quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

VIDA EM CUBA- YOANI SÁNCHEZ- Estilo Revista Cuba



Reinaldo pouco fala do seu tempo como jornalista oficial. Quando o faz mostra uma mistura de frustração e alívio. A primeira por sua responsabilidade na fabricação de tantos estereótipos e a segunda porque ao expulsá-lo do jornal Juventud Rebelde o converteram num homem livre. A Revista Cuba Internacional tem lugar de destaque nas suas memórias, onde trabalhou por quase quinze anos.

Na nossa casa criamos toda uma categoria de notícias com o nome dessa publicação. Quando um correspondente de província fala na televisão das maravilhas de uma fábrica de acumuladores sem mencionar quantos estão realmente sendo produzidos… Olhamo-nos, rimos e asseveramos: “isso está ao pior estilo da revista Cuba”. Se na imprensa um texto explica em tons róseos a vida de um pequeno povoado do interior, relacionamos também com essa linha editorial que tanto dano causou e tem causado.

Mayerín, diferentemente de Reinaldo, acaba de se graduar na Faculdade de Comunicação Social. Às vezes chama de um telefone público para comentar seu último artigo num sítio digital onde colabora. Viste? – pergunta-me – o que consegui colocar na terceira linha do segundo parágrafo? De modo que, para comprovar o atrevimento da minha amiga repórter, verifico e leio que ao invés de escrever “nosso querido e invencível Comandante em Chefe”, escreveu “Fidel Castro” simplesmente. Que ousadia a sua!

Várias gerações de profissionais da informação decidiram entrar no trem da censura, da propaganda ideológica e do aplauso ao poder. Edulcorar a realidade, usar meios nacionais como vitrine de falsas vitórias e encher os jornais com uma Cuba retocada e falseada são alguns dos males da nossa imprensa oficial. Se nos leitores e telespectadores essas deformações deixam um sabor amargo, nos jornalistas o efeito é ainda pior.

Os comunicadores terminam prostituindo sua palavra para não se meterem em problemas ou para conseguirem certos privilégios. O prestígio social do repórter desaba e a imprensa se converte em instrumento de dominação política. A esse informador, que quando era menino sonhou com revelar algum escândalo ou investigar um fato até as suas últimas conseqüências, só restará então abrir ou fechar a porta, continuar maquiando a realidade ou ser declarado com um “não jornalista” pelo governo.

Tradução por Humberto Sisley

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