quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

PARTIDOS ALIADOS ENSAIAM ‘BLOCÃO’ CONTRA DILMA

Insatisfeitos com as imposições da presidenta Dilma nas votações na Câmara, e sobretudo com a distribuição de cargos, a base aliada se articula em “blocão” informal, com PMDB, PP, PROS, PSD, PR, PDT e PTB, para medir forças com o Planalto. Em jantar, quarta, na casa do deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG), líderes atacaram Dilma por tratá-los como meros “chanceladores” dos interesses do governo.

Cláudio Humberto

LIÇÃO INVERTIDA

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


A modelagem do mensalão nasceu em Minas Gerais, na campanha do tucano Eduardo Azeredo para a reeleição ao governo do Estado em 1998.

O esquema viria a ser ampliado e usado em âmbito nacional quando o PT assumiu o poder: desvio de dinheiro público, empréstimos bancários fraudulentos e distribuição de recursos por intermédio das empresas de Marcos Valério de Souza.

A renúncia de Azeredo ao mandato de deputado mostra que o professor aprendeu alguma coisa com os erros cometidos pelo aluno durante o processo e julgamento que aconteceu antes porque o crime de Minas só foi descoberto depois, durante as investigações do mensalão petista.

Se, conforme alega, o PSDB não pressionou Azeredo a renunciar, ao menos fez fortes gestões, o que dá no mesmo. O agora ex-deputado não deixará por isso de pertencer ao partido nem o caso deixará de ser chamado de mensalão mineiro ou mensalão tucano.

Mas, se a decisão do Supremo Tribunal Federal for devolver o processo à primeira instância em decorrência da perda do foro de função, dito privilegiado, o caso perde muito de seu potencial de repercussão.

Um réu sem mandato em processo tramitando na Justiça de Minas, convenhamos, não tem o mesmo atrativo. Para o PSDB é uma boa redução de danos. Estratégia esta já posta em prática nas declarações de defesa discreta e apenas em relação ao caráter do correligionário.

Uma palavra não se ouviu de tucano algum que pudesse ser entendida como ataque ou mera desconfiança da lisura do tribunal para julgar Azeredo. Gestos feitos com a evidente intenção de se diferenciar do PT.

A renúncia ao mandato antes do início do julgamento, enquanto o processo ainda não saiu das mãos do relator Luís Roberto Barroso, enquadra-se nessa tentativa de diferenciação.

Mais que isso: a antecedência busca contar com a boa vontade do STF em devolver o processo para Minas Gerais e aí levar as coisas praticamente à estaca zero.

Dois precedentes com resultados diferentes: em 2007, o então deputado Ronaldo Cunha Lima (já falecido) renunciou ao mandato de deputado federal cinco dias antes de ir a julgamento por tentativa de assassinato do ex-governador Tarcísio Buriti. A manobra deu certo e o caso voltou à justiça da Paraíba.

Três anos depois, Natan Donadon renunciou ao mandato na véspera de ser julgado pelo STF por corrupção, mas o tribunal entendeu o gesto como chicana e resolveu prosseguir com o processo.

Naquele mesmo ano o réu candidatou-se e foi eleito deputado. A história seguinte é conhecida: condenado, preso, absolvido na Câmara com voto secreto, julgado de novo, cassado com voto aberto.

Embora o ministro Barroso tenha sugerido a possibilidade do envio do processo de Azeredo para a primeira instância, nada é garantido. O colegiado pode perfeitamente entender que se trata de uma manobra. Até porque é difícil ver de outra forma.

Todos os detentores de mandatos envolvidos no esquema de Marcos Valério tinham plena certeza de que não seriam punidos. Eles podem ser padecido do excesso de confiança na tradição de impunidade ou do erro de cálculo dos advogados.

Mas, se era para manobrar no sentido de escapulir do foro único deveriam tê-lo feito em tempo hábil. Ou renunciando aos mandatos antes do julgamento ou não cometendo a temeridade de se candidatarem.

Sem nos esquecermos dos eleitores que a eles delegaram mandatos. Parceiros no delito.

O "russo". Fala-se no desejo do governador Eduardo Campos de ter o ministro Joaquim Barbosa como candidato do PSB ao Senado pelo Rio de Janeiro.

Mas ninguém fala se houve combinação prévia com Romário, que recentemente anunciou sua candidatura pelo partido ao Senado - que, na eleição deste ano, só dispõe de uma vaga para cada Estado.

