quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

VENEZUELA e um lembrete a Maduro: atirar no povo levou à queda de alguém muito mais poderoso, o xá do Irã, após 37 anos de reinar absoluto


Ricardo Setti

Praçaç Esfand, em Tererã, 27 de dezembro de 1978: multidão tenta desesperada escapar dos tiros do Exército do Xá do Irã (Foto: David Burnett)
Praça Esfand, em Teerã, 27 de dezembro de 1978: multidão tenta desesperada escapar dos tiros do Exército do Xá do Irã. A repressão só engrossou as manifestações…
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não aprendeu lições da história. Atirar no povo derruba regimes — muito mais fortes do que o dele.
Como ocorreu com a ditadura do xá do Irã, Mohammed Reza Pahlevi. Tudo começou com uma coisa ínfima, em outubro de 1977, quando algumas centenas de pessoas saíram às ruas protestando contra o xá, que desde o distante 1941 ocupava o Trono do Pavão, com poderes absolutos e incontestáveis e sólido apoio dos Estados Unidos e de boa parte dos principais países do Ocidente.
Usando os incontáveis bilhões de dólares do petróleo, o xá vinha impondo um programa de modernização industrial e de ocidentalização forçada ao país, deixando de levar na devida conta a fé e a militância da esmagadora maioria dos iranianos, muçulmanos xiitas, e a influência sobre eles exercida pelo líder espiritual então exilado na França, o aiatolá Ruhollah Khomeini.
... até levar a protestos colossais como este, diante da Universidade de Teerã, a 13 de janeiro. Seis dias depois, o xá abdicaria e amargaria o exílio, onde morreu (Fotos: David Burnett)
… que progressivamente levaram a proporções colossais, como esta, diante da Universidade de Teerã, a 13 de janeiro. Três dias depois, o fim: depois de mais de 37 anos de poder absoluto, o xá abdicou e deixou para sempre o país (Fotos: David Burnett)
Quando os protestos cresceram de proporção, em 1978, em vez de liberalizar o regime, libertar presos políticos, reprimir a prática disseminada da tortura, afrouxar a vigilância feroz exercida por sua polícia secreta, a Savak, e permitir canais à oposição, o xá achou-se forte o suficiente para mandar o Exército reprimir, à bala, os protestos.
A cada leva de mortos, os protestos engrossavam e se tornavam mais violentos. No final de 1978, milhões de pessoas já saíam às ruas por todo o Irã, o xá foi perdendo o controle da situação e acabou abdicando no dia 16 de janeiro de 1979, para a seguir vagar, como um pária, de país em país, até conseguir asilar-se, doente de câncer, no Egito, onde morreu em julho de 1980.
O regime semiditatorial da Venezuela começou a trilhar esse caminho. Ele não conduz a um final feliz.

A raiz dos protestos na Venezuela

O Estado de S. Paulo
1.Quando e por que começaram os protestos?
As primeiras manifestações foram registradas no dia 4 em San Cristóbal (Estado de Táchira, oeste do país), em protesto contra a violência e a insegurança, após tentativa de estupro de uma estudante da Universidade Los Andes, na noite anterior. Os protestos se estenderam a outras cidades, incorporando reclamações contra a inflação, desabastecimento e exigindo que estudantes detidos sejam libertados.
2.Em que momento começaram os incidentes?
Os primeiros incidentes graves ocorreram no dia 6, quando jovens com o rosto coberto atacaram com pedras e coquetéis molotov o palácio do governo do Estado de Táchira, em San Cristóbal. Estudantes negaram participação no ato. No dia 12, nas manifestações em Caracas, ocorreram incidentes entre grupos que se identificavam como estudantes e outros, como partidários do governo. Houve três mortes e dezenas de detenções. Desde então, grupos que se identificam como estudantes provocam excessos em Chacao, bairro nobre da capital.
3.Que grupos políticos apoiam as mobilizações estudantis e como se identificam?
As manifestações receberam o apoio do setor mais radical da Mesa de Unidade Democrática (MUD), de oposição, particularmente de Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular, da deputada independente María Corina Machado e do prefeito da capital, Antonio Ledezma. Sob o lema "La Salida", o grupo adota a tática de ocupar as ruas para forçar a saída do presidente Nicolás Maduro, eleito por estreita margem de votos em abril.
4.Existem mecanismos constitucionais para uma saída antecipada do poder?
Na Venezuela, existe a possibilidade de um referendo revogatório, mas somente a partir da metade do mandato. A coleta de assinaturas para pedi-lo só poderia começar em abril de 2016. Fora isso, os outros mecanismos legais seriam uma renúncia espontânea ou um juízo político por mau desempenho das funções, processo que deve ser movido pelo Tribunal Superior de Justiça.
5.Qual a posição do líder opositor Henrique Capriles?
Capriles e o que alguns definem como o setor moderado da MUD distanciaram-se da tática de oposição nas ruas. Ele defendeu que a oposição deve "canalizar o descontentamento", mas alertou que "não há condições para pressionar a saída do governo".

