimento ou a “comodidade” de exportações de alguma commodity, como petróleo, permitem a um país extrativista faturar por um tempo, em particular com políticas sociais populistas, como é o caso da Venezuela.
No entanto, o desenvolvimento em todos os sentidos apenas é sustentável com instituições inclusivas. Acemoglu e Robinson observam que instituições políticas extrativistas concentram o poder nas mãos de uma elite estreita (cheia de viseiras, no meu complemento) e colocam pouco controle no exercício do seu poder.  O extrativismo econômico naturalmente acompanha o político. O desenvolvimento de instituições econômicas inclusive (sic!) depende do surgimento de instituições políticas igualmente inclusivas, que atendam a um conjunto amplo de diferentes interesses e representem uma grande diversidade de atores políticos.
A transformação das instituições econômicas na Venezuela (com plena pluralidade de oportunidades, o respeito a propriedade privada, o acatamento dos contratos e um judiciário independente) depende da política, da mudança de regime, do fim do chavismo. Quem tem viseira não enxerga isto ou quer ser protegido desta realidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Seguidores

Arquivo do blog

LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.