domingo, 16 de fevereiro de 2014

‘É difícil dar certo’, por Carlos Brickmann

─ Alguns milhares de manifestantes do Movimento dos Trabalhadores sem Terra, MST, ocuparam na quarta-feira a Praça dos Três Poderes, em Brasília. Ameaçaram invadir o Supremo Tribunal Federal e o Congresso; pouparam, sabe-se lá por que, o Palácio do Planalto. Entraram em confronto com a PM e feriram 30 soldados. Serão processados? Nada disso! Na quinta, a presidente Dilma fez questão de recebê-los em palácio, na companhia, claro, de seu ministro Gilberto Carvalho, e ainda ganhou um presente: uma cestinha de produtos agrícolas.
─ O jornal O Estado de S.Paulo teve acesso à sindicância do Itamaraty para “investigar a conduta” do diplomata Eduardo Sabóia, que libertou o asilado boliviano Roger Pinto Molina, confinado havia 15 meses na nossa Embaixada em La Paz, e o trouxe ao Brasil. As informações da sindicância são tão vergonhosas, tão inacreditáveis, que o Estado as confirmou com quatro fontes diferentes, antes de publicá-las: o Brasil articulou com o presidente boliviano Evo Morales e seus aliados do continente um jeitinho de tirar Roger Pinto da Embaixada e levá-lo num avião venezuelano para Caracas ou Nicarágua. O asilado se comprometeria a aceitar a retirada sem ser informado do local para onde iria. Como não é maluco, recusou a proposta indecente. E logo Chávez morreu, fazendo gorar o plano.
3 ─ Voltando ao ministro Gilberto Carvalho: em 9 de dezembro último, prometeu processar o delegado Romeu Tuma Jr. pelo livro Assassinato de Reputações. Tuma Jr. prometeu provar as acusações. E até hoje o processo não saiu.
É difícil dar certo ─ Petrobras
A notícia acaba de ser divulgada pelo Ministério Público holandês: em depoimento oficial, um ex-funcionário da SBM Offshore, locadora de plataformas petrolíferas, disse que a empresa pagou US$ 139 milhões, entre 2005 e 2011, a intermediários e funcionários da Petrobras, para obter encomendas (hoje, segundo o jornal Valor, os contratos somam US$ 23 bilhões). A SBM é investigada não só na Holanda, mas também no Reino Unido e nos EUA, sempre por suborno. No período citado, o presidente da Petrobras era José Sérgio Gabrielli (2005 a 2012). Hoje, Gabrielli é secretário do Planejamento da Bahia, no Governo do petista Jaques Wagner.
A Petrobras informou que não vai comentar o assunto
É difícil dar certo ─ inexplicável
José Guilherme da Silva, 20 anos, foi preso por assalto em Limeira, SP. Antes de ser colocado no camburão, foi revistado e algemado com as mãos para trás. Entrou desarmado e imobilizado no carro policial, sob as vistas de umas 30 testemunhas. Morreu com um tiro na cabeça, disparado de cima para baixo. Segundo os PMs que o conduziam, o rapaz algemado com as mãos nas costas arrumou em algum lugar um revólver calibre 38 e atirou na própria cabeça. O cano da arma, revelam os exames de balística, estava 50 cm acima de sua cabeça. Segundo o perito, “é sabido nos meios policiais tanto sobre a habilidade de movimento de alguns detidos, bem como sua condição pessoal de burlar a revista”. Só faltou acusarem o detento de ter dado também algumas punhaladas nas próprias costas.
Se era culpado ou não, não importa: estava preso, imobilizado, indefeso. Imagina-se que os PMs que o prenderam saibam revistar uma pessoa. E saibam impedir que um preso algemado com as mãos nas costas consiga mover-se com toda a liberdade. Mas, por incrível que pareça, há ainda algo pior nesta notícia: a morte ocorreu em 14 de setembro de 2013.
Até hoje o inquérito não está pronto.
O caminho das pedras
Identificar e prender os dois acusados do assassínio do repórter Santiago Ilídio Andrade foi rápido: bastou examinar gravações e fotos de ambos quando manipulavam o rojão que atingiu a vítima. Mas abriu-se, agora, um caminho promissor, no sentido de encontrar a raiz da violência e seus articuladores: tanto o advogado dos dois acusados quanto a porta-voz informal de ambos, Elisa Quadros Sanzi, Sininho (ou, como ela se assina, Cininho), mencionam pagamentos aos jovens dispostos a promover quebra-quebras. Como dizia Garganta Profunda, fonte principal dos repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward, que expuseram o escândalo Watergate, “follow the money” ─ sigam o dinheiro.
Não há grande segredo a desvendar: em suas páginas no Facebook, os cavalheiros falam abertamente de pagamentos. E já existem (embora ainda sem confirmação) listas de contribuintes dos black blocs, que envolvem de políticos a um juiz de Direito.
Seguindo as pistas 
E, além de seguir o dinheiro, há dois outros caminhos abertos à investigação:
1 ─ Responder “a quem aproveita o crime”. Quem ganha com os black blocs nas ruas ─ e ganha tanto que investe recursos para que destruam bens dos outros?
2 ─ Seguir as pistas da reveladora reportagem Por dentro da máscara dos black blocs, de Leonel Rocha, revista Época, capa de 15 de novembro de 2013.
O repórter esteve no sítio de treinamento do grupo, a 50 km de São Paulo, e conversou amplamente sobre pessoas e entidades que financiam o vandalismo.
É difícil dar certo ─ Brasília
O estudo é da Cornell University, EUA: o Brasil tinha 21 ministérios em 2002. Em 2013, já estava com 39. Os Estados Unidos têm 15 ministérios.

