quinta-feira, 24 de abril de 2014

Lei para o crime

Alexandre Garcia
PALERMO, Sicília – Aqui na Itália nasceu a máfia, mas as últimas estatísticas mostram que o país inteiro teve 594 homicídios em um ano. No Brasil, foram 52 mil. Menos de dois por dia na Itália; 143 por dia no Brasil. Pudera! As leis brasileiras são boazinhas com os criminosos; a investigação é antiquada; a Justiça é lenta e tudo é burocrático. Há poucos dias, um italiano foi condenado a ficar na prisão até a morte por ter matado a amante brasileira. E nem foi uma morte intencional. O casal brigava, ela caiu e bateu a cabeça no chão. Pois o italiano foi condenado à prisão perpétua. Lembro que o doleiro Alberto Youssef, um dos notáveis da operação lava-jato, já fora condenado pelos mesmos crimes em que agora foi enquadrado pela Polícia Federal. A condenação é de 2004, a sete anos de prisão. Melhor dizer, foi condenado a sete anos de liberdade, porque ganhou regime semi-aberto. E continuou praticando os mesmos crimes, ligado a políticos, e aumentando seu imenso patrimônio. Os que fazem as leis, deputados e senadores nossos representantes, devem estar alienados em relação à vontade do povo. E a consequência é que o povo está fazendo justiça pelas próprias mãos, como se percebe pelo frequente espancamento de ladrões flagrados nas ruas.  Leis penais e julgamentos que não têm lógica. A dona do Banco Rural, por exemplo, professora de dança clássica que assumiu o banco com a morte do pai, está em regime fechado na prisão, cumprindo pena de quase 17 anos, porque o banco deu apoio às movimentações de dinheiro do mensalão. O que foi apontado como chefão do esquema pegou menos da metade daquela pena e no semi-aberto. Os que mataram, no Rio Grande do Sul, o menino Bernardo, de 11 anos, com injeção letal, não terão a condenação que merecem. No Brasil, a pena máxima é de 30 anos.  A brasileira morta na Itália é de Uberlândia. Se ele a tivesse matado em Minas Gerais, quem sabe estaria em liberdade, aguardando anos pelo julgamento. Na Itália, ele foi condenado sete meses depois do crime. No Brasil, pelas estatísticas, teria nove entre 10 chances de não acabar na cadeia. Dos assassinatos no Brasil, menos de 10% dos criminosos são punidos. Na Itália, a polícia, as leis e a Justiça são diferentes. Só quem não acredita na justiça italiana é o governo brasileiro. Coerente com a tolerância pró-crime, abriga o italiano Cesare Battisti, condenado por assassinar três e mandar um menino para a cadeira de rodas. Impune no Brasil, ele até ganhou uma cadeira na CUT. 

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