sábado, 15 de março de 2014

Janer Cristaldo- QUANDO EMBUSTES VALEM MILHÕES

Quem me acompanha, sabe que desde há muito só frequento um tipo de museu. Para não dizer que abandonei de vez os museus, na Espanha nunca deixo de visitar El Museo del Jamón. Quem os conhece, me entenderá. São cafés – em verdade uma cadeia de cafés – cujos tetos e paredes estão coalhadas de presuntos. Certa vez, li em um jornal que um homem morrera soterrado por presuntos. Só pode ser na Espanha, pensei. Era.

Seria preconceito, em primeiras viagens, não visitar museus. Claro que fiz o Louvre em minha primeira ida a Paris, o British Museum em Londres, o Rijksmuseum nos Países Baixos, o Prado e o Reina Sofia em Madri, e por aí afora. (Gostei muito do Sorolla). Tive inclusive 30 horas de aula no Prado, onde ouvi um amontoado de mentiras sobre Guernica. O Thyssen-Bornemisza tem 49 salas. Ao chegar na 15ª, cansei e fui tomar uma caña no El Espejo.

O Louvre, visitei várias vezes, seja para ver outras alas, seja para acompanhar amigas que passavam em Paris. Mas logo cansei. A beleza, quando multiplicada em excesso, se torna banal.

Antes de ir adiante: considero a Gioconda o maior embuste criado através dos séculos. Um retrato sem graça alguma, visitado e reverenciado por milhões, sem nem sequer cotação no mercado: já não tem mais preço.

Sem falar que os quadros são milhões. Mesmo vendo algumas centenas, a memória não guardo. Quando cheguei a São Petersburgo, há muito havia abandonado os museus. Mas não visitar o Hermitage seria até arrogância. Fui lá. Após três horas de perambular, havia visto apenas o setor de esculturas. Deixei as pinturas de lado e fui beber algo no secular Literaturnaya Café, ali perto.

Até aqui, estou falando de uma arte que se pode chamar de arte. Com a picaretagem, tive o primeiro contato no Moderna Museet, de Estocolmo. Quadros que estavam ali... porque estavam. Nenhuma estética, nenhum talento. De lá para cá, tenho tomado contato com a tal de arte moderna através de jornais.

Quadros horrendos. Ou sem sentido algum. Tocos empilhados, retas se cruzando, borrões se sobrepondo e não lembro mais. Gostaria de ter guardado essas bobagens sem significado algum, mas nem tive esse cuidado. Se alguém quer uma idéia do que onsidero horrendo em pintura, aqui vai uma primeira. O Abaporu, da Tarsila do Amaral. Nunca entendi como alguém possa considerar aquilo arte.

Arte sempre cotada por cinco ou seis dígitos. Considerei então que o valor de uma obra não depende mais de seu valor estético ou histórico, mas do arbítrio de marchands, galeria e, principalmente, da cumplicidade da imprensa. Um quadro vale milhões porque seus promotores assim querem e panacas é o que não falta para comprar.

Hoje, qualquer mediocridade é alçada ao nível de genialidade. O mercado está cheio de gente com dinheiro para comorar, mas com pouca informação. As galerias ficam, então, na cômoda posição de indicar quem é bom, e assim emplacam artistas sem relevância, vendendo-os como se fossem imperdíveis. Numa revisão histórica,muitos deles não valerão o que se paga por essas obras.

Leio nas Páginas Amarelas de Veja desta semana, entrevista com Ralph Camargo, marchand paulista que entende do millieu. Pela primeira vez, vejo um mercador de quadros denunciando a grossa picaretagem que há atrás dete comércio. Diz Camargo:

- Há a elite consumidora de obras caras, os bancos e instituições relacionadas. Mas, no mercado. O investidor mais cobiçado mesmo é aquele que amealhou um patrimônio vultoso, anda em carros de 300.000 reais e, de repente, se dá conta que não uma única obra de valor em casa. Em suma, é o sujeito com potencial financeiro, sem bagagem cultural nem gosto estético definido, mas consciente de que sua posição social exige que tenha obras de arte Então, ele passa a comprar. Só que, infelizmente, tende a fazer aquisições sem critério, na base de indicações de amigos ou do nome que está na moda. Anos mais tarde descobre que fez bobagem, tenta se livrar daquele engodo e não consegue.