Holanda investiga pagamento de US$ 30 milhões em propina à Petrobras

Em agosto de 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou um evento em Brasília para divulgar o início da exploração do petróleo na camada do présal. Em um discurso ufanista preparado para levantar a candidatura de Dilma Rousseff à sua sucessão, Lula afirmou que a descoberta do óleo era como um “novo descobrimento do Brasil”, já que traria “riqueza e autossuficiência energética”. Ao final da fala, porém, fez um alerta: “Pré-sal é dádiva de Deus, mas pode virar maldição”. Foi como uma premonição. A Petrobras só colheu más notícias depois que passou a prospectar petróleo a 8 000 metros de profundidade. A empresa comprometeu suas receitas mantendo artificialmente o preço da gasolina, vem atrasando pagamentos a fornecedores, acumula 7,3 bilhões de reais em dívidas fiscais e precisa gastar 16,5 bilhões de dólares por ano com importação de combustível, dado que a prometida autossuficiência não saiu do papel. Não bastassem tantos problemas econômicos, a maior empresa brasileira agora foi envolvida na investigação de um esquema de corrupção que movimentou mais de 250 milhões de dólares em pagamento de propina.
Leia mais...http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/petrobras-recebeu-propina-de-empresa-holandesa

J.R. Guzzo: Outras perguntas dirigidas às autoridades federais. Por exemplo: por que o governo só olha — sem fazer nada — o estelionato cometido com o dinheiro do Fundo de Garantia?

