domingo, 16 de março de 2014

CAIO BLINDER- Em poucas palavras, os números da farsa na Crimeia

Esta é uma coluneta de poucas palavras e de alguns números sobre a farsa eleitoral deste domingo na Crimeia, região autonôma da Ucrânia, onde 60% dos habitantes são etnicamente russos. A eleição por si é ilegítima e ocorre depois da ocupação russa (agora não mais invisível) da região e uma maciça campanha de “desinformazia” sobre um golpe fascista em Kiev e perseguição de russos étnicos.
Muitos podem imaginar que mesmo em condições ideais e legais (sem medo ou intimidação e orquestração pelo Kremlin de fervor patriótico), a maioria dos habitantes da Crimeia votaria a favor da anexação à Rússia (atualização: pelas primeiras bocas-de-urna, o apoio à secessão foi de 93%).  No entanto, uma pesquisa feita antes da invasão revelou que apenas 42% dos habitantes eram favoráveis ao desmembramento.
Em dezembro de 1991, teve lugar o referendo na Ucrânia sobre independência da União Soviética. O comparecimento foi de 76% e 90% dos eleitores votaram a favor da independência. De acordo com o censo de 1989, os russos perfaziam 22% da população ucraniana (no censo de 2001, eles caíram para 17%). No referendo de 1989, em todos os distritos houve voto da maioria pela independência. Mesmo na Crimeia (onde os russos então perfaziam 67% da população), 54% dos votos foram favoráveis à independência ucraniana.
O novo homem forte da Crimeia, abençoado por Vladimir Putin, é Sergei Aksyonov. Com um rumoroso passado mafioso, ele era uma figura marginal na política local (seu partido pró-Rússia teve 4% dos votos em eleições no ano passado). Como eu disse, não tenho muitas palavras sobre a autodeterminação da Crimeia.

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