segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

VERGONHA

O serpentário do Itamaraty já entregou: o “comunicado conjunto”, que cobriu de vergonha a diplomacia brasileira, atacando os manifestantes venezuelanos, foi obra do “bolivariano” Antonio Simões, ex-embaixador em Caracas, em parceria com o aspone Marco Aurelio Top Top Garcia.
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NO DF, AÉCIO ULTRAPASSA DILMA E LIDERA PARA PRESIDENTE

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves (MG), lidera as intenções de voto no Distrito Federal, segundo pesquisa do Instituto Dados realizada entre os dias 10 e 17 de fevereiro. Aécio tem 22,9% das preferencias do eleitor do DF, contra 21,7% de Dilma Rousseff (PT) e 8,7% de Eduardo Campos (PSB). O DF é a primeira unidade da Federação onde Aécio supera Dilma.
A pesquisa do Instituto Dados, com detalhes do universo apurado e metodologia, foi registrada no TSE (nº 013/2014) e no TRE (001/2014).
Para apurar as intenções de voto para presidente, no Distrito Federal, o Instituto Dados entrevistou 3.000 eleitores.
O PSDB e o possível candidato do partido ao governo do DF, deputado Luiz Pitiman, comemoraram o desempenho de Aécio na pesquisa.
Diário do Poder

Historiador paulista defende nova visão sobre a ditadura militar instaurada em 1964

Marco Antonio Villa
 (Caio do Couto Villa/Divulgação)
A proximidade dos 50 anos do golpe militar brasileiro tem despertado o interesse em historiadores, cientistas políticos, jornalistas e sociólogos, que trazem a público diferentes olhares sobre aquelemomento histórico. Alguns autores enriqueceram suas obras com novas informações, como Elio Gaspari com sua série sobre a ditadura, que revela documentos que reforçam a presença americana no golpe. Outros, como Daniel Aarão Reis, no recente Ditadura e democracia no Brasil (Zahar), se aprofundam na análise da participação ativa da sociedade civil nos acontecimentos de março de 1964, propondo que a ditadura instalada seja qualificada como civil-militar. E, ainda, há quem procure matizar a ditadura, tanto para relevar seus efeitos como para reconhecer avanços modernizadores devidos aos governos militares. É o caso do historiador Marco Antonio Villa, que está lançando seu Ditadura à brasileira – 1964-1985: a democracia golpeada à esquerda e à direita.
A tese mais contestada do autor é a que defende que não se pode falar de ditadura no período 1964-1968 (até a decretação do AI-5), em razão da movimentação política e cultural e da existência de espaço democrático vivo no tecido social e das instituições. Além disso, o historiador acusa a opção pela luta armada como uma forma de desprezo pela via política, já que, até 68, ainda havia condições de resistência democrática. Villa ainda faz questão de diferenciar a ditadura brasileira de outras expressões autoritárias na América do Sul. Por fim, considera que com a anistia se encerra o ciclo, o que resume o arco temporal da ditadura aos anos 1968-1979. Em entrevista ao Pensar, Marco Antonio Villa avalia o significado de 1964 para a sociedade brasileira e o que ainda há está vivo daquele período. “Pouca coisa mudou”, decreta o historiador.
Os 50 anos do golpe militar têm despertado interesse em vários autores e universidades. O que 1964 significa para a história brasileira?
