terça-feira, 28 de janeiro de 2014

VIDA EM CUBA- SEM COMPROMISSO

YOANI SÁNCHEZ
Vermelho e preto são as cores do jornal Granma. Porém, diferentemente da famosa obra de Stendhal, o leitor não encontrará realismo em suas páginas, mas sim proselitismo. Quando o órgão oficial do partido comunista escolhe uma manchete tem mais intenções de impor uma ideia do que de informar sobre esta.
Assim ocorreu com a frase que se destacava no primeiro plano deste diário na quinta-feira passada. Tiradas do discurso de Raúl Castro em Santiago de Cuba aquelas palavras enfatizavam que “A revolução continua a mesma, sem compromissos com ninguém em absoluto, só com o povo!”. Com essa manchete tanto o orador como os editores queriam reafirmar algo que na realidade não deixaram muito claro. Vale à pena tentar decifrar o seu significado.
Passaram-se já 55 anos desde que começou a chamada Revolução Cubana, pelo que esta referência a possíveis compromissos não deve remontar as suas origens. Cabe imaginar que o General não aludia, com ela, a ruptura e a ingratidão com certos respaldos e subvenções que os rebeldes tiveram há meio século.
Então não soa como um adeus aos velhos companheiros de rota que puseram o ombro e o bolso para sustentar este sistema por décadas.
Quem é então esse “ninguém” de quem Raúl castro retira qualquer possibilidade de reclamação? Evidentemente tampouco aponta o Palácio de Miraflores pelo volumoso subsídio que Cuba recebe da Venezuela. Pois este apoio econômico gerou mais ataduras políticas para o governo mantenedor do que para o mantido.
Pensar que é uma insinuação desobrigando-se das responsabilidades políticas por pertencer a CELAC resultaria ingênuo, pelo menos. Então sobre que falava este homem de uniforme militar, frases herdadas e discurso por escrito? A que se refere? A resposta aponta tanto para a Casa Branca como para Bruxelas.
Toda negociação ou conversação precisa de um mínimo de obrigações a serem cumpridas. Qualquer parte implicada num acordo se certifica que a outra ceda em igual ou maior medida ao que ela faz. É evidente que em 2013 tanto os Estados Unidos como a União Européia deram passos para atenuar a temperatura diplomática entre eles e a Praça da Revolução.
Piscadelas, flexibilizações e anúncios de um novo caminho chegaram a ser ditos por alguns políticos em relação à Maior das Antilhas. O prato estava servido para o festim do acordo e do diálogo. Como resposta o ingrato convidado parou e virou a mesa.
“Sem compromissos…” Gritou Raúl Castro e apressurou-se a grafá-lo em letras vermelhas no jornal Granma. Aos que a frase é dirigida já o sabem, já estão advertidos.
Tradução por Humberto Sisley

Janer Cristaldo- DONA DILMA PROMOVE DITADOR RAÚL CASTRO A PRESIDENTE

Se a mentira tem pernas curtas, quando o governo mente, a mentira vira perneta. 

Dona Dilma e sua comitiva, em vilegiatura entre Genebra e Havana, resolveram fazer uma discreta perna em Lisboa, no sábado passado. A hospedagem em Portugal não estava prevista na agenda oficial divulgada pela assessoria da Presidência da República na última sexta. 

Só na tarde de domingo, depois de a passagem da presidente por Lisboa ter sido noticiada por veículos de imprensa brasileiros, o Palácio do Planalto resolveu divulgar uma alteração da agenda presidencial, incluindo a estada em Portugal no roteiro.

Inicialmente, se pretendeu que a escala havia sido decidida na hora. Como se fosse possível reservar hotéis e restaurante, do dia para a noite, para uma comitiva que ocupou 45 quartos. Pelo jeito, a presidente e seus assessores tomam o público nacional como uma malta de pacóvios que engolem qualquer potoca.

Ao dar-se conta da mancada, no final da tarde de domingo, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou nota em que nega que a escala da comitiva presidencial em Lisboa tenha sido “desnecessária.” De acordo com a nota, a parada era “obrigatória” porque a aeronave oficial, um jato Airbus A319, não tem autonomia para um voo entre Zurique e Havana.

“Dependendo de condições climáticas, o Airbus 319 presidencial tem autonomia média em torno de 9 horas e 45 minutos, tempo insuficiente para um voo direto entre Zurique e Havana. A opção por Lisboa foi a mais adequada, já que se trata do aeroporto mais a oeste no continente europeu com possibilidades de escala técnica”, diz.

Ah, bom! Então era uma escala técnica necessária? Por que então sigilos de encontros de amantes? Pela versão oficial, o plano era sair da Suíça no sábado, parar nos Estados Unidos para abastecer as duas aeronaves oficiais e chegar a Cuba no domingo. Mas o mau tempo teria obrigado a comitiva a mudar de planos na véspera e desembarcar em Lisboa.