Artigo publicado em edição impressa de VEJA
OUTRAS PERGUNTAS
J. R. GuzzoEncaminhamos à apreciação das autoridades federais, novamente, algumas perguntas sobre questões de possível interesse para o leitor.
Como costuma acontecer, não virá nenhuma resposta, mas é dever desta revista fazer o que pode, mesmo sabendo que o governo não reconhece a existência no Brasil de cidadãos capazes de ter dúvidas — brasileiros que terminaram o ensino básico, pensam com a própria cabeça e podem, eventualmente, não entender direito que diabo está acontecendo com seu país. 
1. Por que o governo continua a olhar sem fazer nada, como se o fato estivesse acontecendo na Transilvânia, o estelionato praticado sistematicamente contra o trabalhador brasileiro pelas altas autoridades que decidem qual é o saldo que ele tem, ao fim de cada mês, no Fundo de Garantia? 
Ao longo dos últimos quinze anos, cerca de 20% do dinheiro que os trabalhadores têm no FGTS sumiu, mastigado por cálculos de reajuste que sempre ficam abaixo da inflação. O Partido dos Trabalhadores, a esse respeito, já teve onze anos inteiros para fazer alguma coisa a favor dos trabalhadores.
Não fez. Por quê?
2. Os jornalistas Gustavo Patu e Mario Kanno, do blog Dinheiro Público & Cia, tiveram a paciência de ler do começo ao fim a ata que o Banco Central soltou depois de sua última reunião, no fim de janeiro.
Chegaram a uma conclusão assombrosa: os dirigentes do BC precisaram escrever nada menos de 74 parágrafos para explicar por que subiram a taxa de juro em 0,5 ponto percentual.
Embora o idioma oficial do Brasil seja o português, a maior parte do texto era ocupada por frases como a seguinte: “O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso”.
Ou: “Não obstante a concessão neste ano de reajuste para o salário mínimo não tão expressivo quanto em anos anteriores, bem como a ocorrência nos últimos trimestres de variações de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de produtividade do trabalho, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos”.
Se era para ninguém entender nada, por que escrever tanto?
3. Haveria alguma explicação lógica para a presidente da República anunciar a “construção de 6 mil” creches e, ao fim do prazo fixado para isso, entregar só mil?
Ou, pior ainda, por que Dilma prometeu um ano atrás construir “mais de 880 aeroportos regionais”, como lembrou há pouco o colunista Lauro Jardim, de VEJA, e conseguiu a proeza de não entregar nenhum — um só que fosse?
Como se pode explicar, mesmo para uma classe do 1º ginasial, que um governo com um mínimo de amor-próprio cometa erros tão grosseiros assim?
Dilma também prometeu ferrovias que não vai entregar, e águas que não vai transpor, nem do São Francisco nem de lugar nenhum.
“Falta de dinheiro” é a resposta comum em todos esses casos.
4. O Brasil, como já se estima há bom tempo, deve ter uma safra recorde de 90 milhões de toneladas de soja em 2014.
Também já se sabe que mais de 20% desse total será simplesmente jogado no lixo, porque os portos brasileiros não têm condições de escoar uma produção de tamanho volume.
Por que, sabendo perfeitamente disso tudo, o governo aplicou miseráveis 15 milhões de dólares em seus portos em todo o ano de 2013 — contra, por exemplo, 1,4 bilhão de reais gastos para construir o Estádio Mané Garrincha, em Brasília?
Pior: por que Dilma deu de presente a Cuba um porto novo em folha, no valor de 1 bilhão de dólares, enquanto nossa soja ficará apodrecendo no pé?
5. Sabe-se que o bacharel José Eduardo Cardozo é ministro da Justiça, mas de que país?
Recentemente, comentando os horrores sem paralelo ocorridos na penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, ele disse o seguinte: “O sistema carcerário no Brasil é medieval”.
E quem é o responsável por isso? O governo brasileiro, claro, e especialmente a área dirigida por ele próprio, Cardozo. Não dá para dizer que a calamidade — o Brasil tem no momento 550 000 presos para 350 000 vagas na cadeia — seja obra das elites de direita: o PT já está há onze anos no governo, e isso é tempo mais do que suficiente para melhorar alguma coisa, por menor que seja, em qualquer situação de catástrofe.
De lá para cá, o ministro não mexeu um palito para eliminar o inferno de Pedrinhas; fez questão, porém, de levar a “solidariedade” do Palácio do Planalto à governadora Roseana Sarney, a quem cabe cuidar do presídio.
Por quê?
Do blog do Ricardo Setti

