terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Rodrigo Constantino- Quando a “coragem” só vem em bando…

Alguns colegas do black bloc indiciado por ter ajudado a jogar o artefato que matou o cinegrafista Santiago Andrade foram visitá-lo na delegacia, e houve confusão com alguns cinegrafistas presentes no local. Aquela tal de Sininho (nome adequado para quem sofre da Síndrome de Peter Pan e se acha eternamente adolescente) os acusou de “carniceiros”, e um amigo avisou, em tome de ameaça: “Você será o próximo”.

Nisso, coberto de razão, o cinegrafista deu com a câmera na cabeça do vagabundo, e partiu para cima dele. Sozinho, sem seu bando de 40 ou 50 comparsas, no mano a mano, restou ao black bloc sem máscara recuar, buscar abrigo atrás das moças que o acompanhavam.  Tudo isso nos remete à análise que Gustave Le Bon fez sobre a psicologia das massas no final do século 19. O estudo exerceu forte influência em Freud. Eis um resumo das conclusões:

Uma massa é como um selvagem; não está preparada para admitir que algo possa ficar entre seu desejo e a realização deste desejo. Ela forma um único ser e fica sujeita à lei de unidade mental das massas. No caso de tudo pertencer ao campo dos sentimentos, o mais eminente dos homens dificilmente supera o padrão dos indivíduos mais ordinários. Eles não podem nunca realizar atos que demandem elevado grau de inteligência. Em massas, é a estupidez, não a inteligência, que é acumulada. O sentimento de responsabilidade que sempre controla os indivíduos desaparece completamente. Todo sentimento e ato são contagiosos. O homem desce diversos degraus na escada da civilização. Isoladamente, ele pode ser um indivíduo; na massa, ele é um bárbaro, isto é, uma criatura agindo por instinto.

Ou seja, uma criança mimada com uma bazuca na mão, assim é uma massa de autômatos. Seus desejos se confundem com direitos, e ai de quem estiver no meio como obstáculo. As emoções turvam a razão. O mais inteligente dos indivíduos age como o mais idiota, pois não há inteligência no bando monolítico. Slogans e frases de efeito substituem reflexões e pensamentos críticos. A responsabilidade, sempre individual, desaparece, dando lugar à sensação de invencibilidade. A euforia é contagiosa e mesmo o mais covarde do bando assume ares de virilidade jamais vistos.

O ser humano cede espaço para o bárbaro, o animal que reage por puro instinto. Eis a psicologia das massas de Le Bon. Cai como uma luva para explicar o que temos visto nessas “manifestações” de vagabundos mascarados. Retire o sujeito do bando e retire sua máscara, o que resta é um indivíduo, com suas fraquezas e medos, suas inseguranças e receios, sua covardia. * O post scriptum que afirmava que o cinegrafista bateu pouco foi retirado após mais reflexão e críticas construtivas de alguns leitores. Não é meu perfil endossar violência de tipo algum, e foi escrito no calor da revolta. O correto seria o cinegrafista dar voz de prisão ali mesmo, em frente à delegacia, e usar o vídeo gravado para comprovar a ameaça de morte que recebeu do “valentão”. Essa seria a postura mais adequada.

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