quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Tadinho dos aviões

Marcelo Guaranys, presidente da Anac, Agência Nacional da Aviação Civil, ficou irritadíssimo com os acontecimentos da sexta-feira passada, quando passageiros da linha Cuiabá ─ São Paulo da Gol, depois de duas horas encarcerados no avião parado, no escaldante sol carioca do Aeroporto do Galeão, abriram de seu jeito a porta de emergência e saíram andando pela asa do Boeing.
Guaranys ficou irritado com o comportamento da empresa, que deixou seus passageiros cozinhando ao sol? Não. Irritou-se porque os passageiros pisaram na asa (e sem nem limpar a sola dos sapatos!) “Isso não pode virar moda”, disse Guaranys. “Episódios como esse colocam os passageiros em alto risco, podem danificar o avião e atrasar outros voos. Foi um dos maiores absurdos que eu já vi”.
Este colunista concorda com o responsável pela fiscalização e supervisão das empresas aéreas no país: este é um dos maiores absurdos que eu já li.
Carlos Brickmann

‘Os sem-noção’, por Carlos Brickmann

Às vezes o problema não é a quantia, nem a legalidade. Comprar um picolé e saboreá-lo ao lado de um garoto que pede pão envolve pouco dinheiro e é totalmente legal. Mas é indecente. É coisa de, para dizer o mínimo, gente sem noção.
Pode-se escolher um nome mais duro. Mas evitemos chamar de cafajestada um anúncio em rede nacional sobre as maravilhas do Governo maranhense, enquanto no presídio de Pedrinhas nem houve tempo para lavar o sangue do chão.
Sua Excelência a governadora Roseana Sarney, a propósito, foi quem, no meio de toda a crise das decapitações, dispôs-se a abastecer a despensa do Palácio e de sua casa de praia com lagostas, camarões, uísque 12 anos. Sem noção.
Há crianças fora da escola, hospitais públicos em mau estado, às vezes sem remédios básicos. Temos presos amontoados em celas inadequadas, comandados pelo crime organizado. Mas não faltam verbas para os espetaculares edifícios dos tribunais ─ projetados, claro, por Niemeyer. Os prédios do STJ, TST e Procuradoria-Geral da República, mais um anexo do Supremo, custaram quase R$ 1,5 bilhão. Nos EUA, só o presidente da Suprema Corte tem carro oficial. Aqui, de desembargador para cima, todos têm carro oficial com motoristas. Sem noção.
Maria Antonieta, rainha da França, era popular. Mas os gastos da Corte e um presente que recebeu do marido, Luís 16 ─ o belo palácio Petit Trianon ─ foram mal vistos pelo país em crise. Ela, sem noção, só percebeu que seu prestígio se esvaíra quando o povo se revoltou.
Como os presos do Maranhão, foi decapitada.

DISCRIMINAÇÃO É ISSO

Augusto Nunes

Discriminação é isso

“Queremos nos congratular com a militância que, solidariamente, vem contribuindo para as multas, injustas e desproporcionais, impostas aos companheiros condenados na Ação Penal 470 no STF”.

Trecho da nota emitida pelo PT nesta segunda-feira, depois da reunião da Executiva Nacional, em agradecimento aos que fizeram doações para pagar as multas de Delúbio Soares e José Genoino, sem explicar por que não recorre ao mesmo tipo de coleta para socorrer companheiros como Marcos Valério e Valdemar Costa Neto, que tanto contribuíram para o sucesso financeiro da quadrilha do mensalão.

Dora Kramer- Passado a limpo

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Não está claro quando a verdade saiu contundida: se no presente ou no passado.
Mas, tenha maquiado a realidade antes ou esteja agora adaptando o discurso às circunstâncias eleitorais, fato é que o governo apresenta versões diferentes daquelas que divulgava meses atrás sobre os protestos de junho e o grau de dificuldade da reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Todo mundo tem direito a mudar de opinião. Desde que, principalmente em se tratando de governos, fique bem explicado e justificado que se trata de uma mudança de posição. Do contrário, o que se tem é um exercício de "apagamento" da memória coletiva, a falta consentida de compromisso com a palavra dita.
Na sexta-feira passada, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse no Fórum Social, em Porto Alegre (enquanto Dilma falava no Fórum Econômico, na Suíça) que houve perplexidade no governo federal e até um sentimento de "ingratidão" em relação aos manifestantes do mês de junho de 2013.
Segundo Carvalho, levou-se "um susto" em Brasília. "Nós ficamos perplexos". E, por "nós", explicou, falava do governo e dos "movimentos tradicionais". Sentiram "dor", como quem diz, "fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós", relatou o assessor presidencial à plateia.
Perplexo e assustado certamente ficou, ao ler a declaração, quem se lembrava das declarações de governistas à época dos protestos. Nada a ver com o que disse o secretário-geral agora.
A avaliação corrente entre esse grupo era a de que as manifestações ocorreram devido aos êxitos das administrações do PT, pois elas melhoraram a vida das pessoas e aumentaram o nível de exigência dos incluídos. Além disso, os protestos, afirmavam com razão, não eram contra o governo federal, mas contra todos os partidos e políticos.
A presidente Dilma, especificamente, disse mais de uma vez que entendia e ouvia a voz das ruas, que o "Brasil acordou mais forte" e que as queixas e os queixosos mereciam todo respeito e consideração. Onde a mágoa? Onde o sentimento de ingratidão? Onde a sensação de que "fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós"? Onde a verdade? Neste caso, provavelmente na fala atual de Gilberto Carvalho. Maquiados estavam os discursos oficiais da época.
Reportagem de João Domingos publicada na edição de segunda-feira do Estado, tendo como personagens vários petistas importantes, mostra que na avaliação do partido a disputa eleitoral será muito difícil e sem perspectiva de vitória no primeiro turno.
Os analistas citados: Gilberto Carvalho, o ex-presidente Lula da Silva, o presidente do PT, Rui Falcão, e o vice- presidente da Câmara, André Vargas.
Eram os mesmos que juntos a outros tantos até recentemente ironizavam a oposição, menosprezavam os oponentes, provocavam, davam a entender que a eleição seria praticamente uma formalidade. Apenas por acidente Dilma não seria reeleita no primeiro turno.
O jornalista João Santana, tido como 40.º ministro tal a sua influência como arquiteto das magias palacianas e eleitorais, disse em altaneiro tom após a primeira grande queda da presidente nas pesquisas, ao prever a recuperação: "A Dilma vai ganhar no primeiro turno, porque ocorrerá uma antropofagia de anões. Eles (os adversários) vão se comer lá embaixo e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo".
Onde a verdade? Nas palavras de Santana, na arrogância anterior das lideranças ou nas avaliações mais comedidas de hoje? Aqui, tudo indica que as circunstâncias atuais recomendaram uma conciliação entre realidade e humildade. Pela razão prática do recuo estratégico para abrir espaço ao avanço tático.

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