quarta-feira, 2 de abril de 2014

CAIO BLINDER- No Brasil, deputada venezuelana reclama da 'indiferença' de Dilma

Na época do “nosso golpe” em 1964, situações parecidas existiam em outras partes e não apenas nas vizinhanças do Brasil. Auge da Guerra Fria e temor do comunismo levaram os EUA a apoiarem revoluções “redentoras” e algumas foram simplesmente medonhas. Um caso emblemático foi a Indonésia, no sudeste asiático.
O general Suharto tomou o poder e o manteve por 31 anos, até 1998. Ele foi agraciado pela organização Transparência Internacional com o título de líder mais corrupto da história. Amealhou entre US$ 15 bilhões e US$ 35 bilhões. O regime, conhecido como Nova Ordem, foi também um dos mais brutais do gênero, em um cenário que ficou ainda mais sombrio pela ocupação do Timor Leste. No caso indonésio, não se discute se foi ditadura ou ditabranda.
A Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo, hoje é uma democracia. Terá eleições legislativas na semana que vem e presidenciais em julho. Cavalgando na nostalgia do homem-forte que vem, arrebenta e resolve está Prabowo Subianto, general da reserva, ex-comandante das forças especiais e ex-genro de Suharto.
Quando não está a cavalo, Prabowo aparece de helicóptero ou de jipe nos comícios. Carrega bagagem pesada com as acusações de envolvimento nas piores violações de direitos humanos no país, quando estava na ativa, inclusive no final do regime Suharto, como as alegações de ter orquestrado os distúrbios em maio de 1998, dias antes antes da renúncia do ditador, que resultaram em mais de mil mortes e estupros de pelo menos 168 mulheres.
Prabowo nega as denúncias e seu foco é revitalizar sua campanha, atropelada pela confirmação da candidatura do governador de Jacarta, Joko Widodo, conhecido como Jokowi. Trata-se do duelo do populismo estilo civil (o de Jokowi, é claro) contra o populismo fardado de Prabowo. As pesquisas no momento dão uma vantagem folgada para Jokowi, com reputação de honesto e competente para lidar com questões práticas e populares como educação e o trânsito infernal de Jacarta.
No entanto, até a eleição de julho é uma eternidade. A Indonésia é uma democracia volátil e caótica. Prabowo tem carisma, a mensagem de salvador da pátria, impacto junto à gente saudosa de um regime duro (e a outros que não sabem o que ele era) e apoio nos meios militares e empresariais.
Vamos acompanhar sua cavalgada neste mundo fascinado pelo homem-forte, da Moscou de Vladimir Putin ao Cairo do marechal Sissi.
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