segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Maduro custa US$ 2,5 milhões por dia aos venezuelanos. Ou: Como o socialismo custa caro!

Deu no GLOBO: Presidência de Maduro custa US$ 2,5 milhões por dia a país com recorde de inflação e desabastacimento
Ele gosta de dormir na suíte japonesa do Palácio Miraflores, conjunto arquitetônico de 130 anos no centro de Caracas, sob a mira de um velho canhão instalado a cinco quilômetros de distância, no alto da colina onde fica o suntuoso sepulcro do antecessor – “o gigante”, apelidou.
Quando acorda, é recebido por um séquito de guarda-costas. Em viagens, costuma ter 120 pessoas na comitiva, inclusive provadores de comida, técnicos em explosivos e médicos com especialização até em epidemiologia.
Em maio passado, por exemplo, passou 72 horas no circuito Buenos Aires-Montevidéu-Brasília. O périplo custou US$ 1 milhão, o equivalente a despesas de US$ 13.800 por hora, em hotel, comidas, bebidas e compras variadas. Bloqueou andares inteiros de hotéis de luxo (42 apartamentos só para guarda-costas) e alugou suítes a US$ 4,5 mil por dia. Nas conversas com os presidentes Cristina Kirchner, José Mujica e Dilma Rousseff, ele pediu crédito para comprar alimentos, cada dia mais escassos nas prateleiras dos mercados venezuelanos.
Assim é o socialismo do século 21, muito parecido com aquele do século 20. Uma casta poderosa, em nome do povo, da justiça social e da igualdade, vive como os mais ricos magnatas capitalistas, com a diferença de que não criaram riqueza alguma para a sociedade, apenas tomaram o que os outros criaram.
A igualdade socialista é aquela de todo o povo na mesma miséria, e a “nomenklatura” desfrutando do que há do bom e do melhor, que só o capitalismo pode oferecer.
Na nossa social-democracia populista não é tão diferente assim. Quem lembra de Lula, o “homem do povo”, usando até carro oficial só para transportar sua cadela? Ou dos tecidos egípcios importados pelo ex-metalúrgico? Ou do luxuoso avião novo comprado em seu governo? Brasília tem uma das maiores rendas per capita do Brasil, tudo em nome do combate à desigualdade. Em The Ethics of Redistribution, Bertrand de Jouvenel diz:
A ingrata brutalidade dos reis em direção aos financiadores que os ajudaram sempre ganhou os aplausos populares. Isso talvez esteja relacionado ao profundo sentimento de que indivíduos não têm direito de serem ricos por eles mesmos e para eles mesmos, enquanto a riqueza dos governantes é uma forma de gratificação pessoal para as pessoas que pensam neles como o ‘meu’ governante.
Jouvenel mostra com sólidos argumentos como a inveja pode estar por trás das políticas de redistribuição de renda por meio do aparato estatal. Ele cita um exemplo dos comunistas franceses que deram caros presentes para seu líder, aparentemente indo contra os próprios valores comunistas, explicando que as pessoas têm sido mais generosas com aqueles que julgam melhores e com seus líderes.
O burguês apresentaria duas convicções básicas que diferem desse sentimento popular: sente que não deve sua riqueza a favores e se considera livre para gastá-la consigo mesmo, da forma que preferir, normalmente secreta. É precisamente o reverso da atitude que justificaria uma renda excepcional sob a ótica popular. O povo quer sentir que essa renda é um presente dele, e quer demandar que os beneficiários façam um espetáculo de gala.
Por isso que o empresário que compra um iate é menosprezado, enquanto um presidente que vive no luxo, com roupas caras feitas de tecido egípcio, carro próprio para a cadela e viagens com avião novo, é admirado. Mesmo que seja um ex-operário eleito com o discurso de redução da desigualdade material.
Quando o príncipe Felipe de Borbón e Letizia Ortiz se casaram, o evento contou com a mobilização de mais de 17 mil policiais e 200 atiradores de elite, que ajudaram na segurança, custando aos cofres públicos uma quantia estimada entre 6 a 8 milhões de euros. Segundo a imprensa espanhola, o custo total do casamento superou os 20 milhões de euros. Uma união entre dois indivíduos acabou se tornando um espetáculo público, financiado pelo bolso dos “contribuintes”.
O povo, ainda que forçado a pagar pela festa, aplaude o espetáculo. Mas não faltariam críticas ácidas se um empresário pagasse do seu próprio bolso por uma festa milionária fechada. Seria acusado de fútil, insensível, e esfregariam na sua cara toda a miséria existente à sua volta, ainda que ele não tenha culpa dela.
Esse é o típico sentimento de inveja que alimenta governos populistas e o socialismo. Na América Latina, encontra-se terreno mais fértil para esse tipo de demagogia. A Venezuela é apenas o caso mais avançado da doença. Vive na miséria, na violência, na escassez, enquanto o governo socialista vive como um nababo, sob os aplausos dos inocentes úteis.
Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino- Jornalistas do SBT têm vergonha de Rachel Sheherazade. Eu tenho vergonha dos jornalistas do SBT.

