terça-feira, 8 de abril de 2014

VEJAM O RIDÍCULO: O trem-bala São Paulo-Rio, que nem foi licitado — e talvez nunca venha a existir –, consta na papelada do governo como estando “com andamento adequado”


Ricardo Setti

O trem-bala, em ilustração: não foi nem licitado, não se sabe se vai ser, não se sabe se um dia existirá -- mas sua "obra" está em "andamento adequado", para o governo (Foto: veja.abril.com.br)
O trem-bala, em ilustração: não foi nem licitado, não se sabe se vai ser, não se sabe se um dia existirá — mas sua “obra” está em “andamento adequado”, para o governo (Foto: veja.abril.com.br)

É uma coisa incrível o governo Dilma — um ridículo ou um absurdo atrás do outro.
Agora vejam essa: lembram do trem-bala, o sonho maluco de ligar com um trem de alta velocidade São Paulo ao Rio, saindo de Campinas, a um preço estratosférico que já ninguém mais no governo sabe de quanto vai ser?
O trem-bala que, em princípio, estaria funcionando para a Copa do Mundo deste ano — ou, na pior das hipóteses, funcionando quando das Olimpíadas do Rio, em 2016?
O trem-bala que não encontra interessados?
Pois bem, o leilão para definir a empresa ou consórcio encarregado da tarefa já foi adiado três vezes, a última delas em agosto de 2013. A promessa do governo, na ocasião — será que alguém acredita? –, foi de que o quarto leilão se realizaria no segundo semestre deste ano.
Pois bem, a série de reportagens que o site de VEJA, em parceria com a ONG Contas Abertas, vem publicando sobre a execução pífia dos empreendimentos nas diferentes áreas da administração – transportes, energia, saúde, educação, entre outros — revelou uma preciosidade extraordinária, para a qual queria chamar a atenção dos leitores.
Nos balanços periódicos, apresentados a cada quatro meses, o Ministério do Planejamento enfatiza o volume financeiro de recursos supostamente desembolsados, e não a quantidade de empreendimentos. Dessa forma, não há informação oficial sobre o número de obras em andamento ou terminadas, ou seu percentual em relação ao total previsto. Os atrasos ou obras fictícias, dessa forma, não aparecem.
É preciso caçá-los nos locais, como tem procurado fazer a imprensa para mostrar que elas não andam — veja-se a transposição das águas do Rio São Francisco — ou não existem.
Além de divulgar o volume de dinheiro supostamente investido, sem especificar as respectivas obras, o Ministério atualiza constantemente o prazo de conclusão dos trabalhos. A mágica faz com que a maior parte dos empreendimentos receba o carimbo genérico de “andamento adequado”.
Agora, acreditem se quiserem: está tendo “andamento adequado”, segundo a burocracia do Ministério do Planejamento, o famoso trem-bala São Paulo-Rio — que não foi licitado, não se sabe se será e ignora-se se um dia chegará a existir.
Brasil, um país de faz-de-conta.

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