sexta-feira, 6 de junho de 2014

Caio Blinder-República Popular da Amnésia (II)




Não podemos esquecer Liu Xiaobo, Prêmio Nobel da Paz na prisão
E a repressão se agravou na China desde o massacre de junho de 1989. Quem puder, leia o texto curto de Andrew Nathan, professor da Columbia University, em Nova York, e do ativista Hua Ze, craques infatigáveis para revelar o que acontece além da grande muralha de silêncio da ditadura chinesa.
Ambos enfatizam que a necessidade de manter e intensificar a repressão é sinal de que a brutalidade do 4 de junho não resolveu os problemas chineses. Pelo contrário, eles foram exacerbados. Está aí a barbaridade da sentença de 11 anos de prisão, decretada há cinco anos, para Liu Xiaobo, ativista da Praça da Paz Celestial e Prêmio Nobel da Paz.
O partidão chegou a uma encruzilhada em 1989 (havia horror do caminho reformista escolhido pelo líder soviético Mikhail Gorbachev, que, por sinal, estava em visita a Pequim, naquelas semanas turbulentas). O partidão poderia dialogar com os estudantes, conforme advogava o líder reformista Zhao Ziyang, formando uma frente ampla contra a corrupção. No entanto, o primeiro-ministro Li Peng argumentou que o diálogo representaria o fim do monopólio do poder do partidão. O líder supremo Deng Xiaoping se alinhou com Li Peng e o resto é a historia.
Pode-se se dizer que o massacre dos estudantes e o expurgo de Zhao Ziyang eram inevitáveis. Deng Xiaoping, a mola propulsora das reformas econômicas, queria dar o recado (e deu mesmo). Ele era consistentemente contrário a qualquer dissidência política.
Como escrevem Nathan e Ze, a recusa ao diálogo com a cidadania é o modus operandi do regime. Não sei se ambos estão muito otimistas quando arrematam que o regime está cada vez mais desacreditado e o resultado são “graduais e relutantes” atos de resistência. A resposta de Pequim é intensificar a repressão na medida em que o diálogo é visto com um contrato de altíssimo risco.
Nathan e Ze perguntam e respondem: “Será que a China vai se democratizar? Provavelmente sim, eventualmente; o modo presente de governar não é sustentável. Porém, a cada ano o risco de abertura é maior porque as demandas sociais que têm sido reprimidas estão crescendo”.

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