domingo, 11 de maio de 2014

Caio Blinder- Enquanto isso em Washington…

Na frente russa, com a crise ucraniana, a política externa americana enfrenta o mais sério desafio na Europa desde o fim da Guerra Fria. Na frente chinesa, a hegemonia americana no Pacífico é colocada à prova e, no Oriente Médio, a credibilidade do governo Obama simplesmente desabou. São questões seríssimas para serem debatidas no Congresso e, no entanto, qual é a prioridade da Câmara de maioria republicana? Colocar em marcha mais uma CPI (especial) sobre Bengasi, em um espetáculo para o público doméstico. Santa paciência! Esta é a questão mais urgente? A mais aflitiva para os congressistas republicanas?
A cidade líbia se tornou sinônimo da obsessão republicana (e do seu braço de propaganda, a Fox News) para denunciar o que considera os imensos crimes do governo Obama, tendo como pano de fundo o ataque terrorista no consulado em Bengasi em 11 de setembro de 2012, que resultou na morte de quatro americanos, inclusive o embaixador Chris Stevens. Para os republicanos, são crimes em que o presidente teve como cúmplice a sua ex-secretária de Estado Hillary Clinton, provável candidata presidencial em 2016.
Para os republicanos, houve um ignóbil acobertamento pelo governo com fins eleitorais. Basicamente, por esta narrativa, as autoridades não queriam admitir que fora um ataque terrorista organizado e sim uma manifestação espontânea. Muita indignação, excesso de teatro político e poucos resultados em 20 meses, marcados por 13 audiências e 50 depoimentos no Congresso.
Por que não mais um inquérito, especialmente um que se arraste ao longo das eleições para o Congresso em novembro? E se os republicanos conquistarem o controle do Senado, o Congresso entrará em ritmo de CPI permanente sobre o governo democrata. Isto convém aos republicanos já que a cruzada contra o Obamacare (o plano de saúde do governo) perdeu o gás. A implantação do plano se mostra mais bem sucedida do que se imaginava. É preciso outro furor que mobilize a base partidária.
É óbvio que houve um esforço do governo Obama para minimizar o estrago político de Bengasi dois meses antes das eleições de 2012, que resultaram em um segundo mandato para o presidente. Mas, o que temos desde então é este esforço republicano para maximizar o caso. Bengasi não comoveu a opinião pública em 2012. Por que não tentar novamente, já de olho em 2016 para alvejar Hillary Clinton? Aliás, já que é para apelar, é melhor para os republicanos manufaturar orgasmos sobre Bengasi do que Monica Lewinsky, pois o escândalo da ex-estagiária do Salão Oral da Casa Branca é vitamina política para o casal Clinton desde a pantomina do impeachment do ex-presidente encenada pelos republicanos na Câmara dos Deputados em 1998.
E com este medíocre espetáculo político em Washington em 2014, ficará mais difícil para os EUA restaurarem sua credibilidade internacional junto a aliados e a adversários.

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