Nem todos estão com Freixo. Ou: A patrulha socialista sai em campo

O jornal O GLOBO pisou na bola. Não por mencionar Marcelo Freixo, do PSOL, como suspeito de envolvimento com os black blocs, pois há várias evidências desta ligação. E o próprio deputado não condenava suas práticas violentas antes da morte do cinegrafista Santiago Andrade, assim como a esquerda caviar que o defende, alguns tendo inclusive endossado abertamente a aprovação ao vandalismo.
Erra o jornal por ter se colocado na defensiva de forma um tanto covarde, por dar explicações demais e aceitar ser pautado pela patrulha ideológica e organizada de uma minoria barulhenta. A começar por Caetano Veloso, que escreveu em sua coluna de domingo, já rebatida aqui por mim, um texto patético em defesa do camarada socialista e atacando o próprio jornal com teses conspiratórias. À família de Santiago Andrade, nem uma palavra de desculpas por ter sido um black bloc virtual.
Muitos elogiaram a “coragem” de Caetano por bater dessa forma no jornal escrevendo nele mesmo. Ignoram que esta é a postura de O GLOBO, onde também sou colaborador e já teci críticas diretas (inclusive quando o editorial fez um mea culpa absurdo sobre 1964). Trata-se de um jornal que efetivamente pratica o pluralismo, tanto que abriga desde liberais, como eu e Paulo Guedes, até socialistas, como Verissimo e Francisco Bosco.
Mas quando é para tripudiar do grupo, a esquerda ignora isso tudo e diz que o jornal tem uma só linha, um viés de “direita”, ou algo do tipo. Um jornal de direita que cede espaço para tanto esquerdista? O que a esquerda deseja, como sempre, é a hegemonia plena, nada menos. Não tolera viver com o contraditório, com a diversidade que tanto enaltece da boca para fora.
Voltemos à Freixo. O GLOBO escreveu um editorial enorme ontem, ocupando o espaço tradicionalmente de dois, para se justificar no caso em questão, para dar uma resposta à Caetano. O editorial está bem escrito, os argumentos são sólidos, só não acho que era necessário dar tantas explicações. É colocar a patrulha do barulho em uma posição que não merece.
Não obstante, o jornal cedeu grande espaço para o próprio deputado hoje, em um artigo onde reforça e endurece as críticas contra seu jornalismo supostamente enviesado. Para azar e desespero da esquerda caviar que adora Freixo, logo acima estava minha coluna de hoje, mostrando justamente a hipocrisia dessa turma, o monopólio da virtude, as contradições e a revolta seletiva.
Para adicionar insulto à injúria, a rádio CBN, do grupo, divulgou duas vezes, em menos de 20 minutos, uma grande reportagem cobrindo um evento de desagravo ao deputado ontem no Rio, que reuniu, atenção!, 200 gatos pingados. Pode ter sido erro da rádio, mas eu estava preso no trânsito e tive que escutar a mesma matéria duas vezes em curto espaço de tempo.
O evento dizia que “todos têm ligação com Freixo”, e ainda criticava projeto de lei que tenta dificultar a ação criminosa dos mascarados, os quais Freixo nega qualquer envolvimento. Lá estavam os de sempre: Caetano, Gregorio Duvivier, Thaila Ayala, Luiz Eduardo Soares, Julita Lemgruber, etc. Um grupelho de 200 pessoas merece tanta exposição na mídia? Se eu soubesse, reunia agora mesmo umas 500 pessoas para um protesto contra Freixo e o PSOL. Terei a mesma repercussão na CBN?
A verdade é que a patrulha não aceita colocarem em xeque seu novo ídolo, o herói de ficção do filme “Tropa de Elite”. Mesmo quando há indícios claros de ligação com os black blocs, a começar pelo assessor próximo cuja ONG presta serviços jurídicos aos marginais.
O GLOBO poderia, em vez de recuar, explorar a presença de um terrorista comunista entre os membros fundadores do PSOL, que tal? Poderia, também, falar mais do apoio que o partido deu ao outro terrorista comunista, o italiano Cesare Battisti. Ou poderia falar dos elogios do PSOL ao modelo da Venezuela. Será que depois disso tudo a turminha vai continuar chocada com uma simples proximidade entre PSOL e black blocs?
A esquerda caviar adora o socialismo e odeia a GLOBO, mas na verdade odeia o socialismo e adora a GLOBO. Tudo que mais quer é aproveitar as benesses que só o capitalismo pode oferecer, e sonha em ter uma música veiculada em novela da emissora, ou ter uma peça de teatro ou um filme criticados favoravelmente no jornal. São só aparências.
E arranharam, com fatos e evidências, as aparências de um ícone da turma. Isso ela não pode aceitar!
Rodrigo Constantino

