domingo, 9 de fevereiro de 2014

As mortes no trânsito e “os planos de Deus”

Ricardo Setti


Não é preciso dizer mais nada
Não é preciso dizer mais nada
Artigo de Luis Flávio Gomes*, publicado no site JusBrasil
MORTES NO TRÂNSITO E “OS PLANOS DE DEUS”
luiz_flavio_gomesCom um porsche em alta velocidade (116 km/h) um engenheiro matou uma advogada. E disse: “Estava nos planos de Deus”.
O Brasil é um dos campeões mundiais em mortes no trânsito (mais de 42 mil, em 2010). Montesquieu, Beccaria e todos os iluministas diziam, no século XVIII, que “causas de atos indesejados” são as leis injustas assim como a existência de humanos irracionais, supersticiosos e “não ilustrados”.
O que mais existe no Brasil, no entanto, é gente pouco ilustrada (3/4 da população não sabem ler ou escrever ou não entendem o que lê ou não sabem operações matemáticas mínimas – pesquisa Inaf). As mortes no trânsito, de qualquer modo, são geradas por todos (ilustrados ou não ilustrados).
Somos rigorosos e exigentes com o Estado. Cobramos dele duramente o cumprimento dos seus deveres (de fiscalização, de engenharia das estradas, de primeiros socorros e de punição). Mas normalmente descuidamos dos nossos. Ato típico de povo mal educado para a cidadania, ou seja, muito pouco domesticado (como dizia Nietzsche), independentemente da classe social.
Dirigimos depois de beber ou em alta velocidade e atropelamos pedestres e ciclistas nos julgando “ases no volante” e protegidos por forças superiores. A cultura da irresponsabilidade está impregnada no nosso DNA.
Não somos treinados para a prevenção. Não abrimos mão dos nossos prazeres (beber, falar ao celular, correr etc.) para privilegiar nossos deveres de cidadania e convivência coletiva. Estatisticamente, 75% dos acidentes derivam de falhas humanas (destaque para a imprudência e o álcool). Nenhuma morte como “plano de Deus” aparece na estatística.
O brasileiro é pacato (dizem), salvo na direção do veículo, na violência machista, na agressão dos pais contra as crianças, nas ofensas aos idosos, nos estádios de futebol, nas manifestações…
O Detran de SP, por exemplo, só investe 0,05% do dinheiro de multas em educação para o trânsito (Folha de S. Paulo de 01.08.12, p. C1). Isso não escandaliza. Também nós não nos educamos, muitas vezes nem sequer para a vida (do contrário, ¾ da população não seriam analfabetos ou precariamente alfabetizados).
A conscientização, a responsabilidade individual, a noção de cidadania e o respeito ao outro são a solução para menos mortes no trânsito. Quem já alcançou isso? Os países adeptos do capitalismo financeiro evoluído e distributivo (Dinamarca, Coreia do Sul, Noruega, Japão, Canadá etc.). Colhem os bons frutos da educação universal, têm baixíssima violência, trânsito seguro e alta qualidade de vida.
Nos países de capitalismo financeiro selvagem e extrativista, moralmente degenerados, ao contrário, prospera o ignorantismo e a superstição (não a responsabilidade individual, o imperativo dos deveres e o aprimoramento ético). O homo democraticus do século XXI, nesses países, abusa da sua vulgaridade e irresponsabilidade.
Temos ojeriza a obedecer às leis assim como à igualdade no trânsito. Nunca imaginamos que o “vermelho” é “vermelho” para todos (ricos e pobres, pretos ou brancos). Na nossa cultura hierarquizada, os membros das classes superiores (A e B) se sentem no direito de ter privilégios frente ao sistema legal (DaMatta).
Concordamos que os motoristas irresponsáveis sejam punidos severamente, mas não observamos as regras de trânsito (ultrapassamos em lombadas e andamos no acostamento e na contramão).
A possibilidade de um acidente aumenta 23,2 vezes quando se digita uma mensagem ao volante (Valor Econômico de 30.03.12, p. D8): isso é corriqueiro e ainda trafegamos sem cinto de segurança, com luzes queimadas ou freios não revisados.
Observar as leis no Brasil, como se diz, é coisa de gente idiota, tola, inferior, sem relações sociais e sem os capitais distintivos de classe (econômico, salarial, cultural, social, emocional, moral/ético e familiar). Nós, tolos não somos; somos imbecis (muitas vezes).
 Luiz Flávio Gomes é Jurista, professor Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil.

