sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

JORGE OLIVEIRA- DISQUE 0800 PARA AJUDAR SEU MENSALEIRO

Rio – Bom dia, corrupção! A receita para quem quer ajudar os mensaleiros corruptos é a seguinte: acorde cedo, deseje um bom dia à família. Lave o rosto, escove os dentes e corra para o computador. Lá você vai encontrar várias modalidades para ajudar o seu corrupto mensaleiro preferido. Se você, por exemplo, discar o 0800171 estará ajudando Delúbio Soares; com O800312 José Genoíno e 0800288 o Marcos Valério. Os primeiros a contribuir terão direito a um kit dos condenados:  fotografias autografadas e um vídeo onde seus líderes fazem uma defesa veemente da inocência e atacam o ministro Joaquim Barbosa, a quem eles culpam pela prisão e condenação.

Você não precisa se sentir culpado em ser um dos cotistas. Vai estar ao lado de figuras importantes e honradas que não esconderam suas identidades para entrar na corrente do 0800. Uma delas foi até muito generosa. Nelson Jobim, ex-presidente do STF e ex-ministro da Defesa, depositou 10 mil reais na conta de José Genoíno que encheu a pança com uma sobra de caixa (ops!) de quase 100 mil reais. O dinheiro, como todo mundo sabe, vai para um fundo penitenciário. Assim, você estará ajudando também os presos de Pedrinhas, no Maranhão, se até lá ainda sobrar algum.

Não se envergonhe nem fique acanhado em ter participado do 0800 dos mensaleiros. Explique aos amigos próximos que você está reparando uma injustiça cometida contra empresários e políticos do Partido dos Trabalhadores. Se for questionado por eles, negue que nos últimos dez anos foram desviados dos cofres públicos quase 40 bilhões de reais para políticos e empresários corruptos, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas.

Explique também didaticamente aos amigos questionadores e impertinentes que você está abrindo mão de ajudar velhinhos em albergues, crianças cancerosas abandonadas em hospitais públicos e da recuperação de adolescentes viciados em drogas para cobrir o desfalque de um bando de salteadores, condenados em vários artigos do Código Penal por roubarem dinheiro que faz falta na educação e na saúde das crianças. Não, negue peremptoriamente aos seus amigos que você é cúmplice da bandalheira ao se unir aos militantes da quadrilha para participar do 0800 (171, estelionato, 312 peculato e 288 formação de quadrilha).

Não prolongue a discussão com seus amigos para não se chatear. Afinal de contas, o dinheiro é seu e você faz dele o que bem entender. Procure disfarçar dizendo que você é uma pessoa de bom coração e que sempre ajudou os mais necessitados. Negue-se, portanto, a dizer a origem da sua cota.  É um direito seu. Alegue sigilo bancário e outras coisas mais e mantenha-se discreto, uma forma inteligente de não ser atacado. Essa é uma boa receita para se manter calmo e tranquilo diante das provocações dos amigos inoportunos e fofoqueiros.

Se tudo acontecer como previsto, pelo menos dois mensaleiros – Genoíno e Delúbio – arrastam 1 milhão de reais para pagar suas dívidas, numa ação inteligente de marketing , porque, com isso, tentam mascarar as acusações do enriquecimento ilícito e do desvio de milhões de reais dos cofres públicos. A idéia da arrecadação também marca mais uma vez a impunidade no país já que os mensaleiros não mexeram no bolso para devolver o dinheiro desviado. E mais: incorpora à rede caridade milhares de outros futuros mensaleirinhos cotistas que usaram o 0800 para provar o que já se fala abertamente no país: o crime compensa no Brasil.

Compensou também para o personagem Jordan Belfort, encarnado nas telas por Leonardo DiCaprio , no filme “O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. Muitas das cenas escancaradas de orgias no filme lembram festinhas recentes numa mansão do Lago Sul em Brasília testemunhadas pelo caseiro que teve o sigilo quebrado pelo ex-Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, onde rolava de tudo. Pelo menos nesse aspecto, o do bacanal, o primeiro embaixador em Washington depois do golpe de 64, Juracy Magalhães, acertou em cheio quando disse a famosa frase: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.”