Vereadores de Toledo-PR cassam título de cidadão de Pizzolato

A Câmara Municipal de Toledo, no oeste do Paraná, cassou na noite de segunda-feira (17) por 12 votos a seis o título de cidadão honorário concedido a Henrique Pizzolato. A honraria havia sido concedida ao ex-diretor de marketing do Banco do Brasil em 1994 por iniciativa do então vereador Aldeni Gomes de Araújo, que atualmente mora em Palotina, também no oeste. Na primeira votação que revogou a lei R47 em dezembro de 2013, a proposta recebeu dez votos contra nove. Na época da homenagem, Pizzolato – condenado no julgamento do mensalão a 12 anos e sete meses de prisão e que está preso na Itália desde o dia 5 de fevereiro – foi considerado cidadão importante de Toledo por sua militância no Partido dos Trabalhadores (PT), sigla que ajudou a difundir na região. Parte da atuação foi à frente do Sindicato dos Bancários, do qual foi presidente. A projeção o levou a concorrer aos cargos de prefeito de Toledo por duas vezes, em 1988 e 1992, e de governador do Paraná, em 1990, todas sem sucesso.
 ATUAL FM

De uma vez por todas: os nacional-socialistas eram antiliberais!

Um amigo me mandou a reação de certa Maria Cecilia Costa Junqueira ao meu artigo de hoje no GLOBO. É vice-presidente do Pen Clube do Brasil e foi jornalista no JB e Gazeta Mercantil. Dúvida: ignorar, como ela merece, ou processá-la por calúnia e difamação, o que daria certo regozijo, confesso, por levar a esta gente um pouco de seu próprio veneno? Optei por não fazer nem uma coisa, nem outra, e sim expor, aqui, para efeito pedagógico, como a esquerda realmente é e age na prática.
Vejam a mensagem que a moça publicou:
Enfim, vou indo, vou indo, de página em página, folheando rápido, quando dou de cara com Rodrigo Constantino. Entre meu amigo José Casado e Marcelo Freixo. Gostaria que ele fosse esmagado, aliás, por essas boas almas, mas boas almas não esmagam ninguém. Quando é que O Globo vai tirar este pústula de suas páginas editoriais? Ele é o que mesmo? Presidente do Instituto LIBERAL? Liberal é a vovozinha. O cara é nazista de carteirinha. Queimou o Reichstag em 33. Livros na noite de 10 de maio. O último presidente do Instituto Liberal, que conheci bem, o Donald Stewart Jr (1931-1999), dono da Ecisa, era um outro nazistão. Dava medo só de olhar. Não sou contra que as pessoas professem o seu liberalismo, defendam a liberdade de entupir nossos ouvidos e mentes com suas atrocidades a la Goebbels. Não podemos proibir ninguém nem mesmo de falar besteira, se achando um gênio da lâmpada cega. O livro de cabeceira desta gente deve ser Mein Kampf. Não me venham falar em livre arbítrio. Liberdade de escolha. Apego aos ideais democráticos. Ou tábua de mandamentos dos imigrantes do Mayflower, os fundadores dos EUA. O cara está paradão mesmo é lá no alto da Berchtesgaden, com a soberba de quem se acha uma esperta águia aconchegada em seu ninho oracular, no meio da gélida neve alpina.
O ídolo do Constantino e seus amigos queimadores de livros…e de pessoas de esquerda. Ou ciganos, homossexuais, pensadores críticos, pintores, escultores, poetas, escritores, feministas e , por que não? alguns verdadeiros liberais. Como todos sabemos, onde se queimam livros e tentam torrar nossas ideias – e a paciência, a paciência – com suas chamas mefistofélicas, acabam por queimar homens.