O ano de 1964, assim como 1930, é emblemático na história política brasileira. Foi um momento de definições. Serviu como teste para a democracia da época. Infelizmente para o Brasil, as instituições ainda eram frágeis, a elite política – em sua maioria – era golpista e desprezava a democracia. Assim, em vez de desatarmos o nó górdio construído principalmente por Jango, acabou-se, mesmo sem ser esta a intenção inicial, abrindo caminho para um longo período de arbítrio.
Havia outra saída para a crise instalada em 64?
A saída seria uma negociação via Congresso Nacional e que garantisse a aprovação de algumas reformas e as eleições presidenciais de outubro de 1965 Mas a maior parte da elite política queria o golpe, tanto à direita, como à esquerda. Jango tinha o seu golpe, assim como Brizola e o PCB. A direita também tinha o seu – na verdade, vários grupos direitistas articulavam o “seu” golpe. A saída democrática foi inviabilizada.
Recentemente, houve grande polêmica em torno da expressão ditabranda, que trazia à tona a comparação da ditadura brasileira com a de outros países do Cone Sul. Como você avalia essa questão?
Não há qualquer parentesco do regime militar brasileiro com as ditaduras do Cone Sul. Na Argentina, por exemplo, a ditadura desestatizou a economia; no Brasil ocorreu o processo inverso. Os militares argentinos bateram de frente com o ensino público de terceiro grau; no Brasil, os governos militares expandiram as universidades federais. Durante todo o regime militar ocorreram eleições: 1965, 1966, 1968, 1970, 1972, 1974, 1976, 1982. Ocorreu alguma eleição na Argentina? Ocorreu alguma eleição no Uruguai? E o Congresso aberto? Na Argentina de Videla e no Chile de Pinochet foi a mesma coisa? A ditadura chilena instituiu o horário político gratuito na televisão e rádio? Algum presidente argentino falou de democracia na posse?
Ainda há traços da ditadura na sociedade brasileira?
Como no processo de transição do regime militar para a democracia os representantes da velha ordem acabaram assumindo – oportunisticamente – a hegemonia, o novo já nasceu velho. Hoje, no aparelho de Estado temos a presença dos mesmos interesses de classe do pré-1985. O Brasil dormiu na noite de 14 de março com Tancredo presidente e acordou, no dia seguinte, tendo no Palácio do Planalto José Sarney. E dizem que Deus é brasileiro…. Assim, apesar da importância da Constituição de 1988 e das instituições criadas, o manejo do cotidiano do Estado é realizado pelos setores oligárquicos/familiares, isto nos estados mais atrasados, e pelo grande capital, no caso dos estados mais avançados. Em suma, pouca coisa mudou.
Os partidos e os movimentos sociais brasileiros aprenderam com a história?
Não. Vivemos o pior momento da história política republicana. São anos, como já escrevi, marcados pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disso. A disputa política é pelo poder, que tudo pode e no qual nada é proibido.
Como você avalia a criação e o trabalho desenvolvido pela Comissão da Verdade?
Péssimo trabalho. O problema começou com a aprovação da lei. Depois pela designação de pessoas que desconheciam como encaminhar o trabalho de uma “comissão da verdade”. Depois de tanto tempo, qual o resultado concreto dos trabalhos? Deu alguma contribuição para a discussão do passado político? A comissão serviu como palco para que o governo pudesse, como de hábito, fazer um acerto de contas com seus adversários. O PT – e é uma sua característica – confundiu a sua visão de mundo com a dos brasileiros.

