sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O fascismo segundo Gregório Duvivier

O comediante Gregório Duvivier, um dos criadores do “Porta dos Fundos”, escreveu em sua página do Facebook uma mensagem que merece atenção, pois expressa a opinião de uma parcela razoável da nossa esquerda. Diz ele:
Era isso que os governantes queriam: que a classe média ficasse contra os manifestantes. Já estava acontecendo há um tempo, com ajuda de grande parte da imprensa. Agora, com a morte de Santiago, o jogo virou de vez. Os manifestantes (todos) viraram assassinos e a esquerda agora é acusada de compactuar com o assassinato. Não foi à toa que tentaram vincular, sem sucesso, o cara do Rojão ao Marcelo Freixo. Pre-pa-ra que agora o fascismo vem com tudo. Não tem nada mais facilmente manipulável do que a classe média apavorada. A morte do cinegrafista foi, definitivamente, uma tragédia. Mas foi uma tragédia muito celebrada. Era a tragédia pela qual o pessoal tava esperando. Brace yourselves, diz o seriado. Em bom português: fica esperto.
São muitas inversões. Para começo de conversa, a classe média não estava – e não está, acredito eu – contra os manifestantes. Está – e já estava – contra os black blocs, que é algo bem diferente. Só o fato de chamar os vândalos mascarados de “manifestantes” já denota certa falta de bom senso. Manifestantes não saem por aí mascarados, armados, quebrando tudo, depredando patrimônio público e privado, colocando vidas inocentes em perigo.
Portanto, não são todos os manifestantes, como afirma o comediante, que se tornaram “assassinos” e que compactuam com a morte do cinegrafista. São aqueles que acreditam que os fins “nobres” justificam quaisquer meios, que se enxergam como revolucionários para a criação de um “novo mundo”, que colocam máscaras e apontam rojões para pessoas, aplaudidos por parte da esquerda.
A associação entre Marcelo Freixo, do PSOL, e os black blocs, não foi uma tentativa “deles” de atacar a esquerda como um todo, e sim uma denúncia do próprio advogado dos assassinos, respaldada por várias evidências. A mãe do próprio assassino, não custa lembrar, afirmou que o garoto conhecia Freixo, e um assessor seu é o responsável pela ONG que financia as custas jurídicas desses marginais.
A lista de financiadores, divulgada pela imprensa, mostra vereador do partido doando dinheiro para os black blocs. “Sininho”, a patricinha revolucionária que lidera parte do grupo, teria ligações com gente do partido também. Aliás, resta saber como ela se mantém, de onde vem seu sustento.
Como se pode ver, são questões que precisam ser melhor apuradas, investigadas. Estranha-me Duvivier, em vez de demandar mais investigação, partir para uma acusação invertida, jogando a culpa para a imprensa “golpista” em uma teoria conspiratória bem mixuruca.
Em seguida, Gregório alerta para o risco de um fascismo galopante, e manda seus leitores ficarem preparados. Não sei se o comediante sabe, mas são os próprios black blocs, que ele pelo visto defende, que tanto se parecem com os fascistas. Os camisas negras de Mussolini agiam neste mesmo estilo truculento e se julgando acima das leis. Como alguém pode alertar para o risco de fascismo e ao mesmo tempo defender os black blocs é algo que me escapa por completo.
Diz ele que nada é mais manipulável do que uma classe média apavorada. Eu diria que nada é mais manipulável do que uma massa de revoltados sem consciência política, histórica e econômica, incitada à violência por artistas e “intelectuais” da esquerda caviar “revolucionária”. Foi assim que tivemos as desgraças socialistas e nacional-socialistas.
Por fim, afirmar que a morte do cinegrafista foi uma tragédia celebrada foi, talvez, a piada de menor graça feita na carreira do comediante. É ofensiva, agride todos aqueles que lamentam profundamente a perda, e que, como eu mesmo, cantavam a pedra faz tempo, pois sabiam que os atos criminosos dos mascarados jamais poderiam acabar bem.
Duvivier deveria ter mais respeito por aqueles que sofrem com o caos social imposto por marginais aplaudidos pela esquerda caviar. O recado é válido: fica esperto. Mas não com aquilo que o comediante diz, e sim com os próprios fascistas mascarados que se julgam acima do bem e do mal e estão dispostos a rasgar nossas frágeis instituições democráticas em nome de sua causa niilista. Para eles, Santiago Andrade foi apenas um ovo quebrado para se fazer uma ótima omelete…
Rodrigo Constantino

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