sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

“A Venezuela é o centro do mundo. Cuba foi o nosso espelho.” (Nicolas Maburro)

"Nem o mais bonito, nem o mais inteligente, mas ciente de suas limitações e virtudes, sem dúvida um homem feliz." (Mim)

“De tempos em tempos o povo precisa criar um mito, um deus, tendo no sucesso deste um bálsamo para suas frustrações.” (Mim)

“As multidões adoram os discursos inflamados carregados de ódio contra os bem sucedidos. São palavras que alimentam suas sórdidas invejazinhas.” (Mim)

“Pedro, os homens pensam que controlo suas vidas e o mundo, quando na verdade não controlo nem a minha ejaculação.” (Deus)

"Aqui na vila chamam a minha mulher pelo sugestivo apelido de 'perereca em chamas'." (Climério)

"O riso é o meu botox." (Climério)

"Índia não quer mais apito. Índia quer lugar de Camila Pitanga como garota propaganda da Caixa. Muito Money." (Bruninha Caiová)

RODRIGO CONSTANTINO- Capitalismo filantropo

Os grandes empreendedores capitalistas não precisam “devolver” nada à sociedade, pois dela nada tiraram. Ao contrário: deram, e muito! Por isso acumularam fortunas, ficaram ricos, possuem bilhões. Economia não é jogo de soma zero. Essas pessoas criaram riqueza, com suas inovações que trouxeram maior produtividade ao mundo, mais conforto, mais lazer, mais luxo. Muitos começaram seus impérios com apenas um punhado de dólares e uma garagem.
Não obstante, são também filantropos. Além de tornar o mundo um lugar melhor, seu empreendedorismo permite esse tipo de altruísmo que só o capitalismo tem a oferecer. Como deve ser, trata-se de uma solidariedade voluntária, ao contrário daquela compulsória (contradição em termos) imposta pelo welfare state, e que não funciona (os políticos cobram elevado pedágio no caminho e destinam os recursos com finalidades eleitorais).
Não é por acaso que os americanos são os maiores doadores do mundo. Podem se dar a esse luxo, e o ambiente cultural estimula isso. A Folha divulgou uma lista com os maiores filantropos americanos de 2013. Foram US$ 3,4 bilhões em doações!  Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook, e sua esposa doaram, juntos, quase US$ 1 bilhão!
Isso, sim, é louvável. Não as “doações” que governantes fazem com recursos de terceiros, de olho em seus interesses políticos. Como o governo venezuelano faz com Cuba, ou como o PT fez com os ditadores africanos. Isso é absurdo e condenável. Fazer “caridade” com o chapéu alheio não é um ato moral, mas sim oportunismo malandro.
O capitalismo é superior ao socialismo em absolutamente tudo. Cria muito mais riqueza (o socialismo, na verdade, apenas destrói o que foi criado), preserva ampla liberdade individual, respeita a meritocracia, e ainda permite esse tipo de filantropia admirável. Mas ainda tem gente que defende o socialismo e condena o capitalismo, em pleno século 21. Dureza…

ALEXANDRE GARCIA- PAÍS DE DEGRADADOS

Morreu Ronald Biggs, assaltante e assassino, que passou 34 anos refugiado no Brasil, virando celebridade. Não foi repatriado para a Inglaterra pela ausência de um acordo de mútuo tratamento a condenados - nada a ver com o filho que teve no Brasil. Velho e doente, resolveu retornar à pátria. Pois mesmo velho e doente, a lei e a Justiça inglesa o puseram na cadeia, para que pagasse a velha divida. Quando roubou o trem pagador, matou o maquinista. Aqui, foi recebido com honras de inglês famoso. Adoramos foras-da-lei e até costumamos votar neles.

O Brasil tem fama de valhacouto. Desde os tempos coloniais, quando Portugal mandava para cá os degredados - desde assassinos, assaltantes, e autores de pequenos furtos. Em muitos filmes estrangeiros, os bandidos falam em se refugiar no Brasil. Recentemente ofendemos a Justiça italiana considerando perseguido político o triplo assassino, condenado em todas as instâncias. Cesare Battisti não conseguiu asilo nem na França, que tem uma longa história de receber perseguidos. Mas no Brasil ganhou status de celebridade, lançou um livro e ganhou emprego na CUT.

