domingo, 1 de junho de 2014

Caio Blinder- Eisenhower, o novo herói de Obama

Peter Beinart apresenta os argumentos contrários ao meu divórcio (em política externa) de Mr. Obama, tema da coluna de sexta-feira. O presidente americano é pródigo para fazer comparações ou buscar muletas históricas com outros inquilinos da Casa Branca, como Lincoln, Teddy Roosevelt, Franklin Roosevelt e Ronald Reagan. Detratores conservadores colocam Obama na lata de lixo da história com Jimmy Carter.
No seu texto, Beinart lembra algo muito interessante. No seu discurso esta semana na Academia Militar de West Point, uma referência de Obama foi Dwight Eisenhower, o presidente que fora comandante das tropas aliadas na Segunda Guerra Mundial e que era conhecido como Ike. Parafraseando o apelido, será que Obama pode ser “like Ike”?
No discurso de despedida
No discurso de despedida
Ike entendia de guerra, viu muita guerra e tinha ojeriza de guerra. Obama, que não entende e nunca viu guerra, não pode ser rotulado de pacifista. Isto é bobagem. Ele expressa reticência estratégica para o uso de força militar, o que é bem diferente. Beinart lembra que, como Eisenhower, Obama tem passado boa parte de sua presidência argumentando contra os críticos que insistem que os EUA devam gastar mais em defesa e realizar mais intervenções militares, pois os inimigos estão avançando. Ike, que, no seu antológico discurso de despedida do poder em janeiro de 1961, advertiu contra o “complexo militar industrial” e se preocupava que uma reação exagerada à ameaça soviética pudesse quebrar a economia americana.
O republicano Eisenhower terminou a Guerra da Coreia, embora muitos no seu partido pressionassem por sua escalada, e ele se recusou a salvar os franceses no Vietnã. Como escreve Beinart, Ike é um modelo para Obama: terminar guerras não vencíveis, não começar outras e reconstruir a fundação econômica do poder americano. Beinart reconhece que não se trata de um desempenho de herói e o herói Eisenhower terminou a presidência visto como fraco e passivo, um praticante da “política da fadiga”.
Será que Obama ainda quer terminar sua presidência “like Ike”?
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