Golpe à brasileira

Marco Antonio Villa* – O Estado de S.Paulo
Às vésperas dos 50 anos do golpe militar torna-se necessário um resgate da História para entendermos o presente. Em 1964 o Brasil era um país politicamente repartido. Dividido e paralisado. Crise econômica, greves, ameaça de golpe militar, marasmo administrativo. O clima de radicalização era agravado por velhos adversários da democracia. A direita brasileira tinha uma relação de incompatibilidade com as urnas. Não conseguia conviver com uma democracia de massas num momento de profundas transformações. Temerosa do novo, buscava um antigo recurso: arrastar as Forças Armadas para o centro da luta política, dentro da velha tradição inaugurada pela República, que já havia nascido com um golpe de Estado.

A esquerda comunista não ficava atrás. Sempre estivera nas vizinhanças dos quartéis, como em 1935, quando tentou depor Getúlio Vargas por meio de uma quartelada. Depois de 1945, buscou incessantemente o apoio dos militares, alcunhando alguns de “generais e almirantes do povo”. Ser “do povo” era comungar com a política do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e estar pronto para atender ao chamado do partido numa eventual aventura golpista. As células clandestinas do PCB nas Forças Armadas eram apresentadas como uma demonstração de força política.
À esquerda do PCB havia os adeptos da guerrilha. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) era um deles. Queria iniciar a luta armada e enviou, em março de 1964, o primeiro grupo de guerrilheiros para treinar na Academia Militar de Pequim. As Ligas Camponesas, que desejavam a reforma agrária “na lei ou na marra”, organizaram campos de treinamento no País em 1962 – com militantes presos foram encontrados documentos que vinculavam a guerrilha a Cuba. Já os adeptos de Leonel Brizola julgavam que tinham ampla base militar entre soldados, marinheiros, cabos e sargentos.
Assim, numa conjuntura radicalizada, esperava-se do presidente um ponto de equilíbrio político. Ledo engano. João Goulart articulava sua permanência na Presidência e necessitava emendar a Constituição. Sinalizava que tinha apoio nos quartéis para, se necessário, impor pela força a reeleição (que era proibida). Organizou um “dispositivo militar” que “cortaria a cabeça” da direita. Insistia em que não podia governar com um Congresso Nacional conservador, apesar de o seu partido, o PTB, ter a maior bancada na Câmara dos Deputados após o retorno do presidencialismo e não ter encaminhado à Casa os projetos de lei para tornar viáveis as reformas de base.
Veio 1964. E de novo foram construídas interpretações para uso político, mas distantes da História. A associação do regime militar brasileiro com as ditaduras do Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai) foi a principal delas. Nada mais falso. O autoritarismo aqui faz parte de uma tradição antidemocrática solidamente enraizada e que nasceu com o Positivismo, no final do Império. O desprezo pela democracia rondou o nosso país durante cem anos de República. Tanto os setores conservadores como os chamados progressistas transformaram a democracia num obstáculo à solução dos graves problemas nacionais, especialmente nos momentos de crise política. Como se a ampla discussão dos problemas fosse um entrave à ação.
O regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 – até o Ato Institucional n.º 5 (AI-5) -, com toda a movimentação político-cultural que havia no País. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições diretas para os governos estaduais em 1982. Que ditadura no mundo foi assim?
Nos últimos anos se consolidou a versão de que os militantes da luta armada combateram a ditadura em defesa da liberdade. E que os militares teriam voltado para os quartéis graças às suas heroicas ações. Num país sem memória, é muito fácil reescrever a História.
A luta armada não passou de ações isoladas de assaltos a bancos, sequestros, ataques a instalações militares e só. Apoio popular? Nenhum. Argumenta-se que não havia outro meio de resistir à ditadura a não ser pela força. Mais um grave equívoco: muitos desses grupos existiam antes de 1964 e outros foram criados pouco depois, quando ainda havia espaço democrático. Ou seja, a opção pela luta armada, o desprezo pela luta política e pela participação no sistema político, e a simpatia pelo foquismo guevarista antecederam o AI-5, quando, de fato, houve o fechamento do regime. O terrorismo desses pequenos grupos deu munição (sem trocadilho) para o terrorismo de Estado e acabou sendo usado pela extrema direita como pretexto para justificar o injustificável: a barbárie repressiva.
A luta pela democracia foi travada politicamente pelos movimentos populares, pela defesa da anistia, no movimento estudantil e nos sindicatos. Teve em setores da Igreja Católica importantes aliados, assim como entre os intelectuais, que protestavam contra a censura. E o MDB, este nada fez? E os seus militantes e parlamentares que foram perseguidos? E os cassados?
Os militantes da luta armada construíram um discurso eficaz. Quem os questiona é tachado de adepto da ditadura. Assim, ficam protegidos de qualquer crítica e evitam o que tanto temem: o debate, a divergência, a pluralidade, enfim, a democracia. Mais: transformam a discussão política em questão pessoal, como se a discordância fosse uma espécie de desqualificação dos sofrimentos da prisão. Não há relação entre uma coisa e outra: criticar a luta armada não legitima o terrorismo de Estado. Temos de refutar as versões falaciosas. Romper o círculo de ferro construído, ainda em 1964, pelos adversários da democracia, tanto à esquerda como à direita. Não podemos ser reféns, historicamente falando, daqueles que transformaram o antagonista em inimigo; o espaço da política, em espaço de guerra.
*Marco Antonio Villa é historiador, autor do livro ‘Ditadura à Brasileira’ (Ed. Leya).

