terça-feira, 11 de março de 2014

'Blocão' derrota governo e vai acompanhar investigação da Petrobras

VEJA
Com o apoio da base governista, a Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira a criação da comissão para acompanhar de perto as investigações sobre recebimento de propina pela Petrobras. Ao longo de todo o dia, o governo articulou para evitar a aprovação da proposta, mas, graças ao apoio de parte do chamado “blocão”, formado por deputados aliados ao governo insatisfeitos com a presidente Dilma Rousseff, e da investida do PMDB – o maior aliado ao Palácio do Planalto -, a proposta inicialmente encampada pela oposição foi aprovada por 267 votos favoráveis (dez a mais que o mínimo), 28 contrários e 15 abstenções.
A criação de uma comissão externa enviará um grupo de congressistas à Holanda apurar denúncia de que, conforme revelou reportagem de VEJA, funcionários e intermediários da Petrobras teriam recebido pelo menos 30 milhões de dólares, entre 2007 e 2011, para favorecer contratos com a empresa holandesa SBM Offshore - a maior fabricante de plataformas marítimas de exploração de petróleo do mundo. O esquema, relatado por um ex-funcionário do escritório da SBM em Mônaco, movimentou mais de 250 milhões de dólares no pagamento de propina e envolveu outros países, como Itália, Malásia e Iraque. Os documentos sobre o caso foram enviados ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos e ao Ministério Público da Holanda.
A aprovação de uma investigação própria do Parlamento em torno da Petrobras foi o primeiro resultado prático do “blocão” – movimento de deputados para pressionar o Planalto articulado pelo PMDB. O grupo defende ainda para esta semana a convocação do ministro da Saúde, Arthur Chioro, para prestar depoimento sobre irregularidades na pasta.
“Havia um ambiente favorável para o requerimento. A presidente tem de ter humildade para reconhecer que fracassou [na articulação] e corrigir os problemas”, disse o líder do PSDB na Câmara e autor da proposta, deputado Antônio Imbassahy (BA). Para o presidente da Câmara, deputado Henrique Alves (PMDB-RN), a comissão externa servirá para “buscar uma resposta sobre a Petrobras”.
Apesar da vitória na votação, o “blocão” já dá sinais de arrefecimento: representantes do Pros e PDT, dois partidos integrantes do movimento, orientaram seus líderes a votar contra a matéria. Nesta terça, representantes do partido reuniram-se com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que tenta uma aproximação com os aliados do governo para enfraquecer o “blocão” e isolar o líder do PMDB, Eduardo Cunha. Os vice-líderes dos dois partidos, porém, participaram da reunião do grupo nesta tarde, quando foi feito um ato em desagravo a Cunha. 

PMDB fortalece Cunha e agrava crise com o governo

VEJA
A presidente Dilma Rousseff até tentou desconversar, afirmando que o "PMDB só lhe dá alegrias", mas a queda de braço com os deputados do partido aliado atingiu o ápice da crise nesta terça-feira. Após três horas reunida, a bancada peemedebista assinou um documentoem defesa do líder da sigla na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que também recebeu hoje o apoio do chamado "blocão", que reúne oito legendas e mais de 240 parlamentares. Não foi só: paralelamente, no mais duro ato – e preocupante para Dilma –, os deputados do PMDB começaram a recolher assinaturas dos representantes dos diretórios estaduais do partido para antecipar a Convenção Nacional e tentar derrubar o apoio formal à reeleição de Dilma.

A crise de Dilma com o PMDB, de longe a pior que ela enfrenta no Congresso, é resultado de uma sucessão de embates travados com os deputados, quase sempre tendo Eduardo Cunha pela frente. Líder da bancada, com trânsito em outras legendas e respeito do chamado "baixo clero" (grupo de deputados que não exerce papel de destaque nas articulações políticas), Cunha não aceita a pauta de votações apresentada pelo governo, especialmente o Marco Civil da Internet. Outra votação incômoda é um requerimento para criar uma comissão para investigar denúncias de pagamento de propina para a Petrobras.
Ele também é porta-voz de uma bancada que reivindica a indicação de um ministro, à revelia dos interesses de Dilma, que tenta usar a nomeação para o ministério como moeda de trocana montagem dos palanques regionais. A sigla comanda hoje cinco pastas – Agricultura, Minas e Energia, Previdência, Turismo e Aviação Civil –, mas a bancada de deputados não se sente representada. Nesta terça-feira, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) negou o convite para assumir o Turismo. Antes, o Palácio do Planalto havia tentado dar o posto para o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Nos dois casos, palanques estaduais unificados e sem atrito a favor de Dilma nas eleições estavam em jogo: Eunício será adversário dos irmãos Cid e Ciro Gomes, do Pros, no Ceará; Já o irmão de Vital, Veneziano, concorrerá ao governo contra o atual ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, do PP.

