segunda-feira, 31 de março de 2014

Cubano do Mais Médicos é encontrado morto em Brasília

VEJA
Um médico cubano participante do programa Mais Médicos, do governo federal, foi encontrado morto na tarde desta segunda-feira no hotel onde morava, em Brasília. Com base em informações preliminares, a Polícia Civil suspeita que o médico de 52 anos, que não teve o nome divulgado, tenha cometido suicídio. Ele foi encontrado com um lençol enrolado no pescoço.
O corpo do cubano passa por exame do Instituto de Medicina Legal (IML). A Embaixada de Cuba aguarda a liberação para poder enviá-lo ao seu país. De acordo com o Ministério da Saúde, todo o trâmite será coordenado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), órgão que faz a intermediação da vinda de cubanos ao Brasil, conforme previsto em contrato firmado entre os países.
O cubano ainda não estava atendendo pelo programa. Segundo o Ministério da Saúde, ele ainda passava pelas etapas preliminares previstas pelo Mais Médicos. A pasta não informou há quanto tempo o médico estava em Brasília.

Uruguai pode ficar fora da Copa por interferência política

Cinco integrantes do Conselho Executivo da Associação Uruguaia de Futebol (AUF), entre eles o presidente Sebastian Bauzá, renunciaram nesta segunda-feira. O motivo seria uma crise que também envolve o governo do país. Na última quinta-feira, o presidente do Uruguai, José Mujica, anunciou a retirada da segurança feita pela polícia nos jogos disputados nos estádios Centenário e Parque Central, de Peñarol e Nacional, respectivamente. Mujica justificou a medida por causa dos recorrentes atos violentos das torcidas. No dia anterior, a torcida do Nacional entrou em violento choque com a polícia, após a partida contra o Newell’s Old Boys, da Argentina, pela Copa Libertadores. Cerca de 40 torcedores foram detidos e 13 agentes ficaram feridos.
Segundo o jornal El Pais, a renúncia de Bauzá pode ter ocorrido devido à pressão de um grupo de empresários ligados ao governo de Mujica. Assim, a Fifa quer investigar a possível interferência política na decisão e pode suspender a Associação Uruguaia de Futebol caso a suspeita seja confirmada, e até excluir o Uruguai da Copa do Mundo.
Na carta de renúncia do Conselho Executivo, o texto diz: “Os fatos de conhecimento público ocorrido nos últimos dias demonstram a necessidade de dar um passo atrás e permitir que outras visões políticas garantam governabilidade ao futebol.” Segundo o jornal El Pais, a decisão já havia sido tomada no final de semana.
Acordo - Na sexta-feira, Mujica se reuniu com Bauzá e dirigentes de Peñarol e Nacional. O encontro resultou em um acordo para que a rodada do final de semana fosse disputada com a atuação da polícia apenas nos acessos e arredores do estádio - e não na parte interna. O Nacional jogou fora de casa, contra o Liverpool, e perdeu por 1 a 0. O Peñarol, que jogaria no Estádio Centenário contra o Miramar Misiones, teve a partida adiada por medo de novos conflitos entre torcedores.
Horas depois do anúncio da AUF, membros da Mesa Executiva da Liga Profissional da Primeira Divisão também renunciaram. O órgão, formado por representantes dos clubes da Série A do Campeonato Uruguaio, é responsável por definir os locais de jogos da competição.
Na noite desta segunda-feira, estava marcada uma assembleia de clubes, que nomearia cinco presidentes de equipes que integrarão o novo Conselho Executivo da AUF, grupo que vai comandar o futebol uruguaio até depois da Copa do Mundo.
(Com Estadão Conteúdo, agência Gazeta Press e ANSA)

Janer Cristaldo- LENTO É O BESTUNTO DO JORNALISTA XIITA

Em uma tentativa canhestra de louvar o islamismo no Irã, Samy Adghirni, o correspondente muçulmano xiita da Folha de São Paulo em Teerã, tenta ver avanços na revolução do aiatolá Ruhollah Khomeini. Sua reportagem, na edição de hoje, é eivada de contradições. Ora louva o exercício de profissões liberais por mulheres – sem nos dar estatísticas – ora lamenta limitações impostas às iranianas. Uma no prego e outra na ferradura.

“A história recente do Irã foi marcada por avanços e retrocessos na vida pública e familiar das mulheres. Entre os países islâmicos, é um dos menos adversos à população feminina, escolarizada e com acesso a diferentes setores profissionais e da política, mas ainda discriminada em termos culturais, jurídicos e financeiros”.

Segundo Adghirni, três décadas e meia após a revolução, o Irã voltou a ser um dos países de maioria islâmica com ambiente mais favorável - ou menos adverso - para a mulher. 

"A comparação chega a ser especialmente embaraçosa para os vizinhos do Irã. As sauditas são atreladas por lei a um tutor - irmão, pai ou marido - e não podem nem dirigir. No Qatar, casas tradicionais possuem duas salas de estar, uma para receber convidados, outra para manter as cônjuges, irmãs e filhas longe das visitas. As afegãs devem abster-se de falar com homens que não sejam ligados a elas por vínculos familiares”.

Quer dizer, melhor ser escrava que prisioneira – no fundo é isto o que o jornalista diz. E ainda sofisma, ao afirmar que sauditas são atreladas por lei a um tutor - irmão, pai ou marido - e não podem nem dirigir. Isto é verdade, mas omite que as iranianas também precisam de um macho tutor para sair às ruas. Se saírem sem o chador, arriscam a serem cuspidas na cara.

Diz Adghirni que as mulheres iranianas são as únicas no mundo legalmente obrigadas a cobrir cabelo e corpo. Mas elas estudam, trabalham e comandam empresas. São advogadas e juízas.

O correspondente só esquece de informar a quais sanções está exposta a mulher que sai sem chador. Quanto a serem advogadas e juízas, é curioso observar – como aliás Adghirni faz – a condição jurídica inferior da mulher:

“No tribunal, o testemunho feminino ainda vale metade do masculino. O "preço do sangue", indenização paga pela família de um assassino a parentes da vítima, também é inferior em caso de morte de mulher. A herança dos filhos é maior que a das filhas. Homens podem pedir divórcio com mais facilidade. A mãe tem chances mínimas de obter a guarda dos filhos. (...) Vulnerável nos tribunais, a iraniana carece de recursos para reagir a humilhações de todo tipo”. 

Deve ser no mínimo insólito ver uma advogada defendendo ou uma juíza julgando uma colega de sexo.

De fato, o Irã é um dos países de maioria islâmica com ambiente mais favorável - ou menos adverso - para a mulher. Como grande progresso na condição feminina, nosso informante xiita fala de uma cantora lírica, a soprano Shiva Soroush, que em agosto passado, pela primeira vez desde a chegada dos aiatolás ao poder, há 35 anos, cantou sozinha em público ... por menos de meio minuto. “Foi suficiente para enterrar o tabu pelo qual uma voz feminina só era lícita se acompanhada de uma masculina”. 