Agora é Edward Snowden que se oferece para ser convidado a vir para o Brasil. Terceirizado sem importância da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, foi útil para mostrar a nós brasileiros que não levamos a sério a proteção de nossa privacidade. Para os Estados Unidos, é um traidor - traidor da Agência para a qual trabalhava e traidor do país onde nasceu. E, significativamente, fez as revelações estando na China, para depois buscar abrigo na Rússia. Se o Brasil lhe der asilo, como sugere o companheiro do repórter exclusivo de Snowden, estará cometendo um ato hostil contra seu principal parceiro, embora também possa parecer revide pela espionagem.

Recebemos assassinos, assaltantes, terrorista e agora um traidor quer vir também, para ficar mais próximo do seu repórter favorito. No entanto, às vezes tratamos mal aqueles que queiram fugir de uma ditadura, como é o caso dos dois boxeadores cubanos que desejavam se livrar dos Castro, que estão no poder há mais de meio século. É que temos governos que são tão difíceis de entender quanto o povo que os elege. Um povo que torna celebridade um Biggs ou um Battisti ou um Snowden. Seria solidariedade da genética de degredados? A Austrália também foi colonizada por degredados. Mas eram ingleses, dessa mesma cepa que não esquece de punir um criminoso, ainda que ele esteja velho e doente.



VIDA EM CUBA- COLCHÕES, por Yoani Sánchez

Uma mulher grita do balcão e então param a carroça que empurram. Armam o atelier na própria calçada. Sobre umas pranchas e a vista de todos. As molas quebradas são trocadas, as enormes agulhas costuram as bordas e o velho forro manchado aqui e ali é substituído por outro feito com tecido de sacos de farinha. Suas mãos movem-se rápidas. Em menos de uma hora terão terminado e continuarão rua abaixo procurando novos clientes. No ar flutua uma mistura de pó, fibras e um odor de intimidades acumuladas durante anos.

Os consertadores de colchões têm sempre muito trabalho. Num país onde tantos ainda dormem na mesma cama em que seus avós descansaram, esta profissão se torna vital. Nos tempos que correm os especialistas do estofamento e dos bastidores estão por todas as partes. Com seus carretéis de fio, vociferam pregões em que prometem trinta dias de garantia depois da restauração. Reparam o que perdeu sua data de validade faz décadas, devolvem comodidade aos que tem as costas beliscadas por alguma mola solta a cada madrugada.

Também abundam os estofadores. Criadores de uma ilusão que dura pouco e que deixa o comprador com dores pelo corpo e no bolso. Colocam mantas sucessivas de folhas de banana secas, fibras plásticas ou serragem. Depois as cobrem com um tecido estampado e vistoso dando cuidado especial na costura das bordas. Localizam-se nos centros comerciais e afirmam que sua mercadoria é “como as da loja”. Num país onde um profissional precisa do salário de um ano para comprar um colchão de casal, as ofertas – não estatais – e mais baratas, sempre são muito tentadoras. Contudo na maioria das vezes o vantajoso se converte em frustração em pouco tempo.

A cena se repete quando estes consertadores chegam num bairro. Uma mãe se penaliza das marcas de urina que o filho menor deixou na cama. Outros se envergonham porque os vizinhos verão os remendos sucessivos que seus colchões sofreram durante anos. As frases no estilo: “este não é meu, mas de um parente, mas vou fazer o favor de consertá-lo” se sucedem. Alguns parecem uma estrutura amorfa, sem cantos definidos e fundida no centro, que precisaria mais um passe de mágica do que uma reconstrução. “Deixem-no como novo” dizem ao reparador e este começa a mover as mãos, afundar a lâmina e finalmente dar um preço.

Mais do que um restaurador de colchões, é um restaurador de sonhos.

Tradução por Humberto Sisley

“Nem todas as crianças têm pais. Uma grande parcela delas convive com rascunhos.” (Mim)

“Este povo besta deveria julgar menos, orar menos, rir e perdoar mais.” (Deus)

“Quem não saltita não vive” (Lurdes Pulga)

“Senhor Deus, seria possível eu mudar de função? Não suporto mais trabalhar na portaria. Esses crentes que chegam são imensamente chatos.” (São Pedro)

E como dizia Dona Sebastiana Parteira, idosa e ruim de vista chupando uma bola de sinuca: “Nunca vi laranja mais sem suco.”