Celso Arnaldo volta em grande forma: ‘Dilma Rodrigues, a pior frasista da República’

CELSO ARNALDO ARAÚJO
Como diria o Zózimo, não convidem Dilma Rousseff e Nelson Rodrigues para a mesma frase. Quando os dois se encontram num único período, máximas sobre futebol lapidadas sílaba a sílaba pelo frasista impecável saem mancando, distendidas, fraturadas ─ tornam-se dúvida não só para domingo como para sempre.
Ok, isso não ocorre só com Nelson. Ao tabelar com qualquer craque da palavra, Dilma é impiedosa: já agrediu até Camões, da seleção portuguesa, e seu Velho do Restelo. Outros autores nacionais, como se verá adiante, levaram dela botinadas de cartão vermelho. Mas Nelson Rodrigues, em tempo de Copa, tem sido sua vítima preferencial. Porque ninguém escreveu melhor sobre a pátria em chuteiras (“de chuteiras”, segundo Dilma) do que Nelson. E ninguém o tinha tratado tão mal.
Depois de bater bola no cérebro baldio da presidente, qualquer frase de Nelson Rodrigues, originalmente épica no sentido e helênica na forma perfeita, fica inutilizada para o futebol. Seu único consolo é ter um passado glorioso: foi, um dia, uma frase de Nelson Rodrigues. É o caso da antológica expressão “complexo de vira-latas”, com que o genial cronista esportivo contestava o pessimismo generalizado em torno das chances da seleção brasileira na Copa da Suécia.
Esse complexo nunca mais foi o mesmo depois de tentar passar por Dilma, no ano passado, em discursos proferidos em diversos eventos relacionados à Copa. Manipulado pelo dilmês, esse legítimo puro-sangue rodrigueano ganiu como um vira-lata sarnento. Pior: foi usurpado pela presidente não para defender a seleção canarinho, como no contexto original, mas para retrucar abalizadas críticas a seu governo por parte da turma do “imagine na Copa” (veja o texto do Augusto Nunes na seção Vale Reprise).
As chuteiras imortais de Nelson Rodrigues foram novamente convocadas por Dilma, na inauguração do estádio Arena das Dunas, em Natal, para, outra vez, dar uma canelada no negativismo dos críticos. Mas era uma armadilha. Na coletiva de imprensa, indagada por um repórter se a exclusão da Arena da Baixada, com obras atrasadíssimas, não seria um vexame para o Brasil, Dilma engatou um “meu querido” imaginário e soltou:
─ Ô gente, pelo amor de Deus! Não vamos fazer… Essa (sic) é o tipo da pergunta que mostra aquilo (sic) que o Nelson Rodrigues dizia: “Não é possível apostar no pior”.
Hummmm…Nelson dizia isso? Quando, onde, por quê? Mesmo quem não é expert em Nelson estranhará que o cronista que escreveu “no Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio”, ou “na vida o importante é fracassar”, tenha cunhado uma frase tão murcha. Primeiro, porque sempre é possível apostar no pior ─ ou no Jockey Club não haveria azarões. Segundo…porque não parece Nelson. A frase não é redonda, não é lapidar, não é autodepreciativa, como “o brasileiro é um feriado”, não é… Nelson Rodrigues.
Bem, Nelson não deveria estar nos seus melhores dias. Só pode ser isso. Alguma hipótese de ele nunca ter dito isso? Claro que não. Afinal, a frase foi reproduzida pela presidente da República ─ e os jornalões do dia seguinte a reproduziram sem o menor questionamento. Algum risco de Angela Merkel colocar coisas na boca de Brecht para defender seu governo? Obama inventar um pensamento de Norman Mailer para referendar sua proposta polêmica de seguro-saúde? Claro que não.
Mas, espere: quem disse que ele disse isso foi ninguém menos que Dilma Rousseff ─ de quem nunca se ouviu uma frase sequer razoável em três anos de governo, incluindo as de outros, invariavelmente deformadas pela sintaxe do dilmês. Que não acerta nomes de cidades e de pessoas ─ outro dia, referiu-se três vezes a seu novo ministro da Saúde, o consultor Arthur Chioro, como “Choiro”, um sinal de como seu Ministério é a escolhido a dedo entre pessoas de sua total confiança.
Ok, mas, no caso de Nelson, dê-se a ela o benefício da dúvida. Ela realmente acha que ele dizia isso? Ou tirou esse pensamento tosco do mesmo lugar de onde saem seus próprios pensamentos? Um e-mail ao amigo Ruy Castro, magistral biógrafo de Nelson e organizador de sua obra completa para a Cia. das Letras, agora transferida para a Agir/Ediouro, buscou a resposta junto ao oráculo: há alguma frase dele remotamente similar a “não é possível apostar no pior?”.
A resposta de Ruy foi incontinenti e definitiva:
“Para fazer o livro Flor de obsessão — As 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues, naturalmente consultei milhares de textos de Nelson. Afinal, de quantas se tiram as 1000 melhores? E nunca vi nem sombra dessa frase”.
Óbvio ululante. Mas Dilma Rodrigues, cronista bisonha, estreou com enorme repercussão. “Não é possível apostar no pior” já passou à história como uma frase de Nelson Rodrigues citada pela presidente do Brasil. Digite-a agora, entre aspas, no Google. Hoje de manhã já havia 4750 resultados… todos atribuídos à parceria Dilma Rousseff-Nelson Rodrigues. O dilmês, o idioleto-fenômeno falado pela presidente, deforma não só o que é como o que nunca foi. O que é pior?
Há alguns meses, Dilma enviou um bilhete ao acadêmico Ivan Junqueira, divulgado pelo Palácio para demonstrar o pendor da presidente pela alta cultura, depois de supostamente ter lido seu livro “Poesia Reunida”. Esse bilhete, aliás, é uma das três únicas manifestações escritas do dilmês conhecidas:
“Meu caro Ivan, a vida, como você escreveu, é pior que a morte; acreditar nisso nos dá força para compartilhar cultura e construir um país melhor…”
Espere: a vida é pior que a morte? Claro que não. Era apenas Dilma atribuindo ao refinado Ivan Junqueira uma frase de bilhete de suicida iletrado. Em “A sagração dos ossos”, um dos poemas de “Poesia Reunida”, há os seguintes versos:
“Sagro estes ossos que, póstumos,
recusam-se à própria sorte,
como a dizer-me nos olhos:
a vida é maior que a morte”.
Ah, bom: a vida é maior, não pior, que a morte ─ graças a Deus.
Na verdade, quem sempre aposta e investe no pior é Dilma Rodrigues.

