segunda-feira, 5 de maio de 2014

Caio Blinder- No caos ucraniano, o crime organizado (II)

Na domingueira ucraniana, um pouco mais do mesmo sobre o crime organizado na crise políticaA reportagem de Jamie Dettmer no site americano The Daily Beast revela como o selvagem assassinato de um político local (ex-policial) em abril está ligado a uma rede de agentes russos, mafiosos e coronéis políticos que tocam a sublevação no leste ucraniano.
O ex-policial Volodymyr Rybak era vereador na cidade de Horlivka, no coração do que hoje é conhecido no leste do país como Triângulo das Bermudas, onde dezenas de pessoas desapareceram nas últimas semanas, vítimas dos esquadrões separatistas pró-russos. Ele enfureceu os militantes quando tentou remover sua bandeira de um prédio municipal e substituí-la-por uma faixa ucraniana. Rybak foi sequestrado, torturado e provavelmente jogado ainda vivo em um rio perto de Slovanysk, onde foi encontrado.
O assassinato de Rybak ilustra este entrelaçamento entre agentes da inteligência russa, que, de acordo com as autoridades ucranianas, ordenaram a sua morte, chefes do crime organizado e associados do deposto presidente pró-russo Viktor Yanukovich. As indicações são de que o ex-detetive Rybak sabia demais. A cidade para a qual ele foi levado, Slovanysk, se tornou um cartão-postal da rebelião separatista.
Já a cidade de Rybak, Horlivka, também é chave na insurreição manipulada por Moscou e serve como centro de operações para as ações clandestinas. Também é centro de operações de um poderoso mafioso regional, Gagik Agavelyan, que forneceu capangas para badernarem protestos contra Yanukovich antes de sua queda.
Os laços entre políticos, chefes do crime organizado e os chamados “diretores vermelhos” (os burocratas estatais da era soviética que se tornaram empresários privados) eram fundamentais para o governo Yanukovich. No leste da Ucrânia, existe um padrão semelhante ao da Crimeia, anexada em março pela Rússia, onde um núcleo duro de separatistas tinha um sórdido prontuário, misturando política, corrupção e extorsão.
Por precaução, a mulher e a filha de Rybak fugiram para Kiev, com medo de acabarem também no Triângulo das Bermudas do leste ucraniano.
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