“Em baile de sapos banda de moscas não toca.” (Mim)

“Faz menos mal um idiota que anda só que acompanhado por uma dezena deles. ’ (Eriatlov)

RODRIGO CONSTANTINO- Maconha, legalizar ou não?

Lá vamos nós começar 2014 fazendo jus ao título deste blog. Afinal, sou ou não um “liberal sem medo da polêmica”? Aviso antes que esse texto não vai agradar muito aqueles colegas mais conservadores, que de uns tempos para cá passaram a apreciar mais meus comentários. Sim, eu me tornei um pouco mais conservador em certos aspectos, principalmente morais. Mas não posso negar minha essência de liberal.
Carlos Alberto Sardenberg comenta em sua coluna de hoje as experiências de liberação de algumas drogas, como o caso estatizante do Uruguai e o mais liberal de alguns estados americanos. São experiências que devem ser acompanhadas de perto. Há muitos riscos, e também algum potencial de mostrar um caminho alternativo a esta guerra contra as drogas, que tem servido para alimentar o tráfico e o crime, e encher as prisões, sem resultado efetivo no lado do consumo.
O que vai abaixo é minha defesa mais radical pela legalização das drogas, bandeira que, confesso, não sustento mais com a mesma convicção. Ainda defendo que o caminho passa pela liberação, mas tenho mais dúvidas hoje quanto ao sucesso dessa medida. Mais do que isso: acho que existem outras prioridades na fila, e que o Brasil não deveria ser cobaia de experimentos desse tipo.
Dito isso e feita a ressalva, segue meu texto antigo para nossa reflexão. O assunto é polêmico, mas não podemos fugir dele. Por favor, debate civilizado após a leitura, ok? Lá vai:
Pela legalização das drogas
“É verdade que ser livre pode significar a liberdade de passar fome, cometer custosos erros, ou correr riscos mortais.” (Hayek)
Devemos legalizar as drogas? Essa é uma questão que cada vez recebe mais atenção, posto que fica clara a derrota da guerra contra as drogas, que custa uma fortuna aos contribuintes e não consegue reduzir a criminalidade proveniente do tráfico. Pretendo explicar neste artigo os motivos pelos quais a resposta para a questão é afirmativa. São basicamente dois caminhos distintos para chegar à mesma conclusão: os resultados práticos e os direitos individuais.
Antes, entretanto, é importante fazer uma ressalva: a legalização das drogas não é uma panaceia que irá resolver todos os problemas do crime. E não custa lembrar que outros países onde as drogas não são legalizadas não passam necessariamente pelo mesmo surto de violência que o Brasil se encontra, basicamente por causa da impunidade. Os principais dados expostos aqui, assim como alguns argumentos, foram extraídos de artigos do doutor Mark Thornton, autor deThe Economics of Prohibition e membro do Mises Institute.
O tema polêmico foi alvo de estudo de muitos economistas famosos, a maioria focando na questão do custo e benefício, dos resultados concretos. O prêmio Nobel Milton Friedman, por exemplo, sempre advogou pela legalização das drogas. Ele afirmava que a legalização das drogas iria “simultaneamente reduzir a quantidade de crime e aumentar a qualidade da imposição da lei”. Thomas Sowell, também da Escola de Chicago, é outro que defende este caminho, assim como o outro prêmio Nobel, Gary Becker, da mesma escola. Sowell lembra que as políticas são julgadas por suas conseqüências, mas as cruzadas são julgadas por quão bem elas fazem seus defensores se sentir. A guerra contra as drogas virou uma cruzada. Ele diz que não somos Deus para viver a vida dos outros ou salvar pessoas que não querem ser salvas. Podemos concluir que a Escola de Chicago em peso defende a legalização das drogas. Mas não são apenas esses os economistas que mantêm tal postura.
Gordon Tullock, outro economista de peso, vai na mesma linha, lembrando que as leis de proibição são difíceis de serem aplicadas, custam caro e geram resultados ineficientes. Robert Barro alerta que a experiência com a proibição mostra que os preços sobem e a atividade ilegal é estimulada, gerando apenas um efeito negativo moderado no consumo, mas impondo custos inaceitáveis em termos de taxas elevadas de criminalidade e expansão da população carcerária. Walter Block alega que um livre mercado de marijuana e outras drogas aumenta o bem-estar econômico. Mary Cleveland foca no fato do mercado negro ser perigoso e acabar atraindo jovens problemáticos com oportunidades limitadas, que acabam se tornando usuários de drogas pesadas.
David Henderson lembra que a maioria dos problemas que as pessoas acham que são causados pelas drogas não são causados por elas em si, mas pelas leis sobre elas. O método moralmente adequado para evitar o consumo de drogas seria a persuasão, não a prisão dos usuários. Robert Higgs considera que o abandono dessa cruzada quixotesca das autoridades contra as drogas iria permitir gastos maiores para a proteção da vida e propriedade, evitando uma invasão aos direitos naturais, que incluem o direito de decidir como usamos – ou abusamos – dos nossos próprios corpos. Randall Holcombe faz coro no argumento de que os males causados pelas drogas costumam vir do fato de serem ilegais, não drogas. Daniel Klein reforça a visão de que a proibição cria um mercado negro que a sociedade não consegue controlar. Jeffrey Miron e Jeffrey Zwiebel concluíram em seus estudos que um livre mercado de drogas provavelmente seria uma política bem superior em relação às adotadas atualmente, como a proibição. 
