terça-feira, 25 de março de 2014

João Pereira Coutinho recomenda “Esquerda Caviar”


Russell Brand

Existem pessoas mais velhas que admiramos, que consideramos mais cultas, mais sábias que a gente, que servem como uma espécie de meta a ser alcançada, uma inspiração que nos estimula a sempre buscar melhorias no presente. João Pereira Coutinho, colunista da Folha, é um desses para mim. Só há um pequeno detalhe: o patrício e eu temos a mesma idade!
Deve ser algum disfarce ou doença. Só pode! Para não me sentir humilhado demais diante da cultura do gajo, prefiro crer que Coutinho nasceu como Benjamin Button, já idoso, sábio e culto. Quem sabe, com o passar dos anos (Deus queira que não!), ele chegue, então, ao patamar mental de um Russell Brand, ator britânico que não fez, mas deveria ter feito, o filme “Debi & Loide” e que é um ano mais velho do que a gente. Brand é o ícone da esquerda caviar na terra da rainha.
Digo tudo isso, divagando envaidecido e rasgando seda, pois sinto-me muito honrado por ter sido citado por Coutinho em sua coluna de hoje na Ilustrada da Folha. Há quem vibre com os aplausos da multidão; eu prefiro o elogio sincero de alguns poucos, mas por quem nutro profundo respeito e admiração. Fica aqui, portanto, meu agradecimento público pelo reconhecimento de Coutinho. Segue um longo trecho do artigo:
E por falar em Inglaterra: certo dia, almoçando no restaurante do hotel Savoy, vi entrar um personagem com ares de vagabundo e aura de estrela do rock que provocou histeria entre os presentes.
Olhei para a criatura, perguntei à minha senhora se ela conhecia o dito cujo, mas a ignorância era mútua. Só mais tarde, folheando uma revista, reencontrei o rosto e o nome: Russell Brand, ator e humorista. Como ator, confesso que não frequento matinês para a população débil. Como humorista, o guarda-roupa talvez fosse a sua melhor piada.
Agora, parece que o sr. Russell Brand se prepara para escrever um livro. O fato de Brand saber escrever já é uma ideia perturbante. Mas mais perturbante é saber que, no livro, o ator e humorista pretende solucionar todos os problemas do mundo —das alterações climáticas à desigualdade social— com suas proclamações esquerdistas e mentecaptas.
É precisamente contra este tipo de fenômenos que Rodrigo Constantino escreveu o seu “Esquerda Caviar” (Record, 434 págs.), que começa da melhor forma possível: com a conhecida frase de Nelson Rodrigues de que é mais fácil amar a humanidade do que aqueles que nos estão mais próximos.
No fundo, Constantino retoma a célebre acusação que Burke lançou a Rousseau nas suas “Reflexões sobre a Revolução na França”: como levar a sério um homem que amava os Homens (em abstrato) e não hesitou em abandonar os seus próprios filhos na roda?
Infelizmente, é possível levar a sério essa turma porque a “aldeia midiática” em que vivemos promove essas hipocrisias éticas: atores e humoristas que almoçam no Savoy —mas depois gostam de exibir em público as suas “lindas intenções” contra o capitalismo que os alimenta. Exatamente como os tarados gostam de abrir a gabardina para exibir os órgãos genitais a crianças inocentes.
A única diferença é que as crianças normalmente horrorizam-se com o espectáculo. As crianças crescidas, pelo contrário, são as primeiras que correm para as livrarias, esperando encontrar no livro de um ator e humorista a chave para os problemas do mundo.
Seria bem melhor que esses exércitos de retardados comprassem a obra de Rodrigo Constantino. Porque a adolescência interminável é a pior forma de senilidade. 
Uma vez mais, obrigado, meu caro!
Rodrigo Constantino

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