O PAC da Ilha da Fantasia

O Estado de S.Paulo


Foi mais um espetáculo digno da Ilha da Fantasia, também conhecida como Brasília, capital do menos dinâmico dos países emergentes. O Brasil cresceu no ano passado mais que em 2012 e deverá crescer ainda mais neste ano, proclamou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao apresentar com sua colega do Planejamento, Miriam Belchior, mais um balanço triunfal do PAC 2, a segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento. Em 2012 a economia brasileira cresceu apenas 1% e o desempenho no ano passado, tudo indica, ficou longe de brilhante, mas o ministro dispensou esses detalhes. Em seu mundo, muito diferente e muito distante dessas ninharias, os problemas do Brasil vieram todos de fora, na pior fase da crise global. E agora? Com a recuperação dos Estados Unidos e do mundo rico, problemas continuarão sendo importados, porque os estímulos monetários americanos serão reduzidos e os mercados financeiros serão afetados. Em resumo, ruim com crise, ruim sem crise.



Mas o País conseguirá atravessar essa fase sem grandes danos, graças à solidez das contas públicas e à sua saúde econômica, garantiu o ministro da Fazenda. Ninguém sabe ainda quanto cresceu no ano passado o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. As estimativas mais otimistas são próximas de 2,3%. Para este ano, a última projeção do mercado financeiro é um resultado pior, de 1,79%. Talvez os dois ministros tenham tido a esperança de criar, com seu alegre dueto, um pouco mais de otimismo entre os economistas do mercado e, especialmente, entre os avaliadores de risco de crédito, ultimamente mal-humorados em relação ao País.

A mensagem teria sido mais convincente se tivessem apresentado uma boa meta fiscal para este ano - de tamanho razoável e com detalhes críveis de execução orçamentária -, mas o assunto foi evitado. Nem sequer, segundo o ministro da Fazenda, se havia resolvido como cuidar do aumento de custo da energia elétrica, um provável fato de aumento do gasto do Tesouro nos próximos meses.

Mantega e Belchior preferiram concentrar-se na enumeração dos avanços do PAC. Mas, como em todos os balanços anteriores, a retórica oficial foi muito mais impressionante que os detalhes da execução. Segundo o relatório, foram investidos no programa R$ 773,4 bilhões entre 2011 e 2013. Esse valor corresponde a 76,1% do total previsto para aplicação até o fim de 2014. Segundo a ministra do Planejamento, a execução está adiantada, porque essa porcentagem é superior à do período transcorrido (75%). Mas o quadro é muito menos bonito quando visto mais de perto.

Mais uma vez a maior fatia do dinheiro foi destinada ao setor habitacional. Foram destinados ao programa Minha Casa, Minha Vida R$ 328,1 bilhões. Isso corresponde a 42,42% dos R$ 773,4 bilhões empregados até o fim de 2013. O PAC, portanto, continua sendo principalmente um grande programa de construção habitacional - uma atividade com reflexos na manutenção do emprego a curto prazo, mas com efeito muito limitado na eliminação dos principais obstáculos ao crescimento, como as deficiências no setor de transporte e na área de energia.

Mas o detalhe fica um pouco mais feio quando se decompõe o valor registrado como investimento em habitação. A maior parte desse dinheiro, R$ 253,8 bilhões, corresponde a financiamentos. Falta esclarecer quanto desse valor foi efetivamente destinado a habitações novas.

No eixo de transportes, um dos mais importantes para a política de desenvolvimento econômico, foram aplicados R$ 43,8 bilhões, destinados a 3.080 quilômetros de rodovias concluídos em todo o País. O relatório registra obras em andamento em 6.915 quilômetros de estradas. A soma das duas parcelas - a concluída e aquela ainda em execução - dá 9.995 quilômetros. Só se terminou, portanto, uma fração correspondente a 30,81% das obras iniciadas no setor rodoviário. Isto é apenas mais um dos muitos pormenores feios do balanço. O conjunto reforça uma velha suspeita, renovada a cada balanço: mais que um nome de fantasia, Programa de Aceleração do Crescimento é um nome fantasioso. Não é programa nem acelera crescimento nenhum.