Na moção em favor de Cunha, os parlamentares afirmam que as agressões sofridas pelo líder “extrapolam o patamar da civilidade, sobretudo nas relações políticas”. “Os ataques ao nosso líder são ataques ao PMDB”, diz o texto, que leva a assinatura de toda a bancada, a segunda maior da Câmara – 75 cadeiras. Também defenderam, em nota, a convocação de reunião da Executiva Nacional para discutir a atual crise política, “com vistas a reavaliar a qualidade da aliança com o PT e adotar providências visando o fortalecimento do PMDB”.

Por fim, a bancada decidiu se declarar independente nas votações na Câmara e definir Cunha como o único interlocutor do PMDB na Câmara – um claro sinal de insatisfação com o vice-presidente, Michel Temer, designado por Dilma para a missão de tentar aplacar a crise. “Ele não poderia dizer que o partido está consolidado e fechado com a Dilma, pois não está”, criticou o deputado Leonardo Picciani (RJ). “Trata-se de dizer que se a presidente quiser conversar com a bancada, terá de ouvi-la”, completou Eduardo Cunha.

Blocão – O líder do PMDB na Câmara também saiu fortalecido dentro do chamado “blocão”. Representantes de sete partidos de base e um da oposição se reuniram nesta terça-feira e fizeram um ato em desagravo a Cunha. “Ele foi injustiçado e está sendo agredido de forma muito forte”, resumiu o líder do PTB, Jovair Arantes (PTB-GO). O blocão decidiu aprovar a convocação do ministro da Saúde, Arthur Chioro, para tratar do salário diferenciado pago a profissionais cubanos no programa Mais Médicos.

VIDA EM CUBA- Desvalorização, por Yoani Sánchez

É difícil uma célula se manter sadia num corpo enfermo. Numa sociedade ineficiente um borbulhar de funcionalidade aconteceria. Mesmo assim certos valores éticos não podem ser potencializados – selecionados e filtrados – em meio a uma débâcle de integridade moral. Resgatar códigos de conduta social implica em aceitar também aqueles que destoam da ideologia imperante.
Os meios oficiais agora nos chamam a recuperar valores perdidos. Segundo a versão dos comentaristas da televisão a responsabilidade da deterioração recai, fundamentalmente, sobre a família, uma parte na escola… E nenhuma sobre o governo. Falam de má educação, grosserias, falta de solidariedade e outros maus hábitos como: roubo, mentira e indolência. Num país onde por meio século o sistema educacional, toda a imprensa e os mecanismos de produção e distribuição cultural tem sido monopólio de um partido único, vale à pena perguntar: de onde surgiu tal depauperação?
Lembro que quando menina ninguém se atrevia a se dirigir ao outro com o qualificativo de “senhor” porque era um resquício burguês. Como ao vocativo “companheiro” se associava uma posição ideológica, então muitos começamos a nos chamar por novas formas: “primo”, “jovem”, “oi você”, “puro”… E uma longa lista de frases que descambaram em formas vulgares. Agora se queixam na TV que somos irreverentes aos nos dirigimos aos outros, porém… Quem começou  este estrago?
