quinta-feira, 5 de junho de 2014

Dilma tenta recuperar credibilidade do governo junto ao empresariado. Mas usa dados que… vou te contar

Ricardo Setti
A presidente Dilma Rousseff anda muito preocupada com sua imagem diante das forças produtivas, do pessoal que faz o país andar — os empresários e os comandantes de grandes companhias — e, por isso, tem intensificado suas conversas no setor.
Nesses contatos, ela expõe teses e esgrime números.
Foi nesse contexto que ela afirmou, recentemente, que “nós [o Brasil] não somos um ‘paisinho’, somos um paisão” — o que não significa, a rigor, nada, pois ser grande, terminar em “ão” não chega a ser virtude se não estiver associado a determinadas virtudes. Os grandões bobos que, no basquetebol, só são escalados pelos técnicos para atrapalhar o adversário dificilmente configura excelência esportiva, por exemplo.
Infelizmente, para a presidente, os encontros com empresários têm se realizado à sombra de números ruins, como, por exemplo, o recém-divulgado crescimento miserável de apenas 0,2% medido pelo IBGE no primeiro trimestre do ano, o que levou o próprio governo — que sempre apregoa o que não vai conseguir alcançar — a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer abaixo de 2% este ano.
O problema, porém, não são os números reais, mas os números fictícios que — digamos que por distração — a presidente apresenta.
É espantoso que quem ocupa o principal gabinete no Planalto cometa o erro em que a presidente incorreu em um desses encontros.
Respondendo a um questionamento do empresário João Dória Jr. — o mesmo que organizou o Fórum de Comandatuba, na Bahia, em que os empresários aplaudiram de pé o candidato tucano Aécio Neves — sobre a crise de credibilidade que o país enfrentaria no exterior, Dilma afastou-se de comparações do Brasil com outros países da América do Sul (estamos em último lugar entre 12 países em matéria de crescimento) e rebateu que comparações, se feitas, devem ser com os países do G 20, as 20 maiores economias do planeta.
E assegurou:
– Nós fomos o quarto maior crescimento do G-20, onde estão todas as maiores economias do mundo.
Ignora-se totalmente a que período e a que números a presidente se refere, pois dados oficiais do Fundo Monetário Internacional revelam que, entre 2011 e 2014, a variação média de crescimento do PIB entre os 19 países membros do G-20 e mais a União Europeia coloca o Brasil não em quarto, mas em DÉCIMO-QUARTO lugar!
Com magérrimos 2% no período, todo ele transcorrido no governo Dilma, a verdade dura é que estamos atrás da campeoníssima China (8%), e de Indonésia (6%), Arábia Saudita (5,6%), Índia (5,3%), Turquia (4,3%), Argentina (3,8%), Coreia do Sul (3,1%), México (3,0%), Austrália (2,8%), África do Sul (2.6%), Rússia (2,6%), Estados Unidos (2,3%) e Canadá (2,1%).
O país governado pela gerentona está à frente apenas dos países europeus em crise grave e do Japão, virtualmente estagnado há duas décadas, a saber: Alemanha, Reino Unido, Japão, França, União Europeia (como um todo) e Itália.
Quando se fala em crise de credibilidade em relação ao país, e a presidente deste país de certa forma “chuta” números… A presidente parece se esquecer de que empresários e executivos são pessoas muito bem informadas sobre essas questões.

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