terça-feira, 20 de maio de 2014

AMAZONAS- Vizinhos da Arena afirmam que obras são só para 'inglês ver'

A 20 dias da Copa do Mundo, moradores do entorno do estádio que sediará quatro jogos do mundial e dos centro de treinamento reclamam que as melhorias não chegaram às comunidades próximas
[ i ]Entorno da Arena da Amazônia enfrenta problemas de infraestrura e gera reclamação dos moradores, que esperavam benefícios por serem vizinhos do estádio que sediará a Copa
Manaus - Obras de adequação para a Copa do Mundo não alcançaram os vizinhos da Arena da Amazônia, que sediará quatro jogos da Copa do Mundo no mês que vem. Moradores dos bairros Dom Pedro e Alvorada reclamam que recapeamento de ruas, novas calçadas, iluminação e outras obras de infraestrutura no entorno do estádio são só ‘para inglês ver’.
No Dom Pedro, segundo o presidente da associação de moradores Osnir Gusmão, as melhorias são pontuais e atingem apenas a rota dos turistas. De acordo com a entidade, 27 solicitações de tapa-buracos no bairro já foram feitas este ano, mas somente nove foram atendidas.
“Quando foi colocada a situação da Copa do Mundo, recebemos a promessa de melhorias em todo o bairro, mas somente as vias principais receberam atenção”, disse. “A Avenida Domingos Jorge Velho, que dá acesso à sede da Polícia Federal, foi uma delas, pois faz parte da rota dos turistas. As ruas de muitas casas que vão hospedar pessoas vindas de fora do Estado e até do País estão com buracos que atravessam a via, como é o caso da Rua Plácido de Castro”, informou.
As reformas no entorno do estádio já apresentam falhas, segundo Gusmão. A calçada paralela ao centro de convenções da Arena da Amazônia está rachada e sobressalente e a passarela próxima ao local tem várias rachaduras.
O diretor de Engenharia da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Antônio Nelson, admitiu que o foco das obras para a Copa beneficia somente as ruas principais do quadrilátero no entorno do estádio, que abrangem as avenidas Djalma Batista, Pedro Teixeira, Loris Cordovil, Torquato Tapajós, Constantino Nery, Max Teixeira, Noel Nutels, Paraíba, Recife, Brasil e Autaz Mirim. Também foram incluídos o Boulevard Álvaro Maia e a Estrada da Ponta Negra.
Nessas vias, segundo Nelson, foram realizados serviços de recomposição asfáltica, remendos profundos, troca do pavimento com qualidade mais resistente, inserção e troca de meio-fio, sarjeta, calçada, canteiro central e iluminação pública. Ele explica que, em decorrência do final do inverno, o ritmo do trabalho de manutenção foi reduzido.
“A população tem que ter paciência, que nós vamos chegar nessas localidades. Existe uma separação entre as obras da Copa e as de manutenção da cidade. Temos muitas ocorrências para um efetivo não tão grande de pessoal. É muito trabalho para um ano”, afirmou.
A pouco mais de 500 metros da Arena da Amazônia, a aposentada Maria Zenilda da Silva, 63, moradora da Travessa Pedro Teixeira, afirma que todos os anos a sua casa alaga. Ela também reclama da segurança do local e lamenta não ter havido mudanças para a comunidade que mora tão próximo ao estádio da Copa.
“Podia ter melhoras, mas não teve. A minha casa alaga na beira do igarapé, não tenho nada. Gastaram tanto dinheiro no estádio que fica em frente a minha casa. É como olhar uma comida saborosa, não ter dinheiro para comprar e ter que ficar olhando outra pessoa comer”, disse.
Moradores da Rua 4, bairro Alvorada 1, zona centro-oeste de Manaus, reclamam de buracos nas ruas e calçadas e das constantes quedas de energia na área. Eles alegam que, depois que os jogos da Arena da Amazônia começaram, as quedas de energia são constantes. Fritadeiras elétricas, geladeiras e televisores já apresentaram defeitos.
Elza Abreu, 67, moradora do local, disse que dois televisores apresentaram defeitos em sua residência e nos finais de semana as quedas são mais frequentes. “Tem dias que a energia cai mais de dez vezes. Às vezes, passamos horas para que ela se restabeleça. É um descaso muito grande”, disse Elza.
O comerciante Ângelo Gomes teme que durante a Copa do Mundo o bairro fique totalmente abandonado. “É difícil imaginar. A gente é vizinho da Copa e não temos nada”, afirmou.
Estádios
Nos bairros Glória, zona centro-oeste, e Coroado, zona leste, que abrigam o Estádio da Colina (Ismael Benigno) e o Estádio Carlos Zamith, respectivamente, cotados para treinos das seleções durante o mundial, o problema se repete.
No bairro do Coroado, a população afirma que poucos avanços foram observados, até mesmo no entorno do Estádio Carlos Zamith, localizado na Alameda Cosme Ferreira.
O feirante Francisco Marques, 41, que mandou fazer um uniforme especial para a Copa, diz que esperava alguma melhoria para a feira coberta do bairro. “Manaus continuou a mesma coisa, não mudou nada. Falta muita coisa, principalmente dentro do bairro. Me desapontei. Infelizmente, só deixa a desejar essa Copa”, disse.
Para a professora Regina Barros, 36, as mudanças estão em alguns pontos e não refletem a totalidade do bairro que, segundo ela, enfrenta falta d’água, insegurança e infraestrutura precária. Na avaliação da moradora, faltaram investimentos que seriam vistos pelos turistas e pela população.
“Nós temos um riacho que atravessa o Coroado todo. Podiam ter revitalizado o igarapé da Beira Rio, seria um atrativo. Por causa das calçadas que são usadas pelos ambulantes, a poluição ambiental e visual aumenta a cada dia”, disse.
Em frente ao Estádio da Colina, na praça de alimentação do bairro Glória, a falta de iluminação e sujeira são alguns dos problemas relatados pelos moradores. O estudante Marcelo Alexandre, 26, considera o bairro abandonado, mesmo recebendo a reforma do estádio para a Copa.
“Precisa melhorar a infraestrutura dos lanches, os banheiros não prestam, as mesas são colocadas em cima do barro e à noite é muito perigoso. No final da linha dos ônibus está uma buraqueira enorme. Hoje, eu me sinto envergonhado de ter uma Copa em Manaus, estão maquiando. Resultado: a população da Glória não está sendo beneficiada. É só para inglês ver”, afirmou.
Sem perder a esperança, o comerciante Lorival Ferreira, 77, que trabalha com a venda de fogos de artifício no local há mais de 40 anos, enfeita de verde e amarelo sua loja em frente ao estádio, mas considera um descaso “um cartão-postal como o bairro Glória não receber as adequações para a Copa do Mundo, como o saneamento básico e a regularidade do recolhimento do lixo”.
“A gente precisa ficar feliz com a Copa, mas não só com os gols da seleção e, sim, com o legado deixado para a nossa comunidade. Eu sinto alegria da Copa, mas infelizmente não vimos melhoria nenhuma. Vamos tocar a Copa do Mundo e representar apenas com o nosso sorriso. Espero que melhore, acredito que ainda dê tempo”, disse.
A Seminf informou que os quadriláteros dos estádios que serão centros de treinamento não foram beneficiados com o pacote de obras para a Copa. De acordo com o diretor de Engenharia do órgão, os serviços em algumas localidades devem ficar para o pós-Copa.

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