Dilma vai visitar Cuba. Por que não fica por lá experimentando o verdadeiro paraíso do pluralismo partidário? Arre!

E como perguntava seu Trajano, velho marinheiro octogenário aposentado já sem pernas, um olho furado, orelhas mordidas por piranhas do Amazonas, mas muito lúcido: “Para que servem os governantes além de cobrar impostos e nos roubar?”

Rodrigo Constantino- O discurso da presidente Dilma em Davos

A presidente Dilma, parecendo um tanto “robotizada” e contrariada de estar ali, fez agora a pouco seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos. Para ela, é “apressada” a tese de que, após a crise mundial, as economias emergentes irão se desacelerar.
Segundo Dilma, há muitas oportunidades nesses países, pois existe grande necessidade de investimentos produtivos. O que faltou dizer é que tal potencial sempre existiu; o que falta é o ambiente favorável para ele deslanchar. Esse não só não melhorou, como piorou bastante durante sua gestão.
Dilma enalteceu as “grandes” conquistas sociais dos últimos anos. A formação de uma enorme classe média foi por ela citada, lembrando que classe média, para o conceito do governo, inclui até favelados.
Em seguida, após falar do crescimento do consumo das massas, lembrou que a penetração de muitos bens industriais ainda é baixa no país. Haveria, então, grande potencial. Foi um discurso muito parecido, coincidentemente, ao da empresária Luiza Trajano no Manhattan Conection.
A presidente endossou a “tese” de Lula de que as manifestações foram por mais conquistas sociais, pois a democracia gera essa demanda mesmo. Ou seja, as manifestações teriam sido o resultado do sucesso do governo do PT. Paradoxal? Sim, mas quem liga?
Dilma garantiu que a inflação está sob controle, e que o governo respeita o regime de metas. Ainda teve a cara de pau de dizer que mira no centro da meta, e que os desvios estão dentro da banda permitida. Esqueceu de dizer que a inflação bateu no topo da banda todos os anos, tornando este patamar o verdadeiro centro da meta. Sem falar das manipulações, do congelamento de preços administrados pelo governo.
Afirmou também que as contas fiscais estão sob controle, e que a dívida pública líquida caiu. Esqueceu que todos os investidores já sabem que a malandragem está na emissão de dívida bruta pelo Tesouro com repasse para o BNDES, sem inflar, assim, a dívida líquida.
Dilma disse que o Brasil tem um dos melhores indicadores de dívida pública do mundo! Não sei como isso não despertou risos na plateia. Deveria. Para países emergentes, o Brasil tem uma das mais altas taxas de endividamento estatal – sem falar do endividamento privado estimulado pelo próprio governo.
Para Dilma, os bancos públicos expandiram o crédito porque os privados recuaram, e a tendência agora é retornarem a suas funções “normais”. É aguardar para ver, se o BNDES vai mesmo liberar desembolsos bem menores, se a Caixa vai parar de fomentar uma bolha imobiliária, se o Banco do Brasil vai deixar de avançar de forma irresponsável sobre o mercado de crédito apenas por critérios políticos.
A burocracia foi condenada pela presidente como entrave para a nossa produtividade, e disse que seu governo tem projetos para reduzi-la. Em mais de dez anos de PT, entretanto, nada de concreto foi feito, não há ganhos de produtividade expressivos, e a burocracia continua insana. Mais promessas…