JOÃO PAULO PEIXOTO- O GOVERNO CENTRALIZADOR DESCARACTERIZA A FEDERAÇÃO E A DEMOCRACIA

O que modera a tirania da maioria nos Estados Unidos é a ausência da centralização administrativa.
Alexis de Tocqueville
Democracy in America
A luta pela imposição de limites ao governo central é tão antiga quanto salientada por Alexis de Tocqueville no seu clássico “Democracia na América”.
Já em 1820, chamava à sua atenção como o exercício crescente do governo pelo próprio povo e a consequente limitação do governo central, poderia reforçar os ideais de democracia em França. Sabendo-se, também, que situação análoga se impunha nos Estados Unidos.
Defendia o filósofo que democracia e descentralização formavam uma boa combinação, uma alimentando a outra. Por outro lado, repudiava a centralização de poderes, seja num dos ramos do governo, seja no governante. Reafirmando a noção, já defendida por outros filósofos políticos, de que tal situação se configura em tirania e não democracia.
Pois bem, a luta continua. Uma vez que nem todos os Estados federais aprenderam a lição, Brasil inclusive.
Sabe-se que o nosso modelo político foi inspirado no norte-americano. O  tipo de Estado federal, o sistema de governo presidencialista e a forma republicana de governo foram inseridos na primeira Constituição republicana [1891]. Diferenças históricas e culturais, no entanto, não permitiram que o Brasil tivesse nessas características políticas uma reprodução daquilo que vigora em terras yankees.
Ao contrário dos Estados Unidos da América, o Brasil foi um país ‘criado de cima para baixo’, onde a estrutura burocrática sempre precedeu e condicionou a organização social.
Aqui, ao menos desde 1930, e particularmente durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945), a centralização de poderes no governo federal e no chefe do executivo tem sido uma constante. Assim, sucessivos governos a partir de 1930 insistiram em administrar o País como se fosse um Estado unitário e não federal. Não obstante algumas tentativas de descentralização, hoje a situação parece ter se cristalizado em favor da concentração e não o oposto. Não se limitando apenas ao orçamento,  e às decisões administrativas e políticas.
De acordo, os estados federados e mesmo vários municípios se apoiam para sua sobrevivência na dependência econômica do governo federal, que logo se transforma em política.
A exemplificar essas anomalias verificadas no Brasil de hoje, registre-se que o ministério da Educação adquire aparelhos de ar-condicionado destinados a equipar escolas no estado do Paraná; convênios são firmados pelo governo nacional diretamente com municípios longínquos e diretamente sob a jurisdição dos entes federados. Mais ainda, são retroescavadeiras, motoniveladoras e caminhões caçamba, doados a municípios de até 50 mil habitantes. Até o ‘trenzinho do Corcovado’, no Rio de Janeiro, responsável pelo transporte de turistas em visita ao Cristo Redentor, é incorporado ao patrimônio da União e administrado por uma estatal federal – Empresa Estrada de Ferro Corcovado – vinculada ao ministério dos Transportes.
Outro exemplo consiste na idade mínima para o jovem obter carteira de habilitação. A mesma para todo o país. Como se a realidade urbana fosse igual à rural, em São Paulo e interior do Nordeste. Idem para  normas de trânsito do tipo obrigatoriedade de treinamento de alunos de autoescolas em simuladores. A supor que todos os alunos e as próprias empresas especializadas tivessem o mesmo padrão de renda verificado em Brasília, Rio e São Paulo, por exemplo. E agora a imposição, baseada nos mesmos pressupostos, para que os veículos adotem rastreadores. E a lista não para aí.
Tais diretrizes emanam do governo federal. E quase sem controle, desdenham da autonomia dos estados membros e, porque não dizer, da própria autonomia dos cidadãos frente ao Estado.
Exemplos de várias naturezas deste Estado quase unitário se sucedem. Todos fazendo de conta que o Brasil é uma ilha e não um arquipélago cultural. Um país, multicultural, multirracial, econômica e socialmente desigual.
Toda esta realidade, no entanto, se prende e se presta ao fisiologismo e ao patrimonialismo. Por isso pouco interesse em mudá-la, embora seja imperioso faze-lo em nome da democracia. Caso contrário macula-se o regime democrático por via da concentração de poderes, seu inimigo declarado. Não é mesmo Tocqueville?

