quarta-feira, 11 de junho de 2014

Ricardo Setti- A lógica incompreensível


COPA 2014: A lógica incompreensível — mais uma — na construção dos estádios: cidade maior, estádio menor. Me expliquem, que eu quero entender!

A Arena da Baixada: para uma cidade de 1,7 milhão de habitantes e um campeonato bem disputado, um estádio de 38.533 lugares (Foto: Estadão Conteúdo)
A Arena da Baixada: para uma cidade de 1,7 milhão de habitantes e um campeonato bem disputado, um estádio de 38.533 lugares (Foto: Estadão Conteúdo)
Já se falou e escreveu quase tudo o que era possível para comentar os absurdos perpetrados para realizar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Talvez não tenha sido suficientemente apontado algo que, realmente, não dá para entender.
É simples: a lógica ao contrário adotada para o tamanho das arenas parece ter sido, de propósito, uma maluquice segundo a qual para uma cidade maior, fez-se um estádio menor.
Senão, vejamos.
Arena das Dunas, em Natal: um belo estádio com mais lugares do que o de Curitiba, para população inferior à metade da que vive na capital do Paraná (Foto: O Globo)
Arena das Dunas, em Natal: um belo estádio com mais lugares do que o de Curitiba, para população inferior à metade da que vive na capital do Paraná (Foto: O Globo)
Qual é a maior cidade entre Curitiba, Natal e Cuiabá?
Como nem todo mundo tem os números da população das capitais brasileiras na ponta da língua, recordemos que Curitiba tem 1,752 milhão de habitantes, Natal tem 803 mil e Cuiabá, 551 mil.
Pois bem, mesmo havendo essa desproporção entre os contingentes populacionais das três cidades, Curitiba — de longe, a mais populosa delas — tem o estádio com menos capacidade: a Arena da Baixada, com 38.533 assentos.
Não custa lembrar que o Paraná tem um futebol disputado, com pelo menos três clubes considerados grandes e participantes de certames nacionais: o Atlético Paranaense e o Coritiba disputam a série A do Brasileirão e o Paraná Clube — que atualmente está na série B — já foi duas vezes campeão da B, pentacampeão estadual entre 1993 e 1997 e disputou uma Libertadores da América.
Já no Rio Grande do Norte, que não tem clubes na série A do Brasileirão (e dois na série B), sua capital abriga menos da metade da população de Curitiba, mas a bela Arena das Dunas (38.958) é não menor, mais um pouquinho maior, em capacidade, do que o estádio que a capital do Paraná oferece para a Copa.
A Arena Pantanal, belo estádio para um Estado que não tem futebol suficiente para preenchê-la (Foto: Secopa/MT)
A Arena Pantanal, belo estádio para um Estado que não tem futebol suficiente para preenchê-la (Foto: Secopa/MT)
Um absurdo, certamente, é Cuiabá, a capital de um Estado, o Mato Grosso, que não tem qualquer clube na série A do Campeonato Brasileiro e um único, o Luverdense, na série B haver, mesmo assim, erigido a Arena Pantanal, maior (39.859 lugares) e mais cara (570 milhões, contra 360) do que a reforma da Arena da Baixada.

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