Urge então fingir que o quadro vale o que dizem valer e, se for possível, vendê-lo mais caro ainda. Como ninguém ousa, nos meios artísticos ou de comunicação, denunciar o embuste, a “obra” continua sendo de arte. Interrogado se mediocridade está restrita à arte que se faz no Brasil, diz o marchand:

- A mediocridade está muito bem distribuída pelo mundo. O inglês Damien Hirst, uma excrescência, é o mais festejado. O sujeito coloca um tubarão em uma caixa de vidro com formol e vende isso como arte. É um deboche, produto da combinação do mercado cobaixa capacidade de crítica. Os colecionadores bilionários adoram contar que pagaram 100 milhões de dólares por esse tipo de coisa. Há toda uma engrenagem de galeristas e colecionadores interessada em ganhar dinheiro com as bobagens inventadas por Hirst e outros. Takashi Marakami, aquele que faz bonecos, também é um engodo. A prodição dele é industrial. Será eu os compradores sabem disto? Enfim, enquanto houver desmiolados dispostos a pagar milhões por intervencionices bizarrras, a máquina de engodos continuará funcionando.

No início do século passado, Pessoa já previa isto:

"A pintura afundar-se-á. A fotografia privou-a de muito do seu atrativo. A futileza da estupidez privou-a de quase todo o resto. O que restou tem sido levado em despojo pelos colecionadores americanos. Um grande quadro significa uma coisa que um americano rico quer comprar porque outras pessoas gostariam de comprá-lo se pudessem. São assim os quadros postos em paralelo, não com poemas ou romances, mas com as primeiras edições de certos poemas ou romances. O museu torna-se uma coisa paralela, não à biblioteca, mas à biblioteca do bibliófilo. A apreciação da pintura torna-se não um paralelo à apreciação da literatura, mas à apreciação de edições. A crítica de arte cai gradativamente para as mãos dos negociantes de antigüidades".

Há vários anos escrevi, para espanto de leitores ingênuos: "Quem intuiu isto com propriedade foi Salvador Dali, o genial vigarista catalão. No final da vida, ciente de que sua assinatura valia mais que qualquer quadro, assinou durante dias a fio milhares de telas em branco, a serem pintadas mais tarde por funcionários de seu ateliê. Ninguém pode alegar que são falsos Dalis, afinal levam o jamegão do autor. Com sua molecagem, Dali demoliu a crítica de pintura contemporânea. Os marchands detestam Dali".

O marchand belga Stan Lauryssens confirma esta trapaça. Em um livro de memórias, Dali y Yo, lançado em junho de 2008, afirma que 75% dos quadros de Salvador Dali são falsos, mas ressalta que uma parte destes era pintada por outros artistas e finalizada por ele, que dava "seu toque surrealista". Disse à imprensa que nos anos 70 "era mais fácil vender um falso Dali do que um quadro autêntico.(...) O mundo, há 25 anos, era uma sociedade que buscava o enriquecimento rápido e não era difícil encontrar gente que investisse em arte, embora fosse falsa, com a idéia de que em cinco anos venderia a obra e ganharia mais dinheiro". 

Ou seja, arte virou questão de fé. É arte o que uma minoria endinheirada acredita que é arte. Apesar da grande piada de Dali e das denúncias de alguns marchands, o embuste continua gozando de boa saúde. A bicicleta precisa continuar andando.


