quarta-feira, 23 de abril de 2014

Caio Blinder- Obama, para dentro e por fora (II)

Ron Fournier é um tarimbado jornalista americano que está por dentro para explicar a odisseia Obama. Ele diz que, tanto na frente interna como na externa, o presidente se perde na trajetória quando os mares ficam turbulentos. Na frase de Fournier, para aliados e oponentes, o presidente então parece “ingênuo, fraco e desconectado”.
Mesmo o camarada New York Times expressa desalento com o desempenho do presidente, com a emblemática reportagem de domingo passado sobre a estratégia de Obama para lidar com a Rússia de Vladimir Putin. Fournier avança, dizendo que existem paralelos na maneira com a qual o presidente atua na frente russa e com os republicanos dentro de casa. Há uma distância entre promessa e desempenho que ilustra uma “fundamental falta de liderança”.
Obama faz apostas erradas e enfrenta adversários da pesada (Putin ou republicanos). Com o presidente russo, ele tentou forjar uma parceria e Putin não se mostrou um parceiro confiável. Agora, de acordo com a estratégia desenhada no New York Times, a Casa Branca busca uma estratégia de longo prazo para conter a Rússia, em uma versão modernizada do que foi feito na Guerra Fria.
Na guerra fria doméstica, Obama chegou na eleição de 2008 com a ideia do pós-partidarismo, abandonado ao primeiro sinal de intransigência republicana. Ele deixou de buscar compromissos e passou a expressar indignação por não encontrá-los. A rigor, com o atual perfil republicano, a missão é praticamente impossível, exigindo um superherói político. Mas, Obama é um presidente que não se engaja com o Congresso, revela-se indisposto para construir relações (com aliados e adversários) e é movido pelos ventos das pesquisas de opinião pública. Autor do best-sellerA Audácia da Esperança, Obama, na verdade, vende uma postura presidencial muito cautelosa.
Fournier não resiste a um veneno oferecido por um marqueteiro democrata não identificado, que já assessorou Obama nas duas campanhas presidenciais: “Ele não consegue lidar com Putin. Ele não consegue lidar com os republicanos. Simplesmente, ele não é um líder natural”.

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