Mais uns 35 anos, e uma soprano poderá talvez cantar minuto e meio.

Registre-se em favor do jornalista a homenagem que faz ao último líder esclarecido do Irã, deposto por Khomeini: “Shiva nasceu e cresceu sob o regime teocrático e nunca teve dinheiro para viajar ao exterior. Mas ela faz parte da legião de iranianas, anônimas ou ilustres, que desbravam caminhos para tentar recuperar a proeminência perdida com a queda do xá Mohammad Reza Pahlavi, em 1979”.

Quando o xá libertou as mulheres do jugo do Islã e as iranianas eram livres de fazer o que bem entendessem, deveria acrescentar. Mas seria pedir demais ao correspondente xiita.

Para reforçar a excelência da condição feminina no Irã, Adghirni traz o testemunho da arquiteta Sahere Foruhi, que se orgulha de contrariar frontalmente o clichê da iraniana submissa.

“Bem-sucedida, viajada e mãe divorciada, espreme sua agenda diária entre serviços para a Prefeitura de Teerã e um escritório no qual tem o ex-marido como sócio. Sahere avalia que o preconceito ocasional contra mulheres, na rua ou no mundo dos negócios, se assemelha ao da Itália, onde estudou. "Na maioria dos países europeus, a situação não é tão diferente da nossa. Invejável, só a Escandinávia. Ali, sim, as mulheres estão com tudo".

Acredite quem quiser.

Adghirni parece estar descobrindo o mundo em que vive e cuja língua desconhece. Após vários anos de trabalho em Teerã, finalmente viu a prostituição disfarçada sob o manto do casamento temporário. Hosana nas alturas! Pela primeira vez, nos fala do sigheh.

Ora, para isto não é preciso ir ao Irã. A instituição é amplamente discutida na internet. Sem ser correspondente no país, em setembro de 2002 – há 14 anos, portanto – eu já falava do matrimônio temporário permitido pelo ramo xiita do Islã, que pode durar alguns minutos ou 99 anos, especialmente recomendado para viúvas que precisam de suporte financeiro. 

Reza a tradição que o próprio Maomé o teria aconselhado para seus companheiros e soldados. O casamento é feito mediante a recitação de um versículo do Alcorão. O contrato oral não precisa ser registrado, e o versículo pode ser lido por qualquer um. As mulheres são pagas pelo contrato. 

Esta prática foi aprovada após a "revolução" liderada pelo aiatolá Khomeiny que, ao derrubar o regime ocidentalizante do xá, tentou canalizar o desejo dos jovens sob a segregação sexual estrita da república islâmica. Num passe de mágica, a prostituição deixa de existir. O que há são relações normais entre duas pessoas casadas. Não há mais bordéis. Mas casas de castidade. A cidade está limpa. 

Antes tarde do que nunca. Lento é o bestunto dos correspondentes xiitas.

Copa terá efeito 'zero' na economia, diz Moody's

VEJA
A Copa do Mundo terá um efeito apenas "passageiro" para a economia brasileira, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira pela agência de classificação de riscos Moody's e assinado pelos analistas Barbara Mattos, Gersan Zurita e Marianna Waltz. "O torneio vai chamar a atenção do mundo. Mas um investimento estimado em 11,1 bilhões de dólares é pequeno em comparação com o tamanho de 2,2 trilhões de dólares da economia do Brasil", afirmam os analistas, lembrando que o evento dura só 32 dias.
Além disso, os analistas alertam que a oportunidade de o país ganhar visibilidade internacional corre o risco de ser maculada por uma possível onda de manifestações nas ruas e projetos de infraestrutura que não tenha ficado prontos até a Copa.
Pelo lado positivo, o relatório da Moody's estima que 3,6 milhões de turistas virão ao país, o que contribuirá para aumentar a receita de empresas de alguns setores, como alimentos, bebidas, hotelaria e locação de veículos. Outro ponto favorável será o ganho com a exposição global na mídia por meio de peças publicitárias, beneficiando, principalmente, grandes corporações como Coca-Cola, Oi e Anheuser-Busch InBev. A maior demanda por publicidade na mídia ainda vai turbinar a receita de emissoras de rádio e televisão.
Pelo lado negativo, os analistas lembram que problemas locais como trânsito pesado, possíveis protestos da população e dispensas de trabalhadores em dias de jogos importantes nas cidades sedes e/ou na TV vão pesar sobre os negócios de outros setores. Nesse caso, a atividade industrial deverá ser prejudicada, afirmam os analistas, citando os setores de mineração, siderurgia, e papel e celulose. As prováveis mudanças nas rotinas da população e da mobilidade nas cidades também podem desestimular consumidores a visitarem shopping centers, o que afetará as operadoras dos empreendimentos e algumas varejistas, estimam os analistas.
Já em outros setores, a Copa do Mundo causará efeitos diversos. Para aviação, por exemplo, é esperado um aumento no volume de passageiros transportados, mas limitações nos preços de passagens pressionarão a rentabilidade das companhias aéreas. Nesse setor, a Gol contará com a vantagem de ter se tornado a patrocinadora oficial da seleção brasileira de futebol, no lugar da TAM, e se beneficiará da exposição da marca.
Em relação aos gastos para melhorar a infraestrutura local, os analistas da Moody's observam que os projetos da Copa correspondem a apenas uma fatia do total de investimentos em andamento no Brasil. O relatório calcula que os aportes para melhoria de estádios, aeroportos, portos e mobilidade urbana equivalem a apenas 0,7% do que será investido no país entre os anos de 2010 e 2014. "O efeito é positivo para as empresas de infraestrutura, mas muito desse impacto já foi sentido", ponderam. Dentre as empresas beneficiadas, eles citam a Invepar e as construtoras Andrade Gutierrez, OAS e Mendes Júnior, que assumiram projetos importantes de infraestrutura.
(com Estadão Conteúdo)

Rodrigo Constantino- O que pensa a nova direita?

