sábado, 8 de fevereiro de 2014

Câmbio duplo criou 'castas da divisa' entre os cubanos

O ESTADO DE SÃO PAULO
Vera Rosa - Enviada especial a Havana
Quatro meses após o anúncio do processo de unificação das duas moedas que circulam em Cuba desde 1994, moradores de Havana ainda não sabem como será a transição nem o que ocorrerá com seu dinheiro, mas depositam esperanças no fim da desigualdade provocada por esse modelo. Nas ruas, cubanos dizem que a moeda única é a mais esperada das medidas divulgadas até agora pelo presidente de Cuba, Raúl Castro, e creem que, a partir daí, haverá o descongelamento dos salários.
María Isabel, no salão de cabeleireiro improvisado em casa; lavatório no quintal - Vera Rosa/Estadão
Vera Rosa/Estadão
María Isabel, no salão de cabeleireiro improvisado em casa; lavatório no quintal
Num momento em que o irmão de Fidel Castro promove reformas econômicas na ilha, a convivência da população com duas divisas - o peso cubano (CUP) e o peso conversível (CUC) - acirra cada vez mais as diferenças no regime comunista. Pior: cria "castas" nesse universo, que começa a abrir uma fresta para o mercado.
A disparidade existe porque a maior parte dos moradores ainda recebe salários e faz compras em peso cubano, mas a moeda forte é o CUC, com valor equivalente ao dólar (R$ 2,38). Na intrincada contabilidade da ilha, são necessários 24 pesos cubanos para obter 1 CUC.
Chamado pelos cubanos de "ce, u, ce", o CUC é o objeto do desejo dos trabalhadores, que fazem de tudo para conseguir a cobiçada moeda. Há quem leve o violão para a rua e comece a cantarolar para obter alguns trocados. Outros tentam aplicar pequenos golpes em turistas, vendendo uma moeda que chamam de "relíquia", com a fisionomia de Che Guevara.
Quem não tem "ce, u, ce" em mãos passa por maus bocados. Além disso, não pode usufruir de nenhuma das mudanças anunciadas por Raúl, como, por exemplo, o direito de viajar e comprar imóveis. Falar no celular, a 0,35 CUC o minuto, nem pensar.
"Nós recebemos em pesos cubanos, mas isso não vale nada aqui", disse um taxista que se identificou apenas como Júlio. "Todos temos de fazer bicos para arrumar ‘ce, u, ce’ e sobreviver."
Félix e a mulher, Soley, também são exemplo do cotidiano de dificuldades. Formado em Direito e desempregado, ele comprou um Lada caindo aos pedaços, por valor correspondente a US$ 8 mil, com a ajuda de uma irmã que vive na Europa. Hoje, ele atua como guia turístico e, nos fins de semana, atua como DJ em casas noturnas.
Ele compete com donos dos charmosos Chevrolet 1952, como Zoe, que é mecânico e, nas horas vagas, assume o volante como chofer de turista, cobrando 40 CUCs (R$ 95,2) por um "recorrido" de dia inteiro em Havana. "O meu carro faz parte da história", orgulha-se Zoe. Apesar de ter um veículo "baleado", Felix atrai clientes em hotéis e recebe muitas gorjetas de estrangeiros, todas em CUC. Para complementar a renda, sua mulher vendia roupas importadas, mas o governo cassou a licença para essa atividade.
"As coisas já melhoraram, se formos comparar a situação de hoje com a dos anos 90, muito duros para nós. Mesmo assim, não há dinheiro na economia. Com mais de 50 anos de bloqueio dos EUA, a infraestrutura se fraturou. O desafio, agora, é sair da crise sem se converter em sociedade de consumo, sem especular", resume Félix.
Na caderneta de abastecimento da família, as cotas de consumo de produtos básicos, como arroz, feijão e leite, são registradas em folhas amarrotadas, preenchidas à tinta. A compra desses itens, subsidiados pelo governo, é feita em pesos cubanos. Quando acaba a cota mensal, Félix e Soley têm de se virar. "Aí a gente compra por fora", conta ela. Para tanto, é preciso desembolsar CUC.
Uma família, em Cuba, gasta de 60% a 70% de sua renda com alimentação, de acordo com levantamento feito pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU. Os dados também indicam que 80% dos alimentos consumidos no país são importados. Em Havana, o salário médio do trabalhador é de 360 pesos cubanos (US$ 15 ou R$ 35,7) por mês. Um médico recebe, no máximo, 840 CUP (US$ 35 ou R$ 83,3) mensais.
A professora de História María Isabel aposta nas reformas de Raúl. Depois de se aposentar, em julho, ela abriu a Peluquería Mary, dentro de casa, na periferia. O lavatório do salão de cabeleireiro fica no quintal, mas penteados e unhas são feitos na sala de jantar, com vista para a cristaleira cheia de bibelôs.
‘Avenida Brasil’. Uma TV exibe as trapaças de Carminha em Avenida Brasil, novela que anima a freguesia de María Isabel. "As pessoas aqui não têm muito dinheiro, mas se divertem", diz ela. Para a professora, tudo vai melhorar com a unificação da moeda, até mesmo os preços do xampu e da queratina "made in Brazil", usados nas clientes. "O produto brasileiro alisa mais o cabelo afro."
Perto dali, Alex comemora o aumento das vendas de material de construção no depósito onde trabalha. "Antes de outubro, a gente vendia 2 mil sacos de cimento por mês. Hoje são 7 mil", afirma. No depósito do bairro Buena Vista, na periferia de Havana, Alex diz que o governo tem oferecido crédito bancário para que moradores reformem suas casas. "Vendemos mais cimento, blocos de concreto, areia, janelas", diz ele, que defende a "atualização do socialismo" promovida por Raúl. "Aqui não tem enriquecimento ilícito", insistiu.
Revoltado, um funcionário do depósito, que carregava cimento, interrompeu a conversa e mostrou as mãos calejadas. "Não é nada disso que falam na TV, não. Nós trabalhamos muito e ganhamos pouco. O preço da roupa é muito alto. Quase não tenho dinheiro para comer", afirmou o homem, que não quis dizer o nome. "Tenho muito medo."
Questionado se ainda acreditava em dias melhores, ele abaixou a cabeça e ficou em silêncio. Depois, respondeu baixinho: "Não tenho filhos, nem quero. Vivo só. Mas vivo porque tenho esperança."