‘Fingi que estava morto para ser levado ao IML’, diz venezuelano detido pela Guarda Nacional durante manifestação



Publicado no Globo desta quinta-feira
Venezuela (1)
DANIEL LOZANO, do La Nación
“Relaxa, que vamos matar você. Isso é rapidinho. Vocês não são ninguém.” Juan Manuel Carrasco, de 21 anos, e Jorge Luis León, de 25, que participaram de protestos contra o governo venezuelano, relembram seu próprio filme de terror, marcado por golpes, maus-tratos e tortura. Os dois foram detidos pela Guarda Nacional na última quinta-feira, depois de manifestações, e ficaram presos entre 55 e 60 horas até serem levados ante um juiz.
A crueldade descrita no relato começa desde a detenção. León, Carrasco, um amigo e uma garota esconderam-se em seu carro, mas foram tirados de lá à força pela Guarda Nacional. Os agentes queimaram o veículo depois, sob total impunidade.
— Foram tantos golpes que me fingi de morto, para que me levassem ao Instituto Médico Legal (IML). Para comprovar se eu estava mesmo morto, me cutucaram com um fuzil no ânus. Me mexi, e levei outro chute — lembra Jorge Luis León.
Desde o começo, Juan Manuel Carrasco enfrentou os guardas nacionais. Nascido na Venezuela, ele tem cidadania espanhola. Abandonou os estudos e trabalhava na carpintaria do pai, até a loja quebrar devido à crise que assola o país. Um rapaz corajoso, que encarou os policiais para defender uma garota e seus amigos.
— Reclamei nossos direitos. Eles me bateram bastante, nas costelas, na cabeça, com coronhadas e até com os capacetes — conta León. — Ao chegar à sede da Guarda Nacional de Tocuyito, colocaram um cachorro na nossa frente e mandaram que ele mordesse nosso pescoço. O bicho acabou lambendo nossas feridas. Depois nos forçaram a ficar ajoelhados, e três deles começaram a jogar futebol conosco. Chutaram nossas costas, enquanto gritavam gol...

Uma moeda de presente para os socialistas que chamam a direita de nazista



Muitos socialistas acusam os liberais de nazistas. Ignoram que o nacional-socialismo era similar ao próprio socialismo em vários aspectos, ambos diametralmente opostos ao liberalismo ou ao conservadorismo. De presente a esses ilustres quadrúpedes, ofereço esta moeda, cunhada na Alemanha já nazista, em 1934, como homenagem ao Dia do Trabalho, uma data especialmente celebrada pelos socialistas:
Moeda nazi
Caso, por algum acesso de cegueira psicológica, o estimado socialista não tiver notado, temos nessa moeda a foice e o martelo, símbolos comunistas, bem ao lado da velha suástica, o símbolo nazista. Até o pacto Molotov-Ribbentrop ser rompido pela ganância de Hitler, comunistas e nazistas conviveram em razoável harmonia.
Claro, sempre em concorrência acirrada pela mesma alma abjeta. Mas disputando omesmo território, não campos opostos. Nesses estavam justamente os liberais e os conservadores, repudiando tanto o socialismo/comunismo como o nazismo (nacional-socialismo).
Agora já sabem: sempre que um esquerdista acusar um liberal de nazista, não resta dúvida de que se trata ou de um profundo ignorante, ou de um grandessíssimo cara de pau.
Rodrigo Constantino

CAIO BLINDER- Putinadas & Patinadas em Kiev (II)