Ocorre que, segundo os jornais, desde quinta-feira, o diretor do cerimonial do governo de Portugal, embaixador Almeida Lima, estava escalado para recepcionar Dilma e sua comitiva no fim de semana. Joachim Koerper, chef do restaurante Eleven, onde Dilma jantou com ministros e assessores, recebeu pedidos de reserva na quinta-feira. O engodo durou menos do que o que duram as rosas.

Durante a estada, Dilma e sua comitiva ocuparam 30 quartos de dois hotéis da cidade, o Ritz e o Tivoli. (Segundo outros jornais, foram 45 quartos). A presidente se hospedou em uma suíte presidencial do Ritz, ao custo de 8 mil euros por dia, o equivalente a R$ 26,2 mil. Quem pode, pode. Quem não pode, paga a conta da presidente e seu séquito.

Dona Dilma e sua comitiva jantaram no restaurante Eleven, um dos raros de Lisboa a merecer estrela no Guide Michelin. Segundo o ministro das Relações Exteriores, cada um dos integrantes da comitiva presidencial que jantaram no Eleven pagou sua própria despesa. "Cada um pagou o seu e a presidenta, o dela, como ocorre em todas as viagens. Foi com cartão pessoal."

Se a presidente e sua comitiva tentaram fazer passar a mentira maior, a de que a estada havia sido decidida no sábado, quem vai acreditar que cada membro do séquito um pagou suas contas, inclusive Dona Dilma?

Mas a mentira – ou safadeza – maior, não é nem esta, e sim uma outra, de responsabilidade não da assessoria da Presidência, mas sim da imprensa.

Uma das características da ditadura de Fidel Castro é que ela não se exerceu sobre Cuba, mas sobre toda a América Latina. Houve anos aqui no Brasil em que um jornalista se suicidava profissionalmente se escrevesse que Castro era ditador. Aconteceu comigo.

Anos 80. Eu lecionava em Santa Catarina. Um jornalista gaúcho, que estava organizando o lançamento do Diário Catarinense, convidou-me para escrever uma crônica para o número zero do jornal. Era uma espécie de teste para escolher o cronista. Escrevi duas. Em uma delas, eu dizia que as esquerdas deviam rezar pela saúde de Stroessner e Pinochet. Não que eu tivesse maior apreço por estes senhores. Ocorre que, uma vez mortos, Castro seria o último ditador do continente.

A crônica entrou nos computadores e provocou um motim na redação. Que eu não poderia ser o cronista do jornal, de forma alguma. Que até poderia ter razão. Mas que aquilo não podia ser publicado. O editor não ousou bancar meu nome.E assim, lá do distante Caribe, Fidel roubou-me um emprego em Florianópolis.

No início dos 90, ainda não se podia chamar Castro de ditador na imprensa brasileira. Eu trabalhava na Folha de São Paulo e tive homéricas discussões com meu editor, quando tinha de escrever presidente Fidel Castro. Ele alegava que Castro fora eleito e se as eleições eram ou não eram livres, a nós não cabia julgar. Oficialmente, era presidente e fim de papo. Mas a queda do muro foi-se espalhando em ondas concêntricas e se tornou impossível não chamá-lo pelo que realmente era. Ditador Fidel Castro, portanto.

Com a doença de Fidel e a entronização do delfim, seu mano Raúl, não dava para chamar Raúl de presidente. Ditador nomeando presidente? Não cola. Como Fidel continuava governando na sombra, convencionou-se falar na ditadura dos irmãos Castro.

Com a ida de Dona Dilma a Cuba, para visitar o porto que nós, brasileiros, financiamos à revelia, não ficava bem falar no encontro da presidente com o ditador. A imprensa toda, subserviente, passou a falar em presidente Raúl:

Estadão: Na abertura da Segunda Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), o presidente de Cuba, Raúl Castro, criticou o "crescimento desmedido" dos lucros das empresas multinacionais que, no seu diagnóstico, têm impacto sobre a balança de pagamento dos países da região.

UOL: O presidente de Cuba, Raúl Castro, e Dilma Rousseff, inauguraram nesta segunda-feira o primeiro megaporto da ilha caribenha, construído e financiado pelo Brasil, na presença de outros cinco governantes, no marco da cúpula da Celac. 

Terra: A presidente Dilma Rousseff e o presidente de Cuba, Raúl Castro, inauguraram nesta segunda-feira a primeira fase do porto de Mariel, oeste da ilha, que contou com financiamento brasileiro. 

Ao referir-se ao encontro de dona Dilma com Fidel, jornal nenhum fala em ex-ditador. Mas singelamente em Fidel Castro. A visita da presidente teve o condão de transformar um ditador em presidente. Só falta agora a Veja falar em presidente Raúl.


Rodrigo Constantino- Tirania do mercado e do trabalho?