*Não foi o bloqueio americano que afundou Cuba. Eles podem negociar com outros parceiros, mas negociar o que, se tem uma economia centralizada pela catrefa comunista? Sem liberdade para empreender o país fica engessado. Está fazendo falta sim os bilhões anuais que a União Soviética injetava no regime.
O outro fala que 'aqui não tem enriquecimento ilícito.' Não tem? Quem controla o mercado negro senão os dirigentes comunistas? 
Certos tipos pensam que estão falando para os bolivarianos da Venezuela,que pelo jeito ainda acreditam em Papai Noel.

RICARDO SETTI- MENSALÃO: Fuga de Pizzolato, preparada com ANOS de antecedência, prova que, se houve uma farsa, esta se encontra nas reações histéricas dos defensores do indefensável

Pizzolato desde 2007 já sabia que seria condenado. E desde então orquestrou sua fuga (Foto: Divulgação / Polícia de Modena)
“Pizzolato desde 2007 já sabia que seria condenado. E desde então orquestrou sua fuga (Foto: Polizia di la Provincia di Modena)
Post do leitor e amigo do blog Reynaldo-BH
Post do LeitorQue não sejamos, por cá, vítimas da amnésia que parece ser a marca registrada do Brasil.
Quando do julgamento e prisão dos mensaleiros, lembro-me que esta coluna foi inundada pordefensores do direito de Pizzolato à fuga.
E o argumento era uma pretensa “busca de justiça” na Itália. Lá sim, o veredicto seria outro, o processo legal respeitado e a justiça enfim seria feita. Enfim, o que restava a um homem injustiçado em defesa de sua liberdade.
Pizzolato desde 2007 já sabia que seria condenado. E passou, meticulosamente como cabe a bandidos experientes, a preparar a fuga da condenação que sabia inevitável. Pela robustez das provas e pela inexistência de fatos que pudessem inocentá-lo.
Providenciou documentos em nome do irmão já falecido. Carteira de Identidade, Certificado de Reservista, Título de Eleitor e naturalmente, o passaporte italiano.
Testou as falsificações. Votou em 2008 nos dois turnos das eleições. Pagou a multa por não ter votado em 2010.
Declarou Imposto de Renda em nome do irmão morto e usado – sem pudor – para criar uma persona a se preparar para a fuga.
Corrupto e falsário. Aqui e na Itália.
Tudo detalhadamente planejado.
Pergunto aos que por cá se posicionaram como defensores deste criminoso comum e que, a partir daí, estendiam a acusação ao processo do mensalão como sendo uma farsa: como sustentar esta posição?
Desde a aceitação da denúncia da Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal, Pizzolato sabia-se condenado. Pelo que fez. Pelos roubos de dinheiro público do Banco do Brasil.
Farsa? Inexistência de fatos? Perseguição política?
Ou esta fuga tão bem planejada – de modo imoral por usar um ser humano após a morte, e pior, irmão! – não é prova de que se houve uma farsa esta se encontra nas reações histéricas dos defensores do indefensável?
Pizzolato é a prova mais intensa – pós-julgamento – de como funcionava a organização criminosa encabeçada por José Dirceu (até onde se sabe, pois pode ter outro chefe nunca incomodado).
A certeza da condenação não nasce da inocência. A fuga antecipadamente engendrada é comum a quem sabe que não há como escapar das grades. E Pizzolato não poderia agir solitariamente. Não teria como cometer os crimes que sabia ter cometido sem fazer parte de uma quadrilha.
A dor de parentes – uma tia se sente envergonhada, pois diz que Henrique/“Celso” jogou o nome da família na lama – é compreensível. São pessoas honestas. Certamente fazem parte do Brasil decente.
Ao contrário do lulopetismo.
Os adeptos deste provavelmente terão mais uma explicação para estes fatos esclarecedores. E como sempre, tentando inocentar bandidos.