O jornal O POVO de Fortaleza fez uma reportagem neste domingo sobre a “nova direita”. Ítalo Coriolano me entrevistou em um “bate-pronto”. Segue abaixo um trecho:
OPOVO - Por que, na sua avaliação, as marchas pró-militares não têm relação com a chamada nova direita do Brasil?
CONSTANTINO - Na verdade a direita tem varias facetas: os mais liberais, conservadores e aqueles que têm mais apreço por um modelo mais autoritário. É um verdadeiro saco de gatos. Essas marchas tiveram baixíssima adesão. Justamente porque levantaram bandeiras de intervenção militar, e isso não faz sentido no país democrático de hoje. Dá para lutar no sistema democrático.
OPOVO - Como você definiria hoje o pensamento de direita no Brasil? Quais são os principais objetivos?
CONSTANTINO - Do ponto de vista mais pragmático, o objetivo é impedir a venezuelização do Brasil. Se for bem sucedida, essa nova direita se desmembrará em novas vertentes, bandeiras que vão deixar as diferenças mais evidentes. Hoje, todo mundo deverá estar unido por um objetivo comum que é evitar que o Brasil vire uma nova Venezuela. Não adianta discutir mudanças, reformas e bandeiras se vivemos num estado de quase ditadura.
OPOVO - É possível afirmar que a direta modernizou-se?
CONSTANTINO - Uma ala sem dúvida. Mas tem uma turma mais saudosista do regime militar e não consigo compartilhar dessa visão. Há uma ala mais moderna, que reconhece o valor dos indivíduos, dentro da democracia, que é chamada de direita democrática.
OPOVO - A nova direita possui um projeto de poder para o Brasil?
CONSTANTINO - Não há um projeto. E faria uma afirmação até mais dura. Não existe direita organizada no Brasil hoje. Essa é uma frase forte, mas verdadeira. Politicamente não existe. O que tem mais de direta seria quem? O DEM, PSDB? Partidos sociais-democratas com bandeiras que em qualquer lugar do mundo seriam vistos como de esquerda ou centro-esquerda. Direita fascista organizada é história pra boi dormir que serve ao interesse da esquerda golpista. E há um vento de mudanças no horizonte no âmbito cultural, que tem impacto no âmbito político. Você vê alguns comediantes, músicos, intelectuais comprando briga de forma mais firme contra essa turma bolivariana.
OPOVO - Porque a democracia não se sustentaria num governo dito socialista?
CONSTANTINO - A esquerda, especificamente a mais jurássica, jamais teve apreço pela democracia. É vista como coisa de pequeno burguês. Parece evidente que o pessoal é oposto à democracia, vide Venezuela.

Atenta aos detalhes

Graça: a coisa está feia
Graça: a coisa está feia
Quer dizer que Graça Foster acumula a diretoria internacional da Petrobras há quase dois anos – desde que Jorge Zelada saiu – por todo esse tempo e não ficou sabendo que a joint venture da refinaria de Pasadena tinha um comitê gestor?
Por Lauro Jardim

Fim da guerra OAB e Bolsonaro

Bolsonaro: advogado de novo
Bolsonaro: advogado de novo
Terminou em paz uma antiga guerra da família Bolsonaro com a OAB no Rio de Janeiro.
Em 2010, o ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, cassou a carteira de advogado do deputado estadual Flávio Bolsonaro, após o mesmo ajuizar ação contra o uso de dinheiro da Ordem para fazer campanha institucional contra os militares
Por 7 votos a 6, a OAB/RJ resolveu devolver a carteira de advogado de Bolsonaro na semana passada.
Por Lauro Jardim

‘Nós, nós e nós’, um texto de J. R. Guzzo

Publicado na edição impressa de VEJA
J. R. GUZZO
O governo do Brasil criou uma certeza nos últimos onze anos. Está absolutamente convencido de que o fato de ganhar eleições lhe dá, automaticamente, razão em tudo; não pensa, nunca, que o eleito representa todos, e não apenas os que são a seu favor. Exatamente ao mesmo tempo, acha que quem discorda do governo está errado por princípio. É como na religião ─ se você não tem a mesma fé do vizinho, jamais pode ter razão em nada. É um herético que está desafiando a vontade de Deus, e um inimigo que tem de ser destruído. O problema é que existe aí uma séria encrenca com os fatos, essa praga que só atrapalha o conforto das ideias prontas ─ o Brasil, infelizmente para o governo, o PT e seus profetas, tem heréticos demais.
Fazer o quê? O diabo, além de estar nos detalhes, está nos números. No caso das eleições para presidente em 2010, a última medição objetiva sobre quem está a favor e quem está contra o governo, a aritmética prova que ninguém é muito maior que ninguém. No segundo turno da eleição, Dilma teve 55 700 000 votos e José Serra ficou com 43 700 000; obviamente não dá para fazer de conta que os votos do perdedor não existem. Na verdade, já é um assombro que Serra, tido como um dos candidatos menos atraentes do planeta, tenha conseguido esses espantosos 43,7 milhões de votos; positivamente algo não deu certo do outro lado. Além disso, mais de 29 milhões de eleitores nem foram votar, e outros 7 milhões preferiram ficar nos nulos e brancos ─ ou seja, 36 milhões de cidadãos simplesmente não votaram em ninguém. Resumo da ópera: de um eleitorado total de 135 milhões de pessoas, 80 milhões não votaram em Dilma.
Ficamos, assim, na curiosa situação em que a maioria dos eleitores é considerada pelo governo como inimiga da vontade popular ─ se não estão com a gente, reza o seu evangelho, só podem estar do lado do mal. Lula, Dilma e sua máquina de propaganda, ao que parece, resolveram lidar com esse despropósito inventando um modelo de adversário fabricado na sua imaginação. “O ódio que alguns têm de nós é ver a filha da empregada cursando uma universidade federal”, disse Lula ainda há pouco. Mas por que raios alguém haveria de se importar com isso? Quem vai se prejudicar se a filha da empregada estiver numa universidade federal? Ou estadual? Ou particular? Por que ficaria com “ódio”? Lula sabe muito bem que tudo isso é pura invenção. Mas sabe também que a mentira viaja de Ferrari, enquanto a verdade vai a lombo de burro; passa 100 vezes pelo mesmo lugar antes que a verdade tenha conseguido chegar lá, e nesse meio-tempo falsifica até a regra de três. Dilma faz a mesma coisa com menos talento. Outro dia veio com a história de que só criticam a estratégia social do governo os que “nunca tiveram de ralar, de trabalhar de sol a sol para comprar uma televisão, uma geladeira, uma cama, um colchão”. Como é mesmo? Todo mundo, ou 999 em cada 1 000 brasileiros, tem de trabalhar para comprar qualquer dessas coisas, já que nenhuma delas é dada de graça a ninguém. Mas e daí? O que interessa é vender a ficção de que só o governo é capaz de ajudar os pobres ─ e só pode discordar disso quem nunca trabalhou na vida.
Essa montanha de dinheiro falso é engolida com casca e tudo no Brasil de hoje ─ e, conforme o caso, há uma conta a pagar por quem não engole. O caso do músico João Luiz Woerdenbag Filho, 56 anos, natural do Rio de Janeiro, conhecido do público como Lobão e autor de uma coluna quinzenal nesta revista, é um clássico. Lobão foi colocado no banco dos réus do Tribunal de Inquisição formado na classe artística para decidir o que é o bem e o mal no Brasil, e até hoje não conseguiu se levantar. É acusado do delito de ter se vendido “à direita” ou apenas de ser “de direita” ─ coisa esquisita, porque se imagina que ele teria o pleno direito, pela Constituição, de ser de direita ─ ou de esquerda, ou seja lá do que lhe desse na telha. O que o resto do mundo tem a ver com isso? Mas Lobão é um artista de fama, e um artista de fama não tem direito à liberdade de pensamento e de expressão se ganhar o selo de “direitista”. Na verdade, no Brasil de hoje nem se sabe o que é ser “de direita”; nossos juristas diriam que o crime de “direitismo” ainda não está bem “tipificado”. Tanto faz. Para a polícia política do PT, é criminoso de direita todo sujeito que disser às claras que não gosta de Lula, nem de Dilma, nem da sua inépcia, nem do PT, nem do governo, nem do “projeto” do petismo, nem dos seus melhores amigos, que vão de Collor a Maluf.
Esperem a campanha começar.

domingo, 30 de março de 2014

DEMANDA REPRIMIDA

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Nessa batida a coisa vira rotina: de agosto de 2013 para cá foram seis os deputados federais com prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Na média, quase um por mês. Estatística impressionante se comparada à inexistência de punições do tipo a contar de 1988, quando a Constituição determinou que o foro de julgamento (dito privilegiado) de autoridades seria o STF.

