segunda-feira, 7 de abril de 2014

Caio Blinder- Grande Índia

Hora de concretizar uma grande promessa na coluna: falar com mais atenção da Índia, a grande Índia, a maior democracia do mundo, com 1.2 bilhão de habitantes e 815 milhões de eleitores registrados. Apenas não prometo uma maratona extenuante como o processo eleitoral que começa nesta segunda-feira, terá nove fases e terminará em 12 de maio. A previsão é para divulgação dos resultados em 16 de maio das eleições em que estão em jogo 543 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento
Muito para dizer sobre a Índia ao longo das próximas semanas, mas dá para antecipar que há pouco suspense, com as projeções de uma vitória arrasadora da oposição de centro-direita liderada por Narendra Modi, NaMo para os íntimos e não íntimos, do partido nacionalista-hindu Barathiya Janata. Com vigor, NaMo promete combate à corrupção, governo mais enxuto e eficiente e retomada do crescimento pujante que contribuiu para a invenção do acrônimo BRICs para os emergentes, com a presença do I de Índia.
Por conseguinte, o cenário é de uma derrota humilhante do Partido do Congresso de Rahul Gandhi, cujo parentesco na verdade é com o outro pai fundador da Índia moderna, seu bisavô Jawaharlal Nehru. O pai e a avó de Rahul Gandhi também chefiaram o governo e foram assassinados no exercício do cargo.
A democracia indiana, portanto, é esta história trágica, vibrante e caótica, em um país de divisões por castas, etnias, religiões, de 22 línguas oficiais,  27% de eleitores analfabetos e mais de 1.600 partidos registrados. Entre os candidatos, há 50 filhos ou filhas de parlamentares e 14 artistas de Bollywood, a Hollywood indiana. Neste mosaico delicado e explosivo, não é à toa que gera apreensão a ascensão do nacionalista hindu NaMo, especialmente entre mais de 130 milhões de muçulmanos, devido à controvérsia de que, como governador do estado de Gujarat, ele fracassou ao não interceder durante os conflitos religiosos de 2002 entre hindus e muçulmanos, que causaram 900 mortos – em sua maioria muçulmanos.
Tudo grande e complicado na Índia, sem esquecer a ficha suja dos seus políticos. Por alguns cálculos, 18% dos candidatos encaram acusações criminais, inclusive estupro, homícidio e extorsão. Há acusações sem fundamento, fruto (do que mais?) da corrupção enraizada, com a manipulação do sistema policial e judicial por oponentes políticos para manchar os rivais.
Pelos cálculos do instituto de estudos CMS, 1/3 dos US$ 5 bilhões gastos nesta campanha eleitoral é dinheiro não contabilizado, utilizado para mobilizar eleitores e comprar votos. Esta quantia de US$ 5 bi é a maior já investida em uma eleição nesta democracia caótica, corrupta e competitiva, pelo menos competitiva, caro Brasil. Grande Índia.
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