Murray Rothbard também faz a conexão entre vício e crime, lembrando que os crimes são cometidos por viciados levados ao roubo pelo alto preço das drogas causado pela sua própria ilegalidade. Se os narcóticos fossem legais, sua oferta iria aumentar e os altos custos do mercado negro iriam desaparecer, fazendo os preços ficarem baixos o suficiente para eliminar a maioria dos crimes cometidos por viciados.
Quase todos esses argumentos estão voltados para os resultados práticos da proibição das drogas. Mas creio que devemos, acima disso, colocar a questão dos direitos naturais. John Stuart Mill, por exemplo, defendeu a liberdade de consumir álcool e ópio como um dos mais básicos direitos civis. O foco no utilitarismo é extremamente perigoso, podendo levar ao conceito de que os fins justificam os meios. Ora, se fosse considerado que a morte de alguns sujeitos chatos, entretanto pacíficos, fosse aumentar a utilidade geral, o bem-estar da maioria, alguém defenderia o direito de assassinarem esses chatos? Hitler aprovaria essa mentalidade, já que achava que matar judeus seria bom para a nação. Mas Hitler era um monstro.
O utilitarismo costuma andar lado a lado com o coletivismo, e transforma indivíduos em animais sacrificáveis. Libertários pensam que a coerção contra aqueles que não iniciaram coerção deve ser eliminada. O que cada um faz com seu próprio corpo diz respeito apenas a si próprio. Não faz sentido jogar na prisão ao lado de assaltantes e assassinos, que violaram os direitos alheios, alguém cujo único “crime” foi ter fumado um cigarro de maconha em sua própria casa.
No fundo, esta postura é totalmente autoritária. Pessoas bem intencionadas, imbuídas de uma missão divina, querem impor aos demais como a vida deve ser vivida. Ora, o cigarro não faz mal à saúde? Mas por que devemos proibir o indivíduo de fumar, se ele assim quiser? Comer demais também faz mal para a saúde, assim como a ociosidade, mas nem por isso vamos criar leis para controlar tais práticas. Eu posso considerar um livro de Marx uma droga bem mais prejudicial ao cérebro que a maconha, mas nem por isso vou defender o uso da coerção estatal para proibir sua leitura. Seria autoritarismo puro.
Essa visão de que o Estado deve cuidar dos indivíduos incapazes de escolher por si próprios é paternalista demais. Liberais acreditam na responsabilidade individual, e entendem que cada um sabe melhor o que pretende para sua vida. Se abrirmos precedente para que burocratas ou mesmo a maioria possam escolher por todos o que é o melhor, nada impede que amanhã uma maioria de vegetarianos decida banir o McDonald’s do mundo. Onde ficam os direitos individuais, a liberdade de escolha?
Podemos analisar os jogos de azar como um paralelo interessante às drogas. O jogo do bicho, por exemplo, teve sua origem em 1892, quando João Batista Vieira Drummond, dono de uma chácara com um pequeno jardim zoológico em Vila Isabel, resolveu criar um jogo para levantar recursos e manter os animais e toda a sua estrutura. Eram vendidos bilhetes de sorteios com bichos desenhados. Um negócio honesto, com trocas voluntárias. Mas quando o governo resolve que isso é ilegal, condena todos ao crime, incentivando a corrupção e violência. Isso para não falar que o próprio governo vende jogos de azar! Não gosta da concorrência, e cria um monopólio por lei, fazendo com que o jogo do bicho vire prática criminosa.
Devemos respeitar as trocas voluntárias entre adultos responsáveis. O jogo de azar pode viciar e destruir a vida de alguns. Mas não devemos, por causa disso, impedir que uma maioria use com moderação e tenha prazer. Abusus non tollit usum. O abuso de algo não pode tolher seu uso. Ora, até o consumo exagerado de remédios legais pode matar. Vamos proibir a venda de aspirinas ou Prozac por causa disso? O mais importante não é o que é consumido, mas sim comoé consumido. Com moderação, até a bebida alcoólica faz bem, ou mesmo a maconha, usada em tratamentos médicos.
O curioso é que muitos defendem a proibição das drogas bebendo sua dose diária de Uísque.Cáspita! Será que ignoram que tal bebida é droga também, que pode viciar e levar à morte se consumido excessivamente? O álcool é, na verdade, droga mais pesada que a maconha, por exemplo. Ou seja, as drogas já são liberadas, mas nem todas. No passado, nos Estados Unidos, já experimentaram proibir todas as drogas. A Lei Seca criou apenas criminosos, como Al Capone. Com seu término, a família Coors é vista com respeito por todos, assim como os brasileiros bilionários sócios da Inbev. O que mudou? A atividade é a mesma: vender bebida alcoólica. Apenas a lei mudou, e foi suficiente para reduzir a criminalidade neste setor.
Como dizia Roberto Campos, “tudo o que é rigorosamente proibido é ligeiramente permitido”. E é melhor permitir legalmente que criar um mercado ilegal, já que a demanda não desaparece. Como lembrava Mises, “não é porque existem destilarias que as pessoas bebem uísque; é porque as pessoas bebem uísque que existem destilarias”. Curiosamente, muitos preferem financiar o PCC ou as FARC em vez de gerar lucros para uma Souza Cruz da vida, que cria empregos formais e paga impostos.
Estudar as origens históricas da guerra contra as drogas pode ser esclarecedor também. O primeiro ato banindo a distribuição doméstica de drogas nos Estados Unidos foi o Harrison Narcotic Act em 1914. Os motivos se deveram às questões internacionais sobre o ópio, segundo o acordo da International Opium Convention de 1912, que objetivava resolver os problemas da Inglaterra com a China. O debate nos Estados Unidos era sobre obrigações internacionais, e não moralidade. A importação de heroína só foi banida para qualquer propósito em 1924.
