segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Paulo Bernardo, o controle da mídia e a patrulha petralha

O tema do controle social da mídia voltou a crescer no petismo, especialmente depois da queda de Helena Chagas, que era a titular da Secretaria de Comunicação Social. Em seu lugar, entrou Thomas Traumann, mais afinado com Franklin Martins, o ex-todo-poderoso da área no governo Lula e que, agora, vai controlar a comunicação da campanha de Dilma Rousseff à reeleição. Os chamados “blogs sujos” — aquela rede escandalosamente financiada com dinheiro público para atacar a oposição, elogiar o governo e agredir a imprensa — não gostavam de Helena Chagas porque achavam que ela não lhes dava dinheiro o suficiente. Também não gostam de Paulo Bernardo, ministro das Comunicações.
Ele é, diga-se, o petista que mais apanha da turma. Motivo: não se mostra um entusiasta do chamado “controle social da mídia” e deixa claro sempre que pode que, qualquer que seja a proposta do governo, não haverá restrição a conteúdo. Não é o que a petezada quer. Ao contrário: a turma pretende justamente ter o controle sobre o que pode ou não ir ao ar, especialmente na área de radiodifusão, que compreende TVs e rádios e são concessões púbicas. Não custa lembrar as várias iniciativas dos petistas para impor uma censura branca à imprensa: as mais evidentes foram a tentativa de criar o Conselho Federal de Jornalismo — que teria poderes até para cassar o registro de trabalho de profissionais — e a de usar o Plano Nacional de Direitos Humanos como desculpa para uma agenda ideológica.
A coisa nunca prosperou, mas o petismo ainda não desistiu. Todas as recentes resoluções e declarações oficiais do comando partidário tratam do assunto. Assim, o ministro Paulo Bernardo se vê obrigado a falar sobre o tema, embora não tenha dito nada de novo. Como se vê, ele volta a rejeitar que o controle possa incluir o conteúdo e manifesta em relação ao tema preocupações que são de natureza técnica.
De fato, há questões que hoje requerem uma modernização da legislação. Empresas na área de Internet — o ministro citou o caso do Google — hoje lidam com o mesmo material daquelas da área de radiodifusão, que são concessões, porém operam sem restrições de quaisquer naturezas. Enquanto uma área está subordinada a um controle estrito, a outra quase não tem satisfações a prestar. E essa observação vale tanto para a área de publicidade como para a de conteúdo.
Daqui a pouco, rádios e TVs terão de sambar miudinho para conseguir dar a notícia porque a legislação eleitoral imporá restrições as mais esdrúxulas em matéria eleitoral. Já os portais de Internet, alguns deles ligados a gigantes da telefonia, atuarão sem restrições — reproduzindo, muitas vezes, o conteúdo apurado por portais jornalísticos. O que fazer? Estender as restrições a todos? Prefiro o contrário: estender a liberdade a todos.
De fato, chegou a hora de debater a regulamentação, mas não da forma como querem os dinossauros do PT, que pretendem impor censura às TVs, rádios e, se houver espaço, ao jornalismo impresso também.
Por Reinaldo Azevedo

PT debocha da Justiça de maneira sistemática e organizada

Não passa dia sem que o Judiciário vire um saco de pancadas de um figurão do PT. Nesta segunda, o mensaleiro condenado e futuro presidiário João Paulo Cunha, que é ainda deputado federal, resolveu levar seus amigos do partido e da CUT para acampar no estacionamento do Supremo como forma de protesto contra o processo do mensalão. Almoçou lá com a companheirada, como vocês leem no post anterior. A CUT é aquela entidade que resolveu dar um suposto emprego a Delúbio Soares só para que ele não tenha de passar os dias na cadeia.
Nunca antes na história destepaiz, para lembrar o bordão do Apedeuta, a Justiça foi alvo de tamanho deboche. Parece evidente que o PT decidiu, de maneira deliberada, sistemática, organizada, transformar o Poder Judiciário na Geni do Brasil. E que não venham com a história de que a ação do partido tem como alvo apenas Joaquim Barbosa, que é apenas um dos ministros do Supremo. Não! O relator do mensalão não condenou ninguém sozinho, ora bolas! João Paulo foi condenado pelo Poder Judiciário.
Indagado se renunciaria, sua resposta é patética: “Você acha justo uma pessoa que não cometeu nenhum crime deixar de exercer o seu ofício? Essa é a pergunta que tem que ser feita”. É o que diria de si mesmo qualquer criminoso inconformado com a condenação. Imaginem se cada pessoa que discorda da decisão de um juiz decidir estimular o acampamento às portas da Justiça.
O deboche não se limita a isso, não. A vaquinha organizada na Internet para arrecadar dinheiro já é o fim da picada — dinheiro cuja origem ninguém conhece. Um único simpatizante, vejam vocês, teria doado quase R$ 50 mil a Delúbio Soares — R$ 48 mil se a minha memória não falha. É mesmo?
Essas iniciativas do PT parecem irrelevantes, mas não são. Ajudam a criar no país a sensação de que o crime compensa e de que, no fim das contas, os bacanas nunca são punidos como devem. Está lá Delúbio “trabalhando” na CUT — a mesma CUT que decidiu fazer uma espécie de rolezinho de protesto às portas do STF. Mais um pouco, estarão todos os condenados na rua, sem que tenham deixado de debochar da punição um só minuto.
“Isso é coisa do João Paulo, não do PT”, poderia dizer alguém. Errado. Trata-se de uma decisão partidária, expressa, inclusive, nos documentos oficiais da legenda. Nesta segunda, já comentei aqui a mobilização da rede petista para achincalhar Joaquim Barbosa, “condenado” porque posou para uma fotografia.
Eis o PT: seus adversários são criminosos mesmo quando são inocentes, e seus aliados são inocentes mesmo quando são criminosos.
Por Reinaldo Azevedo