Quando não é um messias salvador da Pátria, “macho” e viril, os latino-americanos buscam uma espécie de “índio” remodelado, um “bom selvagem” rousseauniano descolado, livre das tentações capitalistas, “puro”. Ou seja, quem não tem Fidel caça com Evo Morales ou Mujica.
Até dá para compreender a empolgação toda com a aparente simplicidade de Mujica, quando pensamos na esquerda caviar, nos gastos milionários de Lula e Dilma, esta que, agora mesmo, torrou milhares de dólares só para passar uma noite em Portugal a caminho de Cuba, para enaltecer o socialismo.
Mas convenhamos: essa simplicidade toda não convence pessoas mais atentas. No mais, há nela uma imagem bem construída para atrair justamente os velhos anticapitalistas, que adoram odiar o luxo – muitas vezes da boca para fora.
Divago. Nem era disso que queria falar aqui. Lendo o artigo de Daniel Aarão Reis no GLOBO hoje, tais pensamentos me vieram à mente, mas porque parte da esquerda gosta de falar em uma suposta “tirania do mercado”, em contraste à tirania bem concreta de estados autoritários. Diz o autor:
Pepe Mujica tenta levar à prática suas ideias. Largou de mão o palácio presidencial para viver numa chácara com a mulher, senadora da República. Doa quase todo o salário para programas populares, anda num fusquinha antiquado e faz o próprio vinho, que saboreia com gosto. Com sapatos grossos e empoeirados, calça e suéter surrados, boina na cabeça, acompanhado de Manuela, a cachorrinha manca, inspira a confiança de um avô sábio que qualquer um gostaria de ter.
Na última Assembleia Geral da ONU, realizada em setembro passado, ao compartilhar suas propostas com os líderes mundiais, apresentou-se apenas como um “homem do Sul”. Com palavras simples e persuasivas, defendeu a hipótese de uma outra vida neste mundo. Parecia estar pensando na construção de uma passagem, um outro túnel, universal, não para levar os presos de Punta Carretas para a casa de Serrana Auliso, mas para fazer as gentes escaparem da tirania do Estado, do mercado e do trabalho, e encontrarem a sonhada e necessária liberdade.
Coço meus olhos, tiro os óculos, leio novamente. É isso mesmo! Após enaltecer a “simplicidade” do presidente uruguaio, o autor nos apresenta seu estilo de vida como uma alternativa às diferentes formas de tirania, quais sejam, as do Estado, do mercado e do trabalho. Somente assim encontraremos a sonhada e necessária “liberdade”.
Faz sentido falar em “tirania do mercado” ou “tirania do trabalho”, ainda mais as comparando com a “tirania do Estado”? Em meu livro Esquerda Caviar, disse que é uma conhecida estratégia da esquerda apelar para tal estratagema. Escrevi:
Mas a esquerda caviar adora rótulos sem sentido. Enquanto posa de moderada, costuma atacar seus oponentes como “extremistas”. O primeiro passo daqueles que pretendem confundir os indivíduos com seus vagos termos é jogar tudo no mesmo saco, chamando o conjunto todo de “extremismo” e pregando um “caminho do meio”. A técnica é conhecida.
Se alguém escutar uma pessoa afirmando ser igualmente contrária à peste bubônica, ao estupro e aos sermões de sua sogra, não restará dúvida de que o objeto do seu verdadeiro ódio seja a sogra, e eliminá-la parecerá o real objetivo de sua colocação. Afinal, não seria razoável considerar como males iguais as três coisas, por mais chato que fosse o sermão da sogra.
Da mesma maneira, quando alguém repete que condena igualmente o comunismo, o nazismo e o capitalismo, não resta dúvida de que o alvo verdadeiro seja o capitalismo. O comunismo carrega nas costas algo como 100 milhões de defuntos, enquanto o nazismo tantos outros milhões. Ambos são totalitários, depositam no estado todo o poder, partem para fins coletivistas, transformando os indivíduos em meios sacrificáveis, e incitam o ódio do preconceito, seja de classe ou de raça. 
Voltemos ao artigo de Aarão Reis: tirania de Estado nós conhecemos muito bem. Cuba, por exemplo. União Soviética. Todos os países comunistas, para simplificar. Não há liberdade para nada, todos são escravos dos governantes. O regime é opressor, prende inocentes apenas por discordar, mata inocentes, impõe aceitação sob a mira de uma arma, com o uso de coerção física. Tirania, enfim.
Agora, o que seria uma “tirania do mercado”? Tentemos imaginar: o sujeito entra num shopping center, e lá encontra mil marcas diferentes de blusa. Que horror! Um escravo! Um alienado que sofreu lobotomia dos terríveis capitalistas! É “obrigado” a escolher entre tantas marcas diferentes. Que angústia!
E a “tirania do trabalho”? Quero casa, comida, saúde e educação, tudo isso coisas que não brotam do chão nem dão em árvores, muito menos caem do céu. São bens e serviços prestados por outros seres humanos. Mas que diabo! Preciso trabalhar para comprar isso tudo! Maldição dos infernos! Um absurdo! Uma tirania cruel, eu ser “obrigado” (por quem?) a trabalhar para ter o que desejo!
Como fica claro, não passa de retórica vazia o uso das expressões “tirania de mercado” e “tirania do trabalho”, principalmente quando o contexto é usá-las junto do conceito de “tirania do Estado”, a única tirania verdadeira, aquela que utiliza violência ou ameaça de violência para impor um comportamento.
O mercado é apenas a liberdade de escolha de cada um. Dentro do livre mercado, você pode escolher até mesmo se vestir como o Mujica, abdicar de todos os produtos capitalistas, ignorar até a internet e o smartfone. Ninguém te “obriga” a fazer diferente. Basta você ter coragem de assumir as consequências de suas escolhas. Aí é que a porca torce o rabo, e que toda a hipocrisia daqueles que falam em “tirania do mercado” vem à tona…
PS: Daniel Aarão Reis acha o máximo Mujica fazer o próprio vinho. Até quando a esquerda vai enaltecer a autossuficiência em vez de reconhecer a imensa superioridade do livre comércio e da divisão de trabalho? Imagina se cada um tivesse que produzir aquilo tudo que consome? Seria o caos, a miséria total, a rejeição a todo o progresso de séculos, calcado justamente na globalização e nas vantagens comparativas.
PS2: Mujica não é o avô que eu gostaria de ter, portanto, não é “um avô sábio que qualquer um gostaria de ter”. Fale por si só, Daniel, e preserve a liberdade de escolha dos demais. Eu preferiria, por exemplo, ter um Ronald Reagan como avô, ou uma Margaret Thatcher como avó.
Rodrigo Constantino