Segundo a colunista Fabíola Reipert, jornalistas da emissora têm comentado que sentem vergonha de trabalhar com ela. O problema seria o fato de Rachel ter uma postura muito opinativa, com pensamentos que nem todos concordam.
O jornalismo no SBT, que costumava ser mais imparcial, agora exibe as opiniões de direita da apresentadora. Recentemente, ela deu uma entrevista em que se mostrou a favor do deputado Feliciano e comentou sobre os “rolezinhos”.
É o sinal de que a direita começa a incomodar, por balançar a hegemonia de esquerda que já dura tantas décadas. Esses jornalistas não estão mais acostumados ao contraditório, a alguém com opinião firme diferente do que prega a cartilha politicamente correta do “mainstream”.
Quando aparece alguém com esse perfil, automaticamente cria-se grande desconforto entre o establishment jornalístico. Como assim, ela ousa criticar abertamente os “rolezinhos”, essa linda expressão popular dos abandonados da periferia?
Ao contrário dos jornalistas do SBT, eu tenho orgulho porque Rachel Sheherezade se tornou, recentemente, minha seguidora no Twitter:
Rachel Sheherazade
Então ficamos assim: jornalistas de esquerda do SBT têm vergonha de Rachel Sheherazade. E eu tenho vergonha dos jornalistas de esquerda do SBT (e de todos os demais canais).
Aprendam a viver com opiniões divergentes, meus caros! Coloquem em prática aquilo que sempre pregaram da boca para fora, e enalteçam a pluralidade de ideias. Ou será que todo jornalista “imparcial” precisa tomar o partido da esquerda como prova de sua “imparcialidade”?

Rodrigo Constantino- Pondé x Gancia: isso não se faz!