Sobre os investimentos necessários, a presidente culpou as décadas de subinvestimento no país. Esqueceu que seu partido já está no poder há 11 anos! Ou seja, a última década foi toda do PT. Essa mania de culpar a “herança maldita” fica cada vez mais ridícula.
O programa “Minha Casa Minha Vida” foi mencionado com orgulho pela presidente, como se fosse uma incrível novidade. Esqueceu que projetos parecidos existem em outros países, e que nunca deram certo. Nos Estados Unidos, ajudaram a fomentar a bolha imobiliária e a crise dosubprime. Dilma acha que desigualdade e miséria se combatem dando casas com dinheiro público. E móveis e até tablets também!
Dilma destacou a importância da educação para o futuro do país, e passou, então, a elogiar vários programas do governo, reforçando seus aspectos meritocráticos. Faltou apenas citar nossas notas no Pisa, a queda das universidades federais nos rankings internacionais, as cotas raciais que rejeitam a meritocracia etc.
Por fim, resgatou o sonho do pré-sal como grande locomotiva do nosso progresso. Usou o termo “alquimia”, que vem bem a calhar. Dilma acha que vai transformar chumbo em ouro, só porque temos recursos naturais. Não funciona assim. Deveria aprender com a revolução energética americana, com o “shale gas” e a tecnologia de “fracking”. Não é o governo, de cima para baixo, que garante avanços tecnológicos.
Fechando seu discurso, Dilma defendeu as rodadas de livre comércio, citando o próprio Mercosul. Ignora que este não passa de uma camisa de força ideológica que trava acordos bilaterais do Brasil.
Em resumo, as palavras de Dilma não batem com os fatos. Foi um discurso “para inglês ver”, para tentar “vender o peixe” de nossa economia para atrair investimentos estrangeiros. Mas não bastam mais promessas vazias, discursos prontos. É hora de mostrar mudança nos rumos da política econômica!

BLOG DO RICARDO SETTI- PROFISSIONAIS DEIXAM O EXÉRCITO


FORÇAS ARMADAS: Mais 250 oficiais pediram demissão em 2013 ─ e é preocupante a saída de engenheiros

O Instituto Militar de Engenharia, um dos grandes centros de excelência das Forças Armadas: só o Exército perdeu em 2013  (Foto: IME)
O Instituto Militar de Engenharia, um dos grandes centros de excelência das Forças Armadas: só no Exército 46 oficiais engenheiros deixaram a carreira em 2013 (Foto: IME)
Se em 2012 foram 249 os oficiais das Forças Armadas que pediram demissão, abandonaram a carreira e passaram a trabalhar na área civil, o número quase se repetiu em 2013: 250 oficiais pediram demissão, sendo 121 do Exército, 70 da Marinha, e 59 na Força Aérea.
O que impressiona desfavoravelmente é o grande desfalque representado pela saída de nada menos do que 94 engenheiros — formados em centros de excelência como o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), ou o Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro.
O Exército foi especialmente prejudicado, perdendo nada menos do que 46 engenheiros militares, que preferiram fazer carreira na vida civil. Na FAB, saíram 34 engenheiros aeronáuticos, e, na Marinha, 14 oficiais engenheiros.
O Exército também foi a única força que perdeu oficiais superiores — de tenente-coronel a general, sendo cinco, no caso, além de 46 capitães e 70 tenentes.
Deixaram a Marinha 32 Capitães-tenentes e 38 Tenentes, e cessaram de vestir a farda da Força Aérea 5 capitães-aviadores e 54 tenentes-aviadores.
A questão salarial não é a única a preocupar os militares de qualquer especialidade.
O assunto vem sendo debatido pelo blog há algum tempo.
Consultem, por gentileza, os links abaixo:

