quinta-feira, 22 de maio de 2014

ANTONIO RIBEIRO-Problema não é os estádios modernos, mas a vista grossa com a corrupção endêmica e não fazer o que foi prometido


Maraca
Durante os últimos meses se fala no elevado custo dos estádios em que se estima terem sido gastos entre 8,5 e 9 bilhões de reais. Por certo, há suspeitas embasadas de superfaturamento. Naturalmente, a situação deve ser investigada. A FIFA afirmava que não era necessário 12 estádios. Bastavam 8 para realizar a Copa.
Ademais, se sustenta com boa dose de simplismo redutor que no lugar dos estádios dever-se-ia construir hospitais, escolas, melhorar o sistema de transportes públicos e a segurança da população. O preço dos estádios se transformou quase na principal razão de todas as mazelas do país.
O Brasil é a sexta maior economia do planeta. Em 2013, o governo federal arrecadou 1,138 trilhão de reais. Há recursos mais do que suficientes para construir estádios, escolas, hospitais e melhorar um dos piores sistemas de transportes públicos do mundo. O problema está na incapacidade da classe política nacional de administrar o bem público e de aproveitar qualquer oportunidade para roubar endemicamente como nunca.
Um estudo realizado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) revelou os prejuízos econômicos e sociais que a corrupção causa ao país. O valor chega a espantosos 69 bilhões de reais por ano, quase oito vezes mais do que o custo total das arenas esportivas.
Sem o roubo descarado, o número de matriculados na rede pública do ensino fundamental saltaria de 34,5 milhões para 51 milhões de alunos. Um aumento de 47,%, que incluiria mais de 16 milhões de jovens e crianças. Nos hospitais públicos do SUS, a quantidade de leitos para internação, que hoje é de 367.397, poderia crescer 89%. Isso significariam 327.012 leitos a mais para os pacientes.
Há um fenômeno recorrente no Brasil. Invariavelmente se passa bem longe do cerne das questões. Em efeito, atira-se na sombra do alvo. Quando muito. Nove bilhões de reais são irrelevantes em relação aos 600 bilhões de reais, repito, 600 bilhões de reais, gastos anualmente para sustentar a maquina do governo. Que não funciona, diga-se de passagem. O contribuinte paga todo ano, mais de 66 vezes o preço dos estádios. Bom lembrar: sem ter a contrapartida.
Um levantamento do jornal Folha de São Paulo revela que das 167 obras do PAC, bem menos da metade foram concluídas. Outras 88 intervenções estão incompletas, sabe-se lá quando serão concluídas, e 11 delas, note bem, nunca sairão do papel. Este é legado da Copa que o Brasil quis sediar sem ter sido forçado ou induzido. Uma tremenda oportunidade perdida de deixar ao cidadão melhorias após uma competição que vai durar apenas um mês. E depois de 13 de julho de 2014, como fica? Resposta: no mesmo lugar.
Não há nada de errado em construir modernos estádios de futebol ou reformá-los. Isso não significa deixar de fazer o que deveria ser feito. Uma coisa não está em absoluto condicionada a outra. Por este raciocínio não se tapa um buraco de rua. Não se constrói um ambulatório em detrimento a uma ponte se há caixa para pagar ambos.
A um mês do início da Copa, a imprensa internacional tem reverberado as preocupações com os preparativos. Por vezes, a ênfase é que alguns estádios não estão prontos. Incluso aí, o Itaquerão, palco do jogo de abertura. Em conversa com Jean-Baptiste Boursier, apresentador do telejornal “Le Soir”, da BFM, principal canal de informação da TV francesa, abordamos a situação. Você pode acompanhar o papo aqui.
BFMTVRibeiroBP
Por Antonio Ribeiro

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