Muitos acompanharam aqui minhas divergências com Barbara Gancia, aquela cujo principal argumento contra mim foi o de que sou feio com cara de melão. Logo, tenho todos os motivos do mundo para sentir até certo regozijo quando a jornalista é humilhada. Mas não sou tão sádico. O que a Folha fez hoje não se faz!
O assunto eram os “rolezinhos”, e cada um deu seu depoimento, publicado lado a lado. De um lado, Luiz Felipe Pondé; do outro, ela, Barbara Gancia. O contraste salta aos olhos. Conteúdo e forma, diga-se de passagem. Pondé faz umaanálise precisa do fenômeno, enquanto Ganciaapela para o lugar-comum da elite politicamente correta: os brancos têm medo dos pobres!
Diz Pondé:
Dizer que o medo que as pessoas nos shoppings tiveram do “rolezinho” é preconceito é típico da ignorância dos movimentos (anti) sociais, do tipo que quis invadir o JK Iguatemi anteontem.
O que assustou as pessoas (e não falo de “rico”, falo da gente comum que anda e trabalha nos shoppings) foi o número de jovens de uma vez só, a correria, o barulho e alguns furtos.
Ninguém gosta de bagunça no shopping. Ora, sempre que há multidão, há risco, isso nada tem a ver com racismo ou luta de classes. Quem pensa que tem é a “playboizada esquerdopata” dos colégios de rico da zona oeste, mitomaníacos sociais.
Olhando para o cenário e para os “atores sociais” ali, eu diria: deixem as pessoas andarem em paz nos shoppings. Que consumam em paz. E se der pra pegar uma mina, melhor.
Agora comparem este depoimento com o de Barbara, com os seguintes trechos:
A obscenidade das portas cerradas em pleno sábado é expressão da histeria que domina a psique do urbanóide acuado. A engenheira Lucia Santos dá sua receita para o tema: “Deveriam começar a controlar a partir da internet”.
Lembro a ela que existem casos de estudantes brancos, de “bixos” (pessoal da FEA no Eldorado, está no YouTube) que fazem fuzarca, mas que ninguém chama polícia ou entra em pânico com isso.
“Mas estes de agora são orquestrados”, ela adverte. Pergunto por quem. “Pessoal no meu trabalho diz que é pela Dilma, o Lula”. E se não for? Ela reconsidera: “Bem, nesse caso… Quando é branco ninguém faz nada… Então eu acho que todos devem ter o direito de se manifestar”. 
Pois é. Temos o contraste perfeito entre quem fala certas verdades e quem gosta de apelar para o sensacionalismo que conquista a esquerda caviar, defensora das “minorias oprimidas” por estes brancos malvados da “zelite”.
Achei maldade o que a Folha fez. Barbara deveria ter sido poupada de tanto constrangimento…

“Todos os humanos carregam escondidos no cérebro uma sacolinha de maldades.” (Pócrates)

Gosto do verão somente para passear e isso onde existir água para corpinho nadar. No mais que venha o frio!

“Pais que não dialogam com seus filhos dificilmente escaparão de falar com advogados e psicólogos justamente sobre seus filhos.” (Eriatlov)

“Salvo os pequeninos e velhos, aqui quem não trabalha não come. Ainda não temos sindicalistas.” (Leão Bob)

‘Vada a bordo, cazzo’, por Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann
O comandante é o último a abandonar o navio? Nem sempre: o comandante Francesco Schettino foi um dos primeiros a cair fora, quando o seu Costa Concordia começava a naufragar. O capitão Gregorio de Falco, da Guarda Costeira, indignou-se e mandou Schettino voltar ao navio. Vada a bordo, cazzo! ─ bradou. Schettino, cazzo, fingiu que não ouviu. Os passageiros que se danassem.
Mudemos de assunto. O presídio de Pedrinhas, no Maranhão, teve rebeliões sucessivas, o crime organizado tomou conta de tudo e promoveu assassínios com requintes de crueldade. O ministro da Justiça, esquecido de que seu partido está no poder há onze anos, reclama que o sistema penitenciário brasileiro é “medieval”, e diz que preferia morrer a ficar preso. Ele, a propósito, é o chefe do Departamento Penitenciário Nacional, que deveria cuidar do assunto.
Os rolezinhos se multiplicam e ameaçam transformar-se numa crise política ─ e numa crise se transformarão assim que alguém perder a cabeça e for para o confronto físico. E a segurança da Copa, que está sendo discutida, de que forma será equacionada?
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sabe perfeitamente o que fazer: como o comandante Schettino, abandonar o barco o mais rapidamente possível, antes que o naufrágio se complete, e deixar claro que tê-lo ou não como ministro da Justiça não faz a menor diferença. Cardozo descansou nos feriados de fim de ano, tirou férias entre 2 e 6 de janeiro, e, a partir de sexta, tira mais oito dias de folga. Volta dia 26.
E até agora, no Governo, ninguém lhe gritou Vada a bordo.