O sistema cubano apostou na engenharia social e brincou com a alquimia individual e coletiva. O exemplo mais acabado desse laboratório falido foi o chamado: “homem novo”. Esse Homus Cubanis supostamente cresceria no sacrifício, na obediência e na fidelidade. A uniformidade era incompatível com as particularidades éticas de cada lar. Desse modo, para consegui-la, afastaram milhões de cubanos – sempre que puderam – do ambiente familiar.
Íamos ao círculo infantil com apenas 45 dias de nascidos, os acampamentos pioneiros nos recebiam depois de aprender as primeiras letras, partíamos para as escolas de campo recém terminada a infância e passávamos nossa adolescência num pré-universitário em meio ao nada. O Estado acreditava que podia substituir o papel formador de nossos pais, pensou que conseguiria mudar os valores que trazíamos de casa por um novo código de moral comunista. Porém a criatura resultante distou muito do planejado. Nem sequer chegamos a nos converter num “homem bom”.
Também foram contra a religião passando por cima de que nos seus credos diferentes são transmitidos parte dos valores éticos e morais que modelaram a civilização humana e nossos próprios costumes nacionais. Fizeram-nos denegrir os diferentes, insultar com obscenidades os presidentes de outros países, escarnecermos de figuras históricas do passado, gritar e fazer barulho ao passar por uma embaixada estrangeira. Inculcaram-nos a “promiscuidade revolucionária” que eles mesmos já praticavam desde Sierra Maestra e nos incitaram a rir dos que falavam corretamente, tinham uma boa cultura ou exibiam algum tipo de refinamento. Este último nos foi ensinado com tanta intensidade que muitos de nós fingíamos falar vulgarmente, deixando de pronunciar algumas sílabas ou nos calávamos sobre nossas leituras para que ninguém achasse que éramos “uns bichos raros” ou, potencialmente, uns “contra-revolucionários”.
Da tribuna um homem gritou para nós durante cinqüenta anos. Suas diatribes, seu ódio, sua incapacidade de escutar calmamente um argumento contrário, foram as posturas “modelares” que aprendemos na escola. Ele nos infundiu a tagarelice, a crispação constante e o dedo indicador autoritário para nos dirigirmos aos outros. Ele – que acreditava saber tudo quando na realidade sabia quase nada – transmitiu-nos a soberba, o não pedir desculpas e a mentira, esse engano dos patifes e chantagistas que lhe caía tão bem.
Agora, quando o quadro ético da nação parece um espelho despedaçado no chão chamam a família para consertá-lo. Pedem-nos que criemos valores em casa e que transmitamos ordem e disciplina para nossos filhos. Porém, como fazê-lo? Se nem sequer ocorre um processo de autocrítica a partir do poder, onde aqueles que brincaram de engenharia social com nossas vidas reconheçam o que fizeram.
Os códigos éticos não se recompõem tão facilmente. Uma moralidade desvalorizada pelo discurso público não pode ser reposta de um dia para o outro. E agora? Como vamos consertar todo este desastre?