Profissionais liberais unem-se para criar nova sigla

Deu no Valor: Profissionais liberais unem-se para criar nova sigla
Idealizado por profissionais liberais sem vínculos com a política tradicional, o Partido Novo está a cerca de 50 mil assinaturas de se tornar uma realidade. O número – que, à primeira vista, parece grande – é considerado uma vitória por suas lideranças. Com 320 mil assinaturas já certificadas e outras 200 mil coletadas, em tese, o trabalho poderia ser dado por encerrado já que um novo partido depende de 492 mil adesões. O elevado índice de rejeição dos cartórios, porém, determinou a margem de segurança.
[...] 
Nas reuniões de planejamento, Motta conta que o partido tem contado com a consultoria do economista Rodrigo Constantino, presidente do Instituto Liberal. Afirma, porém, que a agenda do partido não é implantar o liberalismo no Brasil, apesar da proximidade com a corrente. “Tem muita gente que diz que a gente é de direita. Acredito que, basicamente, é porque não somos de esquerda. Colocamos nossas ideias e deixamos que nos chamem do que quiserem”, resume.
O ponto em comum no discurso dos partidários é a defesa do Estado mais enxuto. E a defesa do modelo americano. Para Mousinho, a pecha liberal não incomoda. “Alguns chamam de direita. Eu chamo de direito. Acredito na transformação pela produção, pelo capital. Somos conservadores na economia e liberais no resto”, diz.
De fato, como muitos já sabem, tenho colaborado bastante com a formação do Partido NOVO, de maneira informal. O motivo é simples: acredito na necessidade de um novo partido, apesar de os mais de 30 existentes, que defenda de forma mais enfática os valores liberais. Nenhum desses partidos existentes o faz de maneira decente. Vivemos uma hegemonia de esquerda na política nacional.
Os responsáveis pelo partido podem não desejar o rótulo de liberal, o que é até compreensível quando lembramos da confusão que tais doutrinas geram, especialmente no Brasil. Mas eis o que tenho dito: se late como um cachorro, abana o rabo como um cachorro e parece um cachorro, então é um cachorro. No caso, o DNA do NOVO é, sim, liberal, pois coloca as liberdades individuais como prioridade, ao contrário dos demais partidos coletivistas e estatizantes.
Além disso, conheço as principais pessoas por trás do projeto, e posso atestar que são gente séria, lutando realmente por um Brasil melhor. O que vimos, lamentavelmente, foi a criação de muitos “partidos” que são apenas legendas de aluguel, negócios particulares no espaço político. O NOVO não é nada disso.
Meu apoio, desnecessário dizer, é condicionado ao estrito alinhamento com meus próprios valores e princípios. Se, por ventura, em algum futuro distante o partido degenerar em algo bem diferente, naturalmente perderá meu voto de confiança. Espero que isso não aconteça, e acredito que não acontecerá.
Rodrigo Constantino

RODRIGO CONSTANTINO- Porto Alegre ganha estátua em homenagem a Brizola. No Rio, ele já foi homenageado faz tempo nas favelas…