HUMOR- Broma telefónica a Cuba: "Hospital de rehabilitación"

A Espanha divulga seu índice de homicídios em 2013 — e vemos que no Brasil se mata 38 vezes mais seres humanos do que lá. Uma vergonha, um horror

Ricardo Setti

Quando seremos um país minimamente civilizados -- que não mate 25 vezes mais do que, por exemplo, a Espanha? (Ilustração: creativeviews.uk)
Quando seremos um país minimamente civilizados — que não mate 25 vezes mais do que, por exemplo, a Espanha? (Ilustração: creativeviews.uk)
O Brasil teve 24,3 homicídios por cada 100 mil habitantes em 2012 (últimos dados consolidados confiáveis).
Sabe qual foi o índice da Espanha em 2013 — dados que acabam de ser fechados?
0,64.
Sim, o índice foi de 0,64 homicídio para cada 100 mil habitantes por ano.
Na Espanha — país que já foi sacudido por uma feroz guerra civil que matou 1 milhão de pessoas (1936-1939) –, país com fama de gente “esquentada”, país atravessando uma brutal crise econômica e social há cinco anos.
E é só fazer a conta para cair sobre nós essa chaga maldita: aqui, ”neztepaiz”, mata-se 38 vezes mais seres humanos do que na Espanha. 
É certo que alguns Estados, como Santa Catarina e São Paulo, chegam perto do índice da ONU acima do qual a prática de homicídios é epidêmica — 10 assassinatos por 100 mil pessoas, por ano. Mas nossos números em geral são uma vergonha, um horror.

Herança de Mandela é estimada em R$ 10 milhões

Quando escrevi um texto sobre o outro lado de Mandela, por conta da “canonização” após sua morte, recebi uma saraivada de ofensas. O homem era uma unanimidade. Líder humilde dos pobres, dos negros desvalidos e segregados. Parcialmente verdade. Mas e o tal outro lado, ninguém quis ver?
Eis que agora ficamos sabendo a soma de seu espólio, a ser disputado pelos herdeiros: a bagatela de R$ 10 milhões:
O patrimônio do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela foi avaliado provisoriamente em 46 milhões de rands ( cerca de R$ 10 milhões), informou nesta segunda-feira à imprensa um de seus testamenteiros, o juiz Dikgang Moseneke.
[...]
O testamento de Mandela será lido nesta segunda-feira, o que pode abrir uma nova rodada de disputas por seu legado financeiro dentro da sua grande e conflagrada família.
[...]
Sua herança inclui um imóvel de luxo em Johanesburgo, uma casa modesta na província do Cabo Oriental e direitos autorais de seus livros, incluindo a autobiografia “Longa Caminhada Até a Liberdade”.
Mais do que isso, ele deixa também uma forte marca política e moral, que alguns dos seus mais de 30 filhos, netos e bisnetos já usam para vender de tudo – de roupas a reality shows.
Nada contra o acúmulo dessa fortuna em vida. Se legítima, tudo bem. Como o capitalista liberal que sou, acho até louvável pessoas que são capazes de amealhar tanto dinheiro no livre mercado. Não é fruto de exploração, roubo, esquema com governos? Então merece aplausos.
Para mim! Mas não para a esquerda jurássica que condena o capitalismo, a ganância, o lucro, a riqueza, vista sempre como fruto da exploração. Um pouco mais de coerência então, não é mesmo? Se fosse um empresário rico com uma casa de luxo e milhões na conta, seria logo acusado de explorador pela mesma esquerda que enaltece o “líder do povo”. Um peso, duas medidas.
O que mais tem por aí é líder popular e socialista endinheirado. Nosso Guia mesmo, um ex-metalúrgico, homem do povo, só que não! Um milionário que faz parte da elite financeira deste país, que leva R$ 200 mil em uma só hora de palestra.
Pelo visto, acumular milhões e viver no luxo não é pecado capitalista, como acusam as esquerdas, desde que feito por alguém que se diz socialista ou líder popular. Só não vale ser rico e capitalista. Isso, sim, é pecado mortal. Faz sentido?
Rodrigo Constantino