Os aplausos do sensacionalismo: Safatle e os garis em greve

Vladimir Safatle, uma espécie de Vladimir Lênin tupiniquim, parece já estar em campanha eleitoral pelo seu querido PSOL, aquele partido que ainda prega o socialismo em pleno século 21, inspirando-se em regimes incríveis como o cubano e o venezuelano. Em suacoluna de hoje, o “intelectual” apela para o sensacionalismo de forma tão escancarada que faria um poste ruborizar de constrangimento.
Safatle aplaude a simbologia dos aplausos aos garis em greve no Rio. Para ele, os garis representam aqueles seres invisíveis que ninguém quer ver: “Recolher lixo, colocar a mão naquilo que os outros desprezaram e jogaram fora parece transformar tais pessoas na representação natural do fracasso humano, gente que alguns prefeririam não ver, pessoas invisíveis”.
Acredito que tal preconceito expressa mais a visão do autor do que do público que ele pretende atacar. O que as pessoas não querem ver não são os garis, e sim o lixo. O gari tem a função de retirar o lixo, um trabalho honesto, voluntário, e remunerado. Sem dúvida não é dos mais estimulantes, como tantos outros. Mas ninguém precisa considerar os garis seres invisíveis por isso. Ou será que Safatle não cumprimenta sua faxineira e projeta tal insensibilidade aos demais?
O que gerou a revolta de muitos foi o acúmulo de lixo na cidade, assim como o uso partidário da greve, com infiltração dos partidos radicais de esquerda (um deles justamente o de Safatle) e o uso da coerção para impedir outros garis de trabalhar (o que é crime). Mas Safatle apela para a ironia, dando a entender que relatar os fatos é coisa de paranoico:
Garis em greve só podem ser amotinados que esquecem qual é o seu lugar na escala de valor humano. Ou então, o que não deveria nos surpreender, agentes de Cuba, da Coreia do Norte, capachos de Hugo Chávez e comandados do último vilão do 007 estariam infiltrados na Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) pervertendo a boa índole do nosso povo.
Para Safatle, os aplausos à greve deram “dignidade” ao país. Em sua opinião, isso quer dizer que as pessoas deixaram seus interesses particulares de lado (ter o lixo recolhido) e demonstraram “solidariedade”. Pergunto: qual a proposta de Safatle? O que ele sugere de fato? Qual medida ele está realmente defendendo?
Se o salário dos garis aumentar 20%, então tudo estará muito bem e o socialista ficará satisfeito? Qual deve ser o salário justo para esses “seres invisíveis”? Por que não colocar logo o mesmo salário dos políticos? Se é para ser demagogo sem se importar com a realidade econômica, por que não arregaçar de uma vez? Ou será que há limites e que a coisa não é tão simples assim?
“Mas Rodrigo, você está dizendo então que é justo o gari ganhar apenas mil reais para enfiar a mão no lixo?” Estou apenas constatando o óbvio: os salários costumam seguir a lei de oferta e demanda, e da produtividade. Não é possível brincar impunemente com isso, como se maiores salários dependessem apenas da boa vontade política. Quem seguiu este caminho populista colheu apenas mais miséria.
Na Holanda, no Canadá, na França e nos Estados Unidos existem lixeiros também. Ganham mais do que os nossos, claro, como todas as outras ocupações. São países mais ricos, mais liberais, com economias mais capitalistas, e menos intervenção estatal. Mas para seus respectivos padrões, os lixeiros também são pobres, ganham mal.
No Canadá, por exemplo, um coletor de lixo ganha cerca de $ 25 mil por ano, o que parece fantástico para nós. Mas a renda per capita lá é de $ 40 mil, ou seja, o lixeiro ganha quase 40% a menos do que a média. Ajustando para a realidade brasileira, isso seria o mesmo que um salário mensal de R$ 1.250 para os garis, não muito diferente do que ganham hoje.
O motivo dos baixos salários é evidente: eles exercem uma função que, apesar de fundamental, não demanda muitas habilidades e qualificações. Por isso costumam ser pouco remuneradas. Se um gari ganhasse o mesmo que um engenheiro, não haveria muito incentivo para estudar tanto e se graduar em engenharia.
Não pega muito bem falar essas verdades, mas elas precisam ser ditas, ainda mais quando “intelectuais” irresponsáveis incitam greves que emporcalham a cidade toda em nome de suas bandeiras partidárias. Eu, ao contrário de Safatle, não acho que os garis são pessoas invisíveis. Aliás, a prova disso é que um deles virou até celebridade no Carnaval carioca, conquistando a simpatia da multidão.
Já alguns “intelectuais” que defendem o socialismo em pleno século 21, esses bem que podiam ser invisíveis. Ou de preferência abandonar seus empregos de “deformadores de opinião” e, quem sabe, virar garis para ajudar a limpar o lixo, em vez de produzi-lo em quantidade tão assustadora. Isso, sim, seria muito mais digno do que pregar o socialismo por aí…
Rodrigo Constantino

