domingo, 4 de maio de 2014

JANER CRISTALDO- HOMOLESBOTRANSFOBIA VIRA BANDEIRA ELEITORAL

Os fatos são teimosos. Em falta de poder transformar a realidade, dá-se novo nome às coisas. Vivemos em época fértil em neologismos: afrodescendente, homoafetividade, poliamor. Comunidade não é exatamente um neologismo, mas adquiriu um sentido novo, o de favela. Na verdade, em termos: se não fica bem falar em líder da favela, tampouco soa bem falar em tráfico na comunidade.

Nestes dias eufemísticos, acabo de ler mais um neologismo, pelo jeito com futuro pela frente: homolesbotransfobia. Meio difícil de gravar pelo cidadão comum, mas se barbaridades como homoafetividade e poliamor passam, por que não passaria esta? É só martelar na imprensa e televisão e logo a palavrinha será digerida até por adolescentes.

Aparentemente, o neologismo surgiu ano passado e teve como padrinho o deputado Jean Wyllys. Agora virou bandeira. Um dos lemas da 18ª Parada Gay, realizada hoje em São Paulo é: "País vencedor é país sem homolesbotransfobia". Para dona Dilma, país rico era país sem pobreza. Pobreza já era, para o governo já somos ricos. A grande chaga social, daqui pra frente, é a homolesbotransfobia.

Verdade que, defendendo suas causas, os militantes contra a homolesbostransfobia deixaram de lado duas facetas importantes das opções, como os bissexuais, os heteros e os travestis. Os heteros, vá lá, a passeata se pretende das minorias. Mas e bissexuais e os travestis que, segundo os ideólogos da classificação de sexos, não são transexuais?

Segundo o Manual de Comunicação LGBT, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros, travesti, por exemplo, nada tem a ver com homossexual. Travesti é pessoa que nasce do sexo masculino ou feminino, mas que tem sua identidade de gênero oposta ao seu sexo biológico, assumindo papéis de gênero diferentes daquele imposto pela sociedade.

Travesti é homossexual? Nada disso. Homossexual é categoria à parte: é a pessoa que se sente atraída sexual, emocional ou afetivamente por pessoas do mesmo sexo/gênero. O que vai gerar uma curiosa tautologia, o travesti homossexual. Ou um solecismo, o travesti heterossexual. Algo como um homem se travestir de homem para ter relações com mulheres.

E se bissexual – conforme a cartilha – é a pessoa que se relaciona afetiva e sexualmente com pessoas de ambos os sexos/gêneros, teremos – ó coincidência! – o travesti bissexual. E por aí vai. O manual define várias outras categorias, mas esqueceu de definir a neomulher, conceito criado pela Folha de São Paulo no Dia Internacional da Mulher, em 2011. Pelo jeito, não pegou. 

E durma-se com um barulho destes. Para ser realmente abrangente, o lema deveria ser heterobihomolesbotranstravestifobia. Verdade que a palavrinha começa a ficar longa e dificilmente caberia em um título de jornal. E por que não sexofobia simplesmente? Assim não tem graça. Não distingue os homolesbotransfóbicos dos meros heterófobos.

Mas isso é o de menos. O inusitado nesta marcha são seus patrocínios. Ano eleitoral vale tudo, como dizia dona Dilma. Pela primeira vez, o próprio governo federal aparece como patrocinador da parada, ao lado de Petrobras e Caixa Econômica Federal, empresas estatais que patrocinam o evento desde 2007.

O ministério da Saúde reaparece em 2014 contribuindo para o ato, o que tinha acontecido de 2000 e 2010 com uma verba de R$ 290 mil no período. Neste ano, um edital do ministério deslocou R$ 600 mil para paradas, incluindo a de São Paulo, para divulgar campanhas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, além de distribuição de preservativos. 

Por seu lado, a Petrobras aumentou sua cota de patrocínio, subindo de R$ 200 mil dados em 2013 para R$ 220 mil desembolsados neste ano. Já a Caixa manteve o valor de R$ 50 mil que contribuiu na última edição. O Estado financiando bandeiras sexuais! Morro e não vejo tudo. Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! não verás nenhum país como este! E os ingênuos militares de 64 ainda achavam que seria o comunismo quem destruiria a sacra organização da família no Brasil e no Ocidente.

Alexandre Padilha, titular do ministério da Saúde até o início do ano e candidato ao governo de São Paulo - atolado até o pescoço nas corrupções do dia a dia do PT - não deixaria de tirar sua casquinha: foi o primeiro a chegar na entrevista coletiva da parada. "Estamos tranquilos e vamos fazer uma campanha de paz contra os tucanos", disse o pré-candidato do PT aos anti-homolesbotransfóbicos. 

O apelo das urnas é forte e até mesmo o governador Geraldo Alckmin, católico temente a Deus e membro da Opus Dei, principal rival de Padilha, também bateu ponto na parada.

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