DESCENDO


petrobras
Ações em queda livre
Ninguém – ou pelo menos o governo Dilma – segura a Petrobras. Entre o primeiro dia do governo Dilma e o final do pregão de sexta-feira, as ações ordinárias da Petrobras caíram 53%. Apenas em janeiro, caíram 13%.
Por Lauro Jardim

O sol na cabeça, por Fernando Gabeira*

Nestes tempos de muito calor, tempestades e milhares de raios, uma carioca da Gávea teve muita sorte porque lhe caiu na cabeça apenas um porco-espinho. A frase de Milton em O Paraíso Perdido tem valor universal, mas parece ter sido escrita para o Brasil deste verão tenso, pré-Copa do Mundo e eleições: a mente humana pode fazer do céu um inferno e do inferno um céu.

Comentando uma conferência budista, Alan Lighting escreveu: "Como cientista, acredito firmemente que os átomos e moléculas são reais e existem independentemente de nossas cabeças". Lighting observa, entretanto, que, enrascados na teia de 1,5 kg de neurônios, temos dificuldade de determinar o que é real. Constantemente, no esforço de representar o mundo, ignoramos dados essenciais ou inventamos algo que não está diante de nós.

Como todo mundo parece esperar alguma coisa em 2014, os rolezinhos foram recebidos com excitação e uma tonelada de interpretações. Racismo, luta de classes, desejo de entrar nos templos do consumo, cada um atirou para o lado, deixando de fora uma realidade que os americanos descrevem de forma direta e simples: boy meets girl. Como foi possível ignorar essa força elementar e fixar nos grandes traços políticos e sociológicos?

Em 2010, no Rio, houve de fato um rolezinho em que moradores de uma favela entraram num shopping e foram retirados por seguranças e forças policiais. Na época a esquerda oficial ignorou o episódio. Sérgio Cabral era o governador, em plena campanha de renovação do mandato, e o PT estava junto - são aliados antigos que até hoje hesitam diante da separação.

A morte de um jovem gay em São Paulo também foi interpretada com excessiva rapidez. Os militantes apostaram num assassinato homofóbico antes de concluídas as apurações.

Estamos entrando no período eleitoral. Os debates assumem tom apaixonado, a verdade naufraga como numa guerra.

No livro Mishima ou a Visão do Vazio, Marguerite Yourcenar faz uma observação sobre autores que estabelecem uma ligação da obra e vida de Mishima usando cabos, sem perceber que as conexões, nesse caso, são finos capilares. O pensamento militante costuma ter essa tendência: ligar com cabos uma realidade que emerge apenas através de delicados capilares.

O resultado disso é um debate enlouquecido, em que a raiva predomina. Recentemente disse pelo rádio que havia uma cela vermelha, com o n.º 13, na Papuda e que poderia abrigar os dirigentes do PT. Foi tomado como um insulto. Não tive outra saída senão mostrar a imagem da cela vermelha com o n.º 13. Aí o debate se deslocou para discutir se a cor era mesmo vermelha ou vinho. Limitei-me a lembrar que em outros idiomas o vinho tinto é chamado de vinho vermelho.

Imagens, que também são discutíveis, ajudam a criar um mínimo de consenso sobre o real. Dilma, em Davos, disse que o Brasil está preparado para a Copa. No mesmo dia passageiros da Gol forçaram a porta de emergência e protestaram em cima das asas do avião. Isso não quer dizer que Dilma estivesse mentindo em Davos. Mas a imagem nos conduz a uma reflexão sobre o nível de preparo do Brasil, alguns meses antes do evento.

No Rio, o vice-governador Pezão afirmou que o sistema de trens estava ganhando cada vez mais credibilidade. As imagens diziam o contrário: passageiros caminhando pelos trilhos, sufocados pelo calor, lamentando a degradação dos serviços.