PMDB gaúcho escolhe pré-candidato ao governo contrário à aliança com o PT

Lucas Azevedo - O Estado de S. Paulo
PORTO ALEGRE - O PMDB gaúcho escolheu na tarde deste sábado o seu pré-candidato ao governo do Estado. José Ivo Sartori, ex-prefeito de Caxias do Sul, um dos principais colégios eleitorais do RS, tem apoio de uma ala que prega a independência do partido, contra a aliança nacional com o PT.
Sartori, apoiado pelo senador Pedro Simon, recebeu 994 votos, enquanto o seu concorrente, Paulo Ziulkoski, presidente da Convenção Nacional dos Municípios, ganhou 379. O seu nome será presentado à homologação em junho, na convenção estadual do partido.
A escolha ocorreu na Assembleia Legislativa gaúcha, e contou com a presença de deputados federais, estaduais, delegados dos municípios, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, presidentes municipais do partido e presidentes estaduais da JPMDB (Juventude), PMDB Mulher, Movimento Negro, PMDB Comunitário, PMDB Tradicionalista e PMDB Segurança.
Em seu discurso, Sartori chamou seus correligionários para uma reunificação do PMDB-RS, que preze pela transparência. "A sociedade espera de nós uma nova postura política com transparência, falando a verdade. Não adianta prometer e depois fazer como aconteceu neste governo", destacou, citando o atual governo petista de Tarso Genro.
À reportagem, o pré-candidato preferiu a cautela quando perguntado sobre a aversão a uma aliança nacional com o PT. "Por enquanto isso não está no foco do PMDB. Há muito tempo a gente já determinou que deveria liberar o partido nos municípios para fazer suas composições. Em uma primeira etapa, o foco é o RS. Numa segunda etapa, essa questão [aliança nacional] deve ser discutida. Mas, por enquanto, não existe nada."

CAIO BLINDER- Descendo do muro de Berlim

Descendo do muro de Berlim


Nyet!Nein!
Nas últimas semanas, Angela Merkel conversou sete vezes com Vladimir Putin. A filha de um pastor protestante  criada na Alemanha Oriental e o ex-agente da KGB lotado em Dresden conversam tanto em alemão como em russo. O recado da primeira-ministra alemã tem sido para o presidente russo desescalar a crise na Ucrânia e não anexar a região autônoma da Crimeia (um referendo foi orquestrado para este domingo). Fracasso na missão e o sentimento de exasperação de Merkel cresce (ela disse ao presidente Obama que Putin vive em “outro mundo”).
Quanto a Merkel, está cada vez mais difícil para ela ser a ponte entre dois mundos e forjar um consenso. E suas declarações públicas de condenação ao governo russo endureceram bastante desde quarta-feira, assim como a disposição para impor sanções vigorosas depois do referendo na Crimeia no domingo. Uma situação grave se torna cada vez mais perturbadora e existe alta ansiedade com o risco de erro de cálculo, como nas novas provocações russas, confirmadas com as “manobras militares” na fronteira com a Ucrânia.
Os sinais são de que a Alemanha (numa postura comum à democracia-cristã de Merkel e à social-democracia) se afasta deste papel mediador, avessa a confrontos com Moscou, embora firmemente ancorada na Otan, a aliança militar ocidental. Ao longo de décadas, a Alemanha (ainda antes da reunificação) buscou a reconciliação e laços econômicos mais íntimos com o adversário da Segundo Guerra Mundial, apesar da proximidade com os EUA.
Na verdade, o papel central de Merkel em uma crise geopolítica é incomum. Normal que isto ocorra na frente econômica, mas em política a iniciativa europeia costuma ficar com franceses e britânicos. A desenvoltura alemã dá, portanto, uma medida da gravidade da situação. A leitura em Berlim é a de que a Europa deve se preparar para um prolongado conflito, que resultará em grandes riscos tanto para ela como para a Rússia, mas, como alertou Merkel, os danos serão maiores, serão maciços para Moscou, devido ao que eu qualifico de erro de cálculo de Putin.
Merkel já foi mais relutante para fazer cobranças de Putin e lançar este tipo de ataque direto. Em primeiro lugar, existem os interesses econômicos. A Alemanha depende da Rússia para 1/3 de suas importações de gás e petróleo e o comércio bilateral anual é da ordem de US$ 100 bilhões (a Rússia é o décimo-primeiro parceiro comercial da Alemanha).
E havia até agora uma leitura cautelosa do jogo geopolítico, especialmente pós-Guerra Fria. A Alemanha é grata pelo papel maduro de Moscou na reunificação do país. Merkel enfatizava a necessidade do Ocidente entender a inquietação da Rússia com a expansão da Otan e em 2008 ela teve papel-chave para bloquear os esforços do governo americano de George W. Bush para acelerar a adesão da Ucrânia e da Geórgia à aliança militar ocidental. Nada disso, é claro, abafou a ilusão de Merkel sobre o governo Putin e a a Alemanha é próxima de países da ex-órbita soviética, a destacar a Polônia, inquietos com a agressão russa na Ucrânia.
A intimidade bilíngue com Putin permitiu um acesso privilegiado para Merkel (e pelo visto não está adiantando muito agora), mas também incomoda. Existe o relato de que a primeira-ministra alemã teria confidenciado ao presidente francês François Hollande que a “voz baixa e suave” de Putin falando em alemão a fazia lembrar de um “homem da Stasi”, a polícia secreta da Alemanha Oriental.
No entanto, não é apenas o aspecto pessoal que incomoda. A primeira-ministra alemã não pode fugir às suas responsabilidades de liderança tanto no seu próprio país como na Europa, diante destas ações acintosas e desestabilizadoras de Putin. No seu discurso de quinta-feira no Parlamento alemão, Merkel fulminou o perigoso anacronismo de Putin, dizendo que “estamos vivendo conflitos sobre esferas de influência e reinvindicações territoriais que conhecemos dos séculos 19 e 20 e que nós pensávamos que tivessem sido superados. Está claro que não foram”. No final das contas, nosso homem em Moscou fala apenas velhas línguas e não o novo alemão.
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Argentina, muy amiga