‘Máscaras em manifestações públicas’, de Kleber Leyser de Aquino

Publicado no Estadão desta terça-feira
KLEBER LEYSER DE AQUINO
Durante vários anos o povo brasileiro buscou o Estado Democrático de Direito e, depois de este se consolidar com muito sacrifício, vimos esse “direito” claramente expresso em nossa Constituição federal como um troféu pelo sucesso da luta do povo brasileiro nesse sentido. Pois bem, uma vez alcançada a tão almejada “democracia”, temos assistido, nos últimos tempos, a uma verdadeira inversão de valores, prevalecendo a manifestação de vontade de alguns sujeitos inservíveis à sociedade em prejuízo da grande massa trabalhadora e de bem.
Confundem esses poucos sujeitos, que se devem achar verdadeiros “heróis de histórias em quadrinhos”, intitulados black blocs, a democracia com a baderna. E no anonimato, armados com madeiras, placas, bombas caseiras, etc., agridem tudo e todos, ferem pessoas covardemente e depredam o patrimônio público e privado, como se estivessem vivendo numa terra de ninguém, sem lei e sem autoridades constituídas.
Dentre os direitos do povo brasileiro, a Constituição prevê o de “livre manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”, conforme seu artigo 5.º, inciso IV. Estabelece ainda a Carta Magna, em seu artigo 5.º, XVI, que “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização…”. Assim, o cidadão brasileiro, como tal, tem o direito de se manifestar publicamente, de forma pacífica, sem armas, expressando sua maneira de pensar, desde que não no anonimato.
O que nós vemos nas atuações dos black blocs, contudo, afronta todos os direitos constitucionais acima expressos, na medida em que atuam armados (com madeiras, ferros, placas, bombas caseiras, etc.), distribuindo violência tanto em face da pessoa como do patrimônio, público e privado. E o pior: fazem isso no anonimato, por causa das máscaras, das camisetas, dos panos, etc., que colocam no rosto, o que torna inviável a identificação deles – aliás, exatamente como fazem os presidiários diante de rebelião nos presídios.
A atuação violenta, armada e no anonimato desse grupo nas manifestações públicas, além de ferir diretamente a Constituição da República, no artigo e nos incisos acima citados, também afronta a Carta Magna quando impede o Estado de exercer o seu mister principal perante a sociedade, que é o de preservação da ordem pública – artigo 144, parágrafos 4.º, 5.º e 6.º, da nossa Lei Maior – por intermédio das Polícias Militar e Civil, na medida em que, assim agindo, impede a identificação dos autores dos crimes que são praticados, fazendo-os ficar impunes, o que serve de incentivo para que continuem agindo da mesma forma, desmoralizando as autoridades constituídas e afetando a ordem pública.
Além disso, também sobressai, com clareza, que colocar máscaras, panos, camisetas, etc., no rosto para esconder a identificação, em manifestações populares, é ato preparatório para a prática de crimes. E, embora não seja ainda um fato típico (previsto como crime), pode e deve ser impedido pela polícia, como obrigação legal que tem de impedir a prática de crimes, sob pena de sua omissão ser caracterizada como “penalmente relevante”, nos termos do artigo 13, parágrafo 2.º, alínea a, do Código Penal. Ou seja, a omissão, que normalmente é um irrelevante penal, passa a ser algo de relevância penal nas hipóteses em que o omitente tem o dever de agir para evitar o crime e não o faz.
Considerando que o ato de participar de baderna pública com cobertura no rosto, impedindo a identificação, como dito, é fato antijurídico, ofensivo à nossa Constituição, além de ser também ato preparatório para a prática de crimes, as Polícias Militar e Civil devem agir para impedir tal conduta. A Polícia Militar, que atua de forma ostensiva, já no momento em que esses indivíduos colocam suas “máscaras”, demonstrando claramente a intenção de agir no anonimato, deve agir e abordá-los para apreensão de tais instrumentos (máscaras, panos, camisetas, etc.), da mesma forma que essa mesma polícia apreende rojões, pedaços de madeira, de ferro, etc., de torcedores que entram nos estádios de futebol.
Enquanto o sujeito estiver apenas com a máscara no rosto, a providência da polícia de apreender o instrumento é o bastante e está dentro da estrita legalidade. Todavia tal providência pode ensejar desdobramentos, como o não atendimento à ordem legal do policial de apreensão, o que acarretará a prática do crime de desobediência, que poderá ainda ser seguido dos crimes de desacato caso o policial seja ofendido no exercício da função. E, se for o caso, de resistência, caso seja necessário o uso de força física pelo policial para a apreensão referida.
Nessas três hipóteses, em conjunto ou individualmente, já se justificaria a condução do agente à delegacia de polícia para as respectivas responsabilizações criminais.
À Polícia Civil caberia, no exemplo acima, a elaboração do Termo Circunstanciado, desde que o agente pratique um só dos crimes acima citados (desobediência: artigo 330 do Código Penal; desacato: artigo 331 do mesmo código; resistência: artigo 329, idem). Se praticar mais de um deles, o somatório das penas supera os dois anos de pena máxima em abstrato e foge à competência da lei do Juizado Especial Criminal (JECrim) – Lei n.º 9.099/95) -, cabendo o flagrante normalmente, independentemente da hipótese excepcional admitida no artigo 69, parágrafo único, primeira parte, da referida lei do JECrim. Isso, obviamente, somente como possíveis desdobramentos do fato de o sujeito estar participando de reunião pública escondendo o seu rosto e impossibilitando a sua identificação.