É um espanto! A doce mulher quer me esmagar! E faz pressão para o GLOBO me tirar de lá, pois sabem como é, ela adora a pluralidade, a liberdade de expressão, a diversidade. Convive muito bem com o contraditório, como podem ver.
Em seguida, afirma que sou nazista (talvez eu repense aquela coisa de processo). Que meu livro de cabeceira é “Mein Kampf”. Que Donald Stewart Jr. também era um “nazistão”. Só posso concluir uma coisa: esta senhora jamais leu uma única página de um livro meu, do Donald ou do próprio Hitler. Se leu, temos um caso de analfabetismo funcional ou profunda falta de caráter. Não há outra alternativa.
O nacional-socialismo era totalmente antiliberal, detestava os liberais com mais força do que os comunistas, que na verdade eram concorrentes diretos pelo mesmo tipo de alma obtusa. Basta conhecer o plano de governo do Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista, que levou Hitler ao poder, para ver as semelhanças ao socialismo. Era coletivista ao extremo, anti-capitalista.
Já expliquei isso tudo em outra ocasião, em 2006. Mas ainda tem gente que apela para a própria ignorância ou má-fé para chamar de nazistas os liberais que sempre cuspiram no nazismo. Vejam, por exemplo, o que o próprio Hitler falou:
Que significa ainda a propriedade e que significam as rendas? Para que precisamos nós socializar os bancos e as fábricas? Nós socializamos os homens.” (Adolf Hitler, citado por Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939, pg 218-219)
Mas a tal de Maria Cecilia não quer saber dos fatos. Reage feito um cão de Pavlov, babando de raiva, de forma instintiva, sem um pingo de conhecimento ou reflexão. Notem a incapacidade de argumentação da moça. É constrangedor. Meu artigo a tirou do sério, e sem condições de rebater meus argumentos, partiu para as ofensas pessoais, para o ad hominem, de quem sabe, no fundo, não ter razão.
Ainda me acusa de queimar livros! Não, Maria, liberais não queimam livros. Eu até tenho livros de Marx, de Foucault, de Derrida, de Marcuse, e até do Hitler, o outro socialista da lista. É preciso conhecer os inimigos, certo? Quem fez fogueira de livros foi Heidegger, a primeira dentro de uma Universidade alemã, Freiburg. Heidegger, não custa lembrar, é o xodó das esquerdas.
Aqui no Brasil quem costuma queimar livros são sindicatos de professores, todos… de esquerda! E claro, quem queimava ou fuzilava liberais eram comunistas. Portanto, sua infindável ignorância é chocante. Não espero, com estas provas de sua falta de conhecimento, fazê-la refletir, pois já ficou clara sua incapacidade para tanto.
Apenas uso você como exemplo de nossa miséria intelectual à esquerda, repleta de autômatos que aprenderam a reagir com agressão e violência a qualquer divergência ou contradição exposta, fruto de dissonância cognitiva e muita lavagem cerebral, quando não ausência de caráter. Acusar-me de nazista não vai apagar a hipocrisia da esquerda que eu dissequei no texto. Vai apenas prová-la.
Rodrigo Constantino

