segunda-feira, 14 de abril de 2014

New York Times alerta sobre atraso em obra do PAC

Na edição desse domingo (13) do jornal americano The New York Times (NYT), a reportagem intitulada “Do boom à ferrugem” ressaltou os atrasos em grandes projetos de infraestrutura no Brasil, tema abordado intensamente pelo Contas Abertas nos últimos dias em matérias sobre o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ao discorrer sobre o atraso e os altos custos dos estádios construídos para a Copa do Mundo, o jornal cita obras que estão estagnadas no país, a exemplo da ferrovia Transnordestina, parte da segunda etapa do PAC. 

Como o Contas Abertas divulgou no último dia 5 (veja matéria), as obras da ferrovia estão entre as mais significativas do programa e têm previsão de conclusão apenas para 2016, seis anos depois do prazo estabelecido pelo governo federal e com aumento de R$ 5,4 bilhões no orçamento. Em tradução livre, segue trecho da reportagem do NYT que trata sobre a ferrovia: A Transnordestina, uma ferrovia iniciada em 2006 no nordeste do Brasil, ilustra uma das armadilhas que assolam tanto os pequenos como os grandes projetos de infraestrutura. 

Prevista para ser finalizada em 2010, sob um custo de 1,8 bilhões de doláres, a ferrovia, projetada para percorrer mais de mil milhas (1,6 mil quilômetros), deverá custar, agora, 3,2 bilhões de doláres aos cofres públicos, já que a obra é, primordialmente, financiada por bancos estatais. Os responsáveis pela ferrovia dizem que ela estará pronta por volta de 2016. 

Mas, com os canteiros de obras abandonados por conta de auditorias e outros contratempos, até mesmo essa previsão parece otimista nos arredores de Paulistana, cidade do Piauí, um dos estados mais pobres do país. Os longos trechos pelos quais trens de carga deveriam estar passando são ocupados por vaqueiros e rebanhos, que também aproveitam da sombra das pontes férreas fantasmagóricas. 

O ministro do transporte do Brasil, César Borges, mostra irritação com o atraso da entrega da ferrovia, necessária para transportar a colheita de soja para os portos. Ele apontou a burocracia como um dos motivos de atraso nos projetos do governo, como a Transnordestina: O Tribunal de Contas da União; a Controladoria Geral da União; uma agência de proteção ambiental; um instituto de proteção arqueológico; agências de proteção aos direitos dos indígenas e descendentes de quilombolas; e o Ministério Público. 

O secretário geral e fundador do Contas Abertas, Gil Castello Branco, está entre os entrevistados da reportagem. Para ele os fiascos estão se multiplicando, revelando uma desordem sistêmica. “Estamos despertando para a realidade em que imensos recursos públicos foram desperdiçados em projetos extravagantes, enquanto nossas escolas públicas ainda são precárias e esgotos não tratados correm pelas ruas”, afirma. 

Um dos maiores exemplos de desperdício, citado na reportagem do NYT, é a construção do Museu do ET, em Varginha (MG), projeto que custou mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos e hoje está abandonado. Confira reportagem e vídeo sobre o assunto no site do The New York Times. 

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