A crise por si na Ucrânia é gravíssima. Na lição básica de geopolítica (que mesmo os iniciados precisam relembrar), o país está no limbo, empacado na encruzilhada, é epicentro hoje de um conflito (quase um choque de civilizações) entre União Europeia e a Rússia. E para quem esqueceu a lição básica da história recente, a crise explodiu no final do ano passado quando o presidente ucraniano Viktor Yanukovich deu para trás e não assinou acordos de cooperação comercial e política com Bruxelas por instigação (e amaciado por um pacote bilionário de ajuda) do nosso homem em Moscou, Vladimir Putin.
E a escala de gravidade aumenta ainda mais por envolver o país do homem, um país absorto na missão quixotesca de restaurar glórias passadas, com Putin achando que “pode” com o Ocidente (e não há dúvidas que em algumas situações ele pode mesmo)  Aqui não se trata de obsessão com Putin (existe esta impressão, hehehe?), mas da constatação de que é impossível falar de Ucrânia sem falar de Rússia. A partir de agora, eu posso passar a palavra para a inestimável Julia Ioffe (que já deveria estar recebendo parte do meu salário).
A última vez que tanta gente protestou em Kiev (embora não tenha ocorrido a atual escalada de violência) foi há nove anos na mobilização que derrubou o familiar Viktor Yanukovich, que fora eleito com fraude (mais tarde, ele voltou num pleito mais limpo, mas esta é outra longa história). As manifestações de então se inseriram no contexto de revoluções coloridas no ex-bloco soviético (a ucraniana foi a laranja), mas muito mais estava em jogo em Kiev.
A cidade é berço da civilização russa. Para Putin, como lembra Julia Ioffe, a Ucrânia é uma província russa e não um país que se tornou independente com o fim da Guerra Fria. Com a encrenca ucraniana, Putin criou o bizarro conceito de “democracia administrada” (conceitos do tipo são inventados por milicos e ditadores). O conceito significa manter alguns penduricalhos da democracia, mas tudo nos “nossos” termos. Democracia para valer, nunca. Democracia, afinal, é instabilidade, desordem e, imagine, o outro pode ganhar o poder.
Protestos pró-democracia são o pesadelo para Putin, um terrível exemplo. Ainda por cima, quando ele considera que por trás da mobilização está o Ocidente tentando impor seu modo de vida e seus valores. Na expressão de Julia Ioffe, se acontece em Kiev, pode acontecer em Moscou. Por esta razão, Putin ceifa o “mal” pela raiz. Isto aconteceu no inverno russo de 2011/2012 na sua volta para o terceiro mandato presidencial. As manifestações na ocasião não iriam derrubar o seu regime, mas quando começam podem virar bola-de-neve, uma primavera democrática.
A prova está neste inverno ucraniano de 2013/2014. As manifestações eram pacíficas no começo e o governo deixou rolar. E como não? A Ucrânia não é uma mera “democracia administrada”. É uma democracia caótica em um país com uma classe política corrupta e incompetente (e não apenas no governo). O protesto cresceu e o governo passou a reprimir. Muitos manifestantes literalmente botaram para quebrar, com a ajuda de grupos oposicionistas fascistas e agentes provocadores (na típica narrativa russa, o protesto é obra basicamente de golpistas fascistas).
Chega um momento em que um dirigente acuado, como Yanukovich, mistura pancada com acenos conciliatórios. Na quarta-feira à noite, por exemplo, ele anunciou uma trégua e a disposição de mais uma vez negociar com líderes da oposição, que controlam cada vez menos a massa nas ruas. O anúncio foi feito depois de um dia de pressões ocidentais e movimentações rumo a sanções contra o governo ucraniano. Fica flagrante a fragilidade do presidente. E, assim, sua legitimidade é corroída. Quanto mais ele negocia, mais a oposição pede. Para Putin, é penoso ajudar este tipo de gente. Seu estilo de poder é outro.
O tom de Julia Ioffe é tenebroso. Ela diz que Putin acompanha com horror a degringolada ucraniana, um cenário inadmissível para o presidente russo. Houve a farsa de algumas concessões antes dos Jogos Olímpicos de Sochi (como a libertação de presos políticos), mas aí está Putin, apertando cada vez mais os parafusos. O que restou de imprensa livre está sendo estrangulada.
Traumatizado pelo colapso soviético há 25 anos, Putin não medirá esforços para assegurar a estabilidade de sua “democracia administrada”. Ele vai putinar ainda mais. Também tenebroso é o cenário em Kiev. Saberemos em breve até que ponto Putin estará disposto a intervir e qual será a reação ocidental, com a trégua firmada na quarta-feira destroçada pela realidade, em questão de horas.

Candidaturas próprias

Encontro marcado no Rio
Construindo palanques
Aécio Neves irá a Alagoas no sábado para apagar um incêndio e consolidar seu o palanque. Teotônio Vilela Filho, que chegou a balançar na direção de Renan Calheiros, se comprometeu com Aécio a encontrar um quadro tucano para concorrer ao governo alagoano.
No Pará, situação semelhante: Aécio já deixou claro a Simão Jatene que precisa de um candidato ao governo local ostentando o 45 na urna. Jatene entendeu o recado e disse que abandonará a ideia de apoiar seu vice, Chico Daltro, do PSD, para lá de simpático à reeleição de Dilma Rousseff.
Por Lauro Jardim

O jantar dos insatisfeitos

Pitaco sobre protestos
Insatisfação à mesa
Depois do avisos e queixas públicas, o PMDB da Câmara agora resolveu transformar em atitude a irritação com Dilma Rousseff. Henrique Eduardo Alves convidou os líderes dos partidos base mais insatisfeitos com o governo para um jantar com jeito de rebelião hoje à noite, provavelmente na casa do deputado Luiz Fernando faria, do PP mineiro.
Henrique Alves está cuidando pessoalmente da reunião, com apoio de Eduardo Cunha, naturalmente, e quer a presença de cabeças de PP, PDT, Pros, PR, PTB, PSC, partidos de aproximadamente 250 deputados. Se tudo der certo para os revoltosos, o jantar acabará no compromisso de que essas bancadas passariam a adotar uma postura mais independente, em outras palavras rebelde, em relação ao temas de interesse de Dilma.
Por Lauro Jardim

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LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.