Em 1937, o Marijuana Tax Act foi aprovado com base no argumento de que a cannabis causava “assassinatos, insanidade e morte”, o que hoje se sabe ser falso. Nixon é considerado o ícone dessa guerra contra as drogas. Ele caracterizou o abuso de substâncias ilícitas como o “inimigo público número um da América”. O Congresso aprovou o Controlled Substances Act em 1970. Essa legislação é a fundação na qual a guerra moderna existe. Nixon foi também o presidente que avançou nas liberdades econômicas, tentando controlar até preços, e invadiu liberdades políticas também, culminando no Watergate e em sua renúncia.
Vale refletir que os Estados Unidos viveram o século XIX todo sem essas leis, e este foi o século de maior crescimento americano, plantando as sementes que permitiram a nação virar uma superpotência. A guerra contra as drogas não parece uma solução para um problema, mas um problema para a busca de uma solução. A guerra está sendo perdida. O uso de drogas aumentou em todas as categorias desde a proibição. Entre 1972 e 1988, o uso de cocaína aumentou cinco vezes, segundo pesquisas. Mais pessoas morrem por conta da guerra contra as drogas que por conta da overdose de seu uso. O único benefício em manter a proibição é o conforto psicológico derivado da existência de um bode expiatório permanente.  
Alguns aceitam a descriminalização dos usuários ou uma legalização parcial, e propõem algo como os sin taxes, impostos elevados sobre produtos de má reputação, como já ocorre com o cigarro e as bebidas alcoólicas. É a postura de Gary Becker, por exemplo. Mas esses elevados impostos podem não reduzir o mal causado pela proibição, deixando os problemas sem solução real. No mercado de cigarro no Brasil, cerca de um terço vem de contrabando e ilegalidade, devido aos enormes impostos. O mercado negro acaba se mantendo vivo pelo alto custo da legalidade. 
Em resumo, seja pela lógica de resultados práticos ou pela defesa da liberdade individual, as drogas deveriam ser legalizadas. Isso iria reduzir a criminalidade e garantir a liberdade de escolha individual. O “argumento” de que consumidores de drogas podem causar danos externos não é válido, posto que o álcool hoje já tem esse mesmo risco, sem falar de outras fontes, como a negligência. Pune-se o ato, não a possibilidade dele ser cometido. No máximo, pode-se considerar um agravante para a penalidade o consumo de drogas, buscando coibir a irresponsabilidade. Mas de forma geral, os defensores da proibição negam que os indivíduos sejam capazes de fazer escolhas conscientes. São todos tratados como mentecaptos, o passo certo para a escravidão. A proibição das drogas acaba sendo ineficiente e autoritária, colocando em risco a liberdade individual.
Mesmo meus colegas conservadores precisam admitir que são argumentos fortes os apresentados acima. O que não dá para aturar, realmente, são os típicos esquerdistas pregando paternalismo estatal para tudo, partindo da premissa de que cada cidadão é um mentecapto que necessita de tutela estatal o tempo todo, condenando veementemente a venda e a propaganda de cigarro, e depois abraçando a bandeira da legalização das drogas. Incoerência total.
Há riscos e problemas práticos que não foram tratados com cuidado no texto. O debate é delicado, há incertezas, interesses de certos grupos na legalização, para sair da sombra da criminalidade, e ainda o fator arriscado de ser um dos primeiros a trilhar esse caminho. Parece que a Holanda não gostou tanto assim de sua experiência, e atraiu a escória da humanidade para o “turismo entorpecido”. A degradação nas ruas é visível. São aspectos que merecem mais atenção.
Por outro lado, a proibição fortalece criminosos e também leva ao avanço do teor aditivo das drogas. Claro: já que comprá-la é um ato de risco, pois é preciso lidar com bandidos, o lado da oferta precisa torná-la cada vez mais viciante. Não entendo do assunto, mas já li que a maconha de hoje não é a mesma de antigamente, sendo muito mais potente agora. A Coca-Cola não precisa usar esse artifício, pois qualquer um pode ir na esquina e comprar uma latinha.
Droga é uma droga. Mas talvez o combate não deva ser pela proibição pura e simples. E devemos lembrar que o ser humano busca entorpecentes desde que se entende por gente. Onde há demanda haverá oferta. Melhor que seja pelas vias legais do que por meio de traficantes perigosos. Ao menos nos casos de drogas mais leves como a maconha, que a maioria consegue usar de forma apenas recreativa (à exceção dos maconheiros lesados que agem feito zumbis). Com mais dúvidas do que antes, eis o que ainda penso.
Alguns comentários: 
Marcelo Moretto - 02/01/2014 às 21:03 Rodrigo, sou um leitor assíduo do teu blog, e concordo com praticamente tudo o que tu escreves (se eu fosse escritor, passados alguns dias nem eu concordaria com tudo que eu escrevo!). Mas neste caso tenho que discordar, respeitosamente. Tu és economista, e, naturalmente expôs a tese de diversos economistas sobre a legalização da maconha. Só que neste caso, o problema tornar-se-a de SAÚDE PÚBLICA, e não mais de segurança pública. Sou médico cardiologista, mas conheço diversos psiquiatras, e confesso que nenhum apoia o uso desta droga, pelos seus efeitos duradouros no cérebro. E mais, hoje realmente morrem mais pessoas pelo tráfico do que pelas drogas em si, mas se forem legalizadas, vai aumentar maciçamente o número de usuários, e essa conta certamente vai mudar.

