segunda-feira, 9 de junho de 2014

Caio Blinder- A rainha Hillary e o game of thrones da política americana


Bonita, ambiciosa e implacável
Bonita, ambiciosa e implacável
Hillary Clinton nunca foi embora. No entanto, ela volta para uma grande reapresentação esta semana para promover seu novo livro, Escolhas Difíceis, mais uma plataforma para uma possível candidatura presidencial. É uma operação de autopromoção sem nenhuma sutileza, que carece obviamente da informação que realmente interessa (ela vai tentar ir para o trono ou não?). Estamos em mais um episódio do Game of Thrones da política americana com esta eventual competição entre dinastias em 2016:  Clinton x Bush (Jeb). E eu antecipo que até vejo com simpatia as duas candidaturas.
Na sinopse da série de televisão, a rainha Cersei é definida como bonita, ambiciosa e implacável. Além de ser impiedosa, a rainha é descrita como altamente protetora dos filhos e engraçada, dotada de um rápido e aguçado senso de humor. Descartando o incesto da rainha Cersei com o irmão, soa familiar? Outra hora a gente tenta encaixar Jeb Bush entre os personagens da série de televisão.
Hillary atua muito bem no jogo dos tronos ao estilo americano. Ela não formaliza a candidatura e mantém a alta ansiedade da imprensa, em geral entediada com o governo Obama (uma das exceções para o tédio é o histerismo de canais de televisão engajados contra e a favor do presidente, a Fox News e MSNBC). No domingo, em entrevista à televisão, Hillary disse que a decisão sobre a candidatura está “a caminho”, provavelmente na virada do ano. Suas tarefas agora são promover o livro e ajudar candidatos democratas nas eleições em novembro (Congresso e governos estaduais). Os candidatos preferem mais a ajuda de Hillary do que a do presidente impopular.
Estatura icônica
Estatura icônica
Sobre o livro, a agenda é vender Hillary como a experiente secretária de Estado no primeiro mandato de Obama (desta vez a experiência conta mais do que a esperança), embora ela nunca tenha sido uma grande estrategista ao estilo Henry Kissinger. Este é e o foco, não os escândalos nos quais ela mergulhou com o rei Bill nos anos 90 ou o caos de sua campanha presidencial em 2008. Tudo calibrado no livro. Hillary soa um pouco mais durona e decisória do que o presidente em política externa, mas também salienta que errou na decisão de apoiar a guerra do Iraque nos tempos em que era senadora. Hillary precisa calibrar entre manter a lealdade a Obama e estabelecer uma certa distância.
No capítulo sobre Bengasi, um tom de desafio para neutralizar a guerra sem tréguas movida pelos republicanos contra Obama e a sua ex-secretária de Estado. Hillary pontifica que não vai fazer parte da “pancadaria política nas costas de americanos mortos” em um ataque preventivo contra as acusações de sua responsabilidade na ação terrorista no consulado dos EUA em Bengasi, na Líbia, em 11 de setembro de 2012, que resultou na morte de quatro americanos, entre eles o embaixador Chris Stevens, motivo de contínuas investigações na Câmara do  Deputados controlada pelos republicanos.
A pancadaria Bengasi sinaliza como será brutal o game of thrones em 2016 com a eventual presença de Hillary. Assim como Jeb Bush, ela é dotada de uma petulância sobre o seu direito natural, não apenas para concorrer, mas para governar.  No entanto, é inegável a estatura icônica de Hillary.
Ross Douthat, o arguto colunista conservador do New York Times escreveu no domingo que apenas a rainha Clinton é capaz de preservar a potente coalizão democrata tão bem costurada por Obama. Na sua metáfora game of thrones, Douthat observa que o Partido Democrata hoje é o Império Austro-Húngaro das maiorias presidenciais: vasto, frágil e um arranjo heterogêneo, a uma crise de sua dissolução. Precisa de uma rainha impiedosa para governá-lo.
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