Milagre seria a turma da Fiesp abandonar as tetas estatais

O empresário Benjamin Steinbruch tem sido um dos mais ferrenhos defensores da irresponsabilidade econômica e do nacional-desenvolvimentismo adotado pelo governo Dilma. Ele tem usado sua coluna na Folha para pregar sempre mais medidas artificiais de estímulo econômico, apesar do evidente fracasso delas até aqui.
Para Steinbruch, o problema é que tivemos pouco estímulo! Olhar para trás e reconhecer os erros das medidas que aplaudiu seria demais da conta para ele. Muito mais fácil repetir que não tivemos estímulo suficiente, e que a culpa do crescimento medíocre é do “neoliberalismo”, dos que pregam o conservadorismo fiscal. Foi justamente o que fez em seu artigo de hoje.
Descobrimos que o governo Dilma e o ministro Mantega são ícones desse conservadorismo fiscal agora (risos). Sei que parece piada, mas foi justamente o que escreveu o empresário:
Certamente a “reprimarização” não é a única razão do baixo crescimento – há outras, entre elas a forte tendência de adoção de medidas conservadoras na condução da política econômica.
No momento em que o país fechou 2013 com o PIB crescendo apenas 2,3%, uma série de fatores conspira contra a eventual recuperação no curto prazo: os investimentos não devem manter o bom ritmo de expansão do ano passado (6,3% com base na Formação Bruta de Capital Fixo), até porque o BNDES, que sustenta cerca de 13% dos investimentos do país, já avisou que vai reduzir o desembolso de recursos.
Além disso, há incertezas sobre o fornecimento de energia e sobre novas concessões de serviços públicos; o Banco Central espera um crescimento do crédito inferior aos 15% de 2013, já que a taxa básica de juros foi elevada para 10,75% e poderá subir para 11% dentro de um mês.
Com esse coquetel de maldades anunciadas, é muito difícil que a economia volte a apresentar tão cedo um ritmo de crescimento virtuoso. Só por milagre.
Ou seja, Steinbruch se faz de sonso quando se nega a reconhecer que todos esses problemas atuais são justamente o resultado das medidas adotadas antes e por ele defendidas. A presidente Dilma seguiu direitinho a cartilha nacional-desenvolvimentista: a taxa de juros foi reduzida na marra, o BNDES e a Caixa expandiram de forma alucinada suas carteiras de crédito, medidas protecionistas foram adotadas, etc.
Quando tudo deu errado, conforme previsto por economistas liberais (como este que vos fala), vem o empresário e condena… o “liberalismo” do governo! Qual, meu Deus?! Transformar Guido Mantega em baluarte da responsabilidade fiscal é algo que poucos tentariam fazer, pois demanda uma cara de pau enorme. Só falta Steinbruch afirmar que o BC de Tombini peca por perseguir com muita determinação a meta de inflação…
Steinbruch representa com perfeição a mentalidade da Fiesp. Um dos grandes males do Brasil é justamente essa turma ser confundida por aí com o capitalismo. Não! Defendem o “capitalismo de estado”, como fica claro. Querem mais privilégios, mais regalias estatais, mais barreiras protecionistas, mais subsídios do BNDES, taxa de juros artificialmente baixa, e para o inferno com a inflação!
Não desejam um capitalismo liberal, uma economia de livre mercado, competitiva, dinâmica. Em vez de focarem na redução do Custo Brasil, por meio de reformas estruturais impopulares, mas necessárias, preferem se alinhar a governos populistas e endossar o nacional-desenvolvimentismo fracassado.
Milagre, senhor Steinbruch, seria esse pessoal da Fiesp abandonar as tetas estatais e começar a defender o capitalismo de verdade!
Rodrigo Constantino

Janer Cristaldo- PERGUNTINHAS A UMA ADVOGADA TRABALHISTA

Sobre minha "Carta aberta aos militantes", recebi de um bom amigo, juiz trabalhista:

Li tua coluna sobre militantes.

Neste domingo passado vivi uma experiência interessante, que e não teria como acontecer contigo. Por um acaso de encontros, fui "cercado" por três militantes ativos do PC do B, e um quarto (ainda militante) mas tratado pelos outros como "comunista arrependido".

A cabeça cheia de ordens de comando, as alusões aos "cursos de formação", os lapsos abismais sobre cultura geral e, mais que tudo, uma atribuição com total falta de critérios (se é que há critérios para isso...) sobre traições e culpas alheias.

Explicações simplistas e esquematizadas ad nauseam; louvação de cadáveres de vivos ou mortos, sobressaindo no momento Chaves. Incapacidade absoluta de lucidez, inclusive para admitir a dificuldade de compreensão de particularidade, diante de questões complexas como a da Ucrânia, por exemplo. E mesmo, bem mais simples, da cisão de Eduardo Campos, do PSB, com a Dilma. Frase ouvida na longa conversa: "meu sonho é ir à Cuba". Um dos mais empolgados, um gringo simpático, tive a forte impressão que provinha do MST.

Somos do tempo em que se militava para alguma coisa, inclusive em teus tempos de JEC e JOC. Agora, a militância é um status por si só. Sininho e Game Over pululam - e isso que não "militamos" via face book.

Só acho que o militante de sofá não é o pior, assim como a esquerda festiva não era; o pior é ao vivo, o concreto militante que invade conversas, lazer, divagações literárias ou filosóficas.

Assim mesmo, não tenho uma visão "folclórica" de tudo isso. Quando as coisas balançam, ao invés de que a revolução se esteja pré-anunciando, me vem à mente o surrealismo alemão, que tão bem entendeu o naufrágio da República de Weimar.

Já me estendi. Aqui fico.
 

Pois é, meu caro. Militante não tem cura. A diferença de nossos dias para hoje, é que tínhamos uma causa. Hoje, vivemos a época dos abomináveis rebeldes sem causa, aqueles do filme A Sociedade dos Poetas Mortos, que enganou tanta gente. 