‘Mérito? Não é aqui’, por J. R. Guzzo

Publicado na edição impressa de VEJA
J. R. GUZZO
Velhos marinheiros dos sete mares contam até hoje, geralmente em voz baixa, a história do Flying Dutchman. Não é uma história confortável. O Flying Dutchman, ou Holandês Voador, levantou âncora das docas de Amsterdã em 1751, rumo a Java, e depois de uma tormenta no Cabo da Boa Esperança nunca mais foi visto; naufrágio com perda total da carga e da tripulação, publicou-se nos boletins marítimos da época. O grande problema é que, alguns anos depois, o navio holandês foi visto outra vez, velejando a todo o pano, o leme firme, como se estivesse rumando para um lugar preciso, e com a mais perfeita ordem no tombadilho; não era, de jeito nenhum, um barco que tinha afundado e depois, por algum fenômeno natural, voltado à tona. Outro problema, já bem maior, é que não havia nenhum ser vivo (ou morto) ali dentro. Os tripulantes do barco que tinha feito a descoberta subiram a bordo e minutos depois, aterrorizados, chisparam de volta a seu navio e sumiram no horizonte. Desde então a lenda insiste que o Flying Dutchman continua aparecendo nos oceanos, sempre em noites de tempestade; é a famosa “nau sem rumo”. Foi cometida a bordo, explicam os velhos marujos, alguma abominação prodigiosa, tão horrível que nem o demônio tem coragem de tocar no assunto. Tudo o que se sabe é que o navio foi amaldiçoado ─ e a alma de seus tripulantes condenada a navegar eternamente pelo mar sem fim.
E se em lugar de Flying Dutchman falassem de “um país chamado Brasil”? Em 1º de janeiro de 2003, sob o comando do almirante de esquadra Lula da Silva, ele levantou ferros do Lago Paranoá falando em vencer mares nunca dantes navegados e em edificar um novo reino social. Hoje, onze anos após a partida e já sob o comando da imediata Dilma Rousseff, a nau continua a procurar o reino que tinha prometido. Ao contrário do barco holandês, o navio brasiliense está abarrotado de gente; só de ministros são quase quarenta, e contando os subs, mais os subs dos subs, a coisa vai para a faixa dos milhares de tripulantes. Mas está na cara que os fantasmas do Flying Dutchman levam o seu barco muito melhor que os humanos de Dilma; pelo menos sabem o que estão fazendo.
Já o nosso navio ─ bem, é certo que algo deu fabulosamente errado com ele. Não navega para lugar nenhum. A tripulação não sabe distinguir proa de popa, e acha que o contrário de bombordo é mau bordo. A nau não perdeu o rumo ─ na verdade, nunca chegou a saber que rumo era esse. Como poderia saber alguma coisa, se a esta altura da viagem o presidente do Senado, Renan Calheiros, ainda requisita um avião militar para levá-lo de Brasília ao Recife, onde foi implantar 10 000 fios de cabelo numa clínica para carecas? O problema, é óbvio, não está com Renan; ele é assim mesmo. O problema é de quem manda nos aviões ─ a cadeia de comando da Aeronáutica, que só em 2013 já deixou o senador lhe passar a perna duas vezes.
Nesta última, foi ao extremo de soltar uma nota oficial dizendo que não iria avaliar “o mérito” da viagem, e que sua função se limita a fornecer “a aeronave” solicitada. Como assim? Se os senhores brigadeiros não avaliam o mérito ─ e a legalidade ─ de seus próprios atos, que raio estão fazendo nos seus postos? Estamos falando da Força Aérea Brasileira, santo Deus. A lei diz que os aviões da FAB só podem ser utilizados por autoridades em atos de serviço, questões de segurança e emergência médica. Em qual caso se encaixariam, aí, os 10 000 fios de cabelo do senador?
A lei diz também que desrespeitar essa norma é “infração administrativa grave”, passível de punições “civis e penais”. O comandante da FAB que serviu de piloto particular para Renan poderia perfeitamente ter pedido ao senador, com toda a educação, que lhe fizesse uma curta descrição por escrito, assinada embaixo, contando que serviço iria fazer no Recife ─ “mera formalidade, doutor, só isso””. Por que não agiu assim? Porque tem certeza, como toda a tripulação, de que está numa nau sem rumo onde cumprir a regra só dá confusão.
O navio Brasil está precisando de muita coisa. Uma delas é um oficial macho, que tenha entre os seus valores a decência comum, e que um belo dia diga algo assim: “Sinto muito, Excelência, mas a lei me impede de atender à sua solicitação”. Iríamos ver, aí, quem entre os seus superiores hierárquicos teria a coragem de prendê-lo por “insubordinação”, enquanto Sua Excelência ficaria livre, contando vantagem do tipo “comigo ninguém brinca”. Nesse dia abrirá falência o Táxi Aéreo FAB ─ e nosso navio, talvez, comece a encontrar seu rumo.