O que ocorre? Nada de excepcional, apenas a fila andou. E lentamente, se considerarmos que levou pouco menos de 12 anos entre a mudança da lei que confundia imunidade com impunidade e as primeiras punições efetivas no que diz respeito a integrantes do Congresso Nacional.

Mas, diante do que ocorria até novembro de 2001, antes tarde do que nunca. O constituinte de 88 assegurou a inviolabilidade dos votos e da palavra dos parlamentares, mas a estendeu aos crimes comuns, pois os processos eram automaticamente suspensos mediante a diplomação do eleito. Se o crime fosse cometido no exercício do mandato, o STF precisaria de autorização do Legislativo para abrir uma ação.

Os tempos eram outros, a sociedade menos vigilante, o espírito de corpo mais atuante e, com isso, a autorização nunca era concedida. Já houve casos de senadores suspeitos de tráfico de drogas, homicídios, desvios de verbas públicas e uma série de crimes, cujos pedidos do Supremo foram simplesmente arquivados sem maiores explicações.

O aumento dos escândalos, no entanto, fez crescer a pressão sobre o Legislativo e finalmente, no fim de 2001, foi promulgada a emenda 35 ao artigo 53 da Carta, que inverte a situação anterior. Hoje, o STF inicia o processo e, se o Congresso quiser impedir, precisa aprovar por maioria a suspensão da ação. Um desconforto, no mínimo.

Os seis parlamentares condenados podem representar um número significativo se comparados à situação de impunidade total. Mas representam quase nada diante das 834 ações ou inquéritos que, segundo levantamento feito pelo Estado em novembro do ano passado, tramitam no Supremo Tribunal Federal contra políticos.

Em 36% delas existem indícios de crimes como lavagem de dinheiro, desvio de recursos, falsidade ideológica e homicídio.

Leite derramado. O que a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a devolução do processo do tucano Eduardo Azeredo à primeira instância, devido à renúncia ao mandato de deputado federal, ensina aos condenados do mensalão é que excesso de confiança nem sempre é bom conselheiro.

Mesmo levando em conta que a composição da Corte na época era outra, o placar de 8 a 1 em relação a Azeredo autoriza a suposição de que, se os deputados mensaleiros tivessem renunciado aos mandatos antes do início do julgamento, a ação penal 470 não seria examinada pelo STF, que remeteria os autos ao foro de origem.

Mas, os réus preferiram confiar em dois fatores. No campo político, na influência de Luiz Inácio da Silva. No âmbito jurídico, seguiram a tese defendida por Márcio Thomaz Bastos quando ainda ministro da Justiça, segundo a qual o que houve foi crime eleitoral.

O foro privilegiado dos deputados e o não desmembramento do processo foram o que manteve o caso no Supremo. Sem possibilidade de recurso.

Oferta e procura. Isolado, o índice de 36% de avaliação positiva do governo não é motivo para a oposição se entusiasmar desde já. O então presidente Lula tinha pouco mais que isso no início de 2006 e ganhou a eleição.

Mas, aqui, entram outros fatores que fazem a diferença. O primeiro, as "curvas". Desde novembro do ano anterior Lula vinha em rota ascendente nas pesquisas; a trajetória de Dilma é descendente.

O segundo, o anseio do eleitor. Em 2002, havia o desejo de mudança; deu oposição. Em 2006 e 2010, a demanda do eleitorado era por continuidade; deu governo. Em 2014, diante da procura por mudança, o marketing tentará "ofertar" a presidente na moldura da transformação.

SE DEUS É POR NÓS QUEM SERÁ CONTRA?

‘Brasil, um país de todos’, por Carlos Brickmann

Enquanto se discute aquela merrequinha, um reles bilhãozinho de dólares enterrado na refinaria de Pasadena, um escândalo muito maior está pondo a cabeça de fora: a Siemens, multinacional alemã que abriu os debates sobre o cartel metroferroviário, assinou Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público paulista pelo qual entregará contratos, comprovantes de transferências de dinheiro (inclusive os arquivados na Alemanha), todos os documentos; e trará, pagando integralmente as despesas, testemunhas do Brasil e do Exterior.
E por que as investigações podem mostrar muito mais dinheiro esquisito do que a refinaria de Pasadena? Porque só o Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do Governo Federal, investiga 15 projetos, em São Paulo, Rio, Brasília, Rio Grande do Sul, que envolvem algo como US$ 4 bilhões; e a CBTU, federal, que cuida de trens urbanos e metrô em João Pessoa, Maceió, Natal, Belo Horizonte e Recife. Os projetos passam por Governos dos principais partidos que se alternam no poder ─ um acusando os outros de corrupção, mas nenhum mostrando como é que os malfeitos aconteciam (até porque continuam acontecendo). O máximo que acontece, para um revelar o que sabe dos outros, é a ameaça que a ex-ministra Gleisi Hoffmann acaba de fazer: já que haverá investigação sobre Pasadena, então tentará investigar as roubalheiras atribuídas a adversários.
O Brasil é um país participativo ─ e como tem gente participando! Como diz o sambista Bezerra da Silva, “se gritar pega, ladrão!/ não fica um, meu irmão (…)”

19 médicos argentinos fraudam "Mais Médicos" no RS, denuncia governador de Misiones

Políbio Braga
O governador da província argentina de Misiones, Maurice Closs (foto ao lado) denuncia que ao menos 19 profissionais da saúde daquele país que se integraram ao programa "Mais Médicos" do Brasil, apresentaram atestados psiquiátricos para continuar recebendo salários sem trabalhar em hospitais públicos do lado brasileiro da fronteira. A nota é de hoje do site www.brasil247.com.br

. Maurice Closs disse que enviará a informação ao Brasil para que as autoridades nacionais decidam se continuam ou não lhes pagando "uns 10 mil reais", cifra que é o dobro do que recebem os médicos na Argentina. 

Deputado Capoani denuncia gestão temerária do Banrisul

Políbio Braga
O deputado Gilberto Capoani, PMDB, que foi diretor do Banrisul, disse neste sábado ao editor que o banco está forçando a migração dos atuais beneficiários da Fundação Banrisul, para outros planos de previdência com o objetivo de reverter o desempenho aquém do esperado do próprio banco, que registra queda nos lucros por dois anos seguidos.