Embora restem ainda as viúvas do Kremlin. É muito duro para um homem velho renunciar às crenças de toda uma vida. É como se dissesse para si mesmo: toda minha luta foi rumo ao errado, todos meus livros são lixo. Por isso o marxismo continua vivo nas universidades. Pode um catedrático renunciar à sua tese, a seus papers, às suas aulas passadas, enfim, à sua obra? Não consegue. O público cativo das universidades constitui um bom caldo de cultura para essa obsolescência.

Daí entende-se a dificuldade de teu amigo cubanófilo. O Niemeyer não morreu cultuando Stalin, em pleno século XXI? Fora os stalinistas que pululam por aí e já não ousam confessar sua cor ideológica.

Tenho uma prima muito querida, dos dias de Upamaruty, Três Vendas e Ponche, hoje advogada trabalhista, militante exacerbada dos direitos trabalhistas, não sei se do PT ou Psol – mas algo por el estilo. Apesar de nossas divergências, continuamos bons amigos como sói acontecer naqueles pagos. Nos conhecemos desde antes da revolução cubana e, para nós, gente do campo, revoluções não separam amigos.

Tive um bom amigo de infância, com quem nadei nas águas do Sangão dos Lucas, no Ponche Verde, e do Santa Maria Chico, em Dom Pedrito. Foi maoista e fez guerrilha urbana. Como era oficial da reserva, oegou quatro anos de prisão militar. Teve sorte: prisão militar é bem menos dura que a civil. 

Nem isto nos separou. Ideologias não destroem amizades em nossos pagos. Após uns quarenta e pico largo de boas relações, afastou-se de mim, mas por razões outras (um tanto insanas), que nada tinham a ver com ideologia. É amizade que até hoje me faz falta. Me trazia sabor de sanga, cheiro de esterco de cavalos, alhos bravos e de terra após um temporal.

Em recente discussão minha prima defendia que a contratação dos médicos cubanos não constituía trabalho escravo, pois afinal recebiam 900 reais. Claro que não falou da isonomia salarial, interdição de não casar com brasileiras, nem da obrigação de passar as férias em Cuba. Muito menos do controle de visitas e saídas dos médicos. É um Estado estrangeiro regulando a vida de seus cidadãos em outro Estado. É como Moscou regulando a vida em Cracóvia ou Budapeste. E agora, ao que tudo indica, na Criméia. Aliás, não é de hoje que Putin quer ressuscitar a finada URSS. Divago.

Ela revelou-se mais petista que o PT. Enquanto para o procurador Sebastião Caixeta, do Ministério Público do Trabalho, até mesmo o reajuste salarial concedido aos médicos cubanos não acaba com a situação degradante enfrentada por eles no Brasil, a prima acha que mesmo 900 reais já é um salário. Aliás, até o Ministério já começou a investigar o celebrado programa Mais Médicos, que revelou-se um belo tiro no pé.

Fica a pergunta: fosse minha prima contratada por Ramona Matos Rodriguez, aceitaria a causa? E se aceitasse, reivindicaria a isonomia salarial? Denunciaria, em sua defesa, a condição análoga a trabalho escravo? Seria denunciar Cuba, Dona Dilma e o governo petista. Ousaria tanto? 

Não vou nominar minha prima, nem meu amigo juiz. Afinal, fica a pergunta a todo advogado trabalhista que vote no PT (e devem ser legião) e/ou tenha simpatias pelo atual governo e pela ditadura dos irmãos Castro. 

Sou todo ouvidos e publicarei no blog todas as respostas. Podemos também discutir no Face Book.

A LEGITIMAÇÃO DA VIOLÊNCIA, por Percival Puggina



O governador Tarso Genro, em recente entrevista, declarou-se contrário a quaisquer leis, sejam municipais, estaduais ou federais que visem a proibir o uso de máscaras em "protestos". Ora, para que não esqueçamos de certas compreensões consensuais numa sociedade civilizada: protesto se faz em passeatas ou concentrações, erguendo cartazes e faixas, proferindo discursos e refrões, subindo num banquinho ou carro de som, usando megafone. Protesto se faz mostrando a cara, para que as pessoas saibam quem é quem e quem está com o quê. Se usa máscara e é apenas manifestante, é covarde. Tem vergonha do que faz. Se usa máscara é não é manifestante, então é malfeitor, bandido.