SEM INDECISÃO

Em busca do vice e das alianças
Na corrida pela Câmara
José Serra será candidato a deputado federal.
Por Lauro Jardim

Nossos problemas econômicos são de natureza doméstica acima de tudo

O tema proposto para o debate na parte de opinião da Folha hoje foi se nossa economia frágil resulta do cenário externo. Belluzzo foi o convidado para sustentar que sim, que nossos problemas têm origem no resto do mundo. Maílson da Nóbrega foi o responsável por defender a tese de que não, nossos problemas não são de ordem externa, mas sim doméstica.
Maílson está certo, naturalmente. Claro que a “crise dos emergentes” tem influência e afeta todos os países. Mas é análogo ao caso da maré que baixou, expondo quem nadava nu. Ora, culpar a maré, e não a própria nudez, é um equívoco que serve apenas para não assumir responsabilidades.
Por acaso, a coluna de Helio Schwartsman fala do mesmo assunto. O colunista começa tímido, alegando que talvez seja cedo para afirmar categoricamente que Lula foi apenas sortudo. Mas termina afirmando que fica cada vez mais patente que “o movimento de transferência de riqueza dos países ricos para os emergentes, devido ao boom das commodities principalmente a partir de 2006, foi decisivo para o bom desempenho do Brasil”.
Agora que a molezinha acabou e o ciclo de bonança parece esgotado, “as deficiências na gestão da economia vão se escancarando”. Ou seja, a fase boa foi, sim, resultado de fatores externos. Como o governo do PT não fez seu dever de casa, prefere culpar o mundo pela fase ruim.
Mas a verdade é que não seria necessário sofrer dessa forma, com resultado tão medíocre, se o momento positivo tivesse servido para reformas, e se não houvesse tanta trapalhada na área econômica. Em suma, nossa fragilidade atual é totalmente ligada aos erros domésticos.
Em janeiro de 2010, no auge da euforia com o Brasil, quando tudo parecia um céu de brigadeiro, escrevi no GLOBO o artigo abaixo, alegando justamente que aquilo era devido ao resto do mundo. Hoje, fica cada vez mais claro que esse ponto de vista estava correto. Bastou o verão terminar e vimos que o Brasil não havia se preparado para o inverno…
Correlação e Causalidade
Uma falácia lógica muito comum é assumir que dois eventos que ocorrem em seqüência cronológica estão necessariamente interligados através de uma relação de causa e efeito. O galo canta antes do nascer do sol, mas este não nasce porque o galo canta.  Infelizmente, a arte de manipular dados vem ganhando cada vez mais terreno, com efeitos nefastos para a sociedade. A estatística não pode ser a “refinada técnica de torturar os números até que eles confessem”.
Tomemos como exemplo a taxa de crescimento econômico nacional. Muitos, numa análise simplista, chegam à conclusão de que o governo Lula causou o crescimento acelerado dos últimos anos, sem levar em conta as inúmeras e complexas variáveis que influenciam tal crescimento, como, por exemplo, o contexto mundial. Crescer 4% ao ano enquanto os demais países emergentes crescem 6% ou mais não é um desempenho tão louvável assim. Se o preço das commodities que exportamos subiu, se houve uma abundância de capital no mundo, se a taxa de juros permaneceu artificialmente reduzida nos países desenvolvidos, nada disso faz parte desse julgamento superficial. Basta verificar o crescimento econômico e atribuí-lo à gestão atual, como se o mérito fosse do governo.
Não é assim que se faz uma análise séria. E quando colocamos uma lupa nos dados, com o auxílio de uma sólida teoria econômica, o que emerge pode ser oposto à intuição inicial. O governo Lula contou com muita sorte durante seu mandato, onde fatores externos, como o crescimento chinês, favoreceram bastante o país. Seu maior mérito foi não ter feito aventuras na macroeconomia. Já as reformas estruturais que poderiam ter colocado o Brasil na rota do crescimento sustentável foram todas deixadas de lado. Aquilo que o governo chama de medidas “anticíclicas” contra a crise não passa de estímulos insustentáveis à demanda agregada. Inchar os gastos públicos de forma permanente e expandir o crédito através dos bancos estatais não é receita de crescimento sustentável. Faltam investimentos produtivos e reformas estruturais, e os gargalos de sempre poderão limitar o crescimento a mais um vôo de galinha. O longo prazo foi sacrificado em prol do foco imediatista eleitoreiro.
O economista francês do século 19, Frédéric Bastiat, chamou a atenção para aquilo que se vê, e aquilo que não se vê. Um bom economista deveria ser capaz de enxergar um horizonte distante, evitando as armadilhas da miopia. Somente assim ele poderia compreender o custo de oportunidade das medidas econômicas. Se o governo anuncia um programa de gastos através da impressão de moeda, ele deve alertar para a inflação à frente. Se o governo aumenta os repasses para famílias mais pobres, ele deve considerar o aumento dos impostos, que retira da iniciativa privada recursos que poderiam estar gerando novos empregos. Se o governo aumenta o salário mínimo, ele deve projetar seu impacto negativo no nível de emprego formal. Enfim, analisar as medidas do governo somente com base em seus efeitos imediatos é um perigoso equívoco.
A pergunta que todos deveriam fazer é: qual a alternativa? Se o governo não retirasse do setor privado determinado recurso, como este seria aplicado? Se o governo tivesse feito as reformas estruturais, qual teria sido o crescimento no período? Não basta comparar taxas de crescimento entre governos. Correlação não é causalidade. O sol não brilhou mais forte no Brasil porque o galo cantou mais alto; o galo é que está cantando mais alto porque o sol começou a brilhar mais.        
Rodrigo Constantino       

