quinta-feira, 17 de abril de 2014

Caio Blinder- Cinco cenários ucranianos

Ainda antes do início das operações militares do governo ucraniano contra separatistas pró-russos na terça-feira, o tarimbado Ian Black, do jornal britânico The Guardiantraçou cinco cenários da crise. Material didático entregue de bandeja para o Instituto Blinder & Blainder, que passa aos leitores com alguns ajustes. Então, lá vai:
Uso de força pelo governo ucraniano
Com a concretização da ameaça do uso de força pelo governo ucraniano (finalmente) contra os separatistas pró-russos, agora existe o risco de violência em larga escala e, no cínico alerta de Moscou, de guerra civil. Com a escalada de violência, podem ocorrer a suspensão da Constituição e o adiamento das eleições presidenciais de 26 de maio. Confirma-se assim o quadro de desestabilização do país, algo que não deve deixar ninguém chocado, apesar do lamento hipócrita em Moscou.
Intervenção direta russa
Com a anexação da região ucraniana da Crimeia em março, a Rússia tem garantido que não intenciona mandar tropas para a Ucrânia. Não convém a Vladimir Putin iniciar uma guerra, embora o Parlamento em Moscou o tenha autorizado a intervir militarmente caso os interesses russos sejam ameaçados. Putin antecipou que estes interesses incluem proteger quem fala russo na Ucrânia, embora a maioria dos falantes sejam ucranianos étnicos.
A intervenção pode seguir o figurino familiar de responder a um apelo fabricado por ajuda de “compatriotas” em nome de “federalização”. No entanto, uma plena invasão parece problemática. Forças ucranianas estão em melhor posição do que na Crimeia, onde as unidades russas já estavam estacionadas. Ademais, no leste o entusiasmo por uma intervenção russa é bem menos intenso do que na Crimeia. Há até 40 mil soldados russos na fronteira, mas até onde for possível a opção preferencial de Moscou será por ações clandestinas, embora as negativas de envolvimento sejam cada vez menos plausíveis. O objetivo essencial russo ainda é impedir a realização ou a legitimidade das eleições de 26 de maio.
Sanções ocidentais mais duras
Este cenário é altamente provável. Os EUA deixaram claro que as sanções serão incrementadas contra Moscou se as ações militares pró-russas continuarem. Sanções em energia, mineração e setor bancário estão na mesa. O Banco Central russo já admitiu uma saída de US$ 63 bilhões de capital no primeiro trimestre. O problema são as divisões europeias: a Alemanha depende de gás russo, a França tem contratos militares com Moscou e há pesados investimentos russos na indústria financeira britânica. Se a Rússia não for pega em flagrante com sua intervenção militar, será difícil uma resposta europeia mais vigorosa.
Intervenção da Otan
Extremamente improvável. A aliança militar ocidental tem expressado de forma intensa sua preocupação com a crise ucraniana, definida por seu secretário-geral, Anders Rasmussen, como o “maior desafio à segurança europeia em uma geração”. Ele não cessa de advertir sobre as “graves consequências” se houver uma invasão russa. Muito teatro. A Otan precisa falar grosso após ter fracassado para impedir a anexação da Crimeia. E, muito importante, precisa reassegurar seus integrantes na Europa Oriental, especialmente os três pequenos países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) sobre os compromissos para defendê-los. Aliás, medidas neste sentido foram anunciadas na quarta-feira por Rasmussen. A cooperação com a Rússia foi suspensa, mas não há perspectiva da Otan iniciar  uma guerra de forma deliberada.
Opções diplomáticas
Ian Black admite que numa situação complexa e volátil é difícil prever o day after. De qualquer forma, negociações estão programadas para quinta-feira, em Genebra, com a participação de Rússia, EUA, União Europeia e Ucrânia. Black avalia que a desestabilização no leste ucraniano fortalece a agenda russa por uma solução política palatável a seus interesses nestas negociações em Genebra, assim como aos interesses dos grupos pró-russos na Ucrânia por mais autonomia.
Vamos ver. Um day after do outro e os dias no momento são de opções militares, de extensões ainda indefinidas.
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