quinta-feira, 29 de maio de 2014

Alexandre Garcia- Cidadãos indefesos

O governador de Mato Grosso foi preso por posse ilegal de arma. A pistola, na casa dele, estava com o registro vencido, enquanto ele tentava renovar o cadastro. Mas a burocracia é tanta, as exigências são muitas e complicadas, e a arma - na verdade constante do registro de armas - foi considerada ilegal, embora estivesse no endereço conhecido pelo Sistema Nacional de Armas. Nenhum bandido precisa de tudo isso para portar armas, atirar contra a polícia, assaltar bancos e sequestrar cidadãos.  


No referendo de 2005, dois em cada três eleitores responderam contra a proibição do comércio de armas de fogo. Na cabeça da população, o argumento básico é de que precisa ter o direito de se defender, já que o estado, que recebe impostos para prestar segurança, não assegura esse direito. Mesmo com o resultado acachapante de 64% sobre 36%, o governo fingiu que não entendeu, e faz de tudo para impedir que o cidadão exerça o direito natural de defesa, criando dificuldades para as famílias terem arma em casa ou, para aqueles que estão sob risco, andarem armados. A arma foi o que igualou a velhinha de Caxias do Sul ao bandido que a ameaçava dentro da própria casa.


 Defender sua própria casa e família é o mínimo que se pode esperar como direito numa nação civilizada e organizada. A arma não é por medo, mas para não precisar ter medo; não para buscar encrenca, mas para mostrar que não quer ser atacado. O que o governo faz é deixar o bandido tranquilo, sabendo que vai assaltar sem ter resistência. Nos Estados Unidos, onde há arma em toda casa, ninguém se atreve a invadir território alheio, pois sabe que a velhinha ou o menino manejam bem uma boa espingarda. Há 60 milhões de caçadores registrados por lá. Quem ousaria invadir um país assim? Com tanta dificuldade para renovar registro de arma, calcula-se que há, no Brasil, mais de oito milhões de armas tão ilegais quanto a do governador Silval Barbosa: em 2010, havia 8.974.456 armas de fogo com registro; neste ano, o registro ativo despencou para cerca de 600 mil armas. Será que vão prender, como fizeram com o governador, mais de 8 milhões de brasileiros? 

Além dessa pergunta, há outra: que interesse existe por trás da intenção de ter a cidadania desarmada, inerme, indefesa? 

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