A VALENTE-'Escolho o restaurante que for porque pago minha conta', diz Dilma

Mas o avião é nosso. Quer fazer turismo? Vá em avião de carreira.E as despesas da tripulação, quem paga?

“O amanhã são seis letras e muitas incertezas.” (Mim)

“É preciso calma antes de tomar partido de quem muito se lamenta. Há versões e verdades. ”(Filosofeno)

E como dizia um amigo surdo-mudo que também não falava por sinais, pois lhe faltavam todos os dedos: “Quem muito anda com morcegos acaba dormindo de cabeça para baixo.” (Mim)

“Já vi de tudo aqui neste cemitério: Bêbados, loucos, vereadores e maconheiros. Fantasmas nunca vi.” (Gentil Coveiro)

“A morte é algo que não devemos esperar sentados.”(Pócrates)

“Minha mãe sempre me disse para não brincar com fogo.” (Lúcifer)

Rodrigo Constantino- CARNAVAL CAVIAR


Carnaval caviar

Recebi e repasso: é o “bloco dos comunistas”, a música perfeita para o carnaval que se aproxima:
Eis a letra:
O BLOCO DO COMUNISTAS
Lá vem o bloco dos comunistas
Com seus artistas estatizados
O grupo dos esquerdistas
Com seus fracassos romantizados
A turma dos militantes
Com seu arzinho tão juvenil
Bando de ignorantes
Que só atrasam nosso Brasil
Se for pra apoiar a causa errada
Não precisa se preocupar
Sempre vai rolar uma forcinha
Da esquerda caviar
Se for pra defender a incompetência
Essa gente se compromete
A se disfarçar de jornalista
E atacar na internet
Lá vem o bloco dos comunistas
Com seus artistas estatizados
O grupo dos esquerdistas
Com seus fracassos romantizados
A turma dos militantes
Com seu arzinho tão juvenil
Bando de ignorantes
Que só atrasam nosso Brasil
Tem que elogiar o Hugo chaves
Como prova de lealdade
Fale o que quiser do comandante
Só não fale a verdade
Camiseta só se for do Che Guevara
Mas o que é isso, companheiro?
Faz de conta que ele não era
Um tremendo carniceiro
Lá vem o bloco dos comunistas…

Revisionismo histórico

Já que começaram a rebatizar escola trocando-se o nome de militar da ditadura por terrorista de esquerda, não demorará para que esse revisionismo histórico seja ampliado e ganhe o País inteiro. E duvido que se restrinja ao Rio de Janeiro. Logo se tornará uma política de Estado. Daí escolas, ruas, hospitais e demais repartições públicas ganharão novos nomes, todos relacionados à esquerda.


Que tal se o município de Presidente Médici, aqui em Rondônia, passar a se chamar Carlos Lamarca? E se outro município, Ministro Andreazza (foi ministro do regime, não pode também!), ganhar o pomposo nome de VAR-Palmares? Ou que tal Francisco Julião? Não vale Carlos Marighella, pois este já vem sendo bastante usado. Assim, com este troca-troca de nomes de direitistas da ditadura por gente ''progressista e boazinha'', logo haverá uma reviravolta danada em documentos, endereços, CEP's, além de uma confusão dos infernos para os sofridos carteiros pelo País afora. Tudo em nome da ''justiça histórica''. Tudo para a''correção de erros''.