‘BOCA’ DA ONU NO BRASIL SÓ PRESTA CONTAS A FIDEL

Intermediária do programa Mais Médicos no Brasil, a Organização Pan-Americana de Saúde é uma caixa-preta instalada na ONU, que parece ter perdido a chave. A “cooperação técnica” com o Mais Médicos renderá cerca de US$ 151,2 milhões anuais ao regime comunista de Cuba, segundo cálculos da ONG americana de direitos humanos Cuba Archive, que denuncia um “apartheid hospitalar” na ilha, privilegiando o “turismo de saúde” para ricos e clínicas top aos ditadores.As “parcerias” internacionais entregam US$ 8 bilhões anuais à ditadura Castro, diz a ONG, para custear a repressão e mascarar a bancarrota. Nas barbas da ONU, a Opas viola a Organização Internacional do Trabalho e tratados contra o tráfico de pessoas e trabalho-escravo. A sede da Opas em Cuba é um oásis capitalista, com trinta e um dirigentes, quatro secretárias, quatro motoristas e três seguranças.

Cláudio Humberto

CLÁUDIO HUMBERTO- PREFEITURAS: FOLHA É O DOBRO DOS INVESTIMENTOS

    • Prefeitos das principais capitais gastam com pessoal mais do que investem em obras que beneficiam a maioria da população. Campeão nesse tipo de disparidade em 2013, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), gastou R$ 1,83 bilhão com salários e nove vezes menos em investimentos: R$ 203 milhões. Em Belo Horizonte, a folha de R$ 2,92 bilhões corresponde a quase o triplo dos R$ 1,16 bilhão investidos.
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    • Vice-líder dessa inversão de valores, Porto Alegre recebeu R$ 382 milhões em investimentos, em 2013, e gastou R$ 2,4 bi em salários.
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    • Os R$ 2,6 bilhões reservados para investimento, na cidade de São Paulo, são 3,4 vezes menos que os R$ 8,91 bilhões com pessoal.
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    • O infortúnio dos cariocas é semelhante ao dos paulistanos: para R$ 2,8 bilhões investidos, o Rio pagou R$ 8,4 bilhões ao funcionalismo.
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    • No total, as prefeituras das cinco maiores cidades do País gastaram em 2013 cerca de R$ 24 bilhões em salários e outro benefícios.
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