Eu também acuso! Ou: São poucos, infelizmente, os que podem bancar o Zola

Ficou famosa a carta de Émile Zola chamada J’accuse sobre o caso Dreyfus, publicada em 1898. Zola ataca aqueles que foram coniventes com a farsa do julgamento do judeu inocente. Em uma passagem, ele diz: “Meu dever é de falar, não quero ser cúmplice. Minhas noites seriam atormentadas pelo espectro do inocente que paga, na mais horrível das torturas, por um crime que ele não cometeu”.
Pois muito bem: são poucos aqueles, infelizmente, que podem bancar o Zola no Brasil de hoje. Poucos jornalistas e colunistas podem dormir com essa tranqüilidade, sem ser atormentados pelo espectro de Santiago Andrade, morto por black blocs tão enaltecidos pela imprensa, por artistas e “intelectuais”. Um deles é Reinaldo Azevedo, em quem baixou o espírito de Zola para escrever sua coluna desta sexta na Folha.
O título de seu artigo foi justamente “Eu acuso”, acompanhado da alcunha “Dilma ‘Red Bloc’”, fazendo menção ao fato de que a presidente, após uma cambada de baderneiros do MST deixar vários policiais gravemente feridos, ter, como prêmio, recebido a liderança do movimento no Palácio do Planalto.
Reinaldo cita nomes, como Franklin Martins, José Eduardo Cardozo e Gilberto Carvalho, a trinca petista que costuma ser conivente com todo tipo de “movimento social” que se julga acima das leis brasileiras. Ataca também a imprensa, covarde, silenciosa na hora de expor a violência desses “ativistas”.
Hoje, no GLOBO, foi a vez de outro jornalista que pode bancar o Zola apontar o dedo na direção dos mesmos alvos, de todos esses que acreditavam no Brasil “bonzinho”, no gigante que havia acordado e construiria um novo país (qual?, pergunta o autor, um Afeganistão?). Falo, claro, de Guilherme Fiuza, em sua coluna “A bondade dos assassinos”. Diz ele na largada:
O Brasil bonzinho assassinou o cinegrafista Santiago Andrade. Não foi outro o criminoso. Quem matou Santiago foi esse Brasil envernizado de bondade e infernizado de hipocrisia. Nenhum débil mental mascarado poderia ter matado Santiago sem a cumplicidade desse monstro.
A herança maldita da Primavera Burra foi apontada exaustivamente neste espaço. Os bem-pensantes e os demagogos — hoje praticamente indiscerníveis — continuaram matraqueando que os políticos precisavam ouvir “o recado das ruas”. Mentira. Não houve recado nenhum. Não há uma mísera mensagem aproveitável daquele carnaval cívico, onde multidões exuberantes marcharam contra tudo e contra nada — na mais patética perda de oportunidade política na era do Império do Oprimido.
Mas Fiuza tampouco é otimista em relação ao despertar da imprensa e do povo. Cita, também, o caso dos “red blocs” do MST, e conclui: 
Por falar em assassinato, os diplomatas do MST deixaram dez policiais gravemente feridos em Brasília. O Brasil está esperando um deles morrer para se horrorizar.
E o que aconteceu com os agressores? Foram recebidos em seguida por Dilma Rousseff no palácio, para um bate-papo de uma hora sobre reforma agrária. O que você está esperando para pegar sua borduna e ir atrás do que é seu?
Não é fácil a vida de jornalistas e colunistas que remam contra a maré vermelha hegemônica no Brasil. Todos morrem de medo de ser vistos como “direita”, ou “preconceituosos”, “reacionários”, “conservadores”. Todos querem posar de “progressistas”, de engajados, e preferem escrever aquilo que a turminha deseja ler, em vez de aquilo que deveria ler.
Mas esses poucos, se não são capazes de reverter o rumo das coisas sozinhos, ao menos podem se dar ao luxo de dormir sem sangue inocente no travesseiro, sem o peso na consciência por ter aplaudido marginais assassinos. Já é alguma coisa. E, com muito orgulho, apesar de não ser jornalista, posso me colocar no time dos “Zolas” que alertaram desde o começo dos perigos de tudo isso, mostrando que arruaça de mascarados jamais poderia acabar bem.
Portanto, eu também acuso!
Rodrigo Constantino

AVANÇO PARA O PASSADO


Guzzo: Avanço para o passado

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Excelente o resumo que J.R. Guzzo faz na Veja desta semana sobre o PT e o que ele representa até aqui: um incrível “avanço” rumo ao passado. Gilberto Carvalho, por exemplo, resgata a imagem de um típico coronel nordestino ao falar “dessa gente ingrata”. O que o PT ainda não percebeu – ou finge não ter percebido – é que não há ingratidão alguma, e sim uma reação a um governo que, de popular, só tem o discurso e as aparências.
Guzzo diz sem titubear: “O governo do ex-presidente Lula, de Dilma Rousseff e do PT é uma das mais bem-sucedidas farsas jamais levadas ao público na história política brasileira”. O partido se aproveitou da bonança externa para distribuir benesses e garante que foi o responsável por uma “revolução social”. Um espetáculo para ludibriar incautos, cada vez em menor número.
O que o PT fez, na prática, foi se aliar ao que havia de mais retrógrado na política nacional, e não foi capaz de fazer uma só reforma estrutural decente. Guzzo acusa o “falso esquerdismo” do partido, por se vender como popular e agir como os barões de engenho. Só discordo que seja falso esquerdismo: isso, na prática, é a esquerda, o que a esquerda sempre faz!
Os representantes do povo vivem como nababos, gastam 8 mil em uma noite só para descansar em Portugal, e ainda acusam uma fantasmagórica “direita” de desejar o regresso aos tempos de pelourinho e chibata. Colocam-se como vítimas de uma elite reacionária, enquanto se juntaram justamente a essa elite reacionária e fisiológica.
Como alerta Guzzo, o Partido dos Trabalhadores foi incapaz de colocar um único trabalhador em cargo importante de ministério. Um país com 200 milhões de habitantes, mas o PT não teve condições de encontrar um só trabalhador? Como dizia Roberto Campos, o PT é o partido dos “trabalhadores” que não trabalham.
Faz pior: prejudica os verdadeiros trabalhadores, com carga tributária crescente, abuso no FGTS para fins políticos, destruição da Petrobras, uso de bilhões em recursos escassos para finalidades frívolas que enchem os bolsos de empreiteiras, etc.
Felizes ficaram Odebrecht, Friboi, construtores de sondas para a Petrobras, empreiteiros, Eike Batista (por algum tempo), líderes sindicais, políticos, etc. Conclui Guzzo:
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Rodrigo Constantino

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