DANDO NOS DEDOS

Gostei do relato do Sr. Jardel, em comentário do blog do Constantino.

Jardel Jaime Jesimel -

Os que se esforçam neste Brasil são chamados de burgueses e isso não é de hoje tanto que o Martinho da Vila escreveu e cantou o “Pequeno Burguês,bem que o Rodrigo Constantino devia colocar a letra em seu blog para que os esquerdopatas ao cantarem possam entender a letra.Minha rápida biografia de Pequeno Burgues,ia para o Grupo Escolar descalço até os 8 anos,calção era de feito por minha mãe de saco de farinha de trigo,trabalhei fazendo pipas com 9 anos e vendendo-as,tirava trevo e tiririca do meio das hortas com uma faca para ajudar meu pai,fui marreteiro,camelô de feira-livre até os 15 anos,meus irmãos foram engraxates.

Aos 15 anos primeiro registro em carteira como vendedor,estoquista,carregador,ou seja, faz tudo em loja.Jogava bola nos finais de semana,mas fiz o Colegial Técnico,enquanto estudava muitos dos colegas jogavam snooker no boteco,tomavam suas cervejas e aproveitavam a vida.Aos 23 anos trabalhava das 14:00 às 23:30 pegava dois busões e chegava 1,uma,da matina em casa,engolia algo e ia dormir,às 6 da matina minha mãe me acordava para que eu pudesse ir estudar,fiz Administração de Empresas,casei,tive uma família com dois filhos e conseguindo minha casa só com 44 anos.

Agora aposentado sou chamado de Burguês por aqueles se se esbaldaram nos finais de semana.A vida de muitos brasileiros são exatamente como a letra da música “O Pequeno Burgues”.Agora digo aos esquerdopatas de plantão,”Querem moleza,vão chupar prego até virar tachinha.

Adiamento arriscado

Celso Ming - O Estado de S.Paulo
Certos ambientalistas têm manifestado preocupação com o início da exploração de gás de xisto no Brasil.
Advertem que a tecnologia utilizada (injeção a alta pressão de uma mistura de água, areia e produtos químicos) carrega o risco de contaminar lençóis freáticos e os aquíferos do Brasil e de países vizinhos. Foi o que argumentaram os geólogos Gerôncio Albuquerque Rocha, Ricardo Hirata e Luiz Fernando Schelbe, em artigo publicado terça-feira no jornal Valor. Eles reivindicam o adiamento de iniciativas desse tipo "por pelo menos cinco anos (...), o tempo necessário para amadurecer uma estratégia para a próxima década".
Não são desprezíveis as razões apontadas por estes e outros técnicos. Mas são excessivamente fechadas em si mesmas. Há outras, tão importantes ou mais, a levar em conta.
Se é para ficar no campo puramente ambiental, considerações diferentes dessa recomendam, sim, a exploração do gás de xisto. Por exemplo, a produção de energia térmica por processamento de gás de xisto libera muito menos monóxido de carbono na atmosfera do que a obtida por outros combustíveis, como já acontece nos Estados Unidos.
Ou, pergunta-se, do ponto de vista do balanço ambiental, seria mais recomendável seguir queimando carvão ou óleo combustível, em vez de gás natural? Seria melhor inundar mais áreas e afogar florestas na Amazônia para construir novas hidrelétricas? Ou, então, seria melhor entrar de cabeça na produção de energia nuclear e enfrentar riscos de novos casos Chernobyl e Fukushima?
Há outras avaliações a fazer. É preciso saber, por exemplo, se os riscos de não começar já a exploração dessas reservas de xisto não são maiores do que os que estão temendo os ambientalistas.
A tecnologia atual da exploração do xisto (fraturamento hidráulico) vem evoluindo rapidamente e os riscos de contaminação já são bem mais controláveis. Além disso, outras tecnologias em substituição à do fraturamento hidráulico começam a ser adotadas nos Estados Unidos e nada impediria que também o fossem por aqui.
Adiar, por excesso de zelo ambientalista, o início do jogo seria dar enorme dianteira à concorrência externa, especialmente aos Estados Unidos, Canadá e México. Não há nenhuma questão financeira envolvida na exploração de gás de xisto, como equivocadamente alegam os geólogos. Há, sim, sérias questões econômicas a considerar, num país cuja matriz energética depende cada vez mais de fontes térmicas (veja, ainda, o Confira).
Os preços do milhão de BTU (medida britânica de gás) nos Estados Unidos estão embicando para US$ 4, quase um quarto do que é pago aqui. Essa revolução do xisto tende a alijar do mercado enormes segmentos da indústria brasileira, especialmente entre os de consumo eletrointensivo. Esta é uma questão estratégica que tem de ser enfrentada já. Encostar o corpo e esperar para ver é falta de vontade de encarar os desafios, é uma atitude que já vem atrasando demais o desenvolvimento do Brasil, que não pode ser subordinado unicamente a aplicações unilaterais do princípio de precaução.

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