E quando se acabarem os nomes nacionais, aí o governo poderá apelar para figuras proeminentes do comunismo lá de fora, como Che Guevara, Salvador Allende, Fidel Castro (este eu fico em dúvida se já morreu ou não! Só pode haver homenagem se a figura estiver morta. Com exceção do Maranhão, onde Sarney é nome até de banco de praça), Mao Tsé Tung, Josef Stálin, etc. Pensem o quão bonito ficará aEscola Vladimir Lênin; ou o Hospital Camarada Leon Trótski. Aqui em Rolim de Moura mesmo, poderiam trocar o nome frio e sem ''significado social'' da Avenida 25 de Agosto para Avenida Antônio Gramsci. Soa melhor. Dará um certo trabalho no início para a população aprender a escrever, pronunciar, se reeducar, mas nada que não se supere através das ''mídias sociais''. Faltou citar mais candidatos? Vamos lá, já que logo todos terão de se familiarizar mesmo: Leonel Brizola, Miguel Arraes, Oscar Niemeyer, Carlos Prestes, Jorge Amado... a lista é grande.


E é verdade que a esquerda conseguiu colar em si própria a pecha de boazinha, de que lutou por um Brasildemocrático e justo. No poder, fazem aquilo que sempre pretenderam: revisam a história, destronando nomes e usurpando-lhes o lugar. Posam de santos e o povo acredita, tadinho. Hoje estes terroristas, assaltantes, assassinos, roubaram para si o monopólio da virtude e, graças a um bom marketing e à ignorância, classificam a si próprios como heróis. Que coisa, né?


Existe alguma escola ou outro prédio público no Brasil que homenageie o soldado Kozel Filho? Não! Nenhuma! Nem haverá. Nenhuma vítima da esquerda teve essa honraria. São os mortos inocentes que não se encaixavam no jogo deles, não tinham a virtude ideológica que a esquerda espera para o seu rol. Morreram e foram esquecidos. Já os esquerdistas que detonaram bomba em aeroporto (Guararapes), que assaltaram bastante, que mataram centenas de pessoas, que queriam um país comunista e eram tão golpistas quanto a direita, ah, estes sim, agora terão o seu galardão. Perderam nas armas, mas ganharam na guerra assimétrica os corações e mentes.


Ah, Dona Dilma, por que não renomear algo público com um fato importante daquela época e que anda meio esquecido ultimamente? Sugiro-lhe rebatizar a Caixa, aquele banco estatal que tem nome pouco criativo, por um nome mais personalista... digamos assim... humano:


Caixa Governador Ademar de Barros, que tal?
Hadriel Ferreira

''Para as esquerdas brasileiras, o socialismo não fracassou; é apenas um caso de sucesso mal-explicado''. Roberto Campos

Meninos do Rio

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


A ruptura entre o PT do Rio de Janeiro e o governador do Estado, Sérgio Cabral Filho, pode até não afetar a aliança nacional com o PMDB e o mais provável é que não afete mesmo.

Há interesses federais que se sobrepõem a circunstâncias locais. O principal deles: o presidente de fato do partido, Michel Temer, quer continuar sendo vice-presidente da República. Como as pesquisas apontam a presidente Dilma Rousseff como favorita e, além disso, nessa altura o PMDB já não tem para onde nem como correr, as condições do jogo estão dadas.

Portanto, por mais que seja significativo o peso do Rio na representação da convenção pemedebista (10% do total dos votos), o rompimento da relação regional não será determinante para a saúde já combalida da aliança.

Mas, pode contribuir para reduzir de maneira acentuada uma vantagem que a presidente não está em condições de dispensar. Em suma: o litígio local é um fator de risco na subtração dos votos de Dilma no cômputo geral.

Em 2010 ela teve 1,7 milhão de votos de frente no Rio. Com o apoio do governo do Estado que, por sua vez, contou com a sustentação do PT à reeleição de Sérgio Cabral. A hipótese de uma repetição é mais que remota. A começar pelos índices de intenções de votos da presidente entre os eleitores fluminenses: cerca de 30%.

Estamos falando do terceiro colégio eleitoral do País, atrás de São Paulo - onde o PSDB tem o governo do Estado e o PT luta para se desvencilhar do desgaste de Fernando Haddad - e de Minas Gerais, cidadela do tucano Aécio Neves.

Por mais que o ex-presidente Lula da Silva e a presidente Dilma tenham feito gestos de boa vontade em relação a Cabral nesse embate, cujo acirramento vem desde setembro último, obviamente o processo deixou marcas e alimentou mágoas.

O grupo do governador e os operadores do PMDB regional interpretam que se o PT nacional (leia-se Lula) quisesse e se empenhasse poderia ter levado o partido a desistir da candidatura própria ao governo, como fez em 2010.

