domingo, 20 de abril de 2014

Belluzzo: como destruir o Brasil

Em uma longa entrevista ao Estadão, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo mostra por que o Brasil é um país que não avança: gente com esse tipo de mentalidade econômica, parida em lugares como a Unicamp, predomina no debate nacional sobre a área.
Sim, é verdade que até mesmo Belluzzo, próximo do governo, faz críticas (agora – mas nós sabemos o que você fez no verão passado!) à gestão de Dilma. Diz coisas como ”é preciso dar mais peso ao investimento do que ao consumo e elevar a meta de superávit primário”. Mas não se enganem: estamos diante de um típico economista arrogante, que acredita na economia como um organismo a ser controlado de cima para baixo, por “esclarecidos” como ele.
Entre as estratégias que defende está o fortalecimento da Petrobrás, que pode contribuir com a reindustrialização, e a permanência da política de campeões nacionais. Luciano Coutinho, à frente do BNDES hoje, não poderia concordar mais. E é o mesmo Coutinho que, na década de 1980, aplaudia excrescências como a Lei da Informática, que jogou o país no atraso tecnológico.
Sobre a inflação, Belluzzo simplesmente desconhece suas origens, e finge não ter sido negligente antes, quando vários economistas liberais já apontavam para os equívocos de Dilma e do Banco Central, alertando que haveria mais inflação à frente. Diz ele:
Hoje o Brasil tem dificuldade para lidar com o regime de metas e para colocar a inflação na meta. Ouço muita gente dizer: vamos fazer uma recessão e colocar a inflação na meta. Pensar isso é ótimo, mas você vai ter que enfrentar as consequências políticas.
Cômodo falar isso agora, quando uma recessão passou a ser praticamente a única forma de conter a inflação produzida pelos erros do governo, sob os aplausos do próprio Belluzzo. Nessa outra passagem, Belluzzo demonstra a arrogância e a crença de que cabe ao Estado ser a locomotiva do crescimento, desprezando a classe empreendedora brasileira e ignorando que ela não faz mais justamente pelos obstáculos criados pelo próprio governo:
Crédito vem do latim credere, crença. A questão da confiança é importante e não é calculável. Lá na China, o Estado tem o comando da economia e autonomia para tomar decisões. Mas aqui no Brasil, o Estado não tem essa autonomia. Tem a restrição de ter de fazer o jogo de convencimento para virar as expectativas do mercado ao seu favor. Não adianta querer subir na parede contra isso porque sempre foi assim. E pesa ainda o fato de o Brasil não ter uma classe empresarial parecida com a americana e com a inglesa. Aqui você precisa lidar com o problema de uma economia que não inova, que precisa de incentivo do Estado. A construção desse espaço de confiança é importante.
Belluzzo idealiza o modelo chinês pelo visto, esquecendo-se de que lá a economia só deslanchou quando o estado saiu um pouco da frente da iniciativa privada. Mas Belluzzo inverte tudo ao afirmar: “Achei engraçado que um jornal publicou que a china tinha desacelerado de 7,5% para 7,4%. O Estado atua sobre o crescimento da China e ele não vai ficar abaixo disso”. Os problemas da China é que se devem ao excesso de intervenção estatal, não a parte que vai bem.
Outro sinal de arrogância autoritária veio quando o assunto foi controle de capitais:
O senhor está defendendo o controle de capitais?
Luiz Gonzaga Belluzzo- Claro. Temos de ter o controle de capitais como outros países. Recentemente, o Fundo Monetário Internacional publicou um documento importante sobre essa questão do controle de capitais dizendo, claro, que o controle de capitais não é desejável em si mesmo, mas é preciso que se tenha a capacidade de dirigir a entrada de capitais de forma a te beneficiar. Muitos países já fizeram isso. Não é nenhuma heresia econômica. O que é inconveniente é ter momentos de euforia e depressão.
O que espanta não é exatamente a mentalidade de Belluzzo. O que espanta mais é o fato de o Brasil insistir tanto nesses modelos e dar tanto crédito e espaço a economistas cujo histórico de acertos é quase nulo! Por que tanta insistência no fracasso? Por que os “desenvolvimentistas” (ainda que não desejem o rótulo, é o que são) da Unicamp ainda recebem tanta atenção? Isso é espantoso, e diz muito sobre nossa incapacidade de realmente progredir.
Nivaldo Cordeiro fez um bom resumo da coisa:
A entrevista do Belluzzo é escandalosa. Me parece o verdadeiro formulador do PT. Ele e a Unicamp. Confusão mental e maldade juntas. Vai quebrar. Seguidores do Belluzzo hoje dominam o Estado de cima a baixo. Basta ver quem está nos postos de mando. A confusão mental virou epidêmica. O PT é Belluzzo e Unicamp. Enquanto estiverem no poder farão experimentos deletérios com os brasileiros. Estão degradando tudo. Vai quebrar. A entrevista do Belluzzo é uma salada indigesta de conceitos confusos. Percebe-se a arrogância de quem acha que sabe tudo. Dá pena. E dá medo. Dentro de uma universidade séria o discurso do Belluzzo seria ridicularizado. Mas o PT o fez consultor privilegiado na formulação da política. Admito: a política econômica do PT não é apenas ridícula e confusa. Ela é destrutiva. Formulada por gente como Belluzzo.
Seria muito melhor para o país, ainda que não para os torcedores do Palmeiras, se Belluzzo cuidasse apenas de assuntos ligados ao futebol…
Rodrigo Constantino

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