quarta-feira, 12 de março de 2014

DO BLOG DO PAULINHO- O homem que peitou Zé Dirceu

Ontem, por volta das 15h., este jornalista enfrentava fila gigantesca numa agência bancária de São Paulo, mas que rendeu uma ótima história, que será contada nas próximas linhas.
Ao meu lado estava um senhor, aparentando idade próxima dos 80 anos, conversador, e absolutamente lúcido em suas colocações.
Seu nome: Ademir Losano, ex-gerente do Banco Português, na agencia em que "companheiros" do PT mantinham suas contas, entre os anos 70 e 80.
José Dirceu e Lula, inclusive.
Confira abaixo trechos deliciosos de uma história perdida no tempo, mas que serve, e muito, para explicar muitos procedimentos que continuaram a acontecer, tempos depois, culminando com a estadia forçada de alguns mensaleiros no hotel do Estado, na Papuda:
"Eles sempre deram problema... mas tinha um gerente que cuidava da conta deles, que morria de medo do Zé Dirceu, e pagava os cheques sem fundo, vários, para depois ficar implorando que eles cobrissem a conta".
"E, naquela época, se o cheque voltasse duas vezes, não é a moleza de agora, a ordem era encerrar a conta."
"Eles deram azar que teve um mês que o gerente da conta deles tirou férias e o outro, que costumava cobrir, se afastou por quinze dias. Sobrou então pra mim, que sempre tive postura rígida no banco, cuidar da conta deles. Confesso: sempre tive vontade de colocar eles em seus devidos lugares..."
"Um belo dia, o funcionário da compensação chegou em minha mesa, suando frio, perguntando o que fazer com o cheque que estava em mãos. Era um documento emitido pelo Zé Dirceu, sem fundos, Respondi: carimba, assina e devolve. O funcionário se tremia e, percebendo, emendei: carimba que eu assino. E o cheque foi devolvido."
"Dias depois, o mesmo funcionário, assustado, traz em suas mãos o cheque de outrora, desta vez pela segunda vez sem dinheiro na conta. Mando não apenas devolver, mas encerrei a conta do Dirceu, sumariamente. O funcionário questionou se não seria melhor ligar para "o homem", respondi que não seria mais preciso, que ele viria até a agencia."
"Estou sentado em minha mesa, acho que dois ou três dias depois, quando entra um homem na sala, com dedo em riste, gritando e ameaçando: era José Dirceu. Peguei seus dedos, como estavam, e apertei forte, em reação que, certamente, não esperava. Disse-lhe que somente minha mãe e meu pai permitiria que falassem comigo com o dedo em riste, não um qualquer, emissor contumaz de cheques sem fundo."
"Foi uma confusão danada, até que o gerente geral da agencia chamou o Zé para a sala dele, e, às portas fechadas, iniciou uma reunião."
"No outro dia, a conta do Dirceu estava reaberta, e sendo cuidada pelo próprio, o gerente pelego, enquanto eu continuei com meus afazeres, não fui demitido, mas estava de alma lavada, por mim e pelos outros funcionários que eles maltratavam."
"Nunca mais falei com o José Dirceu, mas cheguei a devolver um cheque do Lula, que depois foi reapresentado, sem maiores problemas."

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