sexta-feira, 16 de maio de 2014

Caio Blinder- O triunfo de Modi

O triunfo de Modi


O fervoroso Narendra Modi é abençoado pela mãe no dia da vitória

A Índia, a maior democracia do mundo, a mais madura entre os grandes países emergentes (China, o superemergente, é uma ditadura infame), acaba de dar um exemplo grandioso de alternância no poder. Após uma maratona eleitoral de seis semanas com a participação de mais de 560 milhões de votantes, cujos resultados foram finalmente anunciados nesta sexta-feira, o Partido Bharatiya Janata (conservador e nacionalista), de Narendra Modi, deu uma lavada histórica no Partido do Congresso, de Rahul Gandhi, cuja linhagem se confunde com a história da Índia moderna, pós-independência de 1947 (o pai, a avó e o bisavô do derrotado chefiaram o governo).

A derrota do Partido do Congresso (clientelista, fisiológico e corrupto, mas que se mostrou capaz de realizar significativas reformas econômicas nas últimas duas décadas) é saudável. O poder não apenas corrompe, mas vicia (exceto por 13 anos, o Partido do Congresso foi poder desde 1947). Em contraste aos privilégios dinásticos de Rahul Gandhi, Modi tem origem humilde. Sua biografia não se cansa de enfatizar que quando era garoto pobre, Modi vendia chá em uma banquinha do pai em um estação de trem. Na campanha, ele fazia questão de lembrar que o rival era um garoto mimado.

No entanto, a herança de Modi é complicada, com a agenda sectária do nacionalismo hindu do seu partido. A questão essencial é se o primeiro-ministro Modi será mais devotado a implantar esta agenda ou a implantar as promessas de campanha como erradicar a pobreza endêmica da Índia, combater a corrupção enraizada, ceifar a burocracia governamental, dar espaço a empreendedores, retomar o crescimento econômico e abrir oportunidades para uma classe média cansada de um estado paternalista.

Agenda sectária por si é um terreno minado, especialmente num país forjado pelo secular Partido do Congresso (parabéns por este feito), com uma minoria de 175 milhões de muçulmanos (tudo é grandioso na Índia) e que tem como vizinho o muçulmano Paquistão, igualmente com armas nucleares.

Existem alguns paralelos entre o vigor de Modi e o do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. Ambos podem ser definidos como reacionários e reformistas. Abe colocou em prática um plano de ressurgimento econômico, cujo desfecho ainda é incerto. Mas, ele também reforçou o nacionalismo (e o revisionismo histórico), exacerbando os conflitos com a China. Chauvinismo e sectarismo na Ásia são maus presságios (aliás, em qualquer lugar do mundo).

Modi agitou o país. Isto é bom e ruim na Índia com seu potencial, problemas e perigos.

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