A DIFERENÇA ENTRE UM PALANQUEIRO E UM ESTADISTA


Quatro anos depois de escancarar o abismo existente entre um palanqueiro e um estadista, Óscar Arias mostra a diferença que separa um democrata corajoso de uma cúmplice do capataz da Venezuela

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Em março de 2010, com poucas horas de diferença, os presidentes do Brasil e da Costa Rica se manifestaram sobre o tratamento dispensado pela ditadura cubana a presos políticos e oposicionistas em liberdade vigiada. Como atesta o post reproduzido na seção Vale Reprise, o que Lula disse durante outra visita à ilha-presídio e o que Óscar Arias escreveu num artigo publicado no jornal El País escancararam o abismo existente entre um palanqueiro sem grandeza e um genuíno estadista.
Passados quatro anos, chegou a vez de Dilma Rousseff ser exposta a uma desmoralizante comparação com Óscar Arias, desta vez provocada por opiniões antagônicas sobre a reação brutal do presidente Nicolás Maduro às manifestações de protesto promovidas pela oposição venezuelana. Um comunicado oficial endossado pelo governo brasileiro formalizou o apoio incondicional dos países do Mercosul ao companheiro ameaçado por “atos de violência”, “tentativas de desestabilizar a ordem democrática” e “ações criminosas de grupos violentos que querem disseminar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela, como instrumento de luta política”.
Nesta sexta-feira, de novo com um texto publicado no jornal El País sob o título Venezuela: inferno de perseguição, o costarriquenho premiado em 1987 com o Nobel da Paz implodiu mais um monumento ao cinismo erguido pelo clube dos farsantes. Confira:
Quero juntar minha voz ao coro de preocupação que se ouve em grande parte da nossa América.
Multidões de estudantes e cidadãos que se opõem ao governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro foram brutalmente atacados com armas de fogo pelas forças de segurança.
Em nenhum país verdadeiramente democrático alguém é preso ou assassinado por discordar das políticas do governo ou por manifestar em público seu descontentamento. A Venezuela de Maduro pode fazer todos os esforços de oratória para vender a ideia de que é efetivamente uma democracia. Cada violação dos direitos humanos que comete nega na prática tal afirmação, porque sufoca a crítica e a dissidência.
Todo governo que respeite os direitos humanos deve respeitar o direito de seu povo de manifestar-se pacificamente. O uso da violência é inaceitável. Recordemos a advertência de Gandhi: “Olho por olho e o mundo inteiro se tornará cego”.
Sempre lutei pela democracia. Estou convencido de que, se não existe oposição numa democracia, devemos criá-la, não reprimi-la e condená-la ao inferno da perseguição, como parece fazer o presidente Maduro.
O governo da Venezuela deve respeitar os direitos humanos, sobretudo os dos opositores. Não há nenhum mérito em respeitar apenas os direitos de seus partidários.
Martin Luther King Jr. disse que “os lugares mais quentes do inferno estão reservados àqueles que num período de crise moral se mantiveram neutros. Num determinado momento, o silêncio se converte em traição”.
Estou consciente de que estas afirmações me deixarão exposto a todo tipo de crítica por parte do governo venezuelano. Serei acusado de imiscuir-me em assuntos internos, de desrespeitar a soberania nacional e, quase com certeza, de ser um lacaio do império.
Sou, sem dúvida, um lacaio do império: do império da razão, da tolerância, da compaixão e da liberdade. Sempre que os direitos humanos forem violentados, não vou calar-me. Não posso calar-me se a mera existência de um governo como o da Venezuela, uma afronta à democracia. Não vou calar-me quando estiver em perigo a vida de seres humanos que apenas defendem seus direitos de cidadão.
Vivi o suficiente para saber que não há nada pior do que ter medo de dizer a verdade.
A resposta de Dilma ao jornalista que quis saber em Roma se tinha algo a dizer sobre a crise venezuelana reiterou que, como o padrinho, a afilhada não tem compromisso com a verdade. “Não quero saber  de problemas internos de outro país”, mentiu a avalista do infame documento do Mercosul. O post de 2010 registrou que Arias é um democrata exemplar, um devoto do Estado Democrático de Direito que tenta moldar um mundo mais justo e generoso. Dilma só pensa na reeleição. O ex-presidente da Costa Rica se guia por princípios éticos e valores morais. Dilma não sabe o que é isso.

