sábado, 18 de janeiro de 2014

ALEXANDRE GARCIA- Um gosto amargo

O IBGE acaba de informar que a inflação de 2013 foi 5,91%. Quase 6%. E seria mais se a Petrobrás não tivesse sido sacrificada com o retardo da atualização de preços, o mesmo acontecendo com o transporte urbano. A meta do governo era de 4,5%. Muito ruim para o trabalhador, que não tem dinheiro sobrando para aplicar e pelo menos empatar nas perdas, e também para os milhões de titulares do FGTS. O Fundo de Garantia murchou, porque teve uma correção de 3,5%. A poupança nova, 5,8%; a antiga, 6,3%. Quem aplicou com CDB, CDI ou Tesouro Direto, ganhou pouco mais de 1% em 2013, já que esses investimentos financeiros renderam de 6,2% a 7%. Só ganhou quem investiu em dólar, que se valorizou 15,3%, dando uma renda líquida de 9,39%. O trabalhador que está endividado ainda amargou uma perda de quase 6% do salário que passou por suas mãos.

Pior do que isso é inflação com falta de crescimento. O resultado do PIB foi pífio, embora menos ruim que a decepção do ano anterior. Agora foi 2,3% e em 2012, 1%. Estamos entre os de pior resultado na América Latina e abaixo da média mundial. Não houve a retomada prometida e o que nos salvou foi a agropecuária, com um incremento de 5,1%, safras recordistas e ultrapassando os Estados Unidos na produção mundial de soja, com ganhos em produtividade. Tudo isso a despeito do MST, da FUNAI, do IBAMA, do INCRA, dos fiscais do trabalho e da previdência - todos parecendo gente com vontade de importar comida, em vez de exportar, como estamos fazendo e segurando também a combalida balança comercial. O único incentivo foi o financiamento subsidiado de máquinas.

A indústria cresceu menos da metade do PIB e o setor de serviços teve desempenho medíocre, igual ao percentual do PIB. O consumo das famílias, que o governo estimulou, perdeu fôlego e os investimentos não foram suficientes para alavancar o PIB. A política fiscal, do Ministério da Fazenda, foi errática, com maquiagens para atingir metas, o que elevou a desconfiança. Como a inflação de dezembro chegou quase a 1%, o Banco Central já se prepara para elevar a taxa Selic de juros. Houve entrada de 65 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros diretos, mas não o suficiente para equilibrar o balanço de pagamentos. De fato, houve uma saída líquida de mais de 12 bilhões de dólares, a maior desde 2002, ano em que se esperava a eleição de Lula.

É assim que entramos em 2014, o ano dos feriados, da Copa, das eleições. Ano em que o governo nada fará que tenha gosto amargo. Aliás, o gosto amargo da inflação e suas consequências será temperado pelo carnaval, o futebol e as promessas eleitoreiras. Depois estoura no colo de quem ganhar a eleição, em 2015, e nos bolsos de todos nós.

JORGE OLIVEIRA- A GRANDE FARSA DO BOLSA CRACK

Rio – O Jornal Nacional mostrou mulheres e homens uniformizados, lesados pelo crack, em São Paulo, de vassouras nas mãos limpando a cracolândia. Meia dúzia de gatos pingados. Ao lado, centenas de maltrapilhos, que não aderiram ao programa, envolvidos no vício e traficantes que fazem do centro da cidade a feira degradante do comércio da droga. O circo armado pelo prefeito Fernando Haddad é próprio de governos petistas que tentam na improvisação encontrar soluções para tudo, inclusive a de tentar acabar com a cracolândia oferecendo 15 reais aos viciados para ajudar na limpeza de ruas. O jornal O Globo não embarcou na onda do factoide paulista, versão Haddad,  e não registrou o fato em suas páginas.

As cenas degradantes mostraram bem a espetacularização do “novo” programa petista de acabar com os centros consumidores de crack de São Paulo. E o Jornal Nacional prestou um desserviço ao exibir depoimentos de pessoas doentes e lesionadas pelo vício dizendo, meio abobalhadas, o que a prefeitura queria, como por exemplo: “Agora vamos ter uma vida nova” ou “essa é a oportunidade que a gente esperava” como se isso fosse resolver o problema que a Dilma disse em campanha que iria encontrar solução ao chegar ao governo. Quatro anos se passaram  e o vício e o tráfico só se agravaram no país todo.

Enquanto mulheres e homens apareciam na televisão varrendo a cracolândia, empregados da prefeitura apressavam-se em desmontar os barracos de madeira e de papelão que abrigavam vários deles dia e noite nas ruas. Pronto, o problema estava resolvido. A poucos meses da Copa do Mundo, a cidade que vai abrir os jogos, não estaria mais contaminada por homens, mulheres e crianças envolvidas no vício do crack. A solução simplista para um grande problema só mostra que a prefeitura de São Paulo não tem um projeto definitivo para enfrentar o vício. Prefere medidas paliativas a enfrentar a situação como um caso de saúde pública, confrontar o traficante e criar núcleos de triagem que possam abrigar os dependentes químicos. A falta de orientação, certamente vai levar muitos deles a usar os 15 reais para comprar mais crack fortalecendo o mercado da droga.

A raiz de tudo isso está no desarranjo familiar, na falta de perspectiva de vida e na desocupação. Não é pagando que se vai consertar o vício, limpar as ruas para os turistas e amontoar pessoas desorientadas em pensões baratas da cidade sem o acompanhamento necessário. O Bolsa Crack da prefeitura apenas está mudando o problema de um lugar para o outro. Se é para encontrar soluções, uma delas, mais eficaz, seria a de criar centros de apoio para tentar primeiro curar o viciado. O emprego ocorreria depois da sua recuperação, quando ele já estivesse apto para o trabalho.

Outra proposta seria a de um convênio entre a prefeitura e as empresas que prestam serviço ao município para empregar os drogados recuperados. Mesmo assim, a assistência seria constante para evitar que ele volte ao vício, o que ocorre na maioria das vezes. Além disso, a polícia deveria intensificar o trabalho ao tráfico da droga que chega da Bolívia em quantidade assustadora, papel que caberia ao Ministério da Justiça que vê o problema se agravar e não se movimenta para impedir esse tráfico livre do país vizinho.

As cenas dos craqueiros exibidas pelo Jornal Nacional foram deprimentes e humilhantes ao ser humano já degradado pelo vício. Deprime mais ainda quando se assiste também a secretária do Serviço Social dando entrevista como se tivesse encontrado a solução definitiva para acabar com a cracolândia . Enquanto falava, ali, muito próximo dela, a imagem de centenas de viciados disputando como zumbis a última pedra do crack  é a prova de que essa ainda não é a solução para acabar com a cracolândia e recuperar os flagelados das drogas.

O ex-prefeito Cesar Maia, do Rio, fez escolas com seus factoides quando queria a aparecer na mídia simulando que trabalhava.
Diário do Poder

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