Voltemos, então, ao governador do Rio Grande do Sul, um Estado que se orgulha de sua história e da bravura de eminentes figuras que a construíram. Disse ele, referindo-se ao projeto aprovado pela Câmara de Vereadores da capital gaúcha: "Essa lei não tem nenhuma função ou objetivo". Mas como não, governador? Função da lei - permitir a identificação de quem cometer crimes. Objetivo da lei - inibir a destruição de patrimônio público e privado pelo reconhecimento dos violadores, e proteger a integridade física de policiais e transeuntes.



Como não poderia deixar de ser, invocou ele o velho chavão esquerdista usado sempre que ocorre alguma reação frente a atos de selvageria praticados por grupos descontrolados: "A lei (municipal, contra o uso de máscaras) criminaliza os movimentos sociais". É dose! Onde o ilustre ex-ministro da Justiça foi buscar a ideia de que crime cometido por muita gente deixa de ser crime? Em que alfarrábio Tarso encontrou uma definição de movimento social na qual se enquadrem os black bloc, os incendiários de ônibus, os arrastões em estabelecimentos comerciais? A conduta desses grupos criminosos nada tem a ver com reivindicação social, mas com a apologia da violência como instrumento da política, terrorismo ou roubo com uso de violência. Ser contra a proibição ao uso de máscaras é legitimação da violência, negação da política e retrocesso civilizacional.



A relação do PT com a impunidade já ultrapassou todos os limites do descaramento. Se é companheiro, se pega junto, se vota com a turma, pode tudo. E mais um pouco.



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* Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.

NÃO É O BRASIL, SENHORES!, por Percival Puggina



Dize-me a quem admiras. E eu te direi que isso me basta. Muito tem sido escrito sobre as afeições do governo brasileiro no cenário internacional. Eu mesmo já escrevi sobre a carinhosa saudação de Lula na 10ª Reunião do Foro de São Paulo, em Havana, no ano de 2001: “Obrigado, Fidel, por vocês existirem!”. E não satisfeito com tão derretida manifestação de afeto, Lula arredondou o discurso com esta faiscante pérola: “Embora o seu rosto esteja marcado por rugas, Fidel, sua alma continua limpa porque você não traiu os interesses do seu povo”. Que coisa horrível! E note-se: é uma adoração coletiva. Interrogue qualquer membro do governo sobre violações de direitos humanos, prisões de dissidentes, restrições às liberdades individuais na ilha dos Castro. Verá que ele, imediatamente, passa a falar de ianques em Guantánamo. Essa afinidade entre nossos governantes e os líderes cubanos é carnal, como unha e dedo. Quando se separam, dói. Noutra perspectiva, parece, também, algo estreitamente familiar. Filial, como quem busca a bênção do veterano e sábio pai, fraternal na afinidade dos iguais, e crescentemente paternal, pelo apoio político, moral e financeiro à velhice dos dois rabugentos ditadores caribenhos. E haja dinheiro nosso para consertar o estrago que a dupla já leva mais de meio século produzindo.



Um pouco diferente, mas ainda assim consistente e comprometida, solidária e ativa, a relação do nosso governo com o delirante Hugo Chávez e seu fruto Maduro. Ali também se estendeu - e estendida permanece, resolutamente disponível - a mão solidária do governo brasileiro. Pode faltar dinheiro para as penúrias humanas do nosso semiárido, para um tratamento menos indigno aos aposentados e pensionistas do país, para os portos e aeroportos nacionais, mas que não faltem recursos para pontes, portos e aeroportos na Venezuela e em Cuba. Parece, também, que entramos num infindável ano bíblico de perdão de dívidas. Onde houver um tiranete africano ou ibero-americano em necessidade, lá vai o Brasil rasgar seus títulos de crédito. Quando foi deposto o virtuoso Fernando Lugo, com suas camisas tipo clergymanadornadas com barras verticais que lembravam estolas, nosso governo experimentou tamanha dor que preferiu perder a amizade dos paraguaios. A parceria se reuniu, expulsou o Paraguai do Mercosul e importou, não a Venezuela, mas o folclórico Hugo Chávez.



Eu poderia falar sobre o silêncio do Brasil em relação ao que a Rússia está fazendo na Criméia. Aliás, haveria muito, mas muito mais, do mesmo. Mas isso me basta. Percebam os leitores que em todos os casos, a reverência, o apreço, a dedicação fluem para as pessoas concretas dos líderes políticos, membros do clube, e não para os respectivos povos. Não são os cubanos, mas os Castro. Não são os venezuelanos, mas os bolivarianos Chávez e Maduro. Não eram os paraguaios, mas Lugo. Não são os bolivianos ou os nicaraguenses, mas Evo e Ortega. Não são os povos africanos, mas seus ditadores. Há algo muito errado em nossa política externa. Tão errado que me leva a proclamar: não é o Brasil, senhores, mas é Lula, Dilma e seus companheiros!