BNDES: sigilo para Cuba e verba para invasores de terra

O BNDES daqui a pouco vira caso de polícia, e não mais de política. O que o PT fez com o banco é da ordem do horror. Vale lembrar que seu quadro técnico sempre foi um dos melhores do setor público, blindado historicamente da politicagem. Isso até os petistas vislumbrarem, ali, uma fonte de recursos quase infindável para suas estripulias.
O banco virou hospital de empresas, instrumento de malabarismo contábil para o governo maquiar contas públicas, transferência de renda de trabalhadores de classe média para ricos empresários (Bolsa Empresário), instrumento de seleção dos “campeões nacionais” (Grupo X?), etc.
E mais: foi também o grande veículo do empréstimo milionário para Cuba, repleto de sigilo. É isso que agora um senador tucano, dos poucos que fazem oposição de fato, quer investigar:
O senador Alvaro Dias (PSDB/PR) entregou, nesta segunda-feira, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, um mandado de segurança contra a presidente da República, Dilma Roussef; o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges Lemos; e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, por “ato atentatório à moralidade e transparência pública” em relação a não divulgação dos empréstimos secretos do BNDES a países como Cuba e Angola.
O mandado tenta reverter uma medida do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que em junho de 2012 tornou secretos os documentos que tratam de financiamentos do Brasil aos governos de Cuba e de Angola. A determinação foi assinada um mês depois da entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação. Com isso, esses documentos só poderão ser revelados em 2027.
Enquanto o BNDES se preocupa em manter sigiloso um mais que estranho e suspeito contrato com a ditadura cubana, resolve, aqui no Brasil, liberar verba para invasores de terra do MST, os mesmos que há poucos dias resolveram tocar o terror em Brasília para ganhar, como prêmio pelas dezenas de policiais feridos, uma reunião com a presidente Dilma:
A Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fecharam contratos sem licitação nos valores de 200.000 reais e 350.000 reais, respectivamente, com entidade ligada ao Movimento dos Sem Terra para evento realizado no 6.º Congresso Nacional do MST. O evento aconteceu há duas semanas e terminou em confronto com a Polícia Militar na Praça dos Três Poderes, em Brasília. No quebra-quebra, 32 pessoas ficaram feridas, sendo trinta policiais. Na ocasião, membros do MST tentaram invadir o Supremo Tribunal Federal. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira pelo jornal O Estado de S.Paulo
A Associação Brasil Popular (Abrapo) recebeu os recursos para a Mostra Nacional de Cultura Camponesa, atividade que serviu de centro de gravidade para os integrantes do congresso do MST. As entidades têm relação próxima. Para se ter uma ideia, a conta corrente da Abrapo no Banco do Brasil aparece no site do MST como destino de depósito para quem deseja assinar publicações do movimento social, como o jornal Sem Terra.
Então ficamos assim: o BNDES empresta nossos recursos escassos para a ditadura comunista de Cuba e para os criminosos socialistas do campo, sendo que, no primeiro caso, sequer aceita divulgar com transparência as condições contratuais.
É o PT destruindo cada instituição herdada em nossa jovem República. O partido age feito cupim, corroendo as estruturas de dentro delas, até que reste somente pó e nada mais. Até quando?
Rodrigo Constantino

“A verdade é um bichinho que rói a perna da mentira bem devagar.” (Limão)

“Sou ateu e não penso em fazer seguidores. Cada ser que encontre a porta do entendimento que o faça feliz.” (Mim)

“Logo hoje que eu estava esperando uma ligação de Deus cortaram o meu telefone fixo. Pra complicar o meu celular só recebe ligações do capeta.” (Mim)

“Não corto calos... Leonardo Boff não fala com árvores? Eu falo com meus calos; são de estimação.” (Pócrates, o filósofo dos pés sujos)

“A preguiça é a mãe do crime e a vadiagem é a tia.” (Mim)

“A feiura tem encantos que a beleza desconhece.” (Filosofeno)

No palanque tudo é fácil

O Estado de S.Paulo


A presidente Dilma Rousseff acha que é "simples" enfrentar a seca no Nordeste.



Em discurso no Piauí, durante mais um dos eventos do calendário eleitoreiro do governo, Dilma declarou que o segredo é "conviver com a seca".

