sábado, 19 de abril de 2014

Yoani Sánchez-Lei de Inversão Estrangeira. Pular além da própria sombra ?

Um senhor barbado e com a camisa surrada lê o jornal numa entrada da Rua Reina. “Este pessoal está reinventando a roda…” escuta-se ele dizer. No diário que tem nas mãos está incluído um encarte com a nova Lei de Inversão Estrangeira recém votada pela Assembléia Nacional. Aprovada por unanimidade, a controversa legislação chega num momento em que a economia cubana precisa urgentemente de capital de fora.
A necessidade de obter inversões não provocou, contudo, maior flexibilidade em temas como a contratação de pessoal. A lei recém aprovada manterá o monopólio estatal sobre a empresa empregadora. Somente através desta entidade o empresário estrangeiro poderá contratar seus trabalhadores. As pessoas confiáveis para o governo continuarão mais valorizadas na hora de conseguir um lugar.
O governo de Raúl Castro garante desse modo que a mão de obra para os investidores estrangeiros seja confiável para o governo. Se entendermos a autonomia econômica como requisito indispensável para conseguir a autonomia política, o General Presidente sabe bem o que faz ao assegurar que os melhores salários parem em bolsos de fidelidade comprovada. Dessa maneira mantém a compra de lealdades a partir de privilégios que tanto caracteriza o modelo cubano.
Contudo, a fidelidade ideológica e a capacidade laborativa nem sempre andam lado a lado. As novas empresas de capital estrangeiro verão seu desempenho atrasado – entre outras razões – por não poder aceder ao melhor capital humano disponível. Nesse ponto de vista fica claro que a Lei de Inversões Estrangeiras não pode pular além da própria sombra. Continua marcada pelo medo que os indivíduos consigam independência salarial e política do estado.
Tradução por Humberto Sisley

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Seguidores

Arquivo do blog

LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.