Isso me basta. No entanto, ocorre-me uma investigação adicional e para ela eu peço socorro à memória dos meus leitores: você é capaz de identificar uma nação ou um estadista realmente democrático, uma democracia estável e respeitável, que colha dos nossos governantes uma consideração minimamente semelhante à que é concedida nos vários exemplos que acabo de citar? Pois é, não tem.



Zero Hora, 9 de março de 2014

Fabricação própria

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo


Pode até ser que a presidente Dilma Rousseff, com o auxílio do ex-presidente Luiz Inácio da Silva, consiga arrumar as coisas no terreno político e, com a ajuda do ministro Guido Mantega, possa recuperar a confiança do empresariado.

Vai ser difícil, contudo, que isso aconteça da maneira pretendida: com a rapidez exigida pela conveniência eleitoral.

Ambas as situações - a conflagração na base de apoio materializada na rebelião do PMDB e a crise de confiança do setor produtivo - não surgiram de uma hora para outra nem decorreram do fenômeno da geração espontânea.

Foram (im) pacientemente cultivadas ao longo dos últimos três anos. Nesse período, os traços de personalidade da presidente ganharam o incentivo do marketing da poderosa e inflexível gerente que tudo sabe e a todos enfrenta.

Uma construção gradativa, intermeada de avisos, de queixas sempre rechaçadas com menosprezo, quando não com bravatas. O governo pretende recuperar terreno agora com o diálogo, mas tal ambiente não se desfaz de uma hora para outra. Demanda esforço em sentido contrário.

Dilma escalou o ministro da Fazenda para "ouvir" os empresários numa reunião hoje em São Paulo. Isso depois de meses de rebates nem sempre civilizados às críticas de demandas desse mesmo setor, no pressuposto de que os interesses objetivos deles nunca os afastariam de fato de governo. Erro de cálculo que talvez não possa ser corrigido mediante "fóruns de diálogo" se às palavras não corresponderem atitudes.

O mesmo ocorre na política. Embora pareça, a conturbação com o PMDB não surgiu devido à chamada reforma do ministério. Vem desde o primeiro ano de governo Dilma e apareceu em todo seu esplendor em maio do ano passado na votação da Medida Provisória dos Portos.

Na ocasião, com maioria de 423 deputados o governo levou dois dias e duas noites para aprovar na Câmara a MP. Evidentemente, a demora não se deveu à atuação dos 90 parlamentares da oposição.

O próprio governo atribuiu à ação do líder do PMDB, Eduardo Cunha, qualificado como uma "erva daninha" a ser extirpada da base governista. Isso quase um ano atrás. Na época, já se falava no Planalto que a presidente exigiria do vice Michel Temer uma definição: o PMDB deveria dizer se estava com o líder na Câmara ou com o governo.

Usavam-se as mesmas palavras de hoje sobre a necessidade de "enquadramento" e de "isolamento" de Cunha, que teria avançado o sinal, confrontado a autoridade presidencial e tudo o mais que se fala hoje. Os movimentos de Michel Temer, supostamente desautorizando o líder também eram semelhantes.

E onde o deputado está? No lugar de sempre, respaldado pela direção do partido, fazendo o jogo do PMDB sem que o Palácio do Planalto possa ter a menor ingerência sobre isso. O partido já decidiu lá atrás, no ano passado quando reconduziu o líder que ficava com ambos: Cunha e o governo.

Assim é e não serão reuniões da presidente nem notas em jornal dizendo da conveniência eleitoral de Dilma confrontar um deputado líder de bancada que mudarão uma história que vem de longe e não tem conserto fácil.

A presidente da República já fez várias reuniões com o partido aliado e o resultado foi zero. Teve dois convites para ministérios recusados e agora PT e PMDB prometem sentar para discutir as alianças em cinco Estados.

Pura embromação. Cada um fará o que for mais conveniente no âmbito local e os dois farão o mais interessante no plano federal, que é a manutenção da aliança formal que dá a Dilma a metade do tempo de televisão dos 11 a 13 minutos com os quais espera contar e ao PMDB a Vice-Presidência.

São os termos do contrato.

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