Façamos um esforço para acompanhar seu raciocínio. Segundo a presidente, "a seca não é uma maldição, a seca é uma ocorrência, é algo que ocorre", comparável aos "invernos rigorosos" dos países do Hemisfério Norte, que "duram seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol". Conceda-se que o tal inverno rigoroso que dura "sete meses" seja apenas um arroubo retórico para reforçar seu argumento. Mas Dilma continua, animada: "Eles têm um inverno forte, que acaba com toda a produção, a neve mata tudo o que cresce, e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes. Nós também podemos enfrentar a seca, sim".

Dilma descobriu agora que "a seca não deve ser combatida". Em lugar disso, é preciso haver "ações emergenciais" para ajudar os agricultores a contornar os efeitos da estiagem enquanto as condições climáticas não melhoram. É a institucionalização do assistencialismo - e nesse campo, como de hábito, chovem apenas promessas.

Em novembro de 2012, quando o Nordeste enfrentava a maior seca em meio século, Dilma lançou o programa Mais Irrigação e garantiu que o sertão seria transformado em "um dos maiores produtores de alimentos que nosso país e o mundo necessitam" e que "a vítima da seca deixará de ser flagelado para se tornar um produtor rural". Os investimentos anunciados para tão ousado objetivo somavam R$ 10 bilhões.

Seis meses depois, em abril de 2013, Dilma esteve no Ceará para prometer um novo pacote contra a estiagem, no valor de R$ 9 bilhões. Desse dinheiro, R$ 3,1 bilhões eram o quanto o governo estimava deixar de arrecadar em razão da renegociação de dívidas de agricultores que tiveram prejuízos com a seca. Outra parte dizia respeito à prorrogação de programas assistenciais, o Garantia Safra e o Bolsa Estiagem. Havia, portanto, pouco "dinheiro novo" no pacote, formado basicamente por verbas já empenhadas, seguindo a tradição dos governos petistas de reciclar programas antigos para apresentá-los como novidade.

Mas isso não é tudo. A caríssima e controversa transposição das águas do Rio São Francisco, prometida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o "compromisso não de um presidente, mas de um retirante nordestino", tornou-se um autêntico elefante branco. Além dos seguidos atrasos em seu cronograma, a obra, se e quando estiver concluída, vai produzir água a um preço proibitivo para os pequenos agricultores, o que obrigará o governo a recorrer a subsídios, adicionando sacrifícios aos contribuintes.

Agora, em 2014, depois de tantas promessas, Dilma diz que é preciso aceitar a seca como um fato da vida, a exemplo do que fazem os agricultores do Hemisfério Norte ante a dureza do inverno. A presidente tem razão, mas há importantes diferenças. Em vez de prometer bilhões em "ações emergenciais" e em projetos que mal saem do papel, os países do Hemisfério Norte estimularam o desenvolvimento de avançadas técnicas agrícolas mesmo em pequenas propriedades, o que permite aos produtores retomar seu trabalho em alto nível após o inverno, reduzindo os prejuízos. Em relatório sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura, a União Europeia diz que há uma "vasta gama de opções" para lidar com o problema, todas baseadas em tecnologia para prevenção. Considerar o inverno inevitável não significa aceitar, como uma fatalidade, as perdas decorrentes dele.

Ao dizer que é "simples" lidar com a seca no Nordeste, Dilma esbanja a mesma arrogância de seu criador, Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao deixar a Presidência, disse que era "fácil" governar o Brasil. Quando se governa do palanque, tudo parece mais simples mesmo. Mas já passou da hora de tratar o centenário flagelo da seca no Nordeste com mais responsabilidade. Não se pode mais admitir que o sertanejo continue a ser tratado como mera commodity eleitoral, sempre à espera do caminhão-pipa.