. Eis a análise de Capoani:

 - O Banrisul reproduz e ao mesmo tempo é afetado por uma gestão temerária do atual governo com as finanças do estado. Os próprios saques dos depósitos judiciais e da conta-movimento estão reduzindo o lastro do Banrisul, o que retira competitividade do banco no mercado.

Ministério da Saúde entrega 90 mil doses suspeitas de HPV ao RS. Lote foi interditado depois de problemas em meninas de Veranópolis e Porto Alegre.

Políbio Braga
O uso de um lote de quase 90 mil doses da vacina contra HPV foi suspenso pela secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul. Nesta semana, cinco meninas de Porto Alegre e uma de Veranópolis (região serrana) passaram mal após tomarem a vacina. 

. O lote interditado representa um terço das 271 mil doses que o estado recebeu para a campanha de imunização contra o HPV. 

. O Ministério da saúde informou, em nota, que a vacina é segura. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a imunização contra o HIV é adotada em 51 países, cobrindo uma população de 175 milhões de meninas. Para a pasta, a maioria das reações pode ser considerada leve, e os pais devem levar as filhas ao posto de saúde para tomar a primeira das três doses necessárias.

PÕE MAIS VERBA NO ORÇAMENTO QUE ELE ESTÁ VOLTANDO... - Percival Puggina

 Franklin Martins foi o cara que tirou Lula do atoleiro em 2005. Atualmente com uma página ou coisa que o valha no Portal iG, o ex-terrorista, hoje guerrilheiro no mundo da comunicação petista, comunicou a seu indistinto público que está se afastando dessa atividade para assumir o "Ministério" da Comunicação Social. Ou seja, volta a comandar a comunicação social do governo num momento em que Dilma vê suas versões publicitárias serem substituídas por fatos muito desagradáveis.

            Franklin Martins já mostrou sua competência com Lula. Foi ele que, depois de Lula haver pedido perdão pelo Mensalão, criou e difundiu a versão de que tal crime jamais ocorreu.

            Agora, certamente, Franklin Martins vai colocar os grandes meios de comunicação com as mãos contra a parede graças à força do poder concedente que volta a empalmar. No entanto - anote aí -, em vez de lhes esvaziar os bolsos, vai enchê-los com verbas publicitárias. Em breve, saberemos que a refinaria de Pasadena foi um excelente negócio e que a Petrobras era a empresa falida, salva pelo PT. Dinheiro não compra felicidade, mas compra qualquer falsidade.

Do blog do Paulinho- Brasil merece passar pelo vexame do “hino da Copa”

Brasil merece passar pelo vexame do “hino da Copa”

by Paulinho
alexandre pires
O país que exalta a malandragem (no pior sentido da avaliação), que vota nos que "roubam mas fazem", e, as vezes, nem fazem, que se junta para pagar multa de mensaleiro condenado, e trata "cantores" de funk, rap, etc., que estimulam a marginalidade, como "músicos", merece passar pelo vexame inevitável da abertura do Mundial.
Dar um Jeito" ("We Can Find a Way"), a canção que servirá de ponta-pé inicial para o torneio, tem em sua letra a admiração pelos "espertalhões", ensinando que o "jeitinho brasileiro", exaltado até por ministros da República, é uma maneira adequada de se viver.
Tomara não contamine outras culturas.
Para piorar, enquanto a Itália abriu o seu Mundial, em 1990, com os três tenores, e a Rússia, recentemente, com a espetacular Anna Netrebko, o Brasil será representado pelo pagodeiro Alexandre Pires, em franca decadência, musicalmente, uma nulidade.
Perfeito, porém, para divertir o sorriso de Ronaldos, Bebetos e semelhantes, fazendo, ainda, a festa das empreiteiras, cartolas e clubes beneficiados pela derrama de dinheiro público da "Copa das Copas", a crônica do roubo anunciado, e mal executado.

sábado, 29 de março de 2014

Caio Blinder- A lógica da radicalização III (Síria)

Se queremos visitar a Síria (desolada, sombria e de um quadro negro), um guia familiar na coluna é o blogueiro com o pseudônimo Edward Dark. Ele é um ex-ativista da oposição à ditadura Assad nos primórdios da rebelião há pouco mais de três anos que ficou desiludido com o rumo da luta, desiludido com a radicalização dos rebeldes.
Houve um tempo em que os ativistas eram predominantemente liberais e seculares, provenientes de todos os setores sociais e religiosos. Na lógica da radicalização, estes setores foram marginalizados e passaram a ser caçados, primeiro pelo regime executor de crimes contra a humanidade e depois pelos extremistas islâmicos.
Estes valorosos ativistas civis são agora uma espécie em extinção. Em sua maioria, morreram, estão na prisão ou fugiram do país.  E temos a história da cristã Marcell Shehwaro, ativista conhecida em Aleppo, um dos cenários mais lúgubres da guerra civil. Na resistência à ditadura desde o começo desta crise, ela e seu grupo se deslocaram para o leste de Aleppo depois que a área foi “liberada” por rebeldes em julho de 2012.
Com a radicalização das facções rebeldes (algo conveniente para o regime Assad e sua narrativa de que combate terroristas financiados por países estrangeiros), a situação de ativistas como Marcell Shehwaro ficou problemática. A crença em uma Síria secular e democrática é intolerável para os jihadistas. Na semana passada, quando ela fazia murais para os mártires da revolução para marcar o terceiro aniversário da rebelião, Marcell foi abordada por um membro de um grupo jihadista, exigindo que ela colocasse o hijab na cabeça. Marcell disse que era cristã, houve uma confusão e ela foi presa. Levada para um tribunal islâmico, Marcell foi libertada após firmar um acordo se comprometendo a vestir o véu de agora em diante. Em um post no Facebook, que por medo ela mais tarde removeu, Marcell escreveu “ser impossível para cristãos conviverem com esta oposição armada”.
Edward Dark também relata seu reencontro com  Misho, a mentora do seu “agora defunto” grupo de ativistas, que também é  cristã. Ela abandonou o apoio aos rebeldes quando ocorreu a invasão de Aleppo e hoje se dedica a ajudar combatentes rebeldes a escapar para a Turquia. Estão desiludidos com a luta armada, mas não querem se entregar, com medo de serem assassinados pelo  regime Assad. Dark arremata com as seguintes palavras: “Isto sintetiza o dilema de todos os sírios honrados, cercados por inimigos em todas as frentes de uma guerra desonrosa”.
***

‘Passa, passa, Pasadena’, um artigo de Fernando Gabeira

Fernando Gabeira* - O Estado de S.Paulo


Água era o meu foco. Revisitava o Rio Piracicaba castigado pela seca. No passado fui a algumas reuniões do Comitê de Bacia. Já havia na época uma preocupação com o futuro do rio, tão solicitado: abastece uma região em crescimento e mais 8,8 milhões de pessoas em São Paulo.