Do ponto de vista petista, a desistência pela via da negociação seria uma concessão excessiva. Pelo caminho da força, a intervenção, um risco de aniquilamento do partido no Rio. O exemplo de 1998, quando a direção nacional interveio forçando aliança com Anthony Garotinho, que depois rompeu chamando o PT de "partido da boquinha", ficará para sempre registrado nos anais dos grandes equívocos.

Ocorre que o PMDB, assim como o PT, vê as coisas sob a perspectiva de seus interesses. E estes apontam para a candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão porque o partido avalia como boas suas chances de ganhar.

Com todo o desgaste pessoal de Cabral, o PMDB dispõe das máquinas administrativas do Estado e da prefeitura da capital, e conta com a recuperação da popularidade baseado no perfil do vice, de atributos opostos aos que provocaram a queda do governador no conceito da sociedade.

Nesse cenário de divórcio litigioso, não é de se imaginar que os pemedebistas estejam no melhor dos ânimos para pôr seus instrumentos de poder local a serviço da candidatura de Dilma.

Pela lógica da dinâmica de medição de forças políticas, o mais provável é que tomem outra direção e, ainda que extraoficialmente, à revelia da decisão oficial do partido em âmbito nacional, ofereçam o patrimônio à oposição.

Mais especificamente a Aécio Neves, com quem Cabral e o prefeito Eduardo Paes mantêm relações estreitas e hoje muito mais pacíficas do que com o governo federal.

Um movimento de independência que guarda semelhança com aquele feito pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, em decorrência de divergências com o PT local por causa da eleição para a prefeitura do Recife em 2012.

JORGE OLIVEIRA- BACALHAU À LISBOETA AO PREÇO DE R$27 MIL

Rio – Ao fazer uma escala “técnica” em Portugal para comer seu bacalhau preferido, como aconteceu em outra viagem recente, a presidente Dilma e sua comitiva de mais de trinta aspone e puxa-sacos variados parecem não dar muita importância aos gritos das ruas que berram por menos ostentação e pela transparência dos gastos na Copa do Mundo. Alheia ao clamor popular, a presidente esbanja dinheiro público em luxuosos hotéis e restaurantes em escala fora da agenda oficial.

Apenas pela suíte no Ritz, o contribuinte vai pagar 27 mil reais para hospedar a sua presidente a caminho de Cuba. Em Havana, ela inaugura obras do porto de Mariel, onde o BNDES enterrou quase 700 milhões de dólares a fundo perdido, em um contrato com cláusulas de sigilo.  A despesa total para os auxiliares da presidente, que reservaram dois andares no hotel Tivoli, um dos mais caros de Lisboa, não será divulgada pelo Planalto que decidiu carimbá-la como confidencial. Não se saberá também o custo de permanência dessa turma na capital cubana, uma das mais caras do mundo, onde o visitante só gasta em dólar.

É chocante saber que a presidente lotou o Boeing para ir a Davos com uma comitiva de mais de trinta pessoas. Lá, fez um discurso, considerado por economistas internacionais, pobre, malajambrado e vazio, para uma plateia que hoje não dá a menor importância a economia brasileira administrada pelo confuso Guido Mantega, o mágico dos números. Nunca na história desse país tivemos  presidente tão inexpressivo representando o seu povo no exterior, como comentaram alguns analistas. Os tecnocratas que em tese estariam ali para arrumar o pensamento fragmentado da Dilma,  não perderam a oportunidade para se fartar nos freeshops com cartões corporativos, sustentados pelo contribuinte.

O brasileiro, que paga a conta, não tem acesso a esses gastos da caravana no exterior, o que contraria o discurso da Dilma que se dizia em 2011, depois da posse, empenhada na transparência dos gastos públicos por lei sancionada por ela própria (a de Acesso à Informação). Sabe-se, portanto, que de 2003 a 2010, as despesas secretas com cartões corporativos de Lula, seu antecessor, durante os dois mandatos, foram de R$ 44,5 milhões, dos quais R$ 31,6 milhões para pagar hotéis e locação de carros.

Os últimos dados do governo da Dilma referem-se até abril de 2013, antes do selo confidencial dos gastos. Até aquela data, a presidente já tinha torrado R$ 15,2 milhões com o cartão corporativo. A tendência, no entanto, é que essas despesas aumentem à medida que se aproxima a reeleição. O ano passado, Dilma  viajou 71 dias pelo Brasil, um recorde para os seus 46 dias de 2012.

O carimbo de secreto dessas despesas sepulta as esperanças do brasileiro de saber para onde está indo tanto dinheiro no exterior e aqui para os gastos da presidente e de seus privilegiados assessores. O Itamaraty garante que os número serão revelados depois do mandato da presidente Dilma, mas até agora os gastos do Lula, por exemplo, continuam guardados a sete chaves. Cabe ao próprio Itamaraty prolongar a abertura dessas informações por até 15 ou 20 anos se assim lhe convier.