Desperdício de água

CELSO MING - O Estado de S.Paulo

A cada verão pipocam na imprensa notícias sobre colapsos no abastecimento de água, especialmente em cidades litorâneas. É também a temporada em que parte da população percebe que tem gente que está mantendo abertas demais as torneiras, no chuveiro, no jardim ou até mesmo nas lavagens de calçadas.

E, no entanto, os dirigentes das empresas responsáveis pelo abastecimento de água já não se importam mais a conclamar a população a poupar água. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), por exemplo, enterrou numa gaveta qualquer a velha e bem-sucedida campanha de esclarecimento que tinha por mote "sabendo usar, não vai faltar". E isso está acontecendo provavelmente porque hoje seus dirigentes só pensam em faturar, não se importando se o uso do líquido, que um dia já foi considerado precioso, é adequado ou não.

A população brasileira ainda mantém hábitos perdulários. Quilômetros e quilômetros de calçadas seguem sendo lavados, por vezes diariamente, até que a última folhinha caída da árvore próxima seja empurrada por jatos de mangueira ao meio-fio.

Nem sempre o consumidor tem o cuidado de impedir vazamentos em aparelhos sanitários ou torneiras. Inúmeros postos de combustíveis oferecem duchas gratuitas como brinde para quem se reabastece por lá, com água extraída dos lençóis freáticos para os quais não pagam tarifa de esgoto. E, há uma semana, esta Coluna advertiu que a exigência de lavagem do lixo a ser reciclado também leva a desperdícios. A própria Sabesp reconhece que para a lavagem de um copo são necessários pelo menos outros dois copos de água.

Esses hábitos são considerados "absurdos" pelo professor Geraldo Silveira, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). "A água que sai da torneira tem requisitos de qualidade elevados para ser potável", argumenta. O ideal nesses casos seria o uso da chamada "água cinza", reaproveitada do escoamento das chuvas.

O presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental em São Paulo (ABES-SP), Alceu Bittencourt, adverte que a água tratada "é um bem econômico obtido a custos cada vez mais altos. No entanto, a população segue imaginando que água é de graça".

A direção da Sabesp parece pensar diferentemente. O superintendente de Desenvolvimento Operacional da Sabesp, Eric Carozzi, apresenta outras justificativas: "Aquilo que é desperdiçado após a distribuição já está pago pelo cliente, não gera perdas no abastecimento nem prejuízo para a empresa".

No passado, as campanhas de economia foram mais valorizadas. A redução mensal do consumo de 70 milhões de litros de água, gerada com ações da Sabesp em 600 escolas estaduais em 2009, equivale a um volume suficiente para abastecer 16 mil habitantes por um mês. Por outro lado, após uma redução de 22% entre 1998 e 2004, o consumo médio residencial de água na Grande São Paulo permanece o mesmo há quase dez anos (veja o gráfico acima).

Ainda é possível reduzir mais o consumo no âmbito doméstico. Silveira entende que a melhor maneira de combater o desperdício é adotar sistemas individualizados de medição. Onde isso ocorre, o consumo de água tende a cair 30%. Hoje, a grande maioria dos condomínios residenciais mantém uma conta comum de água e nem sempre o morador olha para o volume consumido.

O problema é que a medição individualizada em construções antigas exige reforma em todas as instalações hidráulicas, o que nem sempre é viável, pela sua execução complexa e seus altos custos. / COLABOROU DANIELLE VILLELA

Nas ondas do Congresso

José Roberto de Toledo - O Estado de S.Paulo


A política vem em ondas. Como um mar seria poético demais. Melhor comparar com uma rádio e sua programação repetitiva. O terceiro ano de governo é sempre o mais crítico na relação dos presidentes petistas com o Congresso. Foi assim em 2005 e 2009 para Lula. Repetiu-se com Dilma Rousseff em 2013. Os motivos vão além da coincidência. Desgaste, barganha e chantagem.


