sexta-feira, 9 de maio de 2014

Caio Blinder- Boa sorte e paciência contra o Boko Haram

Por razões táticas, até companheiros de viagem jihadista expressam objeções à barbárie praticada pelos terroristas nigerianos do grupo Boko Haram, responsável, entre outras coisas, pelo rapto de centenas de meninas (cristãs e muçulmanas). Imagine, hoje existe um establishmentdo terror islâmico preocupado em conquistar corações e mentes, mesmo quando decepa cabeças dos infiéis que merecem morrer. O Boko Haram foi colocado em uma lista negra ao lado de outro grupo “herético”, o Estado Islâmico do Iraque e da Síria, aquele que realiza crucificações na cidade de Raqqa, no norte da Síria.
Contar com a relativa solidariedade da rede Al Qaeda claro que não é consolo para as meninas e tantas outras vítimas do Boko Haram. Mais reconfortante é contar com a simpatia global, engatilhada por um punhado de manifestantes nigerianos que foram cobrar providências do primeiro casal do país, que carrega nomes infelizes para as circunstâncias como Goodluck e Patience Jonathan.
O casal Goodluck e Patience Jonathan
O casal Goodluck e Patience Jonathan
Boa sorte? Paciência? Enquanto deu, o governo nigeriano tratou a tragédia com descaso, mais entretido em vender ao mundo a nova posição do país como a maior economia africana. Com a pressão, Goodluck Jonathan agora diz que o sequestro das meninas ser á o princípio do fim do terrorismo no seu país.
Em princípio, devemos desconfiar deste tipo de bravata de político em campanha de reeleição. E a dona Paciência bizarramente acusou líderes do protesto, com os quais se encontrou, de pertencerem ao Boko Haram  e de fabricarem a história do sequestro para desacreditarem o governo.
Sobre a solidariedade global, um alerta. Eu confio no papel da corajosa adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, que foi baleada na cabeça em 2012 pelos bárbaros do Taliban por sua campanha pela educação de meninas. Malala é infatigável. Ela é mais do que um hashtag ao estilo #BringBackOurGirls. Já a atenção global é limitada, especialmente caso não tenhamos notícias em breve sobre a situação das meninas nigerianas.
Boko Haram é vagamente traduzido como “educação ocidental é proibida”. Aqui vai uma lição sobre o Ocidente. Campanhas globais de indignação são fugazes. Está aí firmão o Taliban de tantas barbaridades, enquanto as tropas ocidentais estão batendo em retirada do Afeganistão. Há dois anos, um vídeo de 30 minutos sobre o maníaco Joseph Kony se tornou uma das maiores sensações virais da história da Internet, com as denúncias de escravização de meninas e sequestro de meninos para serem soldados. Foram intensas e fugazes emoções para milhões de adolescentes mobilizados na causa do video Kony 2012, especialmente nos EUA. Já o seu Exército de Resistência do Senhor, do sincretismo aloprado de islamismo e cristianismo, continua barbarizando nas bandas de Uganda.
Sem ilusões. Combater o terror, especialmente o terror islâmico, é uma longa luta, uma guerra assimétrica, na qual existe uma tênue fronteira entre derrotar o terror e não ir à guerra contra uma religião ou a própria população. Na Nigéria, o orçamento de segurança é o dobro do de educação e os militares têm um prontuário de atrocidades no combate ao Boko Hram, que faz inocentes temerem os dois lados, em particular no nordeste do país, de maioria muçulmana, mais pobre e menos educado.
É preciso paciência e um pouco de boa sorte. Figuras abomináveis como Abubakar Skekau, o líder do Boko Haram, estão mais preparados e escolados para a guerra assimétrica do que os ativistas do #BringBackOurGirls e o casal Goodluck e Patience Jonathan.

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