Lembrei, à beira do Piracicaba, alguns autores no fim do século passado afirmando que a água seria o petróleo do século 21, com potencial de provocar conflitos e até guerras. Mas ao falar no petróleo como algo do passado constatei que está na ordem do dia. Enterraram uma fortuna em Pasadena, no Texas. Outra Pasadena, na Califórnia, é a cidade cenário da sitecom The Big Bang Theory.

Pois é, nossa Pasadena começou com um singular ponto que se expande de forma vertiginosa. Foi uma espécie de Big Bang na consciência dos que ainda duvidavam que a Petrobrás estivesse indo para o buraco nas mãos dos aliados PT e PMDB. Diante dos fatos, vão-se enrolar de novo na Bandeira Nacional, sobretudo num momento de Copa do Mundo, fulgurante de verde e amarelo.

Os críticos da Petrobrás não são bons brasileiros. Bons são os que se apossaram dela e a fizeram perder R$ 200 bilhões nestes anos e despencar no ranking das grandes empresas do mundo.

O líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que a perda desse dinheiro faz parte do jogo capitalista de perde e ganha. Se fosse numa empresa privada, dificilmente seus diretores resistiriam no cargo. Em Pasadena enterrou-se dinheiro público. O que deveria ser mais grave em termos políticos.

Pasadena é uma boa versão com sotaque latino para Waterloo. Dilma Rousseff afirma que assinou a compra da refinaria no Texas sem conhecer as cláusulas. Depois disso conheceu. Ela lançou uma nota para explicar o momento em que não sabia. E se esqueceu de explicar todos os anos de silêncio e inação.

Os diretores que teriam omitido as cláusulas que enterram mais de US$ 1 bilhão em Pasadena continuaram no cargo. Até a coisa explodir mesmo. Tenho a impressão de que tentaram sentar-se em cima da refinaria de Pasadena. Sentaram-se numa baioneta, porque não se esconde um negócio desastroso de mais de US$ 1 bilhão.

Os fatos começam a se desdobrar agora que os olhares se voltam para esse refúgio dos nacionalistas, defensores da Pátria enriquecidos.

Uma empresa holandesa cobrou US$ 17 milhões da Petrobrás por serviços que não constavam do contrato. A primeira parcela da compra em Pasadena foi declarada como US$ 360 milhões, mas no documento americano ela foi registrada como uma compra de US$ 420 milhões. Refinarias compradas no Japão têm as mesmas cláusulas do contrato desastroso de Pasadena.

Um amigo de Brasília me disse ao telefone: "Se esse Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobrás, abrir a boca, a República vai estremecer". Conversa de Brasília. Quantas vezes não se falou o mesmo de Marco Valério?! O que pode trazer revelações são os computadores, pen drives e documentos encontrados na casa dele. A Polícia Federal não acreditava que ele iria falar, tanto que o prendeu com o argumento de que estava destruindo provas.

Passa, passa, Pasadena, quero ver passar. A Petrobrás da nossa juventude, dos gritos de "o petróleo é nosso", se tornou o reduto preferido dos dois grandes partidos que nos governam. O petróleo é deles, do PT e do PMDB. Levaram o slogan ao pé da letra e suas pegadas na maior empresa do País demonstram que devoram até aquilo que dizem amar.

De certa forma, isso já era evidente para mim nas discussões dos contratos do pré-sal. Eles impuseram uma cláusula que obriga a Petrobrás a participar de todos os projetos de exploração. Não deram a chance à empresa de recusar o que não lhe interessava.

Tudo isso é para fortalecer a Petrobrás, isto é, fortalecer-se com ela, com uma base de grandes negócios, influência eleitoral e, de vez em quando, uma presepada nacionalista, tapas imundos de óleo nas costas uns dos outros, garrafas de champanhe quebradas em cascos de navios.

Lá, no Texas, os magnatas do petróleo usavam aqueles chapéus de cowboy. Lá, em Pasadena. Aqui, os nossos magnatas em verde e amarelo estão com poucas opções no momento. Ou reconhecem o tremendo fracasso que é a passagem dos "muy amigos" da Petrobrás pela direção da empresa ou se enrolam na Bandeira e acusam todos de estarem querendo vender a Petrobrás. Diante das eleições e da Copa do Mundo, devem optar por uma alternativa mais carnavalesca.

Mas os fatos ainda não são de todo conhecidos. Deverá haver uma intensa guerra de bastidores para que não o sejam, especialmente os documentos nas mãos da Polícia Federal.

Pasadena. Certos nomes me intrigam. O mensalão não seria o que foi se não houvesse esse nome tão popular inventado por Roberto Jefferson, que no passado apresentava programas populares de TV. Pasadena soa como algo esperto, dessas saidinhas em que você vai e volta em cinco minutos, leve e faceiro. Mas pode ser que Pasadena não passe e fique ressoando por muito tempo, como o mensalão. E se tornar uma saidinha para comprar cigarros, dessas sem volta, para nunca mais.

Criada uma comissão no Congresso Nacional, envolvidos Ministério Público e Polícia Federal, podem sair informações que, somadas às de fontes independentes, deem ao País a clara visão do que é a Petrobrás no período petista. Não tenho esperança de que depois disso todos se convençam de que a Petrobrás foi devastada. Mas será divertido vê-los brigando com os fatos, com as mãos empapadas de óleo.

Diante do Rio Piracicaba meu foco é a água. Na semana passada, vi como na Venezuela o uso político do petróleo deformou o país. No Brasil o alvo da voracidade aliada é a Petrobrás.

E se a água é o petróleo do século 21, daqui a pouco vão descobri-la, quando vierem lavar as mãos nas margens dos nossos rios.

*Fernando Gabeira é jornalista.

“Eu falava muito com meus botões. Agora até eles se fazem de surdos.” (Limão)

“A necessidade é a mãe da invenção, inclusive do papel-higiênico.” (Pócrates)

“Aparência e Hipocrisia. Madames sempre presentes na alta sociedade.” (Filosofeno)

Foto de miss amordaçada vira ícone na luta contra Maduro

Miss Universo Stefania Fernandez (Reprodução/Daniel Bracci)

A coroa sobre a cabeça da bela jovem indica seu título de miss. No entanto, ela está amordaçada e uma lágrima marca seu rosto sujo como se fosse sangue. Stefanía Fernández, Miss Universo 2009, posou para a campanha em defesa da liberdade de expressão e dos direitos humanos na Venezuela. O fotógrafo Daniel Bacci já retratou várias personalidades venezuelanas para a campanha, inclusive o opositor Leopoldo López, em outubro do ano passado. No final de fevereiro deste ano, o líder do partido Vontade Popular foi preso em meio aos protestos contra o governo Nicolás Maduro.