A declaração de apoio a Maduro adverte: o Mercosul começou a agir na clandestinidade e está com cara de organização criminosa

Augusto Nunes

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Às vésperas da reunião de cúpula do Mercosul em Caracas, o presidente venezuelano Nicolás Maduro amparou-se na cirurgia a que foi submetida Cristina Kirchner para adiar por um mês a sessão de abertura marcada para 17 de dezembro. Foi a primeira mudança de data. A segunda ocorreu em 5 de janeiro: invocando a necessidade de preservar a saúde da colega argentina, o herdeiro de Hugo Chávez transferiu o encontro do dia 17 para o dia 31. Em 16 de janeiro, misteriosos “problemas de agenda” serviram de pretexto para o terceiro adiamento, que empurrou o piquenique bolivariano para “meados de fevereiro”.
Como fevereiro vai chegando ao fim, está claro que vem aí o quarto adiamento. O encontro dos sócios do bloco econômico mais raquítico do mundo deverá ficar para março. Mas talvez fique para quando Deus quiser, avisam os desdobramentos da crise venezuelana e as evidências de que os quatro sócios de Maduro querem distância de Caracas. Fazem muito bem, concordam as cenas perturbadoras agrupadas no vídeo abaixo (gravado durante os protestos da última quinta-feira, dia 13) e as fotos que registram a gigantesca manifestação promovida nesta terça-feira. A tempestade está em seu começo.
Um comunicado divulgado neste domingo pelo Ministério das Relações Exteriores da Venezuela atesta que a turma do Mercosul decidiu apoiar incondicionalmente o chefe de um governo em decomposição ─ mas prefere combater à distância e por escrito. No texto cuja autoria foi atribuída por muita gente ao sucessor do bolívar de hospício, “os Estados membros do Mercosul, diante dos recentes atos violentos na irmã República Bolivariana da Venezuela e as tentativas de desestabilizar a ordem democrática, repudiam todo tipo de violência e intolerância que busquem atentar contra a democracia e suas instituições, qualquer que seja sua origem“.
E a prisão do líder oposicionista Leopoldo Lopez? E os ataques abjetos à deputada Maria Corina Machado? E os manifestantes assassinados com tiros na cabeça? O documento que tenta socorrer o companheiro em apuros não perdeu tempo com tais detalhes, comprova o palavrório que conclui o monumento ao cinismo:
Os  Estados membros reiteram seu compromisso com a plena vigência das instituições democráticas e, neste contexto, rejeitam as ações criminosas de grupos violentos que querem espalhar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela como uma ferramenta política. Expressam seu mais forte rechaço às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular e reiteram a sua posição firme na defesa e preservação das instituições democráticas, de acordo com o Protocolo de Ushuaia sobre compromisso democrático no Mercosul (1998)”.
“Sugerem que as partes a continuem a aprofundar o diálogo sobre as questões nacionais, dentro do quadro das instituições democráticas e do Estado de direito, como tem sido promovido pelo presidente Nicolás Maduro nas últimas semanas, com todos os setores da sociedade, incluindo parlamentares, prefeitos e governadores de todos os partidos políticos representados. Finalmente, expressam suas sinceras condolências às famílias das vítimas fatais, resultado dos graves distúrbios causados, e confiam totalmente que o governo venezuelano não descansará no esforço para manter a paz e plenas garantias para todos os cidadãos”.
Os cinco patetas que pilotam o naufrágio do Mercosul acabam de consumar a dez mãos uma proeza e tanto. Pela primeira vez, uma declaração conjunta foi aprovada sem que se perdesse tempo com reuniões, debates, sugestões de acréscimos, propostas de cortes e outras miudezas. Pela primeira vez, não aparece uma única e escassa assinatura sob o texto que expõe pontos de vista e argumentos avalizados por vários países. Pela primeira vez, foram promovidos a segredos de Estado o nome do redator, a identidade dos envolvidos nos trabalhos de parto e o local de nascimento da peça histórica.
A gestação do documento reforça a suspeita de que o Mercosul caiu na clandestinidade e começou a agir nas sombras. Pelo prontuário dos parceiros, ninguém ficará surpreso se, daqui a pouco, a entidade se transformar em mais uma organização criminosa.