 O Vampiro de Curitiba - 02/01/2014 às 21:02 O que a psiquiatria tem revelado sobre o consumo da maconha: pessoas com tendências esquizofrênicas e síndrome de pânico não devem nem passar por perto da cannabis. Para alcoolismo e alzeimer (é assim que se escreve?) é recomendável. Para certos tipos de câncer é essencial.

 Luis Francisco - 02/01/2014 às 21:02 Legalizar jamais. Descriminalizar, talvez, dependendo da droga e do teor da ocorrência. Difícil regulamentar assunto com tantas variáveis, mas no caso da gonha, cadeia não, seria a mesma coisa que botar na cadeia vendedores de cachaça, droga que por sinal é bem mais nociva que cannabis. Deixa os maiores de idade fumar ! O limite é um por dia, geralmente à noite , depois de “fechar a firma”, antes de dormir. Mais do que isso já começa a fazer mal. Pra comprar cada um que se vire, o estado não tem que por o bedelho, o negócio é uma planta !!!!! É A MESMA COISA QUE TER UM PÉ DE TOMATE EM CASA, NÃO TEM DIFERENÇA NENHUMA. Demora quase um ano para “tirar suco” e ninguém aguenta esperar. É também meio utópico, isto é coisa de produtor, deixa os fazendeiros plantarem . Para quem quer fumar : NÃO FUME para quem fuma muito : FUME POUCO para quem fuma pouco : FUME MENOS MORAL DA ESTÓRIA gastar R$ 100 reais por mês para fumar 2 baseados por dia , depois de trinta anos é uma casa própria. NÃO COMPENSA. 