sexta-feira, 28 de março de 2014

PF descobre fraude nos cartões corporativos do Ministério do Trabalho

A Polícia Federal (PF) realizou nesta sexta-feira uma operação de combate a fraudes e desvio de dinheiro público no uso do cartão corporativo por servidores do Ministério do Trabalho e Emprego em Rondônia. A superintendente regional da pasta no Estado, Ludma de Oliveira Correa Lima, foi presa. Ela é filiada ao PDT, partido que acumula escândalos à frente do ministério.
A Operação Trama teve objetivo de prender temporariamente seis pessoas e suspender seis funcionários do serviço público, além de conduzir nove pessoas para depoimento e cumprir dez mandados de busca e apreensão. Há empresários e particulares entre os alvos da PF, além dos servidores e gestores do ministério.
A investigação da PF aponta que os gastos da superintendência do pasta em Rondônia com o cartão corporativo, em 2013, foram cinco vezes superiores à média nacional – os valores ainda não foram divulgados. A PF diz que os servidores apresentavam notas de compras com valores redondos e acima do limite permitido. O dinheiro foi gasto em estabelecimentos comerciais “desconhecidos e de localização duvidosa” e que tinham atividade econômica diferente dos bens e serviços contratados.
Os investigadores também afirmam que os servidores simularam viagens a trabalho para que houvesse o pagamento de diárias. Até os relatórios de trabalho das viagens foram forjados. Eles chegavam a inserir de forma “fraudulenta” os dados dos viajantes no Sistema de Concessão de Diárias E Passagens (SCDP) do governo federal. Os policiais federais descobriram a fraude porque os servidores, que supostamente estariam viajando, ficavam no local de trabalho fixo, participavam de reuniões oficiais e assinavam documentos.
A PF também apura suspeita de fraude a licitações na Superintendência Regional de Trabalho em Rondônia.
VEJA

PÂNICO NO PLANALTO

A pesquisa CNI/Ibope, mostrando queda vertiginosa de 7 pontos na avaliação de Dilma, representou uma ducha de água gelada. Além de nervosos, os petistas ficaram tão borocoxôs, ontem, que nem sequer tentaram convencer parlamentares a retirar apoio à CPI da Petrobras.
CH

CERVERÓ, O HOMEM-BOMBA, AVISA QUE QUER FALAR

Acusado pelo Palácio do Planalto de redigir um “parecer falho” que teria “induzido a erro” a presidenta Dilma Rousseff, no caso da compra superfaturada da velha refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, o ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Ceveró adicionou mais um elemento ao clima de pânico no governo: ele fez chegar a políticos de oposição que tem “todo interesse” de falar aos deputados federais.
CH

Se eu não fosse ateu diria que o PT é uma obra dos diabos.Arre!

LEMBRANDO: A FIFA é um antro de gente não recomendada,certo. Mas quem se meteu de fresco para trazer a Copa foi Lula, Pelé & Cia.

YOANI SÁNCHEZ-Um dia sem os trabalhadores por conta própria

  O sonho da razão produz monstros.                                                                                                                   Francisco de Goya
O dia começou com certa atmosfera de pesadelo. O cafezinho da manhã faltou porque o vendedor com a garrafa térmica e os copinhos de papelão não estava na esquina. Arrastando os pés caminhou então até a parada de ônibus enquanto prestava atenção se chegava algum táxi coletivo. Nada. Nem um velho Chevrolet vinha pela avenida, nem as engenhosas caminhonetes que têm capacidade para até doze passageiros eram vistas no lugar. Após uma hora de espera conseguiu subir ao ônibus irritado pela falta de um cartucho de amendoim para aplacar “o cão” que ladrava em seu estômago.
Não fez quase nada em sua jornada de trabalho. A diretora não conseguiu chegar por que a mulher que cuidava de sua menina se ausentou. Outro tanto aconteceu com o administrador que teve um pneu do Lada estourado e, para cúmulo,  a borracharia do seu bairro amanheceu fechada. No intervalo do almoço as bandejas de comida tinham apenas o próprio peso de tão vazias. O carroceiro que oferecia os vegetais e os alimentos com que se incrementa o almoço não havia passado. O chefe de relações públicas tinha um ataque de nervos, pois não pôde imprimir as fotos que precisava para um visto. Na porta do estúdio mais próximo um cartaz de “não abrimos hoje” tinha arruinado seus planos de viagem.
Decidiu regressar a pé até em casa para evitar a espera. O filho lhe perguntou por algo para merendar, porém o padeiro não havia aparecido com seu pregão estridente. Tampouco o quiosque de pizzas funcionava e uma incursão pelo mercado agrícola lhe retornou apenas prateleiras vazias. Cozinhou o pouco que encontrou e para esfregar usou um pedaço de camisa velha devido à ausência dos comerciantes que vendiam escovas. Para cúmulo o ventilador não quis ligar e o consertador de eletrodomésticos não havia aparecido na oficina.
Encostou-se num charco de suor e desconforto, desejando que ao despertar estivessem de volta estas figuras que sustentavam sua vida: os trabalhadores por conta própria, sem os quais seus dias são uma sequencia de privações e desgostos.
Traduzido por Humberto Sisley

YOANI SÁNCHEZ- Cosita


Cosita


Foto: Silvia Corbelle
Saiu de Banes numa manhã quente e poeirenta. Com uma roupa de baixo e o endereço de seus parentes em Havana na bolsa. Quando o trem chegou à Estação Central Cosita respirou fundo e encheu os pulmões desse cheiro de petróleo queimado típico da capital. “Estou na placa*” disse a si mesma com sensação de vitória. Passariam seis meses e voltaria aquele lugar com uma advertência policial e uma peça de máquina de lavar roupas para embarcar com ela no trem.
Cosita instalou-se na sala da prima e começou a catar garrafas plásticas e pedaços de nylon nos latões de lixo mais próximos. Fazia flores artificiais com eles os quais vendia para comer e “dar algum” aos parentes de Havana. Fez uma pesquisa no bairro procurando homens solteiros – mesmo que fossem mais velhos – aos que se oferecia como “uma mulher limpa, que faz de tudo numa casa” porém não conseguiu nenhum compromisso. Sabia que tinha os dias contados até que a polícia a detivesse na rua e descobrisse que ela era uma ilegal. Uma “palestina” a mais, como muitos residentes da capital denominam as pessoas do oriente do país.
Capturaram-na numa tarde chuvosa e cinzenta quando vendia suas flores nas cercanias de um mercado agrícola. Impuseram-lhe uma multa por atividade econômica ilícita e lhe advertiram que tinha 72 horas para abandonar a capital. Todavia Cosita não podia ir. Havia conseguido que a presenteassem com a metade de uma lavadora Aurika e não tinha transporte para levá-la. Um vizinho também lhe deu um velho armário para meninos, sem portas nem gavetas. Eram todas as propriedades materiais conseguidas durante sua aventura em Havana e não iria deixá-las para trás.
Os caminhoneiros pediam muito para transportar seus “tesouros” até Banes. Já não podia vender seus adornos de nylon e os parentes que a haviam acolhido temiam uma nova multa por ter uma ilegal em casa. Cosita partiu numa noite fria de dezembro com seu pedaço de lavadora e o bolso tão vazio como quando chegou. O armário ficou abandonado no corredor e alguém usou suas tábuas para tapar uma janela por onde a chuva entrava. A madeira do cabide substituiu o da escova quebrada e os pregos foram reutilizados numa cadeira.
Cosita, em Banes, sonha em regressar a Havana. Conta aos amigos sobre seus dias na “capital de todos os cubanos” e sublima aquele “móvel para meninos de boa madeira” que conseguirá trazer algum dia – como troféu – até seu povoado.
*Placa: uma das formas populares de se referir a Havana
Tradução por Humberto Sisley

