terça-feira, 11 de março de 2014

Milagre seria a turma da Fiesp abandonar as tetas estatais

O empresário Benjamin Steinbruch tem sido um dos mais ferrenhos defensores da irresponsabilidade econômica e do nacional-desenvolvimentismo adotado pelo governo Dilma. Ele tem usado sua coluna na Folha para pregar sempre mais medidas artificiais de estímulo econômico, apesar do evidente fracasso delas até aqui.
Para Steinbruch, o problema é que tivemos pouco estímulo! Olhar para trás e reconhecer os erros das medidas que aplaudiu seria demais da conta para ele. Muito mais fácil repetir que não tivemos estímulo suficiente, e que a culpa do crescimento medíocre é do “neoliberalismo”, dos que pregam o conservadorismo fiscal. Foi justamente o que fez em seu artigo de hoje.
Descobrimos que o governo Dilma e o ministro Mantega são ícones desse conservadorismo fiscal agora (risos). Sei que parece piada, mas foi justamente o que escreveu o empresário:
Certamente a “reprimarização” não é a única razão do baixo crescimento – há outras, entre elas a forte tendência de adoção de medidas conservadoras na condução da política econômica.
No momento em que o país fechou 2013 com o PIB crescendo apenas 2,3%, uma série de fatores conspira contra a eventual recuperação no curto prazo: os investimentos não devem manter o bom ritmo de expansão do ano passado (6,3% com base na Formação Bruta de Capital Fixo), até porque o BNDES, que sustenta cerca de 13% dos investimentos do país, já avisou que vai reduzir o desembolso de recursos.
Além disso, há incertezas sobre o fornecimento de energia e sobre novas concessões de serviços públicos; o Banco Central espera um crescimento do crédito inferior aos 15% de 2013, já que a taxa básica de juros foi elevada para 10,75% e poderá subir para 11% dentro de um mês.
Com esse coquetel de maldades anunciadas, é muito difícil que a economia volte a apresentar tão cedo um ritmo de crescimento virtuoso. Só por milagre.
Ou seja, Steinbruch se faz de sonso quando se nega a reconhecer que todos esses problemas atuais são justamente o resultado das medidas adotadas antes e por ele defendidas. A presidente Dilma seguiu direitinho a cartilha nacional-desenvolvimentista: a taxa de juros foi reduzida na marra, o BNDES e a Caixa expandiram de forma alucinada suas carteiras de crédito, medidas protecionistas foram adotadas, etc.
Quando tudo deu errado, conforme previsto por economistas liberais (como este que vos fala), vem o empresário e condena… o “liberalismo” do governo! Qual, meu Deus?! Transformar Guido Mantega em baluarte da responsabilidade fiscal é algo que poucos tentariam fazer, pois demanda uma cara de pau enorme. Só falta Steinbruch afirmar que o BC de Tombini peca por perseguir com muita determinação a meta de inflação…
Steinbruch representa com perfeição a mentalidade da Fiesp. Um dos grandes males do Brasil é justamente essa turma ser confundida por aí com o capitalismo. Não! Defendem o “capitalismo de estado”, como fica claro. Querem mais privilégios, mais regalias estatais, mais barreiras protecionistas, mais subsídios do BNDES, taxa de juros artificialmente baixa, e para o inferno com a inflação!
Não desejam um capitalismo liberal, uma economia de livre mercado, competitiva, dinâmica. Em vez de focarem na redução do Custo Brasil, por meio de reformas estruturais impopulares, mas necessárias, preferem se alinhar a governos populistas e endossar o nacional-desenvolvimentismo fracassado.
Milagre, senhor Steinbruch, seria esse pessoal da Fiesp abandonar as tetas estatais e começar a defender o capitalismo de verdade!
Rodrigo Constantino

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