A direita segundo Carlos Paiva


Claudio Paiva
A questão que fica martelando em minha cabeça é: trata-se apenas de profunda ignorância ou má-fé mesmo? Porque não creio que exista uma terceira alternativa.
O cartunista não sabe que o nazismo, ou nacional-socialismo, sempre flertou com métodos esquerdistas, que seu programa lançado pelo Partido dos Trabalhadores tinha diversos itens semelhantes ao coletivismo de esquerda e eram anticapitalistas, e que o nazismo sempre foi antiliberal?
Para Paiva, eis a imagem da direita: um brutamontes homofóbico, um cristão (fazendo o que no meio dessa gente?), um membro da Ku Klux Klan e Hitler. Margaret Thatcher como ícone da direita? Nem pensar! Ronald Reagan como símbolo da direita? De jeito nenhum!
Há que se vender uma ideia totalmente distorcida do que seja a direita. Notem que no mesmo dia em que saiu a charge de Claudio Paiva, tivemos a notícia de que Robert Mugabe, ao celebrar seus 90 anos, disse que gays não têm vez em seu Zimbábue. Detalhe que passou despercebido: Mugabe é… socialista!
A esquerda é assim mesmo: mente como método político. Acusa os outros daquilo que é ou faz. Aprendeu com o guru da turma, o ditador assassino Vladimir Lênin. Precisa ridicularizar e demonizar a direita liberal ou conservadora, pois não tem capacidade de enfrentá-la no campo das ideias, nos debates calcados em argumentos e no currículo histórico.
Por isso tenta, de forma pérfida, associá-la a esse bando de fanáticos nazistas ou da KKK, como se isso fosse a direita. Entendo, ainda que não aprove. Deve ser terrível para um típico esquerdista a simples ideia de ter que debater seriamente com algum ícone legítimo da direita. Deve ser o suficiente para lhe causar pesadelos terríveis. Mais fácil pintar a direita como uma reunião de malucos, não é mesmo?
Rodrigo Constantino

Vamos fazer do Brasil todo uma grande favela!

O leitor ficou assustado com o título? Entendo, entendo. Mas é a única conclusão lógica que consigo extrair de uma reportagem como esta do Fantástico, afirmando que 92% dos favelados se consideram felizes e que dois terços não gostariam de sair das favelas:
Nossa equipe viajou pelo país pra fazer um retrato de brasileiros movidos à felicidade.
O que há de bom em viver em uma favela? “Eu prefiro ser rico entre os pobres do que pobre entre os ricos”, diz o agente comunitário José Fernandes Junior.
E se chovesse dinheiro? “Não saio não. Vou pra onde? Um milhão eu trabalho e consigo”, diz Adriano Castro. 
Por que nem a juventude quer sair? “Eu falo para os meus amigos que Paraisópolis está parecendo já Las Vegas. É sério. Você vem aqui, pode vir 3 horas da madrugada e vai ver um monte de gente na rua. Aqui não dorme”, explica o motoboy José Lopes da Silva.
Não dorme, não para e não aceita mais ser rotulada. “Ah, mora na favela aquela pessoa pobre. Não. Eu não me sinto assim”, afirma Diego da Lima Silva, de 22 anos.
Que a felicidade não depende necessariamente da conta bancária é fato, e frequentemente ignorado pela própria esquerda. Mas se é indiferente viver na favela ou fora dela, então podemos concluir que se o Brasil fosse todo uma grande favela, não haveria mudança alguma para pior.
Um tanto absurda esta conclusão, não é mesmo? Felicidade é algo subjetivo, difícil ou impossível de se medir. A pesquisa depende do mood na hora da resposta, da forma a qual a pergunta foi feita, etc.
O Butão substituiu o PIB pelo FIB, ou seja, o Produto Interno Bruto, mensurável de forma mais objetiva, pela Felicidade Interna Bruta, um tiro no escuro que aceita qualquer coisa. É fácil entender o motivo: países pobres podem ter governos fracassados que desejam fingir que tudo vai muito bem, obrigado.
A glamourização da miséria é algo típico da esquerda caviar. As “comunidades” se tornam paraísos terrestres, de longe, por causa de sua simplicidade, “autenticidade”. Mas será que viver sob o domínio de traficantes ou milicianos é mesmo tão bom assim? Será que ter ou não ter saneamento decente é algo indiferente em nossa qualidade de vida?
O que uma reportagem como essa faz é vender a ideia de resignação diante da pobreza de nosso país, repleto de favelas. A quem isso interessa? Arrisco dizer que não aos próprios favelados…
Rodrigo Constantino
*Podemos dizer que existe gosto para tudo.Mas se achar no paraíso morando trepado uns sobre os outros, com pouca privacidade, sem saneamento,tendo ainda que conviver com traficantes e milicianos,esperando por um tiroteio a qualquer hora é o fim. Estamos nivelando mesmo por baixo,e põe baixo nisso!

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