Walmor - 02/01/2014 às 20:55 Os estádios faraônicos para a copa do mundo, poderiam ser transformados em centros recreativos para consumo de drogas. Quem desejar, entra, consome até cair ou ter overdose. Tudo pago pelos contribuintes. O problema é com quem o governo vai traficar para conseguir tanto alucinógeno. E aí começa tudo de novo…

DENIS ROSENFIELD- O EMBUSTE IDEOLÓGICO

O assassinato político de Jang Song-Thaek, tio e mentor político de Kim Jong-un, Líder Máximo da Coreia do Norte, apesar de grotesco, não deixa de ser algo, digamos, “normal”, dada a característica stalinista deste regime político. Nada muito diferente do que a esquerda totalitária fez na extinta União Soviética, nos hoje amplamente conhecidos Processos de Moscou, que eliminaram a velha guarda bolchevique.

Em outro célebre episódio, Trotsky primeiro foi apagado de uma foto junto a Lênin em uma comemoração revolucionária para, depois, ser “apagado” com uma machadinha na cabeça, no México. Quem perpetrou tal assassinato foi um agente de Stálin, Ramón Mercader, que acabou placidamente os seus dias, em Cuba, com todos os privilégios da nomenclatura castrista.

Nada tampouco distinto do que Mao fez na China. Os camaradas, amigos de ontem, tornavam-se os inimigos de hoje, taxados de contrarrevolucionários a serviço do capitalismo.

No Brasil, ainda atualmente, há os que admiram Marighella e a guerrilha do Araguaia, que compartilhavam das mesmas concepções marxistas. Há, em todos esses casos, uma patológica perversão das ideias.

O assassinato político tornou-se uma forma “corriqueira” de a esquerda resolver os seus conflitos intestinos. Processos jurídicos de fachada, tortura, acusações infundadas e mortes eram características próprias da esquerda no Poder. Não há sequer uma experiência histórica de compatibilização entre socialismo/comunismo e democracia. Lá onde o socialismo vingou, a democracia jamais germinou. Cuba e Coreia do Norte são rebentos deste período.

