quarta-feira, 28 de maio de 2014

Política mafiosa: o PT e o crime

Até o editorial da Folha parece assustado, alertando para o risco de o PT “importar” para o Brasil o que há de pior na Itália, uma espécie de Brasil da Europa: a máfia incrustada na política. O jornal cita o caso do deputado Luiz Moura, que teria ligações com o PCC, como já foi mostrado aqui.
A reportagem, no entanto, é incompleta e, para atacar o PT, precisa jogar o PSDB no mesmo saco. O editorial começa equiparando os dois partidos, cada um com seu “mensalão”, ignorando que se tratam de coisas completamente distintas, e depois ainda emenda com o caso da Alston/Siemens. Deixou de fora uma lista infindável de escândalos do PT que lotam as páginas dos jornais nos últimos anos, tudo para dar a impressão de que são todos parecidos.
Mas mesmo assim consegue subir o tom no final e lançar seu alerta vermelho:
O deputado estadual tem relações com o grupo político do secretário municipal de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, de quem recebeu R$ 200 mil para sua campanha eleitoral. Um irmão, Senival Moura, é vereador paulistano pelo PT e fundador de um sindicato de donos de lotações.
Se é cedo para dizer até onde avançam os tentáculos do crime organizado, o PT não pode esperar para conduzir sua própria investigação, célere e sem subterfúgios, acerca desse episódio.
O partido já perdeu, há quase uma década, a aura de paladino da moralidade pública, mas seria devastador ver-se de alguma forma envolvido com a escória das prisões e com o pioneirismo, por aqui, da contaminação mafiosa que tanto envenenou a política italiana.
Só há um detalhe: o envolvimento do PT com grupos mafiosos ou criminosos não seria novidade alguma para quem é mais atento e acompanhou a trajetória do partido desde o começo. No meu livro Estrela Cadente, de 2005, publicado dois meses antes de estourar o escândalo do mensalão, já consta um capítulo sobre a bandeira ética totalmente falsa do PT. Ligações com bicheiros, máfia do lixo e sindicatos sempre estiveram presentes no partido, mesmo quando era apenas no âmbito regional.
Isso sem falar do elo com a ditadura cubana, da afinidade ideológica e, segundo denúncias, ligações financeiras com os narcoguerrilheiros das Farc, entre outros grupos terroristas ligados ao Foro de São Paulo. Será que com este quadro em mente o caso do deputado com o PCC deveria chocar tanto assim?
Creio que não. O que deveria chocar muito mais, sem dúvida, é o fato de tanta gente ainda cair no conto do vigário e achar que o PT tem ou teve algum respeito pela ética, a decência, as leis e a democracia…
Rodrigo Constantino

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