Sempre que vou palestrar em Porto Alegre – e vou com alguma frequência – peço a meus colegas gaúchos que nunca mais “exportem” políticos para meu Rio de Janeiro. Leonel Brizola já esgotou qualquer cota razoável de desgraça. Que exportem somente secretários de segurança para tentarem limpar as lambanças feitas pelo trabalhista…
Pois bem: o mesmo Brizola, responsável por boa parte da tragédia carioca, recebeu uma homenagem em sua terra natal. Uma estátua:
Lideranças e militantes do PDT e políticos de diversos partidos inauguraram uma estátua do ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro Leonel Brizola nesta quarta-feira, 22, em Porto Alegre, data em que o homenageado faria 92 anos se estivesse vivo. A peça, feita em bronze pelo artista Otto Dumovich, tem dois metros de altura, mostra o político gesticulando, como fazia em seus discursos.
[...]
Durante a cerimônia de inauguração, militantes exaltaram as gestões de Brizola, as ações voltadas para a educação e sua postura na Campanha da Legalidade, que garantiu a posse de João Goulart na presidência da República depois da renúncia de Jânio Quadros, em 1961.
Tenho visão “um pouco” diferente. Brizola estava ansioso para fechar o Congresso em 1964, era um dos que queria um golpe “do lado de lá”. O ícone perfeito do caudilho nacionalista que conquista as esquerdas retrógradas.
Educação? Não foi bem assim. O que tivemos foram vários CIEPs abandonados em beira de estradas, bem à vista de todos os motoristas, mas sem aulas, com greves constantes, descaso etc.
Por outro lado, há locais no Rio em que Brizola deixou sua marca mesmo. Falo das favelas. Ao blindar tais comunidades do acesso policial, Brizola ajudou a criar as verdadeiras fortalezas do crime. Como homenagem justa, a cocaína foi batizada com seu nome nesses lugares.
Ficamos assim, então: os gaúchos de esquerda celebram o “grande político” que foi Brizola; os traficantes cariocas celebram o “grande camarada” que foi Brizola, ao impedir a presença policial em seus territórios. Cada um com seus heróis…

RODRIGO CONSTANTINO- As escolhas de São Paulo e o monopólio dos fins nobres

Temo me tornar repetitivo. Mas que posso fazer se a esquerda é extremamente repetitiva em suas falácias? Uma das mais adoradas é justamente o monopólio das virtudes. Funciona assim: o esquerdista não debate os melhores meios para os fins nobres que a maioria defende, e sim toma para si esses objetivos louváveis, alegando que quem discorda de seus métodos propostos só pode ser contra o fim também.
Foi exatamente o que fez Oded Grajew em seu artigo publicado na Folha hoje. Grajew é um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, antro de esquerdistas que se unem anualmente para cuspir no capitalismo e defender, inexoravelmente, mais estado. Foi também assessor especial do presidente Lula. Eis o que ele diz:
A sociedade paulistana precisa fazer sua escolha: procurará pagar menos imposto e, consequentemente, colocará menos recursos para os serviços públicos, omitir-se-á na cobrança e na fiscalização do governo e se conformará em morar numa cidade extremamente desigual com enormes carências e péssima qualidade de vida, ou exercerá a sua cidadania, fiscalizando a aplicação do dinheiro público, cobrando do governo ética e competência, sendo mais solidária e usando sua riqueza para ajudar a reduzir a desigualdade e oferecer qualidade de vida e bem-estar a todos os habitantes.
Em outras palavras, segundo o esquerdista, há apenas duas alternativas: ou você é contra tantos impostos e, por tabela, só pode ser contra os mais pobres; ou você defende altos impostos e fiscaliza o governo, sendo, então, um defensor dos mais pobres. Quem condena os pesados impostos só pode ser um rico insensível, eis a mensagem nem tão disfarçada assim.
Mas é pura balela. Se formos debater os meios, dentro do mundo real, veremos que esses impostos todos têm servido apenas para desvios, corrupção, fins questionáveis e eleitoreiros, e muita, muita incompetência na hora de executar os serviços prometidos. Eis a realidade, ao contrário do discurso, que aceita qualquer coisa.
Portanto, apresento uma alternativa mais realista: ou você defende a redução drástica do tamanho e do escopo do estado, com a concomitante diminuição da carga tributária, permitindo o aumento da riqueza e a melhoria da qualidade de vida dos mais pobres; ou você pede sempre mais e mais governo, com mais e mais impostos, e ignora os terríveis resultados concretos dessas medidas, para continuar posando (ou pousando, como diria Emir Sader) como um grande defensor dos mais pobres.
PS: A prefeitura de São Paulo é um balão de ensaio do PT para o país. Se os avanços estatizantes do prefeito Fernando Haddad forem bem-sucedidos (do ponto de vista político, não econômico), será assim pelo Brasil todo. Portanto, meus caros paulistas que ainda não perderam o juízo, resistam!

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