Se tomarmos a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, teremos uma oportunidade rara de comparação entre socialismo e capitalismo. O capitalismo sul-coreano produziu uma sociedade próspera, com alto grau de desenvolvimento industrial, científico e tecnológico. Empresas e universidades lá se retroalimentam. Sua educação tornou-se referência mundial. A democracia é o seu regime político.

A Coreia do Norte, por sua vez, é um regime tirânico, liberticida, que reduz a sua população a uma vida miserável. A fome grassa e os servos deste país sucumbem à falta de alimentos. Nada funciona, a não ser o Exército dotado de armamento nuclear, usado como ameaça constante à Coreia do Sul. Os seus processos políticos são uma caricatura, tendo sido neste país instaurada uma monarquia comunista, com direito de hereditariedade!

O século XX também apresentou outra experiência altamente significativa. Só os tolos hesitam em extrair dela o seu ensinamento. Havia duas Alemanhas, a Ocidental, capitalista, e a Oriental, socialista.

A primeira se caracterizava pela pujança, pelo respeito às liberdades, por uma vida sindical forte, por um crescimento econômico notável e por condições sociais invejáveis. Sua indústria tornou-se um exemplo mundial. Veio a ser uma das maiores economias do Planeta.

A segunda tinha como característica central a dominação violenta de sua população, com uso do partido e de sua polícia política. As suas condições sociais eram precárias e a liberdade era sistematicamente pisoteada. Tais eram seus problemas que o socialismo sucumbiu às suas próprias contradições. Nem os prussianos resistiram ao socialismo. A queda do Muro de Berlim foi um símbolo da derrocada socialista/comunista. A ideia socialista esborrachou-se no chão.

A esquerda tupiniquim, porém, teima em nada aprender. Parafraseando Talleyrand, discorrendo sobre a aristocracia emigrada, que se obstinava em não reconhecer os eventos revolucionários: “Eles nada aprenderam e nada esqueceram.”

Para essa esquerda, o socialismo continua plenamente vigente, sendo superior ao capitalismo, compreendido como fonte de todos os males. Trata-se de uma visão religiosa: o capitalismo é o pecado, o mal sobre a Terra, a origem do egoísmo e do lucro, enquanto o socialismo seria a redenção da humanidade, a solidariedade enfim conquistada entre os homens.

O embuste consiste no seguinte. O capitalismo não é comparado ao socialismo. Se isto fosse feito, a comparação, por exemplo, deveria ser entre a Alemanha capitalista e a socialista, ou ainda, entre a Coreia capitalista e a socialista. Os termos da comparação teriam parâmetros que serviriam de critério para qualquer avaliação.

A “comparação” é de outro tipo. Compara-se o capitalismo real, existente, com a ideia do socialismo, forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições. Ou seja, atribui-se ao socialismo todas as perfeições e, de posse destes atributos, passa-se a verificar se eles “existem” no capitalismo.

Isto é equivalente a comparar uma sociedade perfeita a uma imperfeita, ou ainda, a comparar o homem a Deus. É claro que o homem, com suas imperfeições, sairá sempre perdendo quando comparado a Deus. O mesmo destino teria a comparação entre uma sociedade perfeita (ideal) e uma imperfeita (real).

Mais curiosa ainda é a afirmação de alguns segundo os quais haveria plena compatibilidade entre socialismo e democracia, quando isto não se verificou historicamente em nenhum lugar. O socialismo no Poder se caracterizou pela tirania totalitária. O “pensamento” esquerdista, se é que se pode utilizar essa palavra, é totalmente capturado pelo dogma, esse repouso dos que se recusam a pensar. É o mundo das ideias descontroladas, que não podem ser verificadas empiricamente. Ora, só onde o capitalismo prosperou é que a democracia representativa foi consolidada e os cidadãos puderam usufruir da liberdade.

Há uma mentalidade religiosa, teológico-política, que guia a esquerda tupiniquim. Vive de “preconceitos” contra a economia de mercado e o direito de propriedade, postulando, como se fosse uma coisa teoricamente séria, a “utopia” ou o “socialismo” enquanto ideias “superiores” ao capitalismo. Na ausência de conceitos, contenta-se com diatribes contra o “neoliberalismo” e outras patranhas do mesmo tipo, como se fazer política residisse somente em enganar o próximo, em abusar da inteligência alheia.

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