Reynaldo-BH: ‘Os ditadores de hoje são meras cópias repaginadas do que foram seus algozes do passado’

Tudo que é podre se desmancha no ar. A América Latina vive sob a “ideologia” do bolivarianismo. Fruto do delírio de um ditador que hoje apodrece em uma urna de vidro – quando não se transforma em passarinho.
Faz 50 anos que vivemos uma época negra de ditaduras no Cone Sul. Generais que mais pareciam bonecos de filmes de terror, sem cultura, sem decência e sem limites inventaram um nacionalismo que lembrava o comunismo, no centralismo decisório e no aparelhamento do estado. Nas ditaduras, nada restava a todos nós. Somente a indignação e a luta.
Hoje, vivemos um cenário de protoditadores que também acreditam possuir o estado e até nosso futuro. Não são diferentes. Somente chegaram ao poder por outras vias. E lá pretendem se manter.
São covardes, pois ameaçam – até fisicamente – quem deles discorda. São megalomaníacos, pois se julgam pais da pátria como os caudilhos do passado. Mentem. Envergonham a nação frente ao mundo. São piadas que se transformaram em pesadelos.
Seja em uma Venezuela abertamente ditatorial – com um poder judiciário dominado, um Congresso que lembra uma reunião escolar de radicais e agressões de grupos paramilitares apoiados pelo estado – ou no Brasil, onde roubos e corrupções são escondidas sob o tapete do Planalto.
Sem falar na eterna Cuba, que mudando de métodos continua como um parasita em um mundo produtivo, usando de escravos para receber divisas. Não se nega que foi um avanço: se antes prostitutas frequentavam os hotéis de luxo (continuam…..), hoje médicos são prostituídos em nome da “revolução”.
O que enoja é o apoio de um país que relembra hoje os 50 anos dos golpe militar. Um país que não aprendeu, que não reconhece que ditaduras são iguais.
Comemorar o quê em 2014? Os 50 anos de caminhada em que desaprendemos o que é LUTA? Dignidade? Estado de Direito? Ética?
É pedir muito que meio século tenha servido a algo? Ou – como vemos – serviu somente para ensinar a América Latina a ter um novo tipo de regime que nunca se soube o que é e o que deseja?
De 1964 a 2014. Cinco décadas durante as quais o POVO brasileiro aprendeu a dor da falta de liberdade. E nas quais eles aprenderam com os algozes a ser uma mera cópia repaginada.

Acionistas minoritários estrrangeiros da Petrobrás querem Jorge Gerdau fora do Conselho de Administração

Políbio Braga
Os acionistas estrangeiros da Petrobrás correm lista para exigir que o industrial gaúcho Jorge Gerdau seja imediatamente afastado do Conselho de Administração da Petrobrás.

. Dr. Jorge ocupa a cadeira de representante dos donos de ações preferenciais.

. A alegação é de que ele nada fez para garantir o repasse dos custos dos combustíveis aos consumidores e também proteger a correta governança corporativa.

. A repórter Samanta Lima, da Folha, hoje, que foi quem revelou as informações que circulam deste ontem no mercado financeiro internacional, onde o industrial gaúcho é conhecidíssimo, disse que os acionistas estrangeiros já têm até candidato para o cargo, no caso o economista paulista José Monforte.

. Entre os estrangeiros estão a gestora de recursos escocesa Aberdeen Asset, o fundo de pensão americano California State Teacher’s e a gestora inglesa  F& C.

. No Brasil, outro sócio minoritário relevante, o Bradesco Asset Management, disse hoje que continua apostando no brasileiro.

-  Jorge Gerdau ocupa a cadeira há 13 anos. Ele é visto no mercado como homem alinhadíssimo com Lula e Dilma, ocupando várias posições importantes no governo, entre as quais a de conselheiro da Petrobrás, membro do Conselhão e assessor direto de Dilma no Palácio do Planalto. Os problemas de Gerdau podem estar apenas começando, porque nos EUA o tipo de atuação que ele teve na Petrobrás poderá custar-lhe até mesmo impedimentos para o exercício de funções diretivas em empresas. O grupo Gerdau possui empresas nos EUA. 

Tarso, Fortunati e Inter enganaram deputados: ZH prova que responsabilidade era do Inter e Fifa.

Do blog do Políbio Braga

Cláusula 31 diz que Fifa pode bancar as obras temporárias e depois cobrar do Inter.



A reportagem a seguir dos repórteres Pedro Moreira e Rodrigo Müzell, do jornal Zero Hora, comprova que a maioria dos deputados foi enganada pelo governador Tarso Genro, pelo prefeito José Fortunati e pelo presidente do Inter, Giovani Luigi, porque todos sabiam que era responsabilidade do clube e da Fifa o pagamento pelas chamadas estruturas temporárias no novo estádio.

. Nenhum deputado teve acesso ao Contrato. Todos os 55 deputados votaram no escuro, baseados no projeto de Tarso e nas pressões de Fortunati e Luigi, que sonegaram as informações. Só hoje o MPE conseguiu uma cópia. 

Leia a reportagem dos jornalistas:

Assinado pelo então presidente do Inter, Vitorio Píffero, e pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, o aditivo ao contrato para sediar a Copa do Mundo no Beira-Rio prevê que o clube se responsabilize por toda a operação dos jogos e pela instalação dasestruturas temporárias.
Porém, prevê uma saída para que o evento seja realizado mesmo que a busca por empresas interessadas em bancar os custos, estimados em R$ 25 milhões, não dê em nada: a Fifa poderia instalar os equipamentos e depois cobrar do Inter.

A cláusula 31 do aditivo inclui, no Contrato Para Sediar original, a determinação de que, se a "Stadium Authority" — o Inter — deixar de cumprir obrigações do contrato, a Fifa ou o COL podem realizar essas tarefas e, depois, o clube reembolsar a entidade.O assunto chegou a ser discutido durante as negociações para a resolução do problema das estruturas temporárias, mas foi descartado pela Fifa.

- Em São Paulo, Valcke, Fifa, ambém nesta quinta, mostrou confiança, principalmente na Odebrecht, responsável pela construção do estádio e que vai montar também as estruturas temporárias. Sem revelar detalhes, ele deixou a entender que o Corinthians irá acertar a questão financeira com a empreiteira.

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