Dilma e Kirchner
Pedido de ajuda nos tribunais
Em sua luta nos tribunais americanos contra fundos de investimentos que contestam regras de acerto com credores, a Argentina quer incluir o Brasil na questão como amicus curiae – em juridiquês, a expressão serve para identificar alguém que pede para entrar num processo do qual não é parte, mas cujo resultado pode influir em seus interesses.
A participação do país seria na qualidade de assistente para reforçar a defesa argentina. O pedido de ajuda vai ser encaminhado a Guido Mantega.
A turma do Banco Central e do mercado no Brasil não quer nem sonhar em ver o Brasil metido na confusão. Já bastam as nossas….
Por Lauro Jardim

Carga especial

aviao-forca-aerea
A população paga
O governador Tião Viana pediu e a Casa Civil liberou dois aviões da FAB para fazer o transporte de 152 toneladas de alimentos para abastecer os supermercados do Acre, estado com acesso rodoviário restrito por causa das cheias do Rio Madeira (leia mais aqui).
Um parecer da Advocacia Geral da União a pedido do Ministério da Integração Nacional, no entanto, autorizou a operação, mas recomendou que a conta do frete especial não recaia sobre o erário.
Para a AGU, os custos tem que ser arcados pelos beneficiários, ou seja os empresários acrianos.
Não é o que está ocorrendo. Ontem, o setor de supermercados do Acre se reuniu com a imprensa local para dizer que tentará repassar para população a redução nos custos de frete que eles conseguiram com a ajuda oficial.
Por Lauro Jardim

Dilma entre Temer e Henrique Alves

Dilma entre Temer e Henrique Alves.Vejam só a expressão de felicidade dela! Parece que está remoendo um pequeno polvo in natura.


reforma ministerial

Ailton de Freitas/O GLOBO

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LIBERDADE COMO NOSSO DOM MAIOR

Ser livre para ir e vir!Pela liberdade de expressão.Pela humanidade contra os pregadores da escuridão que assolam nosso mundo moderno.Democracia verdadeira sempre,não aquela de fachada que persegue quem não compartilha de suas idéias.