Outro dia, tuiteiros do PT afirmaram que os presos de Pedrinhas não me deixaram entrar no presídio porque eu seria uma ave de mau agouro, sempre atrás de tragédias. Quem conhece crises penitenciárias sabe que a entrada ou não de alguém num presídio depende das autoridades, não dos presos. Os tuiteiros do PT viraram samurais eletrônicos da família Sarney. Que destino, bro!

Os debates, que se davam em baixo nível, devem cair mais na Copa e nas eleições. Toda a efervescência artificial do momento já revela o medo do desconhecido, dos desdobramentos incontroláveis que podem surgir da revolta popular. É preciso saber antes, interpretar antes, emplacar logo uma versão que resolva o único problema com que realmente vale a pena se preocupar: como continuar no poder. Se dependesse de mim, veria as coisas com calma e até um certo distanciamento. As emoções virão, não é preciso vivê-las antecipadamente.

Alguns problemas reais, como a crise argentina, estão passando ao largo. E podem ter repercussão aqui. O mesmo vale, em menor escala, para a crise na Venezuela. O fracasso de duas economias de peso na América Latina merece estar, creio eu, na ordem do dia. Lembro que, apesar de tudo, a Argentina vai crescer 2,8%, talvez um pouco mais que o próprio Brasil. O índice de crescimento não é tudo. O FMI olha com apreensão para a Argentina e é inevitável que as dificuldades hermanas tenham repercussão no nosso país.

É preciso ainda achar um espaço nessa batalha polifônica em torno do funk ostentação, de biografias de cantores, e discutir um rumo para um país que, a meu ver, já o perdeu com o esgotamento do modelo de puro estímulo ao consumo e coalizão presidencial fisiológica.

Um ocupante da casa do Big Brother fez pipi na piscina e se defendeu: "Quem não faz pipi na piscina?". Todos os que não fazem deveriam levar isso em conta. Há muitos fios soltos por aí, tão importantes para conhecer o País como o fenômeno dos rolezinhos, que na imaginação desvairada é o prenúncio do grande arrastão que descerá dos morros e da periferia.

Há 50 anos os militares tomavam o poder. Muitos dos sobreviventes já estão naquela idade em que chaves e óculos desaparecem com frequência, numa aparente conspiração para nos enganar. Discordo da afirmação budista de que o mundo é um produto da mente. Reconheço nele uma existência autônoma. Mas concordo com a tese de que tudo passa, tudo passará.

Eu me divirto com o reflexo dessa realidade essencial no desespero dos que querem o poder para sempre. Adoro vê-los rangendo bytes e pixels nos blogs envenenados. 

E a vida vindo em ondas, como o mar.

*** * *Fernando Gabeira*- é escritor, jornalista e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro. Atualmente na Globo News, onde produz semanalmente reportagens sobre temas especiais, por ele próprio filmadas (no ar aos domingos, 18h30). Foi candidato ao Governo do Rio de Janeiro nas últimas eleições. Articulista para, entre outros veículos, O Estado de S. Paulo. Seu blog é no www.gabeira.com.br

O Quadragésimo Ministério. Coluna Carlos Brickmann

Millôr Fernandes criou, em O Cruzeiro, o Ministério de Perguntas Cretinas. Havia perguntas como "xeque-mate pode ser falsificado?" e a resposta: "Com a vantagem de que o sujeito não acaba no xadrez. Já está". Pois retomemos o Ministério, com perguntas (sem resposta) da jornalista Regina Helena Paiva Ramos:

1- - Chanceler brasileiro pode mentir? O nosso disse que a parada em Lisboa foi decidida no sábado e Portugal já estava informado desde quinta-feira. 

- - Dilma levou 45 pessoas. O presidente do Uruguai viaja com quantas?

3- - De onde saem as ordens para incendiar ônibus em São Paulo? Ainda não deu para a Polícia mais bem equipada do país saber o que ocorre, para agir?

- - As mortes nos presídios do Maranhão continuam. Ninguém vai pedir o impeachment da governadora, que não tem controle da situação - ou, pior, tem?

- - Quando a Sabesp, estatal paulista de saneamento, vai parar de botar anúncios na TV de que saneou o Litoral, e vai usar o dinheiro saneando o Litoral?

6- - Quando o prefeito paulistano, Fernando Haddad, vai retirar as faixas avisando que certos locais são sujeitos a enchentes, e tocar obras contra enchentes?

- - Por que há dinheiro para construir um porto em Cuba e não há para dragar o porto de Santos? A profundidade de Santos é de 13 metros e deveria ser de 17, mas falta verba. O porto cubano tem verba nossa e nasce com 18 metros. 
E as respostas? Não precisamos de um Ministério das Respostas Cretinas. As respostas a gente vive recebendo sem que seja criado o 41º Ministério. 

Seguidores

Arquivo do blog

LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.