Dilma perdeu 16 votações na Câmara no ano passado. Foi o dobro das derrotas que ela sofreu em 2011 somadas às de 2012. Seu núcleo duro de apoio - aqueles parlamentares que votam ao menos 9 em cada 10 vezes segundo a orientação do governo - caiu de 306 deputados no primeiro ano de mandato para 123, quase todos petistas ou do PC do B, em 2013.

É notícia, mas não chega a ser novidade. No seu ano de estreia na Presidência, Lula teve 309 deputados federais ponta-firme. Dois anos depois, o grupo estava reduzido a menos de um terço: 91. No segundo mandato, mesmo o presidente tendo superado o desgaste do mensalão e estar surfando a onda do consumo de massa, o filme passou de novo: os 329 deputados do núcleo duro de apoio no primeiro ano viraram 197 no terceiro ano de governo.

A ciência política um dia explicará esse ciclo de altos e baixos previsíveis dos presidentes e suas bases de apoio no Congresso. Até lá, resta se conformar com o empirismo jornalístico.

O terceiro ano é crítico porque há o acúmulo das denúncias que se abatem sobre a maioria dos governos, sem contar o desgaste de três anos de relação franciscana entre Legislativo e Executivo. Mas é também o ano de criar dificuldades para vender facilidades no momento crucial para todos, o quarto ano, o ano da reeleição.

Às vésperas de barganhar todo o tempo de propaganda na TV e no rádio que puder conseguir, o presidente da vez dificilmente irá às últimas consequências em um confronto com os partidos que lhe dão sustentação no Congresso. Mesmo traído em uma votação ou outra, tende a ceder. E para garantir que isso ocorra, os aliados mostram as garras e lhe impõem derrotas no terceiro ano.

O PMDB é o mestre nesse jogo. Sua taxa de apoio ao presidente é sempre mais alta nos dois primeiros anos. Mas está longe de ser o único a praticar esse caxangá de votos, pondo no primeiro biênio, para tirar na sequência. PSB e PP, apesar de terem sido dos mais fiéis aos petistas, adotam a mesma tática.

Primeiro governo Lula: 89% dos votos do PMDB foram a favor do presidente nos dois primeiros anos, mas a taxa caiu para 74% no terceiro. Não foi por causa do mensalão? Sim, mas não só. Ou o fenômeno não teria se repetido no segundo mandato: os 92% de apoio nos dois anos inicias caíram para 88% no ano subsequente. Com Dilma, a queda voltou a ser grande: de 90% para 77%.

O PSB caiu de 96% de votos pró-Lula no biênio 2003/2004 para 84% em 2005. No mandato seguinte, caiu de 93% para 88%, entre 2007/2008 e 2009. E, já sob Dilma, passou de 92% em 2011/2012 para 77% em 2013. No PP, as quedas, nos mesmos períodos, foram de 83% para 78% com Lula-1, depois de 93% para 87% em Lula-2, e de 90% para 82% durante o governo Dilma. Parece um relógio.

De tão repetitivo, esse ciclo de toma lá, dá cá com tira-põe-deixa-ficar acaba fazendo o jogo político previsível. Se valer o retrospecto, o quarto ano de Dilma será melhor do que o terceiro. Dá até para entender: com os próprios mandatos em jogo, ninguém quer arriscar-se a esticar demais a corda e vê-la arrebentar bem no meio da campanha eleitoral.

Além disso, prevalece outra onda do Congresso: o último ano de mandato dos deputados é ainda menos produtivo do que os três primeiros. Com menos embates em plenário, diminui a oportunidade de impor uma derrota ao governo. Em 2006, houve um terço a menos de votações nominais do que na média dos anos anteriores. Em 2010 a redução foi de dois terços. Imagine com a Copa no Brasil.

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