quinta-feira, 29 de maio de 2014

Caio Blinder- Um espectro ronda a Europa…o nacionalismo extremista

Em 1848, o barbudo e seu lugar-tenente se manifestaram: “Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa unem-se em uma Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich e Guizot, os radicais da França e os policiais da Alemanha.”
Em 2014, vamos atualizar, na verdade, parafrasear o manifesto de Marx e Engels: “Um espectro ronda a Europa – o espectro do nacionalismo extremista”. Entre os integrantes desta nova santa aliança estão o czar Putin e os radicais da França capitaneados por Marine Le Pen. Ainda bem, ufa, ufa, ufa, que a policial alemã Angela Merkel não integra esta Internacional Nacionalista. São dias perigosos (e nem quero globalizar a conversa levando em conta o nacionalismo extremista em alta na Ásia) que ameaçam a ordem europeia.
Putin violou fronteiras internacionais na Ucrânia, com a anexação da Crimeia, em nome da mãe Rússia, e alimenta ódios nacionalistas. Acho bobagem compará-lo a Hitler, como fizeram o principe Charles e a rainha Hillary Clinton. Ele está mais para o sérvio Slobodan Milosevic, que rasgou o uniforme comunista para se cobrir sem pudor com a bandeira do nacionalismo e do cristianismo ortodoxo.
Já Marine Le Pen é a nova roupagem da xenofobia. Ela humilhou a avacalhada liderança política francesa (socialistas e gaullistas) com seu triunfo nas eleições no Parlamento Europeu. Repito: são os bárbaros nos portões dispostos a solapar as instituições da civilização europeia, de uma civilização que no pós-guerra se empenhou para domar rancores nacionalistas, rivalidades étnicas e xenofobia (com excesso burocrático).
E para quem acha que eu exagero ao apontar os bárbaros nos portões, estou na boa companhia do venerável ministro das Finanças de Angela Merkel, o conservador Wolfgang Schaeuble. Em uma conferência em Berlim, na terça-feira, ele fez questão de dizer (e em inglês) que a Frente Nacional, de Marine Le Pen, “não é um partido de direita, mas um partido extremista, fascista”.
Marine Le Pen é a face moderna, com o botox da marquetagem, da extrema direita. A expressão mais virulenta (literalmente) continua sendo seu pére Jean-Marie, fundador da Frente Nacional, com suas apologias do colaboracionismo com os nazistas na Segunda Guerra Mundial e a observação de que o Holocausto era um detalhe. Na semana passada, ao advertir sobre as hordas de imigrantes africanos invadindo a Europa, Jean-Marie Le Pen não resistiu a uma diatribe, dizendo que o vírus Ebola resolvia o problema em três semanas.
O Karl Marx dos furúnculos só furou. A classe trabalhadora não é internacionalista. A Frente Nacional de Le Pen está vitaminada com o apoio de amplos setores do proletariado francês que perderão com a globalização e a modernização da economia. São, de fato, reacionários.
Putinetes e marinetes, uni-vos! A filha de Jean-Marie admira o viril Vladimir. Ela considera o presidente russo um valoroso aliado para castrar a devassa União Europeia e prega a criação de um eixo Paris-Berlim-Moscou (a Angela está fora da trama). Em visita a Moscou antes das eleições europeias, a líder da Frente Nacional disse que Putin estava “consciente de que nós estamos defendendo valores comuns”. E perguntada quais eram os valores, a resposta foi: “A herança cristã da civilização europeia”. E com Putin que nós queremos defender a civilização ocidental? É com os bárbaros nos portões de Paris ou de Bruxelas que a história vai marchar?
Marine Le Pen é mais sutil, esperta e ambiciosa do que seu pai. Nosso homem em Moscou não poderia estar mais orgulhoso e feliz com sua vitoriosa mulher em Paris. Viva a Internacional Nacionalista!

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