Fuga da raia

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
O lugar comum pode não ser a forma mais sofisticada de se expressar um pensamento, mas às vezes é a maneira mais simples de se traduzir uma situação.
Enquadra-se na definição a frase feita: contra fatos não há argumentos. Não tem passado dia sem que um ministro, um petista proeminente ou até mesmo a presidente da República e seu mentor e antecessor recorram a adjetivos para responder a questões substantivas.
Realmente é mais fácil desqualificar a crítica, ou os críticos, que enfrentar o debate qualificado decorrente de uma contra-argumentação racional, lógica, bem embasada, capaz de convencer o interlocutor sobre o possível equívoco de seu raciocínio, substituir a narrativa adversa por versão mais favorável, porém convincente.
O murro mais forte na ponta de faca foi a reação às condenações dos mensaleiros: punhos cerrados ao alto, gritos de "farsa", reivindicação do status de presos políticos para os políticos presos. Para nada.
Efeito muito mais positivo para o partido teria sido uma boa autocrítica e a retomada do compromisso com a correção de condutas. Mas os petistas preferiram desmoralizar a ética, transformando sua antiga bandeira em coisa de golpista.
Os protestos de junho foram vistos como um sinal de "ingratidão" por parte dos brasileiros que, nas palavras do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tantas benesses recebeu do governo. Gente que não sabe reconhecer o bem.
É o caso, no dizer da senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann, do governador Eduardo Campos. Um "ingrato" que recebeu verbas (de propriedade pública, diga-se) e apoio do governo federal e ousou buscar caminho próprio na política.
Por que não se debruçar sobre as razões pelas quais as pessoas saíram às ruas para cobrar melhorias nos serviços públicos? Ou examinar com racionalidade os motivos que levam um político e um partido a tentar alcançar o que o PT procurou e achou? Por acaso por isso merecem ser chamados de caras de pau?
Chegamos, assim, às insatisfações do empresariado. São reclamações objetivas, postas ponto a ponto, em arrazoados de clareza meridiana. Se eles estão errados, que sejam contestados igualmente ponto a ponto.
Mas, não. Para o governo são críticas inválidas por eleitoralmente engajadas ou frutos de um pessimismo injustificado (por esporte?).
O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, chegou ao ápice do desdém ao dizer que o empresariado faz "beicinho". Segundo ele, assim "não dá". De fato não dá. Governo que se preza presta contas e não foge da raia com gracinhas.
Cobiçado. O governador Eduardo Campos não é o único a desejar o reforço de uma candidatura de Joaquim Barbosa ao Senado pelo Rio de Janeiro, caso o ministro deixe o Supremo Tribunal Federal até 5 de abril a tempo de concorrer.
O senador Aécio Neves tem o mesmo anseio. Com uma diferença: Campos gostaria de ver Barbosa filiado ao PSB e Aécio acha que não seria indispensável a filiação ao PSDB.
Um gesto de simpatia à candidatura presidencial já seria ótimo no entendimento do tucano que, aliás, manteve desde o ano passado dois ou três encontros com o ministro para conversar sobre política.
Como tese geral. Sem referência a convites.
Ardida. Um amigo do peito do ex-presidente Luiz Inácio da Silva constata. Ele tem hoje duas preocupações: a economia e o temperamento de Dilma.
Mas Lula já não conhecia o gênio dela quando a escolheu como sucessora?
"Sim, mas na posição de subordinada era uma coisa. Como chefe é outra bem diferente."

SOBRE A VENESGOELA- Segundo o entendimento dos dirigentes do MERCOSUL, inclusive nossa Dilma, o povo venezuelano só protesta porque é feliz. Nada é melhor que viver num país de inflação alta, com carência de produtos de primeira necessidade e ter a suprema felicidade de ter um governo que fecha jornais, persegue jornalistas e opositores.

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