segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tarso Genro e o velho ódio à liberdade de imprensa

O inefável governador Tarso Genro (PT), do Rio Grande do Sul, que tem tudo para perder a reeleição no seu Estado — cavalgando o Pégaso (ele já cometeu poesias…) e a própria incompetência —, participou de uma sabatina nesta segunda, promovida pela Folha e pelo SBT. Se quiserem uma síntese de todos os temas dos quais ele tratou, cliquem aqui. Eu darei relevo a um aspecto de sua fala que revela, digamos assim, suas paixões autoritárias.
Reproduzo, em vermelho, trecho de reportagem da Folha. Volto em seguida.
O petista declarou que existe uma campanha contra partidos e políticos que está sendo feita pela oposição ao governo Dilma com o apoio da imprensa. Segundo o governador, “as grandes cadeias de comunicação são democratas [militantes do DEM] ou tucanas e fazem campanha massiva” contra siglas alinhadas à esquerda.
“Em todas as categorias existem as pessoas com desvio de conduta. Ocorre que a campanha que se faz toma todos políticos como corruptos e todos os partidos como venais. Isso pode trazer um dano irreversível à democracia. Se essa tese vencer e se extinguir a politica, o primeiro passo é acabar com a liberdade de imprensa”, afirmou.
Retomo
As tolices de Tarso nem mesmo são compatíveis entre si. Por que a oposição a Dilma faria campanha contra partidos políticos se ela também é composta de… partidos?
A afirmação de que “as grandes cadeias de comunicação” são partidárias do DEM ou do PSDB, com todo o respeito, é intelectualmente delinquente. Aquelas que são sérias — e nem todas são — apenas se negam a se comportar como esbirros do petismo, que é o que querem os companheiros.
Fui coordenador de Política da Sucursal da Folha em Brasília, em 1996. O PT estava na oposição. Os petistas tratavam os jornalistas a pão de ló e, obviamente, eram as principais fontes dos repórteres em matérias críticas ao governo FHC. Uma das fontes mais loquazes era ninguém menos do que… José Dirceu! O PT nunca reclamou do engajamento da imprensa — que, saibam os leitores, vota, tomados os seus membros, majoritariamente na esquerda. Com raras exceções, as dissensões costumam se dar à esquerda dos petistas, que ainda formam a maioria. Há mais eleitores do PSOL nas redações do que na sociedade. Jornalistas têm a ambição de entender o que dizem os membros desse partido.
Tarso certamente não é um mentiroso, mas a sua afirmação é escandalosamente mentirosa. De resto, seu partido odeia a liberdade de imprensa e já tentou acabar com ela várias vezes:
1: tentou criar o Conselho Federal de Jornalismo para punir jornalistas considerados incômodos;
2: tentou recriar a censura por intermédio do II Plano Nacional de Direitos Humanos;
3: tentou usar a Conferência Nacional de Comunicação para criar mecanismos que limitem a liberdade de informação;
4: defende ainda hoje uma tal regulamentação da mídia que tem, sim, a pretensão de arbitrar sobre conteúdo.
Como, até agora, não foi bem-sucedido, então escolheu outro caminho: usa dinheiro público, da administração direta e das estatais, para financiar difamadores profissionais, que respondem por páginas cujo único propósito é exaltar o PT e o governo Dilma e atacar a imprensa independente e também lideranças da oposição.
Pregação tem seu efeito
Essa fala estúpida de Tarso acaba tendo algum efeito. Muita gente resolve “provar” para os petistas que eles estão errados. E, aí, acabam caindo numa espécie de armadilha e atacando os adversários do petismo só para provar que são isentos.
Por Reinaldo Azevedo

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