Ao ignorar as manifestações e os apelos das ruas por uma administração austera que respeite os gastos públicos, o governo está brincando com  fogo – literalmente. Ao perder o controle dessa convulsão social que pode se alastrar pelo país, certamente lá na frente vai procurar o caminho mais fácil para silenciar os gritos dos sem-vozes: a repressão.

Diário do Poder

NINGUÉM FISCALIZA FINANCIAMENTO DO BNDES LÁ FORA

Obras bancadas pelo BNDES no exterior não são fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal ou qualquer órgão de controle. É o caso do financiamento de US$ 684 milhões do Porto Muriel, em Cuba. A condição do BNDES sempre é a mesma, em países latino-americanos ou africanos: entregar a obra a empreiteira brasileira, cuja escolha não tem licitação, nem auditorias. Dilma ontem anunciou mais US$ 360 milhões para bancar o aeroporto de Havana.
“Não há nem projeto”, diz o BNDES, surpreso com os US$ 360 milhões para Cuba. Mas já há empreiteira, que soprou o valor no ouvido certo.
Só em 2012, US$ 2,17 bilhões do BNDES foram pagos a empreiteiras brasileiras no exterior. Em 2013, até setembro, foram US$ 1,37 bilhão. Leia mais na Coluna Cláudio Humberto.

MPF ACUSA DEPUTADO PETISTA EM ESCÂNDALO NA SAÚDE DO PIAUÍ

O Ministério Público Federal (MPF) no Piauí acusa o deputado federal Assis Carvalho (PT) por improbidade administrativa devida irregularidades praticadas na Secretaria de Saúde do Estado do Piauí (Sesapi) entre os anos de 2009 e 2010. A ação pede o ressarcimento no valor aproximado de R$ 6,5 milhões.
A ação é um dos desdobramentos da Operação Grangrena, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2012, para desarticular o esquema especializado em desvio de recursos públicos do SUS, descentralizados pela Sesapi. Além do deputado petista, o MPF incluiu na ação mais seis pessoas e três empresas que participavam do suposto esquema.
De acordo com apuração do MPF, a Sesapi centralizou as compras, o armazenamento e a distribuição dos medicamentos, sem que tivesse sido implantado um sistema de controle de estoques, de modo a permitir/facilitar o desvio de recursos e tornando quase impossível a fiscalização e o controle das compras realizadas.
Depois foi criada uma situação de falta generalizada de medicamentos nas unidades de saúde, para justificar a realização de um procedimento licitatório apressado, sem as precauções e formalidades legais, e assim comprometer a sua competitividade, beneficiando os empresários que seriam os já conhecidos ganhadores do processo.
Apesar de alegar urgência na aquisição dos medicamentos, a secretaria só efetivou a compra dos medicamentos cinco meses depois da licitação, quando os preços dos remédios já haviam sido reajustados para beneficiar as empresas envolvidas na fraude. Além de lucro exorbitante sobre os medicamentos superfaturados, as empresas entregavam os medicamentos em quantidade inferiores com a utilização de notas frias.
Diário do Poder

VIDA EM CUBA- YOANI SÁNCHEZ- Como se chamam ?

Uma multidão esperava nas cercanias do casarão do Vedado que tem uma estátua de Abraham Lincoln no jardim. A escola de idiomas abria suas portas para novas matrículas e naqueles dias os interessados faziam as provas de qualificação. Todos aguardavam nervosos, pensando que avaliariam uma pronúncia aqui… Um domínio do vocabulário lá. Para nossa surpresa as perguntas principais não versavam sobre língua, mas se referiam à política. No meio da manhã uma jovem que havia sido reprovada nos advertiu: “estão perguntando o nome do primeiro secretário do Partido Comunista na cidade de Havana”. Nós ficamos boquiabertos. Quem iria saber isso?
Faz umas décadas os dirigentes das chamadas “organizações políticas de massa” eram figuras conhecidas ao longo do país. Fosse por excesso de exposição nos meios oficiais, longa permanência no cargo ou simples personalismo, aqueles rostos podiam ser identificados facilmente até por meninos da escola primária.  Ouvíamos falar insistentemente do secretário da União de Jovens Comunistas, difundiam em cada telejornal quem dirigia o PCC em uma província ou nos entupiam com declarações de algum presidente da Federação Estudantil Universitária. Ali estavam claramente reconhecíveis. Alguns tinham chegado até a ganhar apelidos e numerosas piadas por suas manias e ineficiências.
Nesta manhã a televisão nacional mencionou Carlos Rafael Miranda, coordenador nacional dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR). Dei conta de como foram obscurecidos estes cargos que antes pareciam ter tanto poder e decidir tantos destinos. Gente atualmente desconhecida liderando instituições que a cada dia caem mais na indiferença e esquecimento. Dirigentes cujos dirigidos não podem lembrar com exatidão seu nome e sobrenome. Figuras que chegaram tarde para receber os brilhos das câmeras, serem incluídos nas análises dos cubanólogos ou – ao menos – serem o motivo de alguma brincadeira. Meras sombras de um sistema onde